Menina romena com patente de general

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No Arco da Rua Augusta uma menina toca acordeão. Poderá descender de portugueses que combateram nas legiões romanas na atual Roménia. Os olhos belos da menina romena têm um doce encanto português. Ali,sentada no chão do Arco da Rua Augusta, em Lisboa. Abraça-se a um acordeão trazido da Roménia, onde os lusitanos combateram há 2 mil anos. Integrados nas tropas de Públio Cornélio Cipião ou muito mais tarde numa das legiões de Júlio César. 

Ela veio para cá por esperança. Os portugueses foram para lá, por causa da guerra. Será nossa filha? A procura deste facto histórico é uma tormenta. Centenas de lusitanos foram incorporados no “Légio Nona Hispana” do Exército Imperial Romano do século I a.C.. Que existiu até 120 d.C. . Depois o Légio desapareceu misteriosamente. Este légio terá combatido na Ilíria, no norte da Grécia, e na atual Roménia. Por lá existem várias cidades com nomes semelhantes aos de Portugal: Breaza (Braga), Satumare (Tomar) e, imagine-se, Viseu, igualzinho a Viseu.

Quem me alertou para os nomes foi Vassil Bindae, um engenheiro romeno, casado com uma bióloga, que por cá é empregada doméstica. Ele trabalha numa loja de informática. “Ganhamos muito mais. Temos uma filha na escola. Somos muito felizes”, contou-me.

O mesmo não sucede com a jovem do acordeão. Veio pela Europa aos trambolhões.Enfrentou homens, regateou com mulheres e sobreviveu a todos os entraves dos serviços de fronteiras.  Passa fome mas sorri. É uma heroína, a quem Cipião ou César haveriam de pedir gentilmente para tocar música para as suas legiões. Uma menina com patente de general. Mas nós deixamo-la ali, no lamento do acordeão. 

Em pleno Natal, esquecemos Cristo, Paulo de Tarso, Agostinho e agora Francisco, que um dia destes há-de aparecer morto. Pela nossa indiferença.

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