OS PREÇOS DA COMIDA CONTINUAM A SUBIR

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Dentro de uma semana, há uma lista de 44 produtos alimentares que passarão a ser vendidos sem IVA. É suposto que, sem imposto, esses produtos baixem de preço. No entanto, a maioria dos produtos da lista aprovada pela Assembleia da República tinha IVA de 6%, pelo que a redução, se existir, será nessa ordem de valor.

A escolha dos produtos foi negociada, não só com todos os partidos políticos, como também com os setores da produção e da distribuição, a quem o Governo atribuiu apoios de 140 milhões de euros.

Este esquema está aprazado para entrar em vigor no dia 18 de abril e deverá durar 6 meses. Mas, entretanto, os preços continuam a aumentar. Se formos ao supermercado diariamente e se nos dermos ao trabalho de ir comparando preços, verificaremos aumentos inusitados e incompreensíveis.

Por exemplo, no Intermarché, o arroz mais barato custava há dias 0,99 cêntimos por quilo. Hoje, está a 1,09 euros. Nesta semana, não há notícia dos combustíveis terem aumentado 10%, não há notícia dos trabalhadores do setor terem tido aumentos de 10%, mas há produtos que aumentaram 10%, como é o caso deste arroz.

10% de aumento nesta marca de arroz

Outra curiosidade constatada no mesmo Intermarché é o “desaparecimento” de alguns produtos mais baratos e que também estão incluídos na lista dos que vão beneficiar do IVA zero, como é o caso do atum em lata. Referimo-nos ao atum posta em óleo da marca Adonis (0,69€ a lata) e ao sangacho de atum da marca Radar (0,59€ a lata). Enquanto as prateleiras de outras marcas estavam bem fornecidas, a zona dos atuns baratos estava sem nada.

marcas mais baratas ‘desaparecidas em combate’

Haverá várias explicações para tal. Talvez os consumidores não tenham dinheiro para marcas de atum mais caras e esgotem os produtos mais baratos. Talvez os serviços de reposição do supermercado andem a dormir na forma. Talvez o stock tenha acabado. Talvez eles queiram vender as marcas mais caras. Podemos escolher uma das hipóteses ou todas. Vai dar ao mesmo: o atum barato desapareceu e quem se lixa é o mexilhão.

1 COMENTÁRIO

  1. Este é um assunto muito importante.
    Quem tem o suficiente para se alimentar, olha para o lado, mas há muita gente que se envergonha de dizer que passa mal e de aceitar “esmolas” de vez em quando.
    Todas as hipóteses que o Carlos Narciso enumera, devem estar correctas, formando um ciclo com vícios pelo meio. Os que puderam abastecer-se, mesmo com carências, esgotaram os produtos mais baratos (o vício de açambarcar pelo temor do futuro). O stock acabou e a reposição não interessa (vício maior) para se poderem vender outras marcas. Os que não têm senão para um dia de cada vez, não sabem se serão obrigados a recorrer à “sopa dos pobres”.
    Ela continua a justificar-se, sim, triste é que seja em sociedades de abundância. Daí que pensar em canalizar os excedentes, o desperdício, para cantinas que garantam uma refeição diária aos mais necessitados, não seja esmola, mas obrigação.
    Os recursos deviam repartir-se por todos. E se há sempre alguns que adoecem de fartura, deviam ser ensinados a colocar o que não gastam numa caixa para os que adoecem de fome.

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