Não se governam nem se deixam governar

Há, nos confins da Ibéria, um povo que não se governa nem se deixa governar. Quando nem os políticos se entendem e se mostram incapazes de um pacto de regime face a uma ameaça da dimensão de uma pandemia, como esperar que o resto da população perceba qual o seu papel na resolução deste problema?

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Aproximam-se eleições e o Governo está sob uma tremenda pressão para aliviar as medidas de combate à pandemia, principalmente aquelas que limitam as liberdades das pessoas e a retoma das atividades económicas.

Apesar dos números de contágios e mortes continuarem preocupantes, os partidos políticos da oposição não perdem a oportunidade de cavalgar o desespero de empresários sem atividade e da população cansada de medidas de restritivas.

Hoje, Portugal registou, nas últimas 24 horas, um novo aumento no número de pessoas internadas, com 2.316 casos de novos infetados. Há, ainda, seis mortes a lamentar, segundo dados da Direção-Geral da Saúde. Estão internadas 928 pessoas, mais nove do que na segunda-feira, e 200 estão em unidades de cuidados intensivos, mais duas pessoas que ontem.

A maioria das novas infeções por SARS-CoV-2 ocorreram na região do Norte (920), enquanto em Lisboa e Vale do Tejo há mais 835 pessoas contagiadas. As seis mortes registaram-se nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo (quatro), Norte (uma) e Centro (uma).

O que dizem os partidos

Mesmo com números destes, os partidos políticos insistem em medidas que não ajudam a combater a pandemia, apesar de poderem agradar às pessoas.

Exemplos.

O PCP quer que se “liberte a vida das famílias de restrições injustificadas” e sejam tomadas medidas de “dinamização da atividade económica, social, cultural e desportiva”. Todos querem ir à bola, mesmo se o Luís Filipe Vieira já não tem bilhetes para oferecer.

O Bloco de Esquerda defendeu hoje que este “já não é o tempo de discutir restrições às liberdades individuais” mas sim o regresso gradual à normalidade, insistindo no reforço da vacinação e do Serviço Nacional de Saúde. O Bloco acredita que a vacinação resolverá tudo.

O CDS-PP diz que “é tempo de devolver a liberdade às empresas e às pessoas”, diminuindo as restrições de acesso a hotelaria, restauração e supermercados. É o som da caixa registadora que os move, como sempre.

Depois há aqueles que apenas não querem ficar doentes, mas que nesta altura parece que deixaram de existir. Realmente, deve ser difícil governar nesta “freguesia”.

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