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	<title>Arquivo de História - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de História - Duas Linhas</title>
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		<title>O ESCRAVO DE MAGALHÃES QUE A HISTÓRIA ESQUECEU</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vera Nobre]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2026 09:00:06 +0000</pubDate>
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<p>A história de Henrique começa muito antes da partida da armada espanhola em 1519. Em 1511, durante a conquista portuguesa de Malaca, Fernão de Magalhães participou na campanha militar que levou à tomada daquele importante entreposto comercial do Sudeste Asiático. Foi nesse contexto que adquiriu um jovem de cerca de doze anos, que passou a acompanhá-lo como escravo e intérprete.</p>



<p>Durante quase uma década, Henrique viveu entre mundos. Acompanhou Magalhães a Portugal, tornando-se provavelmente o primeiro malaio a pisar solo europeu. Aprendeu línguas, costumes e formas de navegação que o transformariam numa figura singular da expansão marítima. Quando Magalhães rompeu com a Coroa portuguesa e se colocou ao serviço de Carlos I de Espanha para procurar uma rota ocidental para as Ilhas das Especiarias, levou consigo Henrique.</p>



<p>A presença do jovem revelou-se fundamental. Mais do que simples servo, Henrique desempenhou um papel decisivo como mediador linguístico e cultural. O cronista italiano Antonio Pigafetta refere-o diversas vezes ao longo da viagem, destacando a sua capacidade de comunicação com diversos povos encontrados no percurso.</p>



<p>Foi precisamente quando a expedição alcançou Cebu, nas Filipinas, em março de 1521, que Henrique se tornou uma figura central. Pigafetta relata que os habitantes locais compreendiam a língua por ele falada, um facto que continua a alimentar debates historiográficos sobre a sua origem. Seria natural das Filipinas? De Sumatra? De Malaca? Ou de alguma outra região do vasto mundo malaio?</p>



<p>A resposta permanece incerta. Alguns investigadores defendem uma origem filipina; outros apontam para Sumatra, apoiando-se em referências documentais contemporâneas. O próprio Henrique surge designado em algumas fontes como &#8220;Henrique de Taprobana&#8221;, um termo cuja interpretação varia entre Sumatra, Ceilão ou outras regiões asiáticas.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A morte de Magalhães, em Mactan, alterou radicalmente a situação do seu escravo. Apesar de o capitão ter determinado no seu testamento, datado de 24 de agosto de 1519, que Henrique fosse libertado após a sua morte, os novos comandantes continuaram a exigir os seus serviços. Segundo Pigafetta, Henrique recusou obedecer e foi ameaçado com castigos. Poucos dias depois, ocorreu o chamado massacre de Cebu, durante o qual morreram vinte e quatro europeus.</p>



<p>O cronista italiano insinuou que Henrique teria participado numa conspiração contra os espanhóis. Contudo, essa acusação nunca pôde ser comprovada. Muitos historiadores contemporâneos consideram-na uma interpretação enviesada dos acontecimentos, influenciada pelo ressentimento dos sobreviventes.</p>



<p>Depois desse episódio, Henrique desaparece completamente dos registos históricos.</p>



<p>É precisamente este desaparecimento que transformou a sua figura numa das mais intrigantes da história da navegação. No último momento em que é mencionado pelas fontes, Henrique encontrava-se vivo em Cebu, a cerca de dois mil quilómetros de Malaca. A expedição, por sua vez, ainda teria de percorrer mais de quinze mil quilómetros para regressar a Espanha.</p>
</div></div>



<p>Teria Henrique regressado à sua terra natal? Teria completado, antes de Juan Sebastián Elcano, a primeira circum-navegação do globo? Não sabemos.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O historiador John Sailors considera essa hipótese plausível, embora impossível de comprovar. O que se pode afirmar com segurança é que Henrique realizou aquilo que Sailors designa como uma &#8220;circum-navegação linguística&#8221;: regressou a um espaço onde a sua língua materna era compreendida e falada.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="676" height="124" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-by-john-sailors.jpg" alt="" class="wp-image-49803" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-by-john-sailors.jpg 676w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-by-john-sailors-300x55.jpg 300w" sizes="(max-width: 676px) 100vw, 676px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="http://www.enriqueofmalacca.com/p/enrique-of-malaccas-voyage-profiles.html?m=0">Enrique of Malacca&#8217;s Circumnavigation: Enrique of Malacca&#8217;s Voyage: Profiles</a></figcaption></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Ao longo dos séculos, a sua história foi apropriada por diferentes tradições culturais. Na Malásia, o romance histórico <em>Panglima Awang</em>, de Harun Aminurrashid, transformou-o num herói nacional e num símbolo da resistência ao colonialismo europeu. Nas Filipinas, vários autores reivindicaram a sua origem filipina. Na Indonésia, a sua figura também integra debates sobre identidade e memória regional.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="613" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1024x613.png" alt="" class="wp-image-49798" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1024x613.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-300x180.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-768x460.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1536x920.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-696x417.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1392x833.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1068x639.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes-1320x790.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/henrique-de-malaca-recortes.png 1804w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Mais recentemente, o artista malaio Ahmad Fuad Osman recuperou Henrique através do projeto <em>Enrique de Malacca Memorial Project</em>, apresentado na Bienal de Singapura e posteriormente na Galeria Nacional de Arte da Malásia. Misturando documentos históricos, artefactos, escultura e vídeo, Osman criou um espaço de reflexão sobre aquilo que os arquivos silenciam.</p>



<p>Talvez nunca saibamos se foi efetivamente o primeiro homem a circum-navegar o mundo. Mas sabemos que foi uma testemunha privilegiada do nascimento da globalização moderna, um mediador entre civilizações e um dos protagonistas invisíveis da grande aventura marítima do século XVI.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A sua história recorda-nos que o passado não pertence apenas aos vencedores. Pertence também aos esquecidos, aos silenciados e àqueles cuja voz nunca chegou aos arquivos.</p>



<p>Foi precisamente nesse espaço de silêncio deixado pela História que nasceu <em>A História de Panglima, o Escravo de Magalhães</em>. Foi a ausência de Henrique &#8211; da sua voz, dos seus pensamentos e do seu destino &#8211; que despertou a minha imaginação de escritora.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="330" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-1024x330.jpg" alt="" class="wp-image-49801" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-1024x330.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-300x97.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-768x247.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-696x224.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima-1068x345.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/livro-a-historia-de-panglima.jpg 1072w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.bertrand.pt/livro/a-historia-de-panglima-o-escravo-de-fernao-de-magalhaes-vera-nobre/29734237">A História de Panglima, o Escravo de Fernão de Magalhães, de Vera Nobre &#8211; Livro</a></figcaption></figure></div>


<p>Este pequeno livro é, acima de tudo, uma homenagem a Henrique de Malaca e uma tentativa de lhe devolver humanidade. É também uma forma de recordar que, por detrás das grandes epopeias, existem vidas que a memória oficial escolheu não preservar.</p>
</div></div>
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		<title>A COIMBRA DOUTRAS ERAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 09:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nado e criado em Coimbra – onde, de resto, sempre tem vivido – o Professor Jorge de Alarcão nutre pela sua cidade amor incondicional, consubstanciado, por exemplo, na vontade, amiúde declarada, de ver, um dia, escrita sobre ela uma monografia tão monumental quanto as sempre célebres ‘escadas monumentais’ de acesso à cidade universitária. Tem-na estudado [&#8230;]</p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Nado e criado em Coimbra – onde, de resto, sempre tem vivido – o Professor Jorge de Alarcão nutre pela sua cidade amor incondicional, consubstanciado, por exemplo, na vontade, amiúde declarada, de ver, um dia, escrita sobre ela uma monografia tão monumental quanto as sempre célebres ‘escadas monumentais’ de acesso à cidade universitária.</p>



<p>Tem-na estudado aos poucos, essa história, em publicações pontuais, mas sempre na mira de que haja equipa disposta a lançar ombros ao vasto empreendimento, não isento de dificuldades, bem se sabe,</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/jorge-alarcao-capa-livro-1024x576.png" alt="" class="wp-image-49705" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/jorge-alarcao-capa-livro-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/jorge-alarcao-capa-livro-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/jorge-alarcao-capa-livro-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/jorge-alarcao-capa-livro-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/jorge-alarcao-capa-livro-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/jorge-alarcao-capa-livro-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/jorge-alarcao-capa-livro-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/jorge-alarcao-capa-livro-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/jorge-alarcao-capa-livro.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Desta feita, o historiador escolheu o tempo em que, em Coimbra, viveram três vultos da nossa literatura: Antero de Quental, Eça de Queiroz e Teófilo Braga, ou seja, de 1856 a 1867: <em>Coimbra no Tempo de Antero, Eça e Teófilo Braga,</em> Coimbra, Lápis de Memórias, &nbsp;2026.</p>



