As plataformas de redes sociais existem para gerar lucro às empresas que as detêm. O modelo de negócio assenta, sobretudo, em duas vias: cobrar subscrições a quem não quer ser soterrado por publicidade e vender espaço publicitário a quem quer captar atenção.
Se alguém ainda acreditava que estas redes nasceram para as pessoas comunicarem gratuitamente entre si, convém desfazer o equívoco. A comunicação entre utilizadores é o meio que cria o campo de negócio.
O problema surge quando a publicidade que circula nessas plataformas nem sempre é propriamente edificante. Aparece de tudo: esquemas duvidosos, promessas milagrosas, sexualização barata, especulação travestida de oportunidade. E é aqui que o discurso oficial começa a cheirar a farsa.
As famosas políticas de “defesa da comunidade”, supostamente criadas para garantir um ambiente saudável, parecem muitas vezes mais empenhadas em proteger os interesses de quem paga anúncios e de quem financia mensagens políticas patrocinadas.
O caso mais recente que me aconteceu é revelador. Republiquei no meu grupo de Facebook uma imagem publicitária que me surgiu na timeline: em cima, uma mulher de pernas abertas “disponível para conversar”; em baixo, mais uma promessa de enriquecimento instantâneo através de ações que renderiam 780 euros por dia.

Resultado: fui castigado pelo algoritmo zelador. Fiquei impedido de publicar em grupos, sem acesso a várias ferramentas, com limitações no perfil e nas páginas onde colaboro como administrador.

Reclamei. Inicialmente reconheceram o erro. Minutos depois voltaram atrás e repuseram as sanções. Justificação? Nenhuma.

Ora, se a mensagem era ofensiva ou perigosa, quem a publicou primeiro foi a própria plataforma. Quem a monetizou foi a própria plataforma. Mas, pelos vistos, denunciar a publicidade tóxica é mais grave do que vendê-la. Eis a hipocrisia em estado puro.
As redes sociais têm dono, evidentemente. Mas isso não lhes devia dar licença para exercer poder arbitrário. No mínimo, deveriam cumprir três regras simples:
- Não aplicar sanções sem dar ao utilizador oportunidade de resposta.
- Justificar de forma clara qualquer penalização imposta.
- Impedir que decisões punitivas sejam tomadas exclusivamente por automatismos opacos.
Dá trabalho? Custa dinheiro? Exige contratar pessoas em vez de delegar tudo num algoritmo? Sem dúvida. Mas empresas que acumulam fortunas colossais não podem invocar pobreza quando chega a hora de respeitar quem lhes sustenta o negócio.



