PORTUGAL E ESPANHA, DESCUBRA AS DIFERENÇAS

Espanha decidiu enfrentar a crise energética. Portugal decidiu acompanhá-la.

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O Governo de Pedro Sánchez aprovou um pacote de cinco mil milhões de euros e 80 medidas. Não é subtil: corta o IVA da energia de 21% para 10%, baixa drasticamente a carga fiscal sobre a eletricidade e tira cerca de 30 cêntimos por litro aos combustíveis. Ou seja, intervém.

Em Portugal, a intervenção chama-se expectativa. Em menos de um mês, o gasóleo sobe mais de 40 cêntimos. A resposta do Governo? Um conjunto de seis medidas, cuidadosamente desenhadas para não perturbar demasiado a realidade.

Há, por exemplo, um subsídio de 25 euros para botijas de gás, uma ajuda tão cirúrgica que acerta em quase ninguém. E há uma redução do ISP que consegue o feito notável de existir sem se notar. isto é, o imposto reduz mas o preço do litro continua a aumentar.

Mas a peça mais fascinante do plano português é o chamado “mecanismo de intervenção”. Um instrumento que permite ao Estado agir sobre os preços… desde que o problema atinja proporções suficientemente catastróficas para já não haver muito a fazer. Funciona assim: se os preços dispararem mais de 70% ou ultrapassarem os 180 euros por megawatt-hora, então sim, o Estado poderá intervir. Até lá, observa. Com atenção. E serenidade.

“Não nos precipitaremos”, garantiu o ministro António Leitão Amaro. E percebe-se. A precipitação é inimiga da inação.

A diferença entre Portugal e Espanha não está nos números. Está no reflexo. De um lado, um Governo que baixa impostos para travar preços. Do outro, um Governo que cria condições para agir mais tarde, eventualmente, se tudo correr mal o suficiente.

No fundo, Espanha governa para evitar a crise. Portugal prepara-se para geri-la, quando já for inevitável. Com calma. Sempre com muita calma.

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