PRESERVAR A SÉ CATEDRAL E SALVAR A MESQUITA

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Vai longa a querela entre arqueólogos e a Direção Geral do Património Cultural (DGPC).

Em questão, as obras em curso na Sé Catedral de Lisboa, classificada como Monumento Nacional desde 1910.

A DGPC tem em marcha obras de consolidação do claustro que implicam a construção de estruturas subterrâneas em betão. Acontece que no decorrer desses trabalhos ficou destapada a velha mesquita de Lisboa, e outros vestígios ainda mais antigos. Os arqueólogos querem preservar tudo, mas para isso precisam de impedir a obra em betão.

Numa carta aberta, um grupo de 25 arqueólogos reforça a sua oposição aos trabalhos em curso.

“Queremos deixar claro, e por escrito, à semelhança do que afirmámos em Setembro de 2020 e em Dezembro de 2021, que nos distanciamos inteiramente dessas opções”, dizem os arqueólogos, que têm desenvolvido várias ações de sensibilização para esta causa, como foi o caso de um cordão humano à volta da Sé, em junho deste ano.

Há já mais de 20 anos que os primeiros vestígios da mesquita foram destapados, em obras de manutenção nos claustros da Sé Catedral. De então para cá, a dimensão e a importância da mesquita que a igreja esconde não deixou de espantar os que se interessam pelo assunto.

Os arqueólogos já tiveram algumas vitórias neste processo, quando em outubro de 2021 a ministra da Cultura, Graça Fonseca, determinou que os vestígios da antiga mesquita, referenciada como “almorávida”, deviam ser mantidos no local. A decisão da ministra inviabilizou o projeto da DGPC que era de retirar do local uma parte dos vestígios e soterrar o restante.

“Ao longo deste processo inverteram-se as prioridades, colocando-se à frente da salvaguarda do património o primado do exercício da arquitetura. Constata-se que não foi reconhecida a necessidade de adaptação do projeto aos vestígios arqueológicos que entretanto foram sendo identificados, e cujo real valor patrimonial é indiscutível,” voltam a afirmar os arqueólogos na carta aberta.

E se assim é, não se percebe porque se insiste no erro.

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