É demasiado desigual, a luta entre ambientalistas e as corporações industriais, comerciais e financeiras. De um lado, a necessidade de proteger o ambiente. Do outro, a ânsia por lucros cada vez maiores.
Os donos do dinheiro não pretendem deixar de acumular riqueza, não escutam a ciência que aconselha outros paradigmas de desenvolvimento.

Na Ásia e em África continuam a construir-se novos oleodutos e gasodutos, mesmo sabendo que já estão desfeitos os equilíbrios que possibilitam a sustentabilidade ambiental.
Nos países onde a opinião pública tem alguma força e capacidade de expressão, apesar da repressão e censura, as ações de protesto multiplicam-se. Os ativistas são frequentemente detidos, aprisionados, julgados e, por vezes, condenados a penas de prisão. Mas eles persistem na luta.
Apesar das tecnologias que desenvolvemos, das capacidades que adquirimos, a humanidade é frágil, dependemos da natureza. Quando a destruímos, estamos a cavar a nossa própria sepultura.

António Guterres assumiu, há dias, baseando-se no último relatório da ONU, desenvolvido por cientistas climáticos, que estamos muito perto do limite para uma ruptura climática extrema.
Os ambientalistas lutam em várias frentes, qual delas a mais difícil. São tremendas batalhas jurídicas para forçar uma ação climática urgente dos governos, para defender a Amazônia, para exigir que governos taxem corporações e os muito ricos, de modo a angariar fundos para combater a desigualdade e para acelerar a transição para a energia verde. Sim, porque não haverá bom ambiente sem justiça social.




Como lamento a situação a que chegámos, esta incapacidade dos ricos que comandam na sombra, perceberem que um dia a destruição alcançará toda a gente. TODA.
Como admiro a coragem dos ambientalistas que lhes fazem frente, apenas por convicção e inteligência.
Quando entenderão os primeiros, simples mortais que um dia partirão de mãos vazias, que os outros, que eles condenam e penalizam de várias maneiras, estão a tentar salvaguardar o ambiente onde os descendentes de todos hão-de viver?
Chegará o dia do ajuste de contas. A tecnologia contra a natureza é como a economia contra a sociedade.
Será assim tão difícil entender que “não herdámos a Terra, apenas a pedimos emprestada aos nossos filhos”?