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	<title>Arquivo de O QUE DIZ HELENA - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de O QUE DIZ HELENA - Duas Linhas</title>
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		<title>CEM ANOS ?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Ventura Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 May 2026 11:55:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>David Attenborough faz hoje 100 anos</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Estou “apaixonada” por si desde uma altura especial que não vai adivinhar, já a minha admiração estava sedimentada por anos de visionamento de documentários seus. Deitada no chão da sala, de cotovelos fincados no tapete e mãos a segurarem o rosto, acabava sempre por hesitar entre escolher a peculiar voz do radialista, o encanto do jovem que ousava interagir com os gorilas no Ruanda, ou a coragem do naturalista que viajava até aos confins do mapa para contar <strong>a mais bela história do mundo </strong>até então desconhecido.</p>



<p>Ganhou o inteligente produtor da BBC em séries que acumulavam audiências, ou o biólogo que deu a conhecer espécies novas e ensinou que todas precisam de afecto e interacção? Engana-se, muito estimado <strong>Sir David Attenborough</strong>. Ganhou aquele explorador de jeans esfiapados nas bainhas, que pediu uma tesousa à equipa e em segundos, arrimando uma perna de cada vez a uma rocha, cortava duas barras do mesmo tamanho, direitinhas, e ficava com umas calças novas.</p>



<p>Que homem, pensava eu arrebatada nos meus vinte e poucos anos! Inteligente, culto, destemido, prático. E terminado o encantamento da transmissão, percorria o seu trajecto de vida desde o nascimento em Londres até à criaçao em Leicester, depois a formação em Cambridge e de novo em Londres onde tudo recomeçaria. Sem esquecer o menino do meio de três rapazes que colecionava fósseis e pedras, estimulado pela peça de âmbar oferecida por uma das duas irmãs adoptivas, antes órfã da I Grande Guerra.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><strong>Parabéns pelos 100 anos, </strong>querido <strong>Sir David Attenborough,</strong> ainda não tinha dito.</p>



<p>A julgar pelo pensamento do seu adorado Darwin, tem-se revelado um dos mais aptos para resistir e manter tão saudável e frutuosa longevidade. Talvez pelo seu amor à Natureza, que em algumas latitudes ainda terá a marca das suas pegadas. Talvez pela superior humanidade que tanto vaticinou o declínio do planeta pelas más escolhas dos líderes.</p>



<p>Da minha admiração crescente e dos seus ensinamentos, fazia eco até outros que viriam a conhecer os mares, a explorar o mundo natural em caminhadas e fotografias de animais em liberdade, a promover discussões sobre o destino desta Casa chamada Terra, tão maltratada pela avidez ignorante de uns quantos, muitos&#8230;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="284" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-1024x284.png" alt="" class="wp-image-48998" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-1024x284.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-300x83.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-768x213.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-1536x426.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-696x193.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-1392x386.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-1068x296.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x-1320x366.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-4x.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Sedentos do lucro fácil e imediato, esquecem o futuro de gerações jovens que podem ser os seus filhos. E aposto que, se os questionassem sobre o assunto, eles haviam de afirmar que preferiam poder respirar em paz, a gastar o dinheiro sujo em unidades de saúde para tentarem sobreviver a doenças causadas pelo envenenamento do planeta. E para quê, se como dizia Sir David a Anderson Cooper numa entrevista da série <em>60 Minutos, </em>o homem dispõe de infinitas fontes de energia que chegam para todos? Tantas advertências certeiras de que caminhávamos para o declínio. E caminhamos&#8230; ou talvez não, porque teremos de confiar: por nós, pelas crianças e jovens que precisam de solidariedade.</p>



<p>Hoje não tenho bolo de chocolate para lhe oferecer, nem o aroma de bacon acabado de fritar, nem bolachas de manteiga ainda quentes para acompanharem um chá. Tenho a certeza de que não haveria vontade para saborear tantas calorias, nem lhe chegaria o tempo para ler mensagens de todo o mundo que acompanhassem guloseimas, ainda que&nbsp; envolvidas as primeiras em papel de <strong>Amor, Admiração e Respeito.</strong></p>
</div></div>



