A economia da guerra

Se houver guerra em larga escala entre a Rússia, a Ucrânia e outros territórios limítrofes, casos da Bielorrússia ou Moldávia, o resto da Europa vai sofrer. Nem será preciso que a guerra afete militarmente algum território de um país membro da NATO. Vamos sofrer... Todas as guerras trazem destruição, morte e fome. Ninguém tem dúvidas quanto a isso. Na verdade, não há vencedores numa guerra. Perguntem às viúvas, aos pais dos soldados mortos. Mas os capitalistas vêem sempre oportunidades no sofrimento alheio.

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A guerra será o principal argumento para o preço do petróleo disparar em alta. Atrás do petróleo irá tudo o resto, desde a alimentação, ao vestuário, serviços, tudo irá ficar mais caro. Os americanos dizem que irão substituir a falta do gás russo pelo seu próprio gás. Mas não dizem a que preço. E o gás americano precisa de atravessar o Atlântico em navios-tanque para chegar à Europa. Será uma procissão de navios-tanque. Uma linha de abastecimento vulnerável, mesmo não sendo alvo direto de ataques. Qualquer grupo terrorista vai querer fazer o gosto ao dedo. Fazer explodir navios-tanque cheios de gás deve dar um espetáculo lindo de se ver.

navio-tanque de transporte de gás

Quem ganha com a guerra

Numa entrevista à agência Lusa, o bastonário da Ordem dos Economistas, António Mendonça, alerta que estamos à beira de uma nova crise económica mundial.

“Pode ser que estejamos à beira do desencadear de uma nova crise económica global, a juntar-se à crise financeira de 2008-2009 e à mais recente crise da covid-19. Poderá ser catastrófico”, disse António Mendonça, nas declarações à Lusa.

António Mendonça acredita que “Portugal não será seguramente o mais afetado”. Para o economista, “o que está a acontecer era previsível e, mais uma vez, os americanos têm marcado a dinâmica da resposta ocidental, o que não deixa de ser prejudicial para a própria União Europeia que corre sérios riscos de perder completamente a iniciativa numa questão em que os europeus serão sempre os mais afetados”, argumenta.

“Naturalmente que os impactos sobre os preços serão grandes, com todas as repercussões em cadeia”, mas as consequências mais negativas serão, sobretudo, para a Rússia.

Já os Estados Unidos podem vir a ser bastante beneficiados, lembra o Bastonário, “com o desvio das importações europeias”. Contudo, lembra que “não será fácil substituir de um momento para o outro mais de 20% do gás consumido na Europa”.

Os sacrifícios tocarão a todos os países europeus, no entanto Portugal “pode ser uma oportunidade para fazer valer os projetos energéticos”, diz António Mendonça, “designadamente o papel do porto de Sines” e reforçar “o sistema de transporte energético na Península Ibérica e as suas ligações com a Europa”, defende, acrescentando poder ser “uma boa ocasião para a União Europeia pensar como unidade e não como um somatório de interesses dos mais fortes”.

2 COMENTÁRIOS

    • Isso quer dizer o quê? que os navios estarão sempre no meio do oceano? nunca se aproximarão de terra? cada navio será escoltado por um navio militar? por submarino? aviões no ar em permanência? vai sair barato esse gás…

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