Morrer de fome

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O futuro da maioria dos jornalistas, principalmente de jovens jornalistas, está escrito neste anúncio de uma revista online especializada em música, no caso música tocada com instrumentos de percussão. Querem alguém que trabalhe de borla. Com uma vaga “promessa” de um salário num futuro mais ou menos longínquo.

Acreditamos que não possam pagar, pelo que vimos do trabalho que apresentam nas redes sociais. Tudo baseado em partilha de serviços. O designer dá uma borla a troco de um link onde expõe as suas coisas, a malta da fotografia faz a mesma coisa e por aí fora. Ninguém ganha nada, o dinheiro não circula, apenas existe boa vontade.

Não há patronos e o tal mercado não consome, até porque os circuitos de produção e distribuição não funcionam de borla. Por exemplo, quando alguém vai a uma loja comprar um instrumento musical, chave de parafusos, microfone, computador, tem de pagar. Se não pagar não tem a ferramenta e sem ela não produz.

É o drama dos criativos que vivem em sociedades empobrecidas. O esforço morre aí, na falta de visibilidade das criações, seja canto lírico ou pintura, teatro, jornalismo ou tocar tambor. Ou se quebra o ciclo vicioso das borlas ou vão morrer todos de fome.

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