<p>Como prenda sem enfeites lembro-lhe o registo de memórias ao longo de uma vida de aventura na Terra e no Mar, mais de setenta anos, que nos têm sido oferecidas em livro e em imagens&#8230;O som das vagas dos oceanos que admirava, a quebrarem nas praias onde auscultava a pujança dessa força&#8230;Intervalos de silêncio em observação reverente a ínfimos seres que na sua mão pareciam ter alma.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="684" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-1024x684.png" alt="" class="wp-image-49000" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-1024x684.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-300x200.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-768x513.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-1536x1027.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-696x465.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-1392x930.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-1068x714.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia-1320x882.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Sir-David-Attenborough-praia.png 1616w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Retenho o seu sorriso a partilhar empatia com espécies ditas perigosas, ou acariciando seres vivos raros como se acariciasse crianças.&nbsp; Guardo a sua imagem a mergulhar junto aos recifes de coral na Austrália, antes e depois da acção nociva do homem. Admiro e guardo como relíquia a sua forma de sorver a vida em gargalhadas sonoras.&nbsp;</p>



<p>Lembra-se de uma conversa da série <em>A Vida no Nosso Planeta,</em> no seu jardim com Sir Michael Palin? Falavamdas jovens que o reconheceram na base do Monte Kinabalu, em Bornéu e da que, levantando a saia, lhe mostrou a coxa tatuada com o seu rosto, acabando ambos, e os espectadores em minha casa, em gargalhadas irreprimíveis.</p>



<p>O meu, o nosso presente aqui deste canto de Portugal, <strong>Sir David Attenborough,</strong> é a certeza de que a sua mensagem é uma caixa de ressonância que, de vez em quando, soa dentro da nossa consciência de seres ínfimos no grande rio do Universo. Basta folhear um livro seu, rever um vídeo&#8230;</p>



<p><strong>Parabéns. Saúde </strong>e<strong> Alegria</strong> bastantes para ouvir o coro do mundo, quase em uníssono, num cântico de <strong>AGRADECIMENTO.</strong></p>



<p>Helena</p>
</div></div>
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		<title>DE COIMBRA COM AMOR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Ventura Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 07 May 2026 09:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>a deambular pelas ruas estreitas da cidade velha</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Encostava a porta do quarto depois do pequeno-almoço e descia, decidida a deambular pelas ruas estreitas da cidade velha, onde os meus trisavós tinham morado.</p>



<p>A Igreja de S. Bartolomeu, que a todos vira baptizar, continuava fechada e triste. Antes de cruzar o portão, virava à esquerda para o beco da espesssura de um risco que levava ao Largo do Romal a ser requalificado. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="525" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/s-bartolomeu-e-romal-1024x525.png" alt="" class="wp-image-48936" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/s-bartolomeu-e-romal-1024x525.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/s-bartolomeu-e-romal-300x154.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/s-bartolomeu-e-romal-768x394.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/s-bartolomeu-e-romal-1536x788.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/s-bartolomeu-e-romal-696x357.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/s-bartolomeu-e-romal-1392x714.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/s-bartolomeu-e-romal-1068x548.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/s-bartolomeu-e-romal-1320x677.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/s-bartolomeu-e-romal.png 1807w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Igreja de S. Bartolomeu e Largo do Romal</figcaption></figure></div>


<p>Lá estava, no topo do edifício ainda de pé, a janela onde o velho José Maria cofiava o bigode e namorava, por gestos e piscadelas de olhos, todas as senhoras das casas vizinhas sem que a mulher reparasse, julgava ele&#8230;</p>



<p>Tinha-lhe uma estima respeitosa. Era ela quem sustentava a família de seis filhos com ajuda de uma empregada de meia-idade, em negócios inovadores das sete da manhã às Trindades. Até cambiava dinheiro numa banca colocada junto à Igreja de Santa Cuz!</p>