<p>Escreve, na Apresentação, que se trata de um «período em que a encantada e quase fantástica Coimbra viveu numa grande actividade» (pág. 10).</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Não é minha intenção – aqui e agora – dar miúda conta do que ali se narra ou ou deixa por narrar; apenas catar duas passagens, para mostrar quanto serão agradáveis de ler, e até passíveis de reflexão, as muitas outras páginas (são, no total, quase 200) que o volume contém.</p>



<p>Direi apenas de dois casos que mais me prenderam a atenção.</p>



<p>Levei anos a, semanalmente, ir e vir de Coimbra. de comboio. Agradava-me sobremaneira (não o posso negar!) o trajeto Coimbra B (em que o B significa ‘bifurcação’ o que muita gente ignora) e Coimbra-Cidade (amiúde erradamente chamada de Coimbra-A), pois que, nessa altura eu ou estava a chegar ou estava a sair da cidade onde trabalhava. Por isso, a descrição da cena da chegada de visitantes à cidade, no século XIX, foi das que mais me seduziu. Uma das muitas e bem oportunas citações que Jorge Alarcão faz neste livro, tornando-o assim bem fecundo manancial de histórias.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Não resisto, portanto, a referir-me a uma passagem da descrição que Lady Jackson faz da sua chegada à estação de Coimbra, em 1873, livro que Camilo Castelo Branco traduzirá (<em>A Formosa Lusitânia, </em>Porto: Livraria Portuense, 1977).</p>



<p>Explica a Lady que, não havendo carregadores, as bagagens eram postas sobre um balcão «com uma corja de garotos atrás da gente para se agarrarem a elas». Competia aos hotéis disponibilizarem coches, fora da estação, a aliciarem clientes, que eram “desabridamente disputados”. Conta a Lady que, tendo escolhido um hotel, logo as bagagens foram passadas para o carro desse, «de má-vontade, murmurando, e invetivando contra estrangeiros, franceses, espanhóis, ingleses, tudo com epítetos de escárnio que nos dirigiam» (p. 45) Boa gente, essa, então!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/coche-e-estudante-de-coimbra-sec-XIX-1024x576.png" alt="" class="wp-image-49708" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/coche-e-estudante-de-coimbra-sec-XIX-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/coche-e-estudante-de-coimbra-sec-XIX-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/coche-e-estudante-de-coimbra-sec-XIX-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/coche-e-estudante-de-coimbra-sec-XIX-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/coche-e-estudante-de-coimbra-sec-XIX-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/coche-e-estudante-de-coimbra-sec-XIX-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/coche-e-estudante-de-coimbra-sec-XIX-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/coche-e-estudante-de-coimbra-sec-XIX-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/coche-e-estudante-de-coimbra-sec-XIX.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>E se, hoje, ainda em alguns aspectos, nomeadamente culturais e linguísticos, surgem, de quanto em vez, picardias entre Lisboa e Coimbra, recorto a frase (é o segundo caso) com que Jaime Batalha Reis se refere à escola de Coimbra do século XIX, na introdução que escreveu para as <em>Prosas Bárbaras,</em> de Eça de Queiroz, academia aí classificada (pág. 99) como «centro literário e filosófico que se supunha dedicado a escrever de modo sistematicamente ininteligível»!</p>



<p>Quem há aí que se não pele, então, por uma boa polémica?!&#8230;</p>
</div></div>
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		<title>DESFORREI-ME!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Jan 2026 00:05:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Perdoar a Fialho de Almeida não ter reparado nas ruínas de S. Cucufate...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Primeiro, sempre alerta como estou para as alusões ao hábito de «ir a banhos» – eco de a Família Real ter vindo para Cascais no final do Verão, a partir da década de 70 do século XIX – topei este sugestivo pormenor, no conto «A divorciada»: «Berta tem todavia a história mais planta de estufa que eu conheço. Aos quinze anos valsou com o Jorge, na Figueira, uma estação de banhos – Jorge, o que está<br>secretário do ministro, o bem conhecido Jorge (p. 79-80). </p>



<p>Figueira da Foz, célebre estância balnear do Centro do País, onde, na altura, antes do Casino Peninsular, o Theatro-Circo Saraiva de Carvalho (inaugurado em 1884) organizava bailes, em que, como se vê, até gente do Poder não hesitava em marcar presença. Tinha que ser!<br>Aqui, o historiador: a remeter para a minuciosa investigação levada a efeito por Irene Vaquinhas – O Casino da Figueira. Sua evolução histórica desde o Teatro-Circo à actualidade (1884-1978).<br>A desforra do arqueólogo veio quando li esta passagem no conto «A princesinha das Rosas»: «O pai era cristão; não consentiu Deus que a pequenina vivesse a vida monstruosa dos pais, nos palácios da Babilónia submersa».</p>



<p>Poder-se-ia remeter para a Babilónia falada na Bíblia; há, porém, que notar quanto já se admiravam as descobertas arqueológicas feitas por Robert Koldewey, nomeadamente na cidade mesopotâmica de Babilónia…</p>



<p>Voltemos à Berta: Berta, explica Fialho, tinha um nariz «desmedido e fero, cujo modelo recusara sempre ao gesso dos museus de raridades».<br>É natural que se não entenda plenamente, à primeira vista, o significado desta frase. Refere-se ao hábito, que então se generalizou, de se fazerem moldes em gesso das mais notáveis esculturas clássicas (gregas e romanas) para se mostrarem nos museus, quais verdadeiras gipsotecas, para os estudantes poderem, assim, apreciá-las.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/960px-Canova_-_perseu_-_39b-768x1024.jpg" alt="" class="wp-image-46789" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/960px-Canova_-_perseu_-_39b-768x1024.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/960px-Canova_-_perseu_-_39b-225x300.jpg 225w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/960px-Canova_-_perseu_-_39b-696x928.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/960px-Canova_-_perseu_-_39b.jpg 960w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Perseu com a cabeça da Medusa</em>, de António Canova</figcaption></figure></div>


<p>A Universidade La Sapienza, de Roma, dispõe de uma magnífica gipsoteca e a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra viria a criar também, logo nos primórdios do século XX, um Museu Didáctico com a reprodução de peças arqueológicas achadas em território português, nomeadamente artefactos pré-históricos e inscrições romanas.<br>Creio, porém, que a alusão de teor arqueológico mais significativa do livro está, de certo modo, oculta nesta frase do conto «As vindimas».<br>«Tal é a evolução mitológica de Baco: psicologia do vinho, esmaltada num quadro alegórico, que eu vejo e revejo nas suas maravilhosas contramarchas, com os olhos absortos de Canova contemplando os frisos do Pártenon».</p>



<p>Mostra, em primeiro lugar, o conhecimento da obra do antiquário, arquiteto e escultor italiano Antonio Canova (1757-1822), justamente célebre pelas suas extraordinárias esculturas de divindades e personagens gregas e romanas, duma beleza sem igual.<br>Depois, sim, Canova admirou, sem dúvida, os frisos do grandioso templo erguido na acrópole ateniense, frisos em baixo-relevo que se devem a Fídias e cuja perfeição depressa se tornou quase lendária. Então, os pormenores da aí representada Procissão das Panateneias, a festa maior em honra da deusa Atena, encantavam de verdade!…</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/1280px-Athens_Acropolis_Museum_Marble_Parthenon_Frieze_28360651611-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-46791" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/1280px-Athens_Acropolis_Museum_Marble_Parthenon_Frieze_28360651611-1024x682.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/1280px-Athens_Acropolis_Museum_Marble_Parthenon_Frieze_28360651611-300x200.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/1280px-Athens_Acropolis_Museum_Marble_Parthenon_Frieze_28360651611-768x512.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/1280px-Athens_Acropolis_Museum_Marble_Parthenon_Frieze_28360651611-696x464.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/1280px-Athens_Acropolis_Museum_Marble_Parthenon_Frieze_28360651611-1068x712.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/1280px-Athens_Acropolis_Museum_Marble_Parthenon_Frieze_28360651611.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Deuses assistindo à procissão das Panateneias, friso do Pártenon, oficina de Fídias, 442-438 a. C., Museu da Acrópole, Atenas</figcaption></figure></div>


