MASSACRADAS IMPUNEMENTE

Resido em Canidelo, Vila do Conde. É uma zona agrícola com alguma floresta, ainda. Digo ainda porque a floresta está a desaparecer. Com o abate das árvores, a destruição do habitat de muitas espécies animais. A biodiversidade está a desaparecer.

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Num local muito perto de casa, numa pequena estrada que atravessa campos agrícolas, encontro muitos répteis e anfíbios mortos, infelizmente.

No caso dos anfíbios, esmagados por veículos, a morte é em alguns casos acidental, mas a maioria é por falta de cuidado por quem lá circula. Também há (quero acreditar que já sejam uma minoria) quem o faça de propósito e os tente esmagar sempre que se deparam com um animal atravessar a estrada.

ANIMAIS APEDREJADOS ATÉ À MORTE

Já no caso dos répteis (principalmente cobras) a história é outra. Além dos atropelamentos, acidentais ou não, muitas cobras são mortas de propósito, as provas são evidentes. Quase sempre, quando encontro um réptil morto, está com o corpo esmagado em vários locais (já encontrei animais ainda vivos, mas com as entranhas todas de fora ou com ferimentos irrecuperáveis na zona da cabeça) e quase sempre junto ao corpo as armas do crime (pedras e paus ensanguentados). Quem faz isto talvez não saiba, mas é crime matar animais selvagens, em Portugal.

cobra-rateira

A única exceção são as chamadas espécies cinegéticas, como tordos, perdizes ou coelhos, e mesmo aí há regras: só podem ser caçadas em zonas próprias, sinalizadas para o efeito, e em períodos específicos, definidos por lei.

UMA COBRA AGRADECIDA

Em Outubro de 2016, encontrei duas cobras rateiras mortas, junto a um pequeno muro que faz divisão entre o campo e a estrada. Uma vez mais, animais assassinados, apedrejados. Eram dois exemplares juvenis, provavelmente nascidos em Agosto desse mesmo ano.
Passei a ficar atento a ver se encontrava mais algum espécime dessa ninhada. No mês seguinte, encontro mais um juvenil, felizmente vivo, relativamente perto do local onde os “irmãos ou irmãs” tinha sido mortos. Então decidi capturá-lo e levá-lo para outro local, na tentativa de a salvar do mesmo destino que as anteriores.

Dias mais tarde, consegui capturar a cobra e levá-la para um local de floresta afastado das estradas e da passagem de pessoas. Libertei-a junto a um caneiro de regadio dos campos junto à floresta.

Qual foi o meu espanto, quando, talvez percebendo a minha boa ação, em vez de fugir, a cobra deixou-se ficar durante bastante tempo. Não podia recusar a disponibilidade dela para se deixar fotografar.

Estava eu nisto, deitado no chão, a ocupar o caminho pedonal de acesso aos campos, quando um agricultor local se assustou ao ver-me ali esticado: pensava que eu estava morto.

Fernando Ferreira Photography |Fotógrafo de Natureza

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