<p>A empregada ia ajudá-la a montar a mesa articulada, ajoelhava a pedir ajuda aos santos e voltava para trás, ligeira. Tinha que abrir a loja de doces na Praça Velha, feitos por ambas até de madrugada. Ao almoço ia apanhá-la para voltarem à loja, abrirem o cesto da refeição improvisada pela filhaTeresa e terminarem com um doce, para repor calorias&#8230;</p>



<p>Em casa ficavam as raparigas a organizar as divisões do r/chão, com o cubículo dos banhos, até às águas furtadas. Os três rapazes, todos com nomes bíblicos, trabalhavam e tiravam o 5º. ano, porque o fermento da instrução, dizia a mãe, faria levedar o futuro alimento da alma. Só o marido era deixado à vontade: cofiava o bigode hirsuto, amolecia as nádegas no cadeirão de verga, lia os jornais ilustrados que os filhos, a mulher e os clientes residuais lhe traziam. E namorava.</p>



<p>Alfaiate de prestígio, passava a costureiro por determinação da sua Emília Benedita, mulher alta, bela e sábia que devia ter sido ministra&#8230; O que ele acabara de arranjar por ser madraço! Levava tanto dinheiro aos maiorais da cidade, que um dia se via sem clientes, como afinal era a secreta intenção. Estava farto de dores nas cruzes, dizia, curvado a riscar o tecido caro dos fatos na mesa onde todos cabiam. Só não contava que a mulher lhe traçasse o plano de vida mais depressa do que ele riscava um fato.</p>



<p>Obrigações determinadas naquela manhã de domingo: fazer a roupa toda de homens e mulheres da casa, mas como a ocupação não lhe traria rendimento, tinha que dar lições da sua arte duas vezes por semana. Sem protestos. Um dos aprendizes era o poeta Adelino Veiga, já latoeiro de profissão e morador numa rua próxima hoje com o seu nome.</p>



<p>Esse acabaria por não pagar. Era Amigo do filho Benjamim e ambos animavam os arraiais no Romal com poesia depois musicada. Está registado esse feito, como estava o do velho José Maria em ceroulas a despejar, altas horas, o vaso da urina e mais&#8230;na latrina pública ali perto, por continuar namoradeiro. Nem a filha Isabel conseguiria evitar a humilhação!</p>



<p>Depois da breve conversa com uma moradora local, que fixava o meu rosto à procura de vestígios do passado, que obrigações me prendiam ali que não me deixassem livre para fazer o que queria? E continuava a explorar a Praça Velha, hoje chamada do Comércio, que tantas histórias antigas de família me fazia evocar.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="787" height="635" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/igreja-santiago.jpg" alt="" class="wp-image-48939" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/igreja-santiago.jpg 787w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/igreja-santiago-300x242.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/igreja-santiago-768x620.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/igreja-santiago-696x562.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 787px) 100vw, 787px" /><figcaption class="wp-element-caption">Igreja de Santiago (foto da Wikipédia)</figcaption></figure></div>


<p>A veneranda Igreja de Santiago, passagem obrigatória para Compostela, ainda se mantinha como bastião do Românico. Mutilada para alargar a Rua Visconde da Luz ao cimo da escadaria lateral, teve como decisor da obra António Agusto Gonçalves, mais preocupado com as ameaças ao estilo. O tio Benjamim e o irmão, meu bisavô Adriano, já trabalhavam com ele na recuperação de alguns monumentos, todos mentores da criação da Escola Livre das Artes do Desenho (ELAD) para aperfeiçoamento artístico e a funcionar na Torre da Almedina. O meu bisavô chegaria a membro da Comissão Directora.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="992" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/adriano-ventura-na-ELAD-992x1024.png" alt="" class="wp-image-48957" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/adriano-ventura-na-ELAD-992x1024.png 992w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/adriano-ventura-na-ELAD-291x300.png 291w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/adriano-ventura-na-ELAD-768x793.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/adriano-ventura-na-ELAD-696x719.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/adriano-ventura-na-ELAD.png 1046w" sizes="auto, (max-width: 992px) 100vw, 992px" /><figcaption class="wp-element-caption">Assinatura de Adriano Ventura em documento da Comissão Directora da Escola Livre das Artes do Desenho (ELAD)</figcaption></figure></div>


<p>O Mestre e lente viria a ser padrinho do meu primo Plínio Ventura, filho de Benjamim, que havia de integrar o 23 de Infantaria de Coimbra no CEP &#8211; Corpo Expedicionário Português &#8211; na Iª. Grande Guerra como tenente médico. Voltaria pouco são, mas salvo, para alegria de pais e irmãs, para desolação da mulher que nunca gostara dele. E amava ele tanto a sua Esther!</p>



<p>A manhã estava fresca. As ruas pedonais davam espaço de sobra aos transeuntes. À falta de outros planos, voltava atrás à Ferreira Borges junto ao Arco da Almedina, confundia a sapataria António com a antiga Romeu no bom gosto e elevado preço, mas não tinha reparado naquela loja moderna, quase em frente, cheia de chocolates e torrão de Alicante onde, à entrada, uma das sócias jovens fazia experiências que ia oferecendo aos clientes.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="513" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/sabor-a-espana-1024x513.jpg" alt="" class="wp-image-48942" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/sabor-a-espana-1024x513.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/sabor-a-espana-300x150.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/sabor-a-espana-768x385.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/sabor-a-espana-696x349.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/sabor-a-espana-1068x535.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/sabor-a-espana.jpg 1175w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Sim, eu era uma potencial cliente a pedir uma barra de torrão menos duro para o caminho, ainda que o pequeno-almoço tivesse sido consistente. <strong>Sabores a España,</strong> um espaço a visitar sempre que for a Coimbra e passar na Ferreira Borges. Nem preciso de atravessar a fronteira para trazer sucedâneos. Ali há qualidade garantida e moderado preço.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="958" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/esplanada-1024x958.png" alt="" class="wp-image-48944" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/esplanada-1024x958.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/esplanada-300x281.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/esplanada-768x719.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/esplanada-696x651.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/esplanada-1068x1000.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/esplanada.png 1154w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">esplanada do Café Santa Cruz</figcaption></figure></div>


<p>Descia depois a Visconde da Luz até à esplanada do Café Santa Cruz, parte do Mosteiro feminino de S. João das Donas. Subia a Rua das Figueirinhas para captar o edifício pelas traseiras, como dantes, mas as memórias pregavam-me ao chão da infância. Ali ainda soavam ecos da voz de uma mulher de cabeleira farta e negra, a cantar dramas minuciados na gazeta tipo Borda d&#8217;Água, enquanto o marido vendia a banha da cobra.</p>



<p>Com um breve adeus à Saudade, passava ao lado dos Correios para entrar no Mercado D. Pedro V. Poucas coisas, mas todas a pedirem um almoço com legumes frescos, cebolinho miúdo e verde, tomates carnudos sem herbicidas. A carne dos talhos laterais só podia ser nacional. Cada um tinha uma cadeira do lado de fora para o cliente esperar. Havia escadas rolantes até ao andar de cima, rumo à peixaria de pescado vivo. Não fora o cheiro das caras de bacalhau em salmoura, antes de entrar, e apetecia um grelhador ali mesmo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="750" height="500" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Mercado-foto.jpg" alt="" class="wp-image-48946" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Mercado-foto.jpg 750w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Mercado-foto-300x200.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Mercado-foto-696x464.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px" /></figure></div>


<p>Ainda percorria parte da Sá da Bandeira à procura, do outro lado, daquele portão que dava entrada à casa de planta em L onde os meus bisavós tinham morrido. Nada&#8230;O Teatro Avenida, onde a prima Marly tocara piano com16 anos para uma plateia encantada (diziam, porque eu tinha menos 12) lá permanecia ao lado, muito decadente por fora.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="915" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/republica-1024x915.png" alt="" class="wp-image-48948" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/republica-1024x915.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/republica-300x268.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/republica-768x687.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/republica-696x622.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/republica-1068x955.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/republica.png 1208w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Real República dos Corsários das Ilhas</figcaption></figure></div>


<p>E voltava atrás para subir o funicular e fazer a imagem já publicada, até percorrer a Rua Padre António Vieira e encontrar, no ponto onde desagua a Couraça dos Apóstolos, a Real República dos Corsários das Ilhas, a lembrar o 25 de Abril daí a dias. Até que entrava no Pátio das Escolas, tirava mais uma fotografia à estátua de D. João III a olhar o Paço que cedera para transferência da Universidade. E chegada ao varandim de ferro, registava um trecho lindo do meu Mondego por sobre os telhados do casario.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="754" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/mondego-1024x754.png" alt="" class="wp-image-48950" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/mondego-1024x754.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/mondego-300x221.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/mondego-768x565.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/mondego-696x512.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/mondego-1392x1025.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/mondego-1068x786.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/mondego-1320x972.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/mondego.png 1467w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">rio Mondego</figcaption></figure></div>


<p>Regressava então quase ao ponto de partida à procura do <strong>Rui Manel dos Ossos </strong>onde comia como um trolha, ou um académico com igual apetite: ossos cozidos temperados divinamente, acompanhados de batata salteada e couve cozida. Por sobremesa mousse de amêndoa no ponto, antes do café de boa qualidade.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="781" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/rui-manuel-dos-ossos-781x1024.png" alt="" class="wp-image-48954" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/rui-manuel-dos-ossos-781x1024.png 781w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/rui-manuel-dos-ossos-229x300.png 229w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/rui-manuel-dos-ossos-768x1007.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/rui-manuel-dos-ossos-696x912.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/rui-manuel-dos-ossos.png 824w" sizes="auto, (max-width: 781px) 100vw, 781px" /></figure></div>


<p>Não, não mostro os ossos. Mostro a casa com abundância de escolhas e recomendo uma visita! Vão! E não se esqueçam de tomar o lanche na Briosa, ao largo da Portagem, mesmo pegada à <strong>Bertrand.</strong> É lá que podem encontrar os melhores pastéis de Tentúgal, de Coimbra, de Portugal e do Mundo.</p>



<p>É verdade&#8230;não sabia que ainda tantos laços me prendiam à minha cidade e que bem podia voltar a morar por ali, agora até ao final dos tempos.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/de-coimbra-com-amor/">DE COIMBRA COM AMOR</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>A MAGIA DO ESPELHO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Ventura Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Apr 2026 07:00:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O QUE DIZ HELENA]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[poesia de Óscar Ródrigañez Flores]]></category>
		<category><![CDATA[poesia de Pilar Sastre Tarduchy]]></category>
		<category><![CDATA[poesia espanhola]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um casal de poetas</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/a-magia-do-espelho/">A MAGIA DO ESPELHO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há um casal que o faz de forma natural em DOIS POETAS SOBRE O ESPELHO,&nbsp; caminhando lado-a-lado com essa cumplicidade poética, conjugando a diversidade das suas aptidões numa harmoniosa e empenhada colaboração capaz de mitigar vendavais.</p>



<p>Isso pressupõe que, de forma natural, cumpriram um treinamento no íntimo aconchego do lirismo polissémico (ela) ou na disciplina literária da Poesia mais realista (ele) em ambos os casos manifestações da mesma forma de mitigar longos e vazios discursos, na retórica falácia dos subterfúgios sociais e políticos.</p>



<p>A Poesia é, toda ela, um tratado de bem viver em sociedade, qualquer que seja o preço para atravessar os desertos que a vida fabricou.</p>



<p>Pilar Sastre Tarduchy, responsável máxima pelas Edições El Búho Búcaro “Poesia e Dança Espanhola”, é Professora, Editora, Poeta premiada e Gestora Cutural com um doutorameno Honoris Causa pela Universidade de Westerbrook USA. Conhece bem alguns desses desertos, mas soprada a poeira dos momentos duros, recolhe e afaga os grãos de luz que povoam a sua Poesia amadurecida, exemplarmente burilada até à perfeição estilística.</p>



<p>São composições livres de amarras discursivas, textualmente estruturadas com elegância. Reflectem instantâneos da sua alma que vão fluindo como um rio semântico no caudal das emoções. Escolho o poema paradigmático de Pilar, <strong>Márgenes de Algodón</strong> e fixo-me na densidade dramática da sua organização, percebendo, até nessa complexidade, que a beleza natural do seu talento se afirma. O mesmo poderia dizer de <strong><em>Miedo Azul: “Estoy en un cuerpo/que no me corresponde/atrapada en sus limites./Solo guardo piel amarga/de llanto invisible y miedo azul./No sé si el tiempo/pertenece o sólo es una ilusión/siento el asombro de las manos”.</em></strong></p>



<p>As estrofes nunca perdem sonoridade musical, têm a graciosiade de uma escultura de&nbsp; palavras ondulando ao ritmo envolvente da leitura. Nem a plurissignificação dos versos, servida por belas metáforas, deixa de congregar leitores de diferentes sensibilidades presos à beleza descritiva dos estados de alma de Pilar S. Tarduchy.</p>



<p>Só lendo as suas composições e trabalhos premiados, se poderão avaliar melhor esses raios de luz, lenitivo para a obscuridade (palavra recorrente na sua obra) tão injustamente presente na existência deste ser humano de eleição.</p>



<p>Óscar Ródrigañez Flores, médico osteopata, licenciado em Estudos de Comércio Internacional e Aduaneiro pela Universidade Autónoma de&nbsp; Madrid, director técnico, poeta e também editor de El Búho Búcaro Poesia, partilha com Pilar Tarduchy cumplicidades condensadas nesta linguagem em que poucas palavras codificadas bastam para o entendimento e para a superação dos problemas.</p>



<p>Em DOIS POETAS SOBRE O ESPELHO, que já vai na terceira edição, temos 14 composições de cada um, como se ambos se desdobrassem em sonetos reflexivos e dialogantes que nos levam até onde, dos escombros da existência, se levantam sobreviventes em reconstrução de moradas semânticas, camada por camada, verso a verso. Dele escolho o poema<strong> Tacto de Algodón</strong>, para justificar a sintonia entre ambos e reproduzo <strong>Única igualdad: “Nunca hay dos besos iguales/ni dos caricias amargas/veo igual a las mujeres/veo igual a los hombres/y nadie es igual// Sabrifico mi percepción/y disimulo cuando te veo/intento ser igual a otros/esos que nunca lo son// Muero en vida/y entre medias de ti/reconozco que hay algo igual/tú, muerte/dulce compañera de la igualdad/y de la liberación.</strong></p>



<p>Como vemos, a Poesia de Óscar Flores é, também ela, erguida sobre fundações linguísticas sólidas, num discurso sem vacilações, habituado à disciplina formal desta linguagem purificadora, livre de asperezas, mas capaz de as enunciar sem receio. E ambos se completam, se amparam, nessa aventura poética de se mirarem a um espelho que ora conta a verdade, ora a consegue alterar em signos que estabelecem a dulcificação do menos bom, numa experiência de vida de grande riqueza exploratória.</p>



<p>Em DOIS POETAS SOBRE O ESPELHO, Pilar Sastre Traduchy e Óscar Rodrigáñez Flores passam a ser um só corpo com que partilham estratégias de vida e ideias redendoras e por elas sobrevivem aos rios caudalosos que todos somos obrigados a atravessar na vida. É o milagre da metamorfose.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="506" height="720" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/dois-poetas-sobre-o-espelho.png" alt="" class="wp-image-48478" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/dois-poetas-sobre-o-espelho.png 506w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/dois-poetas-sobre-o-espelho-211x300.png 211w" sizes="auto, (max-width: 506px) 100vw, 506px" /></figure></div>


