Na vida política, alianças mudam, apoios transformam-se, e os posicionamentos adaptam-se aos contextos. Nada disso é anormal, desde que os princípios e a ética sejam preservados. É assim em todas as democracias maduras, e a Guiné-Bissau não pode ser exceção.
Ontem, Braima Camará (MADEM-G15), Fernando Dias (PRS) e Nuno Gomes Nabiam (APU-PDGB) foram determinantes no apoio a Úmaro Sissoco Embaló (USE) até este alcançar a Presidência da República. Mas como é próprio da política, divergências surgiram com o tempo. O Presidente e os seus antigos aliados afastaram-se, e em vários momentos, as novas posições desses líderes até coincidiram com os interesses do PAIGC e do seu líder, Domingos Simões Pereira (DSP) — partido de onde, aliás, todos eles saíram, com destaque para Braima Camará.

Hoje, USE dá sinais de querer corrigir o seu rumo político, promovendo uma reaproximação com os seus aliados de origem. Estes, por sua vez, mostram abertura para o diálogo e a reconstrução da confiança, talvez também porque já perderam qualquer ilusão em relação a DSP. É neste quadro que se percebe melhor a lógica da política: nela, não há amigos ou inimigos permanentes, mas sim interesses, objetivos e projetos.
As declarações do passado, feitas num determinado contexto, estão agora a ser instrumentalizadas de forma oportunista – não para esclarecer, mas para confundir, difamar e insultar. Essa tentativa de reescrever a história recente visa apenas criar divisões artificiais, mas os guineenses conhecem bem os protagonistas e os seus percursos.
Uma coisa é certa: os líderes que hoje buscam uma reconciliação com Úmaro Sissoco Embaló não têm, nem terão, qualquer confiança política em Domingos Simões Pereira. E o povo guineense sabe exatamente.



