Modesto é o templo que a voz popular recua a um imemorial tempo e que a ingenuidade de Frei Agostinho de Santa Maria, no seu estimável Santuário Mariano (publicado em diversos tomos nos inícios do séc. XVIII), confessa ali estar desde esse remoto tempo, escapando, por milagre, a uma devastadora praga de formigas, que atacou o vizinho povoado, de onde a gente escapou, indo fundar, mais longe, a povoação de Folgosinho.

Vale a poética da lenda como a dessa outra, que aponta morada de alguma nobreza no corpo da vila onde Viriato, esse aureolado pastor dos Montes Hermínios, demorou.
A Senhora de Assedace tem ali a sua festa, em 7 e 8 de Setembro.
Ali acorre gente com alma de místico ou de poeta, pastores da Serra que ali levam seus gados, romeiros também, que ali fazem desfilar à volta da Capela, nos inícios da manhã, em homenagem à Senhora.


No dia 8 de Setembro, o povo vem, desde o adro da igreja de Folgosinho até ao largo chão da Capela. Cerca de 9 quilómetros andados, mimetizando agora os velhos Caminhos da Transumância. À meia manhã, ali se celebra a missa, com sermão e procissão. O andor da Senhora percorre o adro, de onde a Virgem pode olhar a Serra e estender sua bênção sobre pastores e rebanhos.
Ao início da tarde, o habitual ágape festivo, tantas vezes partilhado. E o Leilão de Oferendas, sob o signo da Irmandade das Almas. Sempre a testemunhada fé de um povo a que ali se oferece um rasgo de Céu em que crê.



