À CATA DE MIRAS DE ESPINGARDAS

Ao todo tive, já por quatro vezes, a agradável surpresa de conseguir reunir miras de espingardas da Casa Real Portuguesa, que se encontravam soltas, e onde me foi dada a honra de as colocar de novo nos seus lugares próprios. Por isso estou a lançar este apelo.

0
2

Tais anéis os encontrei em manequins por cima de luvas! Venho perguntar se já viram algo assim?

Um é a mira de uma espingarda de caça do nosso rei Dom João VI, manufacturado em escultura de aço embutida a ouro, no ano de 1823, pelo Mestre do Arsenal Real de Lisboa, Thomas Jozé de Freitas. Primeiro, consegui ser dono da arma e, tempo depois descobri a mira faltosa. Esteve num manequim por cima de uma luva!

A outra é  do Grande Mestre Bartholomeu Gomes, que a fez em Lisboa, no ano de 1776. Também esteve separada da espingarda, mas numa gaveta de ferramentas na Quinta da Torre, em Azeitão. Tinha sido oferecida pelo rei Dom Carlos ao seu médico, Manuel Bento de Sousa, que ai formou um bela colecção.

Encontrei outras miras portuguesas do século XVIII, também montadas em colecções de luvas de cabedal… em manequins! Mas eram de menor qualidade e não se sabia quem as fizera, nem quando nem a quem se haviam destinado. Essas acabaram por servir para alegrar coleccionadores que tinham espingardas de caça portuguesas para as quais tais peças eram adequadas.

Caso alguém ter visto situações semelhantes agradecia que me comunicassem.

Rolf van der Niepoort também chegou a encontrar miras soltas, mas eram geralmente das célebres lazarinas de Braga, espingarda de pequeno calibre e de um só cano cano fino e comprido; o nome deriva de Lázaro, antigo armeiro de Braga (Portugal) que fabricava este tipo de armas; no sertão nordestino brasileiro, era tradicionalmente usadas para caçar pássaros.

Mesmo assim de cada uma que se encontrou, mais cedo ou mais tarde, se reencontrou uma espingarda onde tal peça faltava. As que, de momento, me interessam são apenas as de alta qualidade, das quais se sabe quem as fez, quando e para quem.

Dir-se-á que estamos a falar de meros e desinteressantes estudos secundários; certo é que, desta maneira, pouco a pouco,  se aprofundam bastante os nossos estudos gerais.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui