Um amigo do peito.
Acompanhei bem de perto a actividade de Piñeiro Nagy, desde que, modesto, simples, nos apareceu a tocar guitarra clássica, um instrumento para nós ‘estranho’ nessa altura.
Lembro-me dos seus concertos simples, sem alarido, na Sala de música do Museu dos Condes de Castro Guimarães na década de 60 (se não erro). Pouco a pouco, Piñeiro Nagy foi conseguindo mostrar a importância da Música. A importância de um Festival de Música em Cascais. A importância de Cursos Internacionais, aqui, durante o Verão.
Joaquim Miguel de Serra e Moura, presidente da Junta de Turismo da Costa do Sol depressa apoiou a ideia. Abriu, sem medo, os cordões à bolsa, ainda que sabendo ficar sujeito a críticas dos que viam no turismo apenas sol e mar. Teimou Serra e Moura, teimou Piñeiro Nagy. A criação do Museu da Música Portuguesa teve também a sua mão.
Festival de Música de Cascais a rivalizar com o Festival de Sintra de mais longa tradição. Vinham mestres de reconhecidas escolas portuguesas e estrangeiras. Madalena Sá e Costa, Maurice Eisenberg. Cito de cor os primeiros que me vêm à mente.
As audições no final dos Cursos, a euforia, um nervosismo, a recompensa pelo trabalho desenvolvido.
Muitos anseios partilhámos. Muitas linhas tive o gosto de escrever para mostrar como era do maior interesse turístico-cultural o que se estava a levar a cabo aqui nesta Costa do Sol, nesta antiga Costa do Sol. Não me arrependo de todo o apoio que dei.
Meu caro Piñeiro Nagy, descansa em paz! Este ano, parece, já não temos Festival. Mas eu acho que, em tua memória, alguém o irá ressuscitar, acredita!
Um abraço grande, Amigo!




