TERRITÓRIOS SEM LEI

UM CONJUNTO DE EMPRESAS GLOBAIS FAZ LEIS PRIVADAS QUE LESAM A LIBERDADE DE EXPRESSÃO E DE INFORMAÇÃO. AGEM SEM MEDO, SÃO OS DONOS DISTO TUDO.

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Durante anos, as grandes plataformas de media social usaram argumentos piedosos para ensaiar o algoritmo da censura. Toda a nudez era castigada com penalizações várias, mesmo se fossem imagens de obras de arte mundialmente admiradas. Também a palavra era castigada, bastava que estivesse no catálogo das ofensas ou que fosse alvo de queixa por parte de grupos organizados. Depois chegou um novo “conceito” de promoção da violência. Hoje, um vídeo que mostre a destruição de Gaza, por exemplo, pode ser censurado (por promover “valores” que põem em “perigo” a comunidade) e a conta do utilizador penalizada pela invisibilidade ou bloqueada. É censura pura e dura.

Os algoritmos nas redes sociais têm uma única função que é a de proteger os negócios e os compromissos políticos da META, da Google, da Microsoft ou do X (há mais empresas) e de grupos ou partidos políticos a eles associados. Esses negócios também têm vindo a evoluir. O que começou como mera publicidade a marcas e produtos, hoje, por exemplo, promove prostituição e agentes políticos.

A promoção da prostituição é fácil de detetar. Começaram já a surgir em rodapé dos vídeos, pequenos anúncios a senhoras ardentes loucas por sexo. Os casos que apresentamos aqui são do Facebook (aquela que já foi a mais puritana das redes sociais).

A par das senhoras putas, estão os “filhos das ditas”. Não se sabe qual o verdadeiro grau de parentesco entre umas e outros, mas constatamos indícios. Numa espécie de conluio com os media tradicionais (não há coincidências…), há cada vez mais tretas publicadas a promover os Trumpas, Bolsonaros e Venturas da vida.

Uma aldrabice publicada no Facebook
Fakenews com a finalidade de demonizar um regime político e justificar a agressão dos EUA, publicado no Facebook

Aquilo a que poderíamos chamar “notícias em plano inclinado” são hoje recorrentes, uma constante nos noticiários e nas páginas dos media tradicionais nas redes sociais. Alguns exemplos:

O “papão” comunista e as “técnicas soviéticas” foram reintroduzidos no discurso mediático, na sequência da invasão da Ucrânia.
Num quotidiano de violações sistemáticas de acordos de cessar-fogo por parte de Israel, um único ataque alegadamente do Hamas é noticiado sem qualquer tipo de enquadramento. É a isto que na gíria jornalística se chama “notícias em plano inclinado”.

OS CASTIGOS

Mesmo aqueles que não “seguem” nem “gostam” dos protagonistas da extrema-direita, não escapam à insistência do tal algoritmo que não cessa de lhes sugerir esse tipo de conteúdos. Pior do que isso, são as consequências sentidas por muitos quando publicam alguma coisa que vá contra a nova ordem fascista, como, por exemplo, esta imagem:

Depois desta publicação no Facebook, ao terceiro dia chegou a sentença, logo denunciada pela pessoa visada: “A META-SE NA NOSSA VIDA avisou-me, com o ar solene de quem debita uma homilia na missa do galo, que vai desativar definitivamente a “minha” conta – ou borrar-me o passado, como diria um castelhano – porque ando a violar aquilo a que os bots que nos controlam chamam os padrões da sua comunidade, à qual, como é evidente, não pertenço.”

recorte da publicação onde se denuncia a ameaça da META

Claro que, entretanto, a imagem em questão já foi partilhada inúmeras vezes por milhares de outros utilizadores, em todas as redes sociais, e torna-se impossível penalizar todos de modo igual. Mas há sempre alguns que servirão de exemplo do que acontece aos desalinhados com a “ordem facebokiana”.

Acontece em todo o mundo, mas em Portugal, por exemplo, desde o surgimento de Ventura, nunca mais tivemos um dia  que não fosse marcado pela desinformação e pelo ódio nas redes. Ventura vendeu a alma ao diabo, pela consolidação de uma aliança profana entre a extrema direita e as big techs. A ironia é que os conteúdos promovidos nas redes sociais são pagos com uma parte do dinheiro que recebem dos subsídios do Estado, naquilo a que se chama vulgarmente “custos da democracia”, ou seja, as subvenções a que os partidos políticos têm direito por lei. Os vídeos do Chega promovidos nas redes sociais são pagos por todos nós.

O avanço dos proto-fascistas explica-se, em boa parte, pelo espaço mediático que têm à disposição. A aposta dessas empresas globais de tecnologia e informação está em colocar no poder o maior número possível de governos de direita. Para quê? Certamente para terem acesso ao poder. Não será por dinheiro (que não precisam de mais), só poderá ser pelo poder. Dominar o mundo será o sonho de Musk, Zuckerberg, Bezos e quejandos, ou de quem controla a Apple, Google, Amazon, Microsoft, Meta, etc e tal.

1 COMENTÁRIO

  1. Crónica muito pertinente!
    Os algoritmos das redes sociais dão-nos aquilo de que gostamos e, assim, reforçam as nossas crenças e dividem a sociedade.
    A solução está nas nossas mãos e passa por deixar as redes, esvaziá-las, e viver de novo no mundo real.

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