<p>Por conseguinte, numa singela frase se denuncia como Fialho de Almeida – e, certamente, os intelectuais portugueses do seu tempo – estavam a par das descobertas arqueológicas da época. E, voltando à menção anterior, há ainda um pormenor que Fialho de Almeida<br>não olvidou: o nariz. Certo é que a frase de Pascal (1623-1662) alusiva ao nariz de Cleópatra – «Se o nariz de Cleópatra tivesse sido mais pequeno, toda a face da terra teria mudado» – poderia, desde há muito, ter atravessado fronteiras; anote-se, contudo, que é o nariz que mais trabalho dá ao escultor, a ponto de necessitar sempre de o ter em conta quando se decide a esculpir a figura humana. Nesse âmbito, a real perfeição das esculturas de Antonio Canova concitam, de facto, a admiração universal.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="773" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Kleopatra-VII.-Altes-Museum-Berlin1-773x1024.jpg" alt="" class="wp-image-46793" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Kleopatra-VII.-Altes-Museum-Berlin1-773x1024.jpg 773w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Kleopatra-VII.-Altes-Museum-Berlin1-226x300.jpg 226w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Kleopatra-VII.-Altes-Museum-Berlin1-768x1018.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Kleopatra-VII.-Altes-Museum-Berlin1-696x923.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Kleopatra-VII.-Altes-Museum-Berlin1-1068x1416.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Kleopatra-VII.-Altes-Museum-Berlin1.jpg 1149w" sizes="auto, (max-width: 773px) 100vw, 773px" /><figcaption class="wp-element-caption">busto de Cleópatra, Museu Berlim</figcaption></figure></div>


<p>E, por conseguinte, a possibilidade de assim evocar Babilónia (e – porque não? – a sua magnificente Porta de Istar, patente no Pérgamon, em Berlim), os frisos do Pártenon e o imortal Canova leva-me a perdoar a Fialho de Almeida não ter reparado nas ruínas de S. Cucufate. Desforrei-me!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Ishtar_Gate_at_Berlin_Museum-1.jpg" alt="" class="wp-image-46796" style="width:1024px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Ishtar_Gate_at_Berlin_Museum-1.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Ishtar_Gate_at_Berlin_Museum-1-300x225.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Ishtar_Gate_at_Berlin_Museum-1-768x576.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Ishtar_Gate_at_Berlin_Museum-1-696x522.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Ishtar_Gate_at_Berlin_Museum-1-265x198.jpg 265w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Porta de Ishtar. Pergamon, Museu Berlim</figcaption></figure></div>


<p></p>
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		<title>ATLETA MAIS BEM PAGO QUE CRISTIANO RONALDO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Apr 2025 23:10:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Desporto]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[arqueologia]]></category>
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		<category><![CDATA[corridas de quadrigas]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Império Romano]]></category>
		<category><![CDATA[Roma antiga]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A história de Caio Apuleio Diocles, corredor de carro de cavalos, conhecido por Lamecus / Lamego, o nome da cidade da Lusitânia onde nasceu.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A história que hoje trago é uma história de verdade de um homem que, não sabemos bem por que caminhos, aparece em Roma no início do século II da era cristã, ano de 104 d. C., andaria pelos vinte anos. Conhecemo-lo pelo seu nome romano, Caio Apuleio Diocles, corredor de carro de cavalos, e pelo apelativo que escolheu – <em>Lamecus</em> / Lamego, honrando assim a cidade da Lusitânia onde nasceu, filho de um mercador.</p>



<p>Lamego, uma cidade carregada de História, História Antiga de que gosto de contar os passos de Ardinga, a mourinha apaixonada, e a história de Édipo, Rei de Tebas, que teve uma vida desgraçada, ainda que haja sido contada em maravilhosas tapeçarias de Museu.</p>



<p>Pouca gente, em Lamego, saberá a história de Caio, ainda que uma fonte monumental, construída em 1830, transferida em 1924 para um espaço fronteiro ao Jardim da República e à Câmara Municipal se intitule, popularmente, como a Fonte do “Lamego”, o mais famoso auriga ou corredor de carros de cavalos que passou na Roma antiga.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="808" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/04/fonte-o-lamego-2-1024x808.jpg" alt="" class="wp-image-41231" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/04/fonte-o-lamego-2-1024x808.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/04/fonte-o-lamego-2-300x237.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/04/fonte-o-lamego-2-768x606.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/04/fonte-o-lamego-2-696x549.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/04/fonte-o-lamego-2-1068x843.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/04/fonte-o-lamego-2-1320x1042.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/04/fonte-o-lamego-2.jpg 1368w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>A figura de o “Lamego”, espécie de patrono tutelar da cidade não aparece, todavia, com o aspecto de corredor de uma quadriga, mas como guerreiro que segura na mão uma alabarda, arma de guerra e mantém um escudo a seus pés onde está gravado o nome “Lamego”.</p>



<p>Caio Apuleio Diocles, este génio do desporto – as corridas de cavalos, no Circo Máximo, na Roma dos Césares – figura conhecida por uma ampla historiografia, aparece com 18 anos na que é hoje a cidade de Lérida, na Catalunha, já corredor em carro de cavalos e dali, com cerca de 20 anos, parte para Roma, onde, durante 24 anos, corre no Circo Máximo, batendo recordes de estrela nas vitórias que alcançou: 1462, num total de 4257 corridas! Aplaudido até ao delírio por uma multidão que enchia os três pisos de bancadas do Circo, que, mais tarde, chegou a contar com o incalculável número de mais de 300 000 espectadores, que nenhum estádio moderno ainda comporta.</p>



<p>Corredores desta estirpe organizavam-se em Roma ao jeito das modernas equipas de Fórmula I, ali com os designativos de BRANCA, VERDE e VERMELHA (por todas correndo este celebrado auriga da fama) e também a AZUL, que investiam nessas estrelas, os aurigas, como também nos escolhidos cavalos, etc. (recorda-se o episódio da corrida de cavalos do filme Ben Hur, com Charlton Heston).</p>



<figure class="wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Ben-Hur | Chariot Race | FULL SCENE | Warner Classics" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/1LVp4tvl5O4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><sup>extrato do filme Ben Hur</sup></figcaption></figure>



<p>Caio Apuleio Diocles, campeão de campeões, figura testemunhada na Roma antiga por documentos, inscrições, mosaicos, dela nos trouxe notícia também Frei Bernardo de Brito na 2ª parte da <em>Monarquia Lusitana</em>, de 1607, e a ela se referiram diversos historiadores, um deles referindo que o valor dos prémios recebidos pelo herói que celebramos atingiria a incrível fortuna de 18 mil milhões de dólares, quantia que teria dado pão, durante um ano, para alimentar a populosa cidade de Roma. Fortuna que nenhum atleta até hoje ainda igualou!&#8230;</p>



<p>Retira-se, mais tarde, para a cidade de Preneste, actual Palestrina, no Lácio, hoje província de Roma, onde terá vivido com um filho e a esposa, numa recatada vida entregue à terra. E onde terá repousado finalmente.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="501" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/04/auriga_Caio_Apuleio_Diocles_03.jpg" alt="" class="wp-image-41223" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/04/auriga_Caio_Apuleio_Diocles_03.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/04/auriga_Caio_Apuleio_Diocles_03-300x147.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/04/auriga_Caio_Apuleio_Diocles_03-768x376.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/04/auriga_Caio_Apuleio_Diocles_03-696x341.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/04/auriga_Caio_Apuleio_Diocles_03-324x160.jpg 324w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Estela encontrada em Roma onde se lê que Caio Apuleio Diocles aposentou-se aos 42 anos, 7 meses e 23 dias, como um dos aurigas com maior carreira na Roma Antiga num desporto muito perigoso </figcaption></figure></div>


