Há 158 anos, em setembro de 1867, o primeiro volume de O Capital foi publicado na Alemanha. Uma tiragem de mil exemplares. A primeira de muitas. A obra-prima de Karl Marx, onde ele explicou o modo de produção capitalista, tornou-se num dos livros mais reproduzidos no mundo, a par dos livros sagrados de algumas religiões, seja a Bíblia, o Alcorão ou o Rigveda, entre outros.
Mas enquanto os chamados livros sagrados terão sido escritos por inspiração divina (uma espécie de Inteligência Artificial dos tempos antigos), o livro de Karl Marx foi inspirado nas iniquidades da sociedade, no sacrifício dos pobres face à opulência dos ricos, num tempo em que despontava a luta de classes.
Marx só publicou o primeiro volume de O Capital. Os restantes foram publicados após a sua morte por Friedrich Engels. Ao todo, O Capital engloba 4 livros, cada um com subtítulos próprios. É uma obra imensa e uma das mais influentes da história da humanidade. Na véspera da publicação do primeiro volume de O Capital, o próprio Marx escreveu que se tratava de “o mais terrível projéctil alguma vez disparado contra a cabeça de um burguês”.
Criou uma corrente política, o Marxismo, e os seguidores deste pensamento dizem que se trata “da maior obra política e económica” de todos os tempos.
O Capital foi traduzido para mais de 50 línguas, reeditado mais de 220 vezes, com tiragens globais de muitos milhões de exemplares, mas nunca foi um livro para o povo. Era e continua a ser leitura para elites políticas e para estudantes de economia. Para chegar ao povo, a partir dos textos originais de Karl Marx, muita gente escreveu resumos ou versões simplificadas. Até banda desenhada.






