“FUCK CHEGA” DISSERAM ELAS

0
120

Fuck Chega. Não são duas artistas a provocar gratuitamente um partido português. Houve ali uma atitude política coerente, uma recusa bastante frontal da ideia de que os artistas devem ser inofensivos, neutros e cuidadosamente embalados para não incomodar ninguém.

Fuck Chega. O palavrão também faz parte da linguagem. O fascismo não costuma regressar de casaco preto, braçadeira e passo de ganso. Muitas vezes apresenta-se de fato e gravata, fala em «segurança», «ordem», «identidade nacional» e «vontade do povo». Talvez por isso seja difícil combatê-lo com palavras excessivamente educadas.

Fuck Chega. Vivam Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco, Sérgio Godinho, Luís Cília, Manuel Freire e Francisco Fanhais. Naqueles tempos, a palavra era trabalhada, havia a censura prévia da PIDE, as prisões do regime fascista. A palavra era poesia, a música era arma da resistência contra o regime do Estado Novo. Com jeito, driblava-se a censura prévia através de metáforas e mensagens subliminares: “eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada…”

Fuck Chega. O verdadeiro escândalo é termos chegado a um ponto em que uma frase de confronto consegue causar mais perturbação do que aquilo que, diariamente, vai sendo dito e normalizado na política.

Fuck Chega. Dizer isto não é nada demais para quem comunica através deste género de música a que os entendidos chamam “garage punk” em versão “punk feminista” aka “riot grrrl”. As coisas que se aprende quando temos de pesquisar para escrever uma crónica…

Fuck Chega. A palavra bruta mais as  guitarras agressivas, muita bateria, canções curtas e intensas, uma atitude deliberadamente confrontacional, letras sobre misoginia, violência sexual, homofobia, desigualdade e política. Não é propriamente o rock clássico, nem o punk ortodoxo dos Sex Pistols, é algo mais modernaço mas que recupera muito da tradição punk: barulho, irreverência, provocação e intervenção política.

Fuck Chega. Um episódio para recordar durante muito tempo, orquestrado por uma banda formada em Brighton, Inglaterra. Onde terão ido elas buscar o nome Lambrini Girls?

Agora, a versão vídeo desta crónica:

vídeo

Se o YouTube não vos deixar ver o vídeo, experimentem o X:

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui