Foi uma possibilidade única de enxergar na prática um território que só conhecia, aquela época, pela rama. Até aquele momento o meu território resumia-se ao espaço físico compreendido entre o Cabo da Roca e Belém pelo que costumava dizer: “Lembranças da minha memória longínqua são os ventos da Azoia e a placa da rotunda de Algés, metade com ervas e a outra metade roçada”.
Foi através do conhecimento que detinha do território inicial que me foi possível realizar uma aprendizagem mais profunda sobre as populações da Península de Lisboa.

Maria Micaela Soares, em Março de 1996, chamou-me à atenção para a importância que seria a nível pessoal, o conhecimento de uma realidade mais abrangente que eu até aquele momento não detinha e para coisas que não me apercebia, como a mudar o meu modo olhar e analisar os assuntos sobre outros ângulos.
No entanto a experiência que detinha do território geográfico a ocidente de Lisboa tornou-se fundamental para fixar, através da fotografia, realidades iguais ou diferentes das que já conhecia.
Destes registo saíram algumas exposições realizadas na Biblioteca da Assembleia Distrital de Lisboa e que vou a partir de hoje apresentar de modo a que outros que apreciem estes temas as possam ver através do meu olhar.
Vamos começar pelo concelho da Lourinhã, o mais a Norte da região distrital em causa. No primeiro conjunto de fotos apresentamos alguns aspectos desgarrados que intitulei: “Lagares e apontamentos diversos”.


Os velhos lagares de vinho que lentamente estão a desaparecer em prol das adegas cooperativas ou das novas empresas vinícolas ou também o forno de cal da Ventosa, com cúpula cónica, muito diferente dos que até aí conhecia.


Não foi novidade as cisternas existentes no meio do lapiaz de Reguengo Grandes. Já tinha tido contacto com exemplares idênticos na Serra dos Candeeiros, quando me dedicava à espeleologia. Diga-se que a realidade geológica é idêntica, daí o mesmo método para recolher e armazenar a água da chuva.







