UM OLHAR DE ETNOARQUEÓLOGO SOBRE O DISTRITO DE LISBOA

Durante 18 anos, como arqueólogo da Assembleia Distrital de Lisboa, viajei por todos os concelhos que formam o espaço geográfico do Distrito de Lisboa.

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Reguengo Grande_ Telhado tradicional de com telha portuguesa

Foi uma possibilidade única de enxergar na prática um território que só conhecia, aquela época, pela rama. Até aquele momento o meu território resumia-se ao espaço físico compreendido entre o Cabo da Roca e Belém pelo que costumava dizer: “Lembranças da minha memória longínqua são os ventos da Azoia e a placa da rotunda de Algés, metade com ervas e a outra metade roçada”.

Foi através do conhecimento que detinha do território inicial que me foi possível realizar uma aprendizagem mais profunda sobre as populações da Península de Lisboa.

Povoação de Capelas_ Chaminé com saídas triangulares

Maria Micaela Soares, em Março de 1996, chamou-me à atenção para a importância que seria a nível pessoal, o conhecimento de uma realidade mais abrangente que eu até aquele momento não detinha e para coisas que não me apercebia, como a mudar o meu modo olhar e analisar os assuntos sobre outros ângulos.

No entanto a experiência que detinha do território geográfico a ocidente de Lisboa tornou-se fundamental para fixar, através da fotografia, realidades iguais ou diferentes das que já conhecia.

Destes registo saíram algumas exposições realizadas na Biblioteca da Assembleia Distrital de Lisboa e que vou a partir de hoje apresentar de modo a que outros que apreciem estes temas as possam ver através do meu olhar.

Vamos começar pelo concelho da Lourinhã, o mais a Norte da região distrital em causa. No primeiro conjunto de fotos apresentamos alguns aspectos desgarrados que intitulei: “Lagares e apontamentos diversos”.

Povoação de Capelas_ Lagar de vinho
Reguengo Grande_ Lagar de vinho

Os velhos lagares de vinho que lentamente estão a desaparecer em prol das adegas cooperativas ou das novas empresas vinícolas ou também o forno de cal da Ventosa, com cúpula cónica, muito diferente dos que até aí conhecia.

Povoação de Ventosa_ Cúpula de forno de cal
Casal da Azeitona_ Poço cisterna

Não foi novidade as cisternas existentes no meio do lapiaz de Reguengo Grandes. Já tinha tido contacto com exemplares idênticos na Serra dos Candeeiros, quando me dedicava à espeleologia. Diga-se que a realidade geológica é idêntica, daí o mesmo método para recolher e armazenar a água da chuva.

Reguengo Grande_ Cisterna no lapiaz
Reguengo Grande_ Cisterna no lapiaz
Reguengo Grande_ Tanque no meio de um cercado
Reguengo Grande_ Forno e chaminé

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