No artigo é descrito como, contrariando o discurso oficial, os 17 contratos assinados pela então directora-geral da DGS Graças Freitas e as Farmacêuticas responsáveis pela disponibilização das vacinas, na sequência do Acordo de Compra Antecipada celebrado pela Comissão Europeia, encontram-se declarações como “O Estado membro participante reconhece que os efeitos a longo prazo e a eficácia da Vacina não são atualmente conhecidos” ou que em caso de serem provadas lesões pela vacina “(…)terá de ser o Estado português a indemnizar as pessoas”.
Em primeiro lugar fica a questão de quanto tempo as farmacêuticas se referem a “efeitos de longo prazo”. Mais de 2 meses? É porque foi pouco mais do que isso que duraram os ensaios em humanos nos ensaios clínicos. Para além do facto dos grupos de controlo terem sido todos vacinados no início de 2021 perdendo-se toda a possibilidade comparativa.
Em segundo lugar Portugal permanece como um dos países que lavou completamente as mãos em relação às pessoas vítimas de lesões provocadas pelas vacinas. Portanto falha triplamente: por um lado isenta as farmacêuticas de responsabilidade e, por outro depois de fazer forte coação para uma vacinação que não sabe se é segura, abandona à sua sorte os seus cidadãos que ficaram gravemente afetados na sua saúde porque acreditaram no slogan , repetido “ad nauseam” do “segura e eficaz”
Esta publicação no jornal “Sol” peca por tardia e por, na realidade, não vir dar novidade nenhuma para quem, desde cedo, teve dúvidas.
Apesar do eurodeputado Cristian Terhes ter, a partir de 2022, mostrado bastante indignação pela falta de transparência de Úrsula Van der Leyen na formulação dos contratos e de estes se encontrarem bastantes redigidos, quando publicados pela Comissão Europeia, o facto é que, por exemplo, o contrato da Pfizer-BioNTech foi publicado pela emissora pública italiana RAI a 17 de Abril de 2021, tendo permanecido no seu servidor deste então. Quatro dias após a publicação do artigo da RAI, no dia 21 de Abril, o diário espanhol La Vanguardia, o terceiro maior jornal espanhol em termos de leitores, também anunciou que tinha obtido o contrato não editado da Pfizer-BioNTech e publicado um artigo intitulado “O contrato com a Comissão Europeia isenta a Pfizer de responsabilidade”.
Porque razão algo que provocou tanta indignação, em alguns círculos, nos últimos dias, passou completamente despercebido em 2021? Vou arriscar algumas razões: desde já o pânico moral que se viveu durante mais de dois anos numa comunicação social completamente imersa numa narrativa de fim-do-mundo, do qual tinha que entretanto sair. A solução, já tinham todos decidido, só podia ser a vacinação massiva por isso quaisquer notícias que levantassem dúvidas ou questões na mente do cidadão comum, eram ignoradas. Também o shadow banning que imperou nas redes sociais poderá ser o responsável. Tanto o Twitter como o Facebbok admitiram publicamente que censuravam todas as publicações que pudessem levar a hesitação vacinal mesmo que tivessem um fundo de verdade.
Ainda no mesmo dia, a Reuters também publicou um artigo sobre o contrato, citando La Vanguardia. A Reuters, porém, evitou discretamente mencionar a questão da indemnização, concentrando-se apenas no preço das vacinas.
O que é certo é que a Direcção Geral de Saúde não só “comprou” o marketing do “seguro e eficaz” como não se inibiu de promovê-lo ativamente, escondendo-se ocasionalmente por trás da Agência Europeia do Medicamento.
Mas qualquer pessoa minimamente preocupada com os seus utentes veria várias bandeiras vermelhas a esvoaçar freneticamente que, no mínimo, indicariam ao Governo que era preciso calma.
A 21 de Outubro de 2020 Peter Doshi, editor associado do The BMJ publica o artigo “As vacinas contra a Covid-19 vão salvar vidas? Os testes atuais não foram projectados para nos dizer?” Começa por apontar que os ensaios de fase III, então em curso, não estavam configurados para comprovar que as vacinas eram eficazes. Nenhum dos ensaios teria sido concebido para detectar uma redução em qualquer resultado grave, como hospitalizações, utilização de cuidados intensivos ou mortes. Também não conseguiam avaliar o efeito na transmissão.
Em Janeiro de 2021 Peter Doshi voltaria a alertar para os suposto 95% de eficácia das vacinas. Com efeito, os 95% reflectiam a redução de risco relativo (a redução de risco absoluto era de apenas 0.84%). Os efeitos adversos graves ocorreram duas vezes mais no grupo dos vacinados vs o grupo placebo(1.2% vs 0.6%). Morreram também mais pessoas no grupo vacinado, incluindo o dobro de eventos cardíacos repentinos.

Já os cientistas, Dr. Gerald Dyker, Professor de Química Orgânica na Ruhr University Bochum, e Dr. Jörg Matysik, Professor de Química Analítica na Universidade de Leipzig, alertaram em 2023, no programa on-line Punkt.Preradovic da jornalista alemã Milena Preradovic sobre a grande variabilidade que existiria nos lotes. O ponto de partida foi um estudo dinamarquês que mostrava uma enorme variação nos eventos adversos associados a diferentes lotes da vacina Pfizer-BioNTech levando a crer que muitos destes lotes seriam placebo e que nem todos estariam sujeitos aos mesmo critérios de regulação pela empresa alemã.
Já a Agência Europeia do Medicamento também observava, em fevereiro de 2021, que não havia sido feito “nenhum estudo farmacológico de segurança”.
Não fosse tudo isto suficiente ainda tínhamos os inevitáveis conflitos de interesses dentro da Comissão Europeia.
A vacina mais amplamente distribuída na Europa foi a da Pfizer-BioNtech mas a verdade é que o consórcio com a Pfizer só serviu para a vacina ser aprovada nos EUA pela FDA, aparentemente menos “picuinhas” que a Agência Europeia do Medicamente. Quem era responsável pela qualidade do produto colocado no mercado e quem lucrou verdadeiramente com as vacinas de mRNA foi a empresa alemã BioNTech.
A BioNTech não é uma empresa alemã qualquer. É uma empresa alemã que, foi fortemente promovida e subsidiada pelo governo alemão ao longo de sua breve história. De facto, o governo alemão patrocinou o fundador da BioNTech como parte de um programa “Go-Bio” especialmente dedicado para fomentar startups de biotecnologia alemãs, que forneceu não apenas financiamento, mas também orientação governamental, bem como assistência na atração de investimentos privados.
A presidente alemã da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi ela mesma membro dos dois governos alemães sucessivos que forneceram financiamento inicial “Go-Bio” para a equipa de pesquisa do CEO da BioNTech, Ugur Sahin. Durante mais de uma década, apesar do apoio contínuo do governo alemão, a BioNTech nunca chegou perto de trazer um produto ao mercado. Até o advento do Covid-19, quando a empresa rapidamente mudou o foco de seu trabalho no desenvolvimento de uma terapia contra o cancro baseada em mRNA para o desenvolvimento de uma vacina covid.
Sem surpresa, o patrocinador estatal da empresa, a Alemanha, também se tornaria o seu principal patrocinador.
Mas não foi apenas o governo alemão que apoiou a vacina da BioNTech, também a própria UE! De fato, em junho de 2020, o próprio Banco Europeu de Investimento a UE – sob a liderança de seu presidente de longa data, o ex-funcionário do Ministério das Relações Exteriores alemão Werner Hoyer – forneceu à empresa 100 milhões de euros em financiamento de dívida para apoiar os seus esforços de vacina C-19.
Este foi o segundo crédito que o BEI concedeu à BioNTech. Em meados de dezembro de 2019 – sim, praticamente simultaneamente com o primeiro surto relatado de Covid-19 em Wuhan, China! – o BEI já tinha fornecido à empresa 50 milhões de euros em financiamento de dívida.

São precisamente estas relações incestuosas, entre a BioNTech, o governo alemão e a própria UE que cheiram mal! Mas a conivência ou a completa submissão do Governo Português a estes jogos de interesses em Bruxelas só revelam a total perda de credibilidade da Direcção Geral de Saúde ou de quem, por ela, dá a cara.










