ALMAS GÉMEAS

A CATEDRAL E O MUSEU NACIONAL GRÃO VASCO

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à esquerda, Catedral e Museu Nacional Grão Vasco. (Foto Germano, anos 50 de séc. XX), à direita torres da Catedral vistas da varanda do Museu Nacional Grão Vasco

Catedral!… Quem vem de longe e sobe à cidadela é como se olhasse, bem de frente, os olhos de alguém e logo sentisse que estava em casa sua, que a porta estava aberta e era só entrar. Ou, então, ficar ali a conversar. E ali se contaria o tempo dela, que vem de longe, de quando já não há retrato dela.

Olhando a Sé, como quem olha de frente, pressente-se o antigo tempo românico da época condal de D. Teresa e D. Henrique que sediaram em Viseu (1109-1112). Pressente-se na arquitectura das torres, mesmo nessa que tombou devido a grosso temporal (1635) e derribou o corpo central da frontaria, obra magnífica de D. Diogo Ortiz de Vilhegas (1476-1519) levantada ao jeito dos delicados lavores do gótico final.

Quem entrar fica pasmado, ao olhar a sua abóbada dos nós (1513), que Grão Vasco retratou na sua tábua o Pentecostes e que faz daquele templo uma igreja-salão.

A torre dos sinos, colada ao Museu, foi levantada de novo pelo arquitecto João Moreno, que ali veio de Salamanca e fez o risco maneirista desse corpo central, que recorda retábulo de altar, lá onde estão, entronizadas, as figuras dos quatro evangelistas, S. Teotónio, ali prior, e Nossa Senhora da Assunção, a padroeira.

Quem entrar não deixe de olhar a abóbada dos nós. Não fique sem olhar a talha dos altares, esse mar de ouro do altar maior (1733-1734), onde campeia, entronizada, a mais bela imagem gótica, que houve de Maria, em Portugal: a Senhora do Altar-mor. E não deixe de olhar a mística capela de abóbada mudéjar, de que D. João Vicente fez panteão. E a sacristia, de que D. Jerónimo de Ataíde levantou, ao redor de 1574, o tecto pintado de grotesco, o revestimento azulejar.

Pode, então, subir a larga escadaria, que, dos topos do transepto, leva a uma alta galeria. E da Varanda dos Cónegos pode olhar o corpo inteiro da cidade. E pode entrar, por fim, no seu Tesouro, esse cofre de magia, onde se conta a sua história, como se escrita fosse em letras de oiro.

O Museu ali ao lado, titulado de Grão Vasco, fora antes Colégio ou Seminário. Foi moderno Paço episcopal levantado, onde os bispos já haviam tido medieva residência. Obra maior dos bispos D. Nuno de Noronha, que, em 1593, inicia a obra de pedraria, logo prosseguida por D. António de Sousa, entre 1595 e 1597, e depois continuada até receber os primeiros estudantes.

Nunca foi lugar vazio. Hoje é um Museu de Arte titulado Nacional.

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