<p>A rotina diária é pesada. A conjuntura mundial assustadora, mas encontrada a equação que alimenta a epifania de um poema alta madrugada, vale a pena abrir a janela, deixar entrar a pureza do amanhecer e soltar as emoções como pássaros migratórios. É uma forma de viver num retiro conceptual feito de versos,&nbsp; estrofes, composições livres.</p>



<p>Como não saudar a Poesia, ponto de encontro, permanência e relicário de afectos?</p>



<p>Pilar S. Tarduchy e Óscar Ródrigáñez Flores são essenciais a essa linguagem de entendimento na sua persistente sementeira de beleza que dará frutos saborosos. Um poema, vários poemas, sempre rendem bem-estar sem obrigação do pagamento de impostos, nem perda de identidade.</p>



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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/Pilar-768x1024.jpg" alt="" class="wp-image-48479" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/Pilar-768x1024.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/Pilar-225x300.jpg 225w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/Pilar-1152x1536.jpg 1152w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/Pilar-696x928.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/Pilar-1392x1856.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/Pilar-1068x1424.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/Pilar-1320x1760.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/Pilar.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">Pilar</figcaption></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="720" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/maxresdefault.jpg" alt="" class="wp-image-48480" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/maxresdefault.jpg 576w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/maxresdefault-240x300.jpg 240w" sizes="auto, (max-width: 576px) 100vw, 576px" /><figcaption class="wp-element-caption">Óscar</figcaption></figure></div></div>
</div>



<p></p>
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		<title>MANUEL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Ventura Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 10:00:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O QUE DIZ HELENA]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[a vida tal como ela é]]></category>
		<category><![CDATA[amor entre pai e filha]]></category>
		<category><![CDATA[amor incondicional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os aromas do amor incondicional</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Aos sábados ele acordava às sete horas, eu às onze. As minhas viagens nocturnas pelas azinhagas de um livro, varavam a madrugada. Precisava de compensar o sono.</p>



<p>Ele despertava-me mais cedo, com uma maçã minúscula esmagada contra a persiana com a precisão de um raio. E eu lá tinha de apear-me à pressa do cavalo do sonho, quando atingia a orla das praias e desertos que queria atravessar.</p>



<p>Irritada abria a janela, mas o sol de Setembro entrava-me pelo quarto com o perfume das videiras recém-amputadas dos cachos. Alguns já secavam em pratos rasos de vime ao lado das passas de figo, sobre a cobertura do tanque, a nossa piscina de 20 m2.</p>



<p>Depois eram os talhões de flores divididos por aromáticas, jardins de plantas diferentes, cada qual com sua árvore dominante bem no centro. Tudo como nos livros que comprava, para saciar a vontade de terra e plantas que a cidade onde nascera lhe negava.</p>



<p>Talvez nunca mais tenha comido grelhados tão saborosos como aqueles, antes do sino fazer soar as doze badaladas sob o telheiro de apoio a essas actividades do quintal ajardinado.</p>



<p>Ainda não gosto de passas, nem de compota de marmelo. Gosto dos cheiros de Setembro com o sol lá dentro, a festa simples do dia 23 com o Verão a derramar almudes de luz adocicada ao cair da tarde. E ainda gosto mais da projecção dessa luz na pantalha da memória.</p>



<p>Era quando as nossas conversas, em voz baixa, congregavam o silêncio receptivo dos pássaros, já aninhados nos cotovelos dos ramos. Falávamos de tudo, mais ainda de Geografia, quando se lhe ampliava na memória o desejo de correr mundo.</p>



<p>Faltava lá o senhor Francisco Lobo para anotar o momento num poema ao seu jeito. Mas tinha acabado de partir&#8230; E desajeitados, alinhávamos nós versos com rima e muita desconexão desatada em gargalhadas.</p>



<p>Que importava que não fizessem sentido, se tudo o resto fazia?</p>



<p>Lisboa havia de afastar-nos pelo que ele dizia um capricho e eu baptizava de liberdade de escolha. Não queria o curso que me propunha. Ele queria ver-me no caminho da autonomia para poder realizar o sonho de partir&#8230;</p>



<p>O sonho foi-lhe interdito. Outro tinha ