Em Portugal, a tendência de imputar à imigração todas as desgraças do nosso País tem vindo a crescer, impulsionada pelo Chega e por alguns sectores do PSD. Veja-se a intervenção do novo porta-voz do PSD, um dos elementos radicais mais próximo do Chega, na senda de um populismo sem freio. Sebastião Bugalho disse que o PSD “quer chamar ao Parlamento os governantes do PS responsáveis pela entrada desenfreada de migrantes”.
E a desorientação do PSD deriva da correcção do PIB, na sequência dos dados do INE, quanto à população residente em Portugal, uma vez que, com o aumento do número de habitantes, a riqueza per capita baixa e comprova-se que o crescimento económico do nosso País, apesar do contributo dos migrantes, não é o que o governo apregoava. Comprova-se, pois, que as opções tomadas de política económica são profundamente erradas. Fica, com esta redução, demonstrado que não crescemos em relação à média europeia e existe uma forte redução do investimento empresarial e público.
Em contraciclo destas posições radicais, o Fórum BCE, que reuniu em Sintra, vem dizer que os picos de imigração e políticas mais abertas têm impacto positivo na economia.
Por tudo isto, talvez tenha chegado o tempo de dizer ‘basta’. De dizer que não há cidadãos de primeira, os puros e imaculados, e os de segunda. Os puros, mas que anseiam por pecar, estão cada vez mais sequiosos de mergulhar nesse lado das trevas, que eles criaram para exorcizar os seus próprios fantasmas. Por isso, é primordial voltar aos princípios, back to basics, reconquistar a sociedade, os cidadãos e motivá-los. Revejam Casablanca. É tudo tão simples. Rick e Ilsa ainda tinham Paris. Nós, qualquer dia, não temos memória do passado, nem ideia do presente.



