FACE AO GENOCÍDIO DE GAZA, A BRANDURA DE PORTUGAL

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Gaza, julho de 2026

Isaltino Morais não foi o único autarca português a ir a Israel “a convite do Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita e da Embaixada de Israel em Portugal”. A explicação vem nas redes sociais, com a chancela do embaixador de Israel em Portugal.

fonte Instagram IsraelinPortugal

A informação não especifica quem pagou as despesas da viagem, mas depreende-se que terá sido quem fez os convites. A informação também não nomeia nenhum dos autarcas portugueses que aceitaram o convite, mas o Presidente da Câmara de Oeiras assumiu que esteve em Israel para visitar uma feira empresarial onde decorreu uma conferência sobre “cidades inteligentes”.

Hoje, a expressão “cidade inteligente” está frequentemente associada a sistemas de videovigilância, reconhecimento facial, análise de dados, controlo de multidões e outras tecnologias de monitorização. Trata-se de um setor onde várias empresas israelitas ocupam posições de destaque, desenvolvendo soluções que, em muitos casos, resultam de conhecimento adquirido em contextos de ocupação militar e de conflito. Essas empresas  anunciam produtos como combat proven (testados em combate), precisamente para lhes conferir credibilidade comercial. Na maioria dos casos, os ditos “combates” não passam de assassinatos seletivos ou de tiro ao alvo contra multidões em Gaza, na Cisjordânia e em outros territórios vizinhos.

Na conta de Instagram IsraelinPortugal multiplicam-se os registos de contactos do embaixador israelita com autarcas portugueses, incluindo os presidentes das câmaras de Oeiras, Guarda, Valongo, Vila Nova de Gaia e outros municípios. A mesma conta documenta convites para cerimónias oficiais, como as comemorações do 10 de Junho, e diversos encontros institucionais.

à esquerda, o embaixador de Israel com o autarca da Guarda, à direita com o autarca de Oeiras

A imagem que daí resulta é inequívoca: o embaixador de Israel continua a ser recebido com toda a normalidade por responsáveis políticos portugueses, que aceitam surgir em fotografias de cordialidade institucional ao lado do principal propagandista e representante diplomático em Portugal de um Estado atualmente acusado, em instâncias internacionais, da prática de crimes de guerra, crimes contra a Humanidade e genocídio contra a população palestiniana.

embaixador de Israel com o ministro da Defesa Nacional do Governo português

Tal como escrevemos na crónica de ontem, “quando um representante institucional português escolhe deslocar-se a Israel para participar numa iniciativa de promoção empresarial, fá-lo num contexto em que o Estado israelita enfrenta acusações de crimes de guerra, crimes contra a Humanidade e genocídio sobre a população palestiniana.”

Claro que são escolhas que transmitem uma mensagem política. E, neste caso, são sinais de normalização de crimes de guerra e do genocídio de um povo.

publicado em ISALTINO EM ISRAEL

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