
Quando vou à Ilha do Pico – e há largo tempo não vou – gosto de subir até à base da grande montanha e de percorrer, depois, a cumeada que o tempo aplanou.
Gosto da imensidão daquele verde, que disfarça o negrume da lava original; dos bosques de incenso cortados de caminhos, onde florescem as hortênsias de cor verde e azul; dos renques de urze, que dividem as pastagens; da mansidão das vacas que deixa um ar patriarcal sobre a paisagem…
Gosto de sentir, na lonjura, a poderosa massa do vulcão, quando ela se recorta no azul, quando as nuvens se divertem ao redor coroando-o de branco, como um rei, quando as neblinas o escondem sabe Deus para que fim.
Mas aquilo que eu mais gosto de olhar é a sementeira dos pequenos vulcões, por ali fora, as caldeiras pequeninas, onde o fogo se apagou há milhões de anos e onde agora cresce a penugem das ervagens. E, nessa altura, apetece-me comprar, não sei a quem, um daqueles vulcõezinhos.
Gostava de ter um. Gostava de me sentar, ao fim da tarde, na dobra da pequena caldeira do vulcão amaciada pelo tempo e gostava que ali viesse ter, para ver com ele, lá do alto, o pôr-do-sol, O Pequeno Príncipe da história mais bonita que eu li.




