Petição para expulsão de jornalista

Tem J. Adelino Faria uma agenda política?

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Corre nos meios sociais-digitais uma petição pública a exigir nada mais que a expulsão de um jornalista. A petição aproxima-se das duas mil assinaturas, o jornalista é João Adelino Faria, da RTP.

Antes do mais acho-me no dever de fazer aqui uma declaração de intenções, coisa que está muito na moda neste país, tal como aquela outra de um político falar na qualidade de “cidadão”. Não se enervem estimados leitores, não vou por aí, talvez numa próxima crónica entre por aí, mas agora o que está em causa é um jornalista que não conheço pessoalmente, não foi meu contemporâneo na RTP e, quando o vejo no meu televisor, analiso-o do ponto de vista técnico mais do que do pessoal.

E posso dizer que não gosto dele, isto é, não gosto dele do ponto de vista profissional. Não gosto da histrionia dele, não gosto dos trejeitos faciais dele, não gosto da voz dele e não gosto do estilo de não pronunciar as últimas palavras de forma audível e compreensível.

Dito isto, vamos ao caso. O J.A. Faria (JAF) foi o jornalista convocado pela direcção de informação (ou qualquer que seja o nome dos seus superiores) da RTP, para fazer as entrevistas aos candidatos presidenciais. Começou pelo candidato do PCP, João Ferreira, seguiu-se o candidato do Chega, André Ventura e, no momento em que escrevo, acabou de entrevistar a candidata pelo Bloco de Esquerda. Marisa Matias. Notei no jornalista uma diferença de comportamento técnico em relação a esta última.

Com os dois primeiros convidados, JAF foi exageradamente agressivo, não deixou os entrevistados desenvolverem os seus raciocínios, roçou a má educação ao cortar com frequência as respostas dos entrevistados mais parecendo estar a proceder a um debate em que é claramente parte interessada do que em extrair dos entrevistados a essência dos seus projectos para o país como Presidentes da República. Usa uma técnica de barreira de ataque para confundir o entrevistado (a), corta o discurso, exige resposta à pergunta que introduziu no meio de um conceito, enfim, fez com que não ficássemos a saber quase nada sobre os projectos presidenciais dos candidatos.

Marisa Matias, com uma visão mais global, liberta de partidarismos de cassete, conseguiu passar parte da sua mensagem e deixar-nos perceber o que fará em algumas situações se for eleita. Isto apesar de várias vezes ter usado a expressão “se me deixar concluir”, porque Faria é dono do corte.

Portanto, estou numa posição em que posso dizer que não gosto do estilo dele, não faz parte da minha escola de jornalismo e acho que devia rever com a humildade que caracteriza os grandes, os anticorpos que produziu. Vamos aguardar os próximos embates para podermos afirmar, ou não, que JAF está a cumprir uma qualquer agenda. Chamei-lhes embates simplesmente porque o jornalista se colocou numa plataforma fora das normas habituais para entrevistas para as quais ele transferiu o conceito de debate.

Não é nem será por todas estas razões que eu assinaria uma petição para “expulsar do Serviço Público” um jornalista. Se fossemos por aí, tínhamos de chafurdar em muitos trabalhos de outros canais, mesmo que não pagássemos um tostão para o cofre deles. Isto porque a questão do Serviço Público tem muito que se lhe diga e o facto de pagar uma taxa não significa que se ganha o direito de admitir ou despedir pessoas.

Para conclusão, deixo aqui o texto da petição: “Envergonhou Portugal, envergonhou o jornalismo ao quebrar todos os códigos deontológicos. Ao jornalista cabe perguntar e ao entrevistado, cabe responder. Um canal público, não pode nem deve permitir que um jornalista desça a tão baixo nível… O jornalismo deveria estar isento do poder partidário/político e da opinião pessoal dos jornalistas… principalmente daqueles que são pagos pelo erário publico. Aquilo que se viu hoje na entrevista a um candidato a Presidente da República envergonha qualquer português que defende a democracia. Não quero que o meu dinheiro contribua para tão mau serviço público. A expressão facial diz. tudo. Um inquisidor disfarçado de jornalista medíocre.”

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