<p></p>
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		<title>DOBRAR A CERVIZ</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 13 Mar 2025 00:05:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Eça de Queiroz]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Império Romano]]></category>
		<category><![CDATA[livro A Relíquia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passagem d'A Relíquia de Eça de Queiroz, quando o germano Topsius dobrou a cerviz perante os soldados que tinham submetido o seu povo</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Cumprimentam-se os vizinhos do meu bairro: «Bom dia!», «Boa tarde!». E até a comunidade do Extremo Oriente recém-chegada já se começou a habituar a responder à saudação.</p>



<p>«Olá!», por exemplo, vem de tempos idos e há quem diga ser resquício do que os muçulmanos tradicionalmente diziam ao encontrar-se: «Alá é grande!». E o correligionário respondia: «E Maomé é o seu profeta!». Outros pensam que poderia ser síncope da expressão de chamamento «Ó de lá!». Seja como for, é uma das palavras que poderíamos não deixar de dizer quando encontramos alguém.</p>



<p>Há saudações típicas entre pessoas que pertencem a grupos mais ou menos ‘fechados’ e todos estamos em crer que algumas das estranhas ‘garatujas’ (passe a palavra!) que, de vez em quando, aparecem nas paredes, têm significado inteligível para quem está dentro do ‘esquema’. Frases e gestos que dão a conhecer os seus membros, como os cristãos dos primeiros tempos usavam desenhar no chão um peixe para se identificarem, atendendo a que ΙΧΘΥΣ em grego, &#8216;peixe&#8217;, é um acrónimo utilizado pelos cristãos para a expressão grega  Ἰησοῦς Χριστός, Θεοῦ ͑Υιός, Σωτήρ, que significa Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="563" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/peixe-1024x563.png" alt="" class="wp-image-40135" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/peixe-1024x563.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/peixe-300x165.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/peixe-768x422.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/peixe-696x383.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/peixe-1068x587.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/peixe.png 1173w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Vem tudo isso a propósito da seguinte passagem do romance <em>A Relíquia,</em> de Eça de Queiroz, livro que já nos serviu aqui para uma “viagem” <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/02/ecos-romanos-na-reliquia/">ao tempo dos Romanos</a></strong>:</p>



<p>«Mas Topsius, logo, como um Germano servil, desmontara, ajoelhando quase no pó, ante as armas de Roma: e não se conteve, berrou, agitando os braços e a capa:</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; – Longa vida a Caio Tibério, 3 vezes cônsul, ilírico, panónico, germânico, imperador, pacificador e augusto!&#8230;</p>



<p>Alguns legionários riram, crassamente. E passaram, cerrados, com um rumor de ferro – enquanto um pegureiro, ao longe, arrebanhando as cabras aos brados, fugia para o cimo dos cerros».</p>



<p>Para um leigo tudo isso poderá parecer estranho e ser mera brincadeira do Eça. Não é.</p>



<p>Nas inscrições, havia regras para se identificarem os imperadores. O primeiro, que habitualmente designamos de Augusto, estabeleceu que o seu nome deveria ser Imperador César Augusto. Imperador, porque subira ao trono pela força das armas; César, porque ascendera por via hereditária (era filho adoptivo de César); Augusto, porque os deuses o haviam escolhido para trazer o bem-estar ao seu povo.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="926" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/Inscricao-ao-imperador-Trajano-ai-nomeado-Optimo-Augusto-Germanico-Dacico-1024x926.jpg" alt="" class="wp-image-40138" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/Inscricao-ao-imperador-Trajano-ai-nomeado-Optimo-Augusto-Germanico-Dacico-1024x926.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/Inscricao-ao-imperador-Trajano-ai-nomeado-Optimo-Augusto-Germanico-Dacico-300x271.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/Inscricao-ao-imperador-Trajano-ai-nomeado-Optimo-Augusto-Germanico-Dacico-768x695.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/Inscricao-ao-imperador-Trajano-ai-nomeado-Optimo-Augusto-Germanico-Dacico-1536x1389.jpg 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/Inscricao-ao-imperador-Trajano-ai-nomeado-Optimo-Augusto-Germanico-Dacico-2048x1852.jpg 2048w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/Inscricao-ao-imperador-Trajano-ai-nomeado-Optimo-Augusto-Germanico-Dacico-696x630.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/Inscricao-ao-imperador-Trajano-ai-nomeado-Optimo-Augusto-Germanico-Dacico-1392x1259.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/Inscricao-ao-imperador-Trajano-ai-nomeado-Optimo-Augusto-Germanico-Dacico-1068x966.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/Inscricao-ao-imperador-Trajano-ai-nomeado-Optimo-Augusto-Germanico-Dacico-1920x1737.jpg 1920w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/03/Inscricao-ao-imperador-Trajano-ai-nomeado-Optimo-Augusto-Germanico-Dacico-1320x1194.jpg 1320w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Inscrição ao imperador Trajano, aí nomeado Óptimo Augusto Germânico Dácico</figcaption></figure>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:33.33%">
<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/9zFypuU.jpeg" alt="" class="wp-image-40139"/><figcaption class="wp-element-caption">Busto do imperador Tibério</figcaption></figure>
</div>
</div>



<p>Neste caso d’<em>A Relíquia</em>, o imperador referido é Tibério, exactamente aquele que sucedera a Augusto e que reinou de 14 a 37 da nossa era. Por conseguinte, está certo: nesse tempo (Cristo, segundo a tradição, tinha 33 anos quando foi crucificado), era Tibério o imperador. Eça acertou no nome do imperador; não acertou, porém, exactamente nos títulos que lhe atribui:</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; – nessa altura, já teria sido nomeado <strong>cônsul</strong> 5 vezes;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; – sim, havia sido aclamado ‘<strong>imperador</strong>’ 8 vezes (a celebrar outras tantas vitórias);</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; – <strong>augusto </strong>era-o, de facto, porque todos os imperadores não recusaram esse nome;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; – agora, não teve oficialmente os títulos de <strong>ilírico</strong> (conquistador da Ilíria, que ficava pelo território da ex-Jugoslávia), nem <strong>panónico </strong>(conquistador da Panónia, mais ou menos a Hungria), nem <strong>germânico</strong> (conquistador dos Germanos, povo antepassado dos Alemães). Poderia, no entanto, tê-los obtido, porque venceu tribos germânicas e, juntamente com Germânico, seu filho adoptivo, derrotou, no ano 9, após três anos de luta, os Panónios e as tribos ilírias, naquela que ficou conhecida como a Grande Revolta Ilíria.</p>



<p>Por consequência, não estava Eça de Queiroz longe da verdade: os títulos militares não foram oficialmente atribuídos, mas o imperador Tibério notabilizou-se nessas lutas e o povo devia sabê-lo! E então Topsius, como germano que era, devia dobrar a cerviz perante os soldados ao serviço do imperador que tinha submetido o seu povo!&#8230;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/a-reliquia-2-1024x576.jpg" alt="" class="wp-image-39464" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/a-reliquia-2-1024x576.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/a-reliquia-2-300x169.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/a-reliquia-2-768x432.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/a-reliquia-2-696x392.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/a-reliquia-2-1068x601.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/a-reliquia-2.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>
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		<title>A espada oferecida por Portugal ao Imperador Guilherme I</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rainer Daehnhardt]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jan 2025 13:51:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[geopolítica]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[História da Alemanha]]></category>
		<category><![CDATA[História da Europa]]></category>
		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[Imperador Guilherme I da Alemanha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fiquei tão encantado com a descrição da fabulosa espada portuguesa oferecida ao Imperador Guilherme I da Alemanha (também Rei da Prússia), pelo seu 90º aniversário, que resolvi transcrever tudo para partilhar esta alegria. Nessa época, os meus antepassados Daehnhardt (von Weyhe) eram os diplomatas imperiais creditados na Corte Portuguesa e os meus antepassados Wimmer (von [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Fiquei tão encantado com a descrição da fabulosa espada portuguesa oferecida ao Imperador Guilherme I da Alemanha (também Rei da Prússia), pelo seu 90º aniversário, que resolvi transcrever tudo para partilhar esta alegria.</p>



<p>Nessa época, os meus antepassados Daehnhardt (von Weyhe) eram os diplomatas imperiais creditados na Corte Portuguesa e os meus antepassados Wimmer (von Frankenstein) os diplomatas da Saxónia e do Império Austro-Húngaro na Corte Portuguesa.</p>



<p>Ambos foram também conselheiros das suas Majestades D. Luís I, D. Carlos 1I e D. Manuel II, pelo que se guardaram muitas recordações deste período. Minha avó nasceu em Belas na Quinta Wimmer (1885), no que ainda hoje se chama o Palácio Villa Saxe, onde a junção das duas famílias permitiu que se guardassem muitos documentos durante gerações. Deste núcleo nasceu o Museu Luso-Alemão.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h3 class="wp-block-heading"><em><strong>A descrição da espada em 1887</strong></em></h3>



<p>Quem tiver&nbsp;O OCCIDENTE, <em>Revista Ilustrada de Portugal e do Estrangeiro</em>, 10º ano, Volume X, Nº 298 de 1 de Abril de 1887&nbsp;pode ler nas páginas 74 e 75 o relato que, sob o título&nbsp; «Espada de honra offerecida por el rei D. Luís ao Imperador Guilherme», agora aqui se apresenta para todos a ela poderem ter acesso. Mantém-se a grafia da época.</p>



<p>“O sr. general Sá Carneiro foi recebido pelo imperador, que lhe certificou o alto apreço e sympathia que lhe merecia el rei Dom Luíz e a Nação Portugueza, folgando de manter com Portugal as mais cordiaes relações.</p>



<p>A espada de honra de que era portador o sr. general foi justamente apreciada pelo imperador, tanto como a mais significativa offerta ao seu valor militar, como uma obra de arte de inestimavel valor artistico; pela sua belleza e perfeição com que está executada.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>É essa preciosa espada, que Lisboa mal poude ver na rapida exposição que d’ella fez no seu estabelecimento do Largo das Duas Egrejas, os Srs. Leitão &amp; Irmão, que a nossa gravura, copia de uma photographia, representa.</p>



<p>Não nos consta que modernamente se tenha produzido no nosso paiz obra de ourivesaria mais primorosa que esta, e tanto mais nos deve orgulhar isso por sabermos que ella foi produzida exclusivamente por mãos de artistas portuguezes nas oficinas dos já bem conhecidos ourives e joalheiros da Casa Real, os Srs. Leitão &amp; Irmão.</p>



<p>Isto nos é confirmado n’uma carta dos Srs. Leitão &amp; Irmão, que temos presente, e diz : &nbsp;</p>



<p>« … Cumpre-nos participar-lhe que essa peça encommendada por el rei Dom Luíz à nossa casa, foi feita nas nossas oficinas, e que n’ella só trabalharam mãos de portuguezes.»</p>



<p>Sua magestade el rei Dom Luíz deu as primeiras indicações, por meio de um dezenho, para os copos da espada. O punho é de tartaruga com uma espiral de ouro mate, cinzelado, encruzada de rubis e brilhantes, e os copos de ouro, representando palmas e louros, tendo ao centro uma braçadeira, onde, entre as scintillações de muitos brilhantes, com a base em esmalte vermelho, circumdado por um largo annel de rubis e esmeraldas.</p>



<p>As guardas são lindíssimas: d’um lado vê-se, sobre palmas cravejadas de esmeraldas, uma aguia de brilhantes, que sustenta, n’uma das garras, o sceptro imperial, e na outra um globo de ouro.; do outro lado, em forma de concha, nota-se um grande número de rubis.</p>



<p>Os copos desdobram-se n’umas volutas, terminadas por dois brilhantes, e completam as guardas por um ramo, onde as palmas e os louros, entrelaçando-se, abraçam uma enorme saphira rodeada de brilhantes.</p>



<p>A bainha tem o bocal de ouro com uma tira de rubis e o guarda-bainha tambem de ouro cinzelado. o gancho é formado por uma cabeça de leão, segurando um brilhante entre os dentes.</p>



<p>O peso do ouro empregado n’esta obra sobe a 600 grammas, e o numero das pedras preciosas é superior a 500, das de mais fino quilate.</p>



<p>A lamina de fino aço, foi fabricada nas officinas do Arsenal do Exército. É custosamente gravada, lendo-se de um dos lados <strong>D. Luiz I, Rei de Portugal</strong>, e do outro <strong>Fabrica d’Armas. Lisboa 1887</strong>. Este trabalho foi superiormente executado pelo sr. Cassiano Maia artista gravador em metaes, de grande merito, e aspirante a gravador da Comissão Geodesica.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A gravura que publicamos melhor completa a descripção que deixamos feita desta preciosa espada, dando uma ideia muito perfeita da sua beleza a quantos a não poderam ver no original.”</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="565" height="862" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Imagem-da-espada.jpg" alt="" class="wp-image-38904" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Imagem-da-espada.jpg 565w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/01/Imagem-da-espada-197x300.jpg 197w" sizes="auto, (max-width: 565px) 100vw, 565px" /></figure></div></div></div>



<p><strong><a href="https://duaslinhas.pt/2025/01/a-espada-desaparecida/">(continua)</a></strong></p>
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		<title>A LENDA DE VISEU E VILA NOVA DE GAIA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2024/09/a-lenda-de-viseu-e-vila-nova-de-gaia/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Sep 2024 23:00:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[amor trágico]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[lendas]]></category>
		<category><![CDATA[Ramiro II de Leão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vem já contada nos Nobiliários medievais a singular lenda de El-Rei Ramiro, Gaia, Zahara e Alboazar. Autores diversos recontaram a história de tão trágicos amores em cativantes textos, que, ao longo de séculos, fizeram o encanto dos eternos trovadores. Almeida Garrett, cuja alma também era de enamorado, recolhe o que acabou por ser um trágico [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="481" height="191" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/brasoes-viseu-e-vngaia.png" alt="" class="wp-image-36538" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/brasoes-viseu-e-vngaia.png 481w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/brasoes-viseu-e-vngaia-300x119.png 300w" sizes="auto, (max-width: 481px) 100vw, 481px" /></figure></div>


<p>Vem já contada nos Nobiliários medievais a singular lenda de El-Rei Ramiro, Gaia, Zahara e Alboazar. Autores diversos recontaram a história de tão trágicos amores em cativantes textos, que, ao longo de séculos, fizeram o encanto dos eternos trovadores.</p>



<p>Almeida Garrett, cuja alma também era de enamorado, recolhe o que acabou por ser um trágico rimance da tradição popular, onde bebeu como ninguém e, ao longo dos quase quinhentos versos que compõem as quatro cantigas do romance <em>Miragaia</em> que recontam os passos dos quase míticos heróis de uma tragédia, compõe uma lição sobre o destino.</p>



<p>As actuais cidades de Viseu e Vila Nova de Gaia apropriaram-se da lenda e dela fizeram bandeira e concreto registo na iconografia dos seus brasões. Viseu e Gaia celebrando El-Rei Ramiro a fazer soar uma trompa de guerra no cimo de um castelo. </p>



<p>El-Rei Ramiro, Ramiro II, rei de Leão, que governara entre 931 e 951 uma parcela da Espanha cristã, por breve tempo constituído como “Rei da terra portucalense”, estabelece temporária capital em Viseu.</p>



<p>Ramiro, que platonicamente se enamorara da proclamada beleza de Zahara, irmã do rei mouro Alboazar, que, ao tempo, mantinha sua corte no Castelo de Gaia, fortaleza alcandorada, quase, sobre as águas do rio Douro, bem perto da foz, intenta o rapto da princesa, que parece não ter feito oposição e com ela faz vida, menosprezando a rainha. Gaia, esposa de Ramiro, ora desolada e traída, abandonada à sua desdita, assim se lamenta na quadra da Cantiga primeira:</p>



<p>&nbsp;– <em>Diz que é formosa essa moura / Que te soube enfeitiçar. / Mas tu dizias-me dantes / Que eu era bela, sem par!&#8230;</em></p>



<p>Alboazar, ao regressar de mais uma campanha, tem notícia do agravo que o rei cristão lhe fizera e, numa atitude de vingança, escolhe alguns de entre os seus melhores guerreiros e desce ao território inimigo, onde acaba por raptar Gaia, essa<em> bela sem par</em> que, para desagravo, se deixa conduzir para o castelo de seu novo amo, ao qual passa a servir.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="787" height="674" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/rapto-da-mulher-de-ramiro.png" alt="" class="wp-image-36542" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/rapto-da-mulher-de-ramiro.png 787w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/rapto-da-mulher-de-ramiro-300x257.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/rapto-da-mulher-de-ramiro-768x658.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/rapto-da-mulher-de-ramiro-696x596.png 696w" sizes="auto, (max-width: 787px) 100vw, 787px" /><figcaption class="wp-element-caption">Gravura de José Maria Baptista Coelho<br></figcaption></figure></div>


<p>Ramiro, ferido em seu orgulho de rei, ao ter conhecimento do paradeiro da rainha, logo intenta maneira de a fazer retornar.</p>



<p>Escolheu, de entre os seus, alguns soldados de eleição e com eles parte rumo ao castelo de onde o rei mouro governava.</p>



<p>Disfarça-se de romeiro, ao avistar, com seus homens, o castelo, manda acoitar num bosque vizinho os soldados que levara e que, a um sinal seu que daria, o toque de uma trompa na torre alta do castelo, imaginando o ardil que ali o levaria, avançariam sobre o castelo para o libertarem a si e a Gaia, a antiga esposa preterida mas nunca esquecida.</p>



<p>Alboazar, ao voltar da caça ou da conquista, encontra o inimigo que Gaia reconhecera sob o traje de romeiro e, querendo vingar a afronta, lho entrega para castigo exemplar. Vendo-se condenado, Ramiro pede que, em vez da forca ou do machado do algoz ou talvez da lúgubre cadeia, o deixem subir à torre mais alta do castelo, onde sopraria a trompa que trazia a tiracolo, onde a sopraria até desfalecer. Favor real que lhe é concedido.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="415" height="686" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/ramiro-toca-trombeta.png" alt="" class="wp-image-36545" style="width:258px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/ramiro-toca-trombeta.png 415w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/ramiro-toca-trombeta-181x300.png 181w" sizes="auto, (max-width: 415px) 100vw, 415px" /><figcaption class="wp-element-caption">Gravura de José Maria Baptista Coelho<br></figcaption></figure></div>


<p>E logo ao primeiro soar da trompa, sinal que fora antes com seus soldados combinado, soltam-se da floresta os guerreiros de Ramiro, abrem de rompante as portas do castelo e surpreendem os soldados do rei mouro, distraídos. Depressa se apossam do castelo, derrotam a mourama, escapam com o seu rei e trazem Gaia, que agora vem prisioneira e que, amargurada, olhando da ribeira do Douro as chamas do castelo, lamenta seu trágico destino. Ramiro não perdoa e, irado, clama: – MIRA, GAIA! E apontou-lhe o castelo a esboroar-se. E a cabeça de Gaia cai na água sob golpe da impiedosa espada de Ramiro.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="580" height="676" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/mira-gaia.png" alt="" class="wp-image-36543" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/mira-gaia.png 580w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/mira-gaia-257x300.png 257w" sizes="auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px" /><figcaption class="wp-element-caption">Gravura de José Maria Baptista Coelho<br></figcaption></figure></div>


<p>Entre as heroicas tradições de um imaginário de Viseu, destaca-se esta, que hoje se conta em seu brasão de cidade: – El-Rei Ramiro, falso romeiro, tocando sua trompa de caça e a mítica árvore – a imaginal floresta que escondeu os soldados do exército do Rei.</p>



<p>No brasão da cidade de Gaia, sobre uma das torres, El-Rei Ramiro sopra também sua trompa de caça e de vitória.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="807" height="653" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/gaia.png" alt="" class="wp-image-36539" style="width:471px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/gaia.png 807w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/gaia-300x243.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/gaia-768x621.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/gaia-696x563.png 696w" sizes="auto, (max-width: 807px) 100vw, 807px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="827" height="631" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/viseu.png" alt="" class="wp-image-36540" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/viseu.png 827w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/viseu-300x229.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/viseu-768x586.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/09/viseu-696x531.png 696w" sizes="auto, (max-width: 827px) 100vw, 827px" /></figure></div></div>
</div>
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		<title>Os primeiros canos europeus damasquinados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rainer Daehnhardt]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Sep 2024 23:05:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>À 1ª vista parece absurdo que espingardeiros europeus se tenham lembrado de estudar espadas muçulmanas forjadas na Síria e na Pérsia para descobrirem os segredos de forjar por camadas sobrepostas. O certo é que tal aconteceu, porque, obtendo esse segredo junto de forjadores muçulmanos, resolveram aplicá-lo em espingardas e pistolas europeias. Foram apenas dois mestres [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>À 1ª vista parece absurdo que espingardeiros europeus se tenham lembrado de estudar espadas muçulmanas forjadas na Síria e na Pérsia para descobrirem os segredos de forjar por camadas sobrepostas. O certo é que tal aconteceu, porque, obtendo esse segredo junto de forjadores muçulmanos, resolveram aplicá-lo em espingardas e pistolas europeias.</p>



<p>Foram apenas dois mestres espingardeiros que o fizeram: Georg Keiser, em Viena de Áustria, no século XVII, e o seu genro, Felix Meier, já no século XVIII. Há exemplares de obras destes espingardeiros em Portugal: um cano do século XVII, que pertence ao Museu Luso-Alemão, e um par de pistolas que integra a colecção de Vítor Galamba.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h3 class="wp-block-heading"><strong>Um par de pistolas</strong></h3>



<p>Tem Vítor Galamba esse par de pistolas de pederneira na sua colecção. Gostei de as analisar, porque documentam o então raro fenómeno de possuir canos damasquinados.</p>



<p>O seu feitio demonstra o gosto da corte francesa, então muito em moda em todas as cortes europeias. As guarnições, de latão, acabadas a cinzel e com forte banho de ouro de 20 quilates, é prova de serem da corte de Viena de Áustria e sua sucursal de Karlsbad, na Boémia. Era nesta zona de caça do Império Alemão (hoje, República Checa), que se reuniam as principais figuras dos estados europeus para tratarem das suas alianças ou discordâncias. As maiores caçadas foram precisamente as realizadas nas redondezas de Karlsbad, razão pela qual muitos espingardeiros de Viena de Áustria abriram aí as suas sucursais.</p>



<p><em>– Mas pistolas para caça, amigo Rainer?</em></p>



<p>– Sim, além de servirem para a autodefesa do cavaleiro, durante as viagens, eram também usadas para a caça, a cavalo, de veados, ursos ou javalis.</p>



<p>– A gente acha que pistola antiga serve é para duelo, defesa de honra ultrajada!</p>



<p>– Para duelo, não, embora também pudessem servir para autodefesa, em caso de guerra. Este costume britânico de os nobres se guerrearem uns com os outros por razões de honra, ainda não se tinha inventado! As pistolas para duelo surgem apenas no último quartel do século XVIII. E as de Vítor Galamba datam de duas gerações antes!</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h3 class="wp-block-heading"><em><strong>Os dois célebres mestres armeiros europeus</strong></em></h3>



<p>Com base nos dados colhidos na maior enciclopédia que existe acerca de fabricantes de armas de fogo, desde o ano de 1400 até 1900 – <em>Heer Der Neue Stöckel</em> , (Schwäbisch Hall, 1978) ­– e também nos textos «Feuerwaffen», de John Hayward do Museu Victoria and Albert, de Londres; «Alte Feuerwaffen», do Dr. Arne Hoff, director do Tojhusmuseet de Copenhaga (Dinamarca); e «Alte Büchsenmeister», de Hans Schedelmann, do Kunsthistorisches Museum, de Viena de Áustria, é possível conhecer muito acerca destes mestres europeus dos canos damasquinados.</p>



<p>Desta sorte, sabemos que o citado Georg Keiser tanto escrevia o nome KEISER, como KAISER ou KAYSER. A razão para essa aparente divergência é curiosa e merece ser mencionada. Numa oficina de espingardeiros era raro, no século XVII ou XVIII, haver alguém que soubesse ler ou escrever. Tinham primorosos gravadores, que copiavam desenhos com motivos de caça, guerra ou plantas, escolhidos pelo mestre da oficina, em combinação com os desejos do futuro portador das armas. Nos apontamentos, deixados em papel para os gravadores, alguém escrevia os nomes, e assim surgiram diferentes interpretações dos nomes dos espingardeiros. Algo impensável nos dias de hoje, mas frequente naquela altura.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/Xiu6R1J.png" alt="" class="wp-image-36522"/><figcaption class="wp-element-caption">Cano de Georg Keiser, de Viena de Áustria, do séc. XVII (1674-1700). Trata-se do 1º cano damasquinado conhecido manufacturado por um espingardeiro europeu. Obra do séc. XVII., mais tarde remontado numa espingarda do Schloss Dyck.</figcaption></figure></div>

<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/SIrpPDG.png" alt="" class="wp-image-36523"/><figcaption class="wp-element-caption">Pormenor do mesmo cano, assinado a ouro</figcaption></figure></div>


<p>Georg Keiser, filho de Caspar Keiser, nasceu, em 1647, em Eger, na Boémia, que fez parte do Império Alemão, e faleceu em Viena de Áustria, uma das cidades capitais do Sacro Império Romano de Nação Germânica, em 1740. Apresentou-se em Viena de Áustria para ser aprendiz numa das melhores escolas de espingardeiros da Corte de Viena, em 1671. Em 1674 recebeu o diploma de espingardeiro profissional. Desde 1702 até 1716, trabalhou em conjunto com o seu genro, Felix Meier, e assinavam KEISER &amp; MEIER. Em seguida, Meier ficou a trabalhar na sucursal em Karlsbad e Kaiser na capital, em Viena.</p>



<p>Um dado curioso acerca de Georg Keiser é o facto de, por diversas vezes, nas últimas obras, ter feito questão de mencionar a sua idade. Keiser usava punções em estilo alemão e em estilo espanhol, conforme o gosto ou pedido do futuro proprietário. Foi ele quem introduziu a arte europeia de forjar canos damasquinados.</p>



<p>Acerca de Felix Meier, sabemos que nasceu em Wangen, perto de Viena de Áustria, em 1672, onde faleceu, em 1739. Foi pai de Franz Meier, também espingardeiro, que em 1739 ficou com a loja em Karlsbad. Felix Meier foi aprendiz na espingardaria de Georg Keiser, em Viena, em 1699, ficando mestre em 1702. Casou com Anna Barbara, filha de Georg Keiser e trabalharam juntos desde 1702 até 1716. A grande maioria dos canos europeus damasquinados dessa época são da sua autoria. Por vezes puncionados, a pedido, com marcas pseudo-muçulmanas ou espanholas, mas a maioria sem marca alguma.</p>
</div></div>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/pE7eYSZ.png" alt="" class="wp-image-36525"/><figcaption class="wp-element-caption">Pistola do genro Felix Meier, introduzindo a segunda versão do cano damasquinado “a la turca”. Nasceu em 1647 e ficou mestre desde 1702 até 1739.</figcaption></figure></div>


<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A corporação dos espingardeiros exigia o pagamento de uma quantia em dinheiro para fazer vistoria à arma. Era, por isso, costume as armas mostradas na loja estarem acompanhadas dos respectivo punções. As que eram feitas de encomenda habitualmente não possuíam nem assinatura nem punção: era um acordo entre o cliente e o mestre espingardeiro, fazia-se de conta que se tratava de encomenda de algum membro da família – e assim se poupava dinheiro e se evitava a burocracia.</p>



<p>Acrescente-se que todas estas peças tiveram uso em Portugal: umas europeias com os primeiros canos damasquinados por europeus, outras europeias mas com canos comprados ou conquistados aos turcos.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/bP1XJ5k.png" alt="" class="wp-image-36527"/><figcaption class="wp-element-caption"><strong><a href="https://duaslinhas.pt/2024/05/a-espingarda-que-d-maria-ofereceu-ao-sultao/">Espingarda oferta da Rainha de Portugal, D. Maria I, ao Sultão de Guzarate</a></strong>, no ano de 1795. Obra de Jacinto Xavier, Mestre do Arsenal Real do Exército, utilizando o melhor cano conhecido dum mestre da Casa Real Otomana, Palácio de Top-Kapi , de Constantinopla.</figcaption></figure></div>


<p>O que é importante é notar que se trata de peças muito raras dos séculos XVII a XVIII. Nos séculos XIX e XX os canos damasquinados inundaram os mercados de todo o mundo. Hoje, cerca de 50% das espingardas de caça modernas possuem canos damasquinados, sendo as restantes de produção normal, ou seja, fundidos e brocados, sem sobreposição de camadas de tipos de ferro diferentes. Até há “damasquinados falsos”, que se conseguem por meio da cobertura de um cano normal por uma camada de cera, aplicando-se-lhe, de seguida uma densa rede de ferro. Tirando esta, mergulham o cano em ácido, obtendo assim um <em>aspecto</em> parecido com o damasquinado verdadeiro. O verdadeiro é sempre obra de ferreiro-espingardeiro com imenso trabalho de forja, geralmente utilizando tipos de ferro diferentes. Os primeiros damasquinados falsos surgiram,  em meados do século XIX, em Liège, sendo depois copiados por fundições de canos de diversos outros países.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/k9z8077.png" alt="" class="wp-image-36530"/><figcaption class="wp-element-caption">Espingarda Chenapan de Bréscia, do séc. XVII, reutilizando um cano tomado aos turcos</figcaption></figure></div></div></div>
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		<title>MEMÓRIA DE PORTUGAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Sep 2024 23:00:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Gabinete Português de Leitura]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tudo o que importa saber acerca deste Gabinete Português de Leitura da Bahia– que é um dos 28 gabinetes portugueses de leitura criados pelo Brasil desde 1830 (o 1º foi em Porto Alegre) e até 1916 (o de Viçosa do Ceará) – está consignado no livro de Regina Anacleto, acabado de publicar (2024) pela Quarteto [&#8230;]</p>
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<p>Tudo o que importa saber acerca deste Gabinete Português de Leitura da Bahia– que é um dos 28 gabinetes portugueses de leitura criados pelo Brasil desde 1830 (o 1º foi em Porto Alegre) e até 1916 (o de Viçosa do Ceará) – está consignado no livro de Regina Anacleto, acabado de publicar (2024) pela Quarteto Editora*, de Salvador (Bahia). 166 páginas, em formato A4, mui significativo acervo fotográfico a cores no final. Edição financiada pelo Arquiteto Abel Travassos, que na ficha técnica vem apresentado como «português, ex-Presidente da Casa e abnegado sócio».</p>



<p>Regina Anacleto, recorde-se, especializou-se no estudo das arquitecturas neomedievais, designadamente a neomanuelina, tendo analisado miudamente, na sua tese de doutoramento (<em>Arquitectura neomedieval portuguesa. 1780-1924</em>, defendida em 1992), entre muitos exemplares portugueses desse tipo de arquitectura, o Palácio Nacional da Pena (em Sintra) e o Palácio da Duquesa (em Cascais). Manteve sempre grande relação com o Brasil e publicou, em 2010, uma primeira monografia deste teor, intitulada <em>Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro: ponte de artistas entre dois mundos.</em></p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-3 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/qPsW5Co.jpeg" alt="" class="wp-image-36403"/><figcaption class="wp-element-caption">fachada</figcaption></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/Y9KRB8r.png" alt="" class="wp-image-36404"/><figcaption class="wp-element-caption">Camões na fachada</figcaption></figure></div></div>
</div>



<p>Não admira, por isso, que, neste livro, depois de referir as circunstâncias em que os gabinetes de leitura foram surgindo no Brasil, se debruce sobre esse tema das arquitecturas ‘revivalistas’ (perdoe-se-me o uso deste adjectivo), mostrando o interesse que devem despertar edifícios como o referido Paço da Pena, o Mosteiro dos Jerónimos, a estação central do Rossio, o edifício dos Paços do Concelho de Sintra. Uma palavra especial é dada à «reinvenção cenográfica da arquitectura manuelina», tanto no que designa «o paraíso romântico do Buçaco» como na «magia romântica da Quinta da Regaleira».</p>



<p>Essa moda também seduziu o Brasil – recorde-se que esse século XIX correspondeu à grande imigração portuguesa (os «brasileiros de torna-viagem» de que tanto eco há na literatura da época) – e é nesse movimento que se insere a criação deste gabinete de leitura em Salvador da Baía.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/DNYOAOT.jpeg" alt="" class="wp-image-36406" style="width:407px;height:auto"/></figure></div>


<p>Lê-se na acta fundacional:</p>



<p>«Os fins da presente sociedade consistem na aquisição do maior número de obras de reconhecida utilidade escritas nos idiomas Português e Francês e mais aquelas que posteriormente se julgarem mais precisas, assim como os principais jornais publicados em Portugal e no Brasil» (p. 137).</p>



<p>Anote-se, para que conste: em Português e em Francês!</p>



<p>Todo o capítulo 6 é dedicado a dar conta das principais efemérides que constam da história do Gabinete, história que é depois referida em sequência cronológica, desde 1830 a 1947 (p. 124-137).</p>



<p>Permita-se-me que releve dois ou três desses factos – pelo especial significado que se lhes pode atribuir.</p>



<p>Assim, fica-se a saber que, por iniciativa da direcção do Gabinete, se promoveu, em 1878, uma subscrição «para fazer face às despesas com as exéquias a Alexandre Herculano». Quem diria?</p>



<p>Também se festejou em Salvador, no ano de 1880, o tricentenário da morte de Camões. No ano seguinte, a direcção dos festejos comemorativos ofereceu ao Gabinete o busto que, eventualmente, merecera lugar de honra no decorrer das cerimónias.</p>



<p>A patriótica indignação contra a nossa «mais velha aliada», a Inglaterra, que, traiçoeiramente, nos lançou, em 1890, o <em>Ultimatum,</em> também se alargou a terras brasileiras, onde se abriu uma subscrição «a fim de angariar fundos destinados a comprar unidades navais para equipar a marinha de guerra portuguesa» (p. 131).</p>



<p>Com os fundos obtidos se construiu, no Arsenal da Ribeira das Naus, em Lisboa, a canhoneira «Pátria», entregue à armada portuguesa em 1903 e que, em 1905, demandou os principais portos brasileiros para manifestar a gratidão pelo movimento patriótico espontaneamente gerado no Brasil. Na circunstância, a 9 de Setembro, os oficiais da canhoneira foram recebidos em sessão solene, tendo a direcção do Gabinete entregado ao comandante, Capitão Tenente António Alfredo da Silva Ribeiro, o diploma de sócio honorário. O ensejo foi igualmente aproveitado para se entronizar «a maqueta do monumento a Pedro Álvares Cabral, da autoria de Costa Mota, que havia sido adquirida por um grupo de sócios num leilão da alfândega e oferecida ao Gabinete» (p. 133-134).</p>



<p>Tudo isto para mostrar que, afinal, este Gabinete de Leitura da Bahia – como, de resto, os demais – não constituiu mero repositório de publicações de leitura presencial ou domiciliária; em seu redor – como no dos demais – manteve-se e alimentou-se o espírito português. Uma obra arquitectónica, sim, mas a arquitectura é, aqui, o invólucro exterior de uma missão com objectivos culturais bem definidos e muito maiores.</p>



<p>Está de parabéns a Autora, por mais esta obra com que nos quis brindar.</p>



<p>* ISBN: 978-65-87365-68-8</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/FDynUA6.jpeg" alt="" class="wp-image-36399"/><figcaption class="wp-element-caption">Regina Anacleto e o seu livro Gabinete Português de Leitura</figcaption></figure>
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		<title>SOPA DE LISBOA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Aug 2024 23:00:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[dinastia Filipina]]></category>
		<category><![CDATA[Duque de Alba]]></category>
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		<category><![CDATA[História de Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não é, porém, sobre essa invasão que hoje vem a jeito falar (ainda que se esteja em período de invasões idênticas…). É sobre o facto de entre dois povos vizinhos ou dois concelhos vizinhos ou freguesias vizinhas ou clubes de futebol vizinhos haver sempre uma certa picardia&#8230; Não se proclama amiúde, alto e bom som, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Não é, porém, sobre essa invasão que hoje vem a jeito falar (ainda que se esteja em período de invasões idênticas…). É sobre o facto de entre dois povos vizinhos ou dois concelhos vizinhos ou freguesias vizinhas ou clubes de futebol vizinhos haver sempre uma certa picardia&#8230; Não se proclama amiúde, alto e bom som, que “De Espanha nem bom vento nem bom casamento”?</p>



<p>A talhe de foice virá, pois, a história que <strong><a href="https://duaslinhas.pt/author/rainer-daehnhardt/">Rainer Dahenhardt</a></strong> me contou:</p>



<p>«Dei uma palestra a conservadores dos museus holandeses e chamei a atenção para o facto de os livros escolares de história do seu país frequentemente classificarem o Português como sendo «o pirata», por definição. Classificar os Portugueses, genericamente, como “os piratas dos sete mares“ é mais do que infundado exagero».</p>



<p>Um dos conservadores, comentando a afirmação, aduziu, a título de exemplo, as lutas que os Holandeses tiveram de travar contra o Duque de Alba. Quando o conferencista lhe explicou que esse general não era português mas espanhol, de pronto o holandês lhe replicou:</p>



<p>– Português ou Espanhol é tudo a mesma coisa!</p>



<p>Houve na sala vozes discordantes e Rainer aproveitou para perguntar quantos homens é que, então, os holandeses teriam perdido na principal batalha travada contra o Duque de Alba.</p>



<p>– Entre 50&nbsp;000 e 70&nbsp;000 – responderam dois historiadores.</p>



<p>O primeiro conservador que falara atirou logo a frase, em tom jocoso:</p>



<p>– Sim! Mas ele também tomou Lisboa!</p>



<p>Houve sorrisos na sala. E foi a vez de Rainer indagar da assistência:</p>



<p>– E sabe algum dos senhores onde é que ele morreu?</p>



<p>Silêncio.</p>



<p>– Foi em Lisboa e não foi por vontade própria!</p>



<p>&nbsp;– Como é que ele faleceu?</p>



<p>– Demos lhe <em>a sopa de Lisboa</em> e ele apagou-se num instante.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h3 class="wp-block-heading"><em><strong>A sopa de Lisboa</strong></em></h3>



<p>Como é sabido – e Rainer recorda-o – muitos tiranos viviam (e, se calhar, ainda vivem…) com o medo de poderem ser envenenados. Têm, por isso, um provador oficial, que come e bebe da comida apresentada, antes de darem o seu “sim, está tudo em ordem!”, para que Sua Excelência possa comer descansada.</p>



<p>No caso do Duque de Alba, a maioria da lusa gente estava fula com ele, já antes da Batalha de Alcântara, por ter mostrado um excesso de crueldade ao ter ordenado que o Vice-Rei da Índia, Dom Diogo de Meneses, que estava como Condestável das forças de Dom António Prior do Crato na fortaleza de Cascais, fosse simplesmente decapitado. Isto é, a alcunha que os Holandeses tinham dado ao Duque de Alba, <em>diabo do meio dia</em> tinha razão de ser!</p>



<p>Não há prova nenhuma que tenha sido um português a dar-lhe a sopa envenenada! É essa, todavia, a versão que corre, desde então, em Espanha. Apenas se sabe que, em Lisboa, o Duque de Alba (Fernando Álvarez de Toledo y Pimentel comeu uma sopa e começou a sentir-se tão mal que faleceu de seguida, a 11 de Dezembro de 1582, com 75 anos. E que o cozinheiro sumiu!</p>



<p>Nunca se logrou provar que tal tenha realmente acontecido. Mas será que havia real interesse em descobrir?</p>



<p><sup>(De colaboração com <strong><a href="https://duaslinhas.pt/author/rainer-daehnhardt/">Rainer Daehnhardt</a></strong>)</sup></p>


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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="799" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/843px-Fernando_Alvarez_de_Toledo_III_Duque_de_Alba_retratado_por_Antonio_Moro-799x1024.jpg" alt="" class="wp-image-35621" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/843px-Fernando_Alvarez_de_Toledo_III_Duque_de_Alba_retratado_por_Antonio_Moro-799x1024.jpg 799w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/843px-Fernando_Alvarez_de_Toledo_III_Duque_de_Alba_retratado_por_Antonio_Moro-234x300.jpg 234w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/843px-Fernando_Alvarez_de_Toledo_III_Duque_de_Alba_retratado_por_Antonio_Moro-768x984.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/843px-Fernando_Alvarez_de_Toledo_III_Duque_de_Alba_retratado_por_Antonio_Moro-696x892.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2024/08/843px-Fernando_Alvarez_de_Toledo_III_Duque_de_Alba_retratado_por_Antonio_Moro.jpg 843w" sizes="auto, (max-width: 799px) 100vw, 799px" /><figcaption class="wp-element-caption">O Duque de Alba, antes de ter comido a sopa</figcaption></figure></div></div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2024/08/sopa-de-lisboa/">SOPA DE LISBOA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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