JARDIM DE CORES

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Deu-se-lhe o nome de Jardim de Cores. Foi, decerto, antes de as telas terem sido escolhidas. Sim, uma exposição coletiva de pintura é sempre jardim de cores, se os quadros ajudarem; no caso da exposição patente, até ao próximo dia 20, na galeria do Casino Estoril, não ajudam:

– Olga Costas ficou-se pelo negrume da tinta-da-china;

– João Feijó apresenta quatro aguarelas da série “Oriente”, cada uma de cor ténue e a 9250 € (aí, sim, fica-se, de facto, de todas as cores!…);

– A polaca Mariola Landowska,  radicada em Portugal desde 2004, tem saudades da paleta cromática das vestes da sua terra;

– Paulo Ossião deixou, por seu turno, o ténue azul do casario lisboeta e seduz com bem cativantes figuras femininas: um primor, a grávida, por exemplo; e a vivacidade daquele olhar azul – que lindo!…

– Filipa Oliveira Antunes foi a única que salvou a ideia de jardim colorido, não só porque nos deixa bem vermelho cravo sobre fundo azul, o vermelho de imponente crista de galo em fundo amarelo e até o branco casario alentejano de poderosos chupões altaneiros a desafiar o azul do céu não é jardim mas com ele casaria bem.

Não há, pois,  explosão de cor e o jardim… só imaginado! Quem, no entanto,  se dispuser a visitar a exposição não ficará descoroçoado, porque, logo à entrada, terá de imediato a sensação de que precisará de largos minutos para tudo saborear a preceito.

Quererá sentir de perto a serenidade a desprender-se da cativante solenidade do casario alentejano. Quererá admirar de perto a grávida e o olhar líquido, límpido, banhado (dir-se-ia) em sereno mar azul,  de uma das figuras femininas do Paulo Ossião.

Toda a arte deve ter por condão convidar-nos a encetar caminho pelas veredas da Beleza. Olga Costas preferiu agarrar-nos e não nos deixar partir; Mariola apontou a vivida garridice das vestes da sua Europa Central; João Feijó sugeriu a delicadeza dos arranjos florais do Extremo Oriente; Paulo Ossião sublimou feminismo; Filipa Oliveira Antunes fez-nos imaginar que, no seu branco recanto alentejano, há sempre um cravo vermelho e, em simbiose, o entrelaçar de dois cantares: esse, campestre, do galo e o sempiterno de Amália.

Em silêncio por ali me quedei minutos sem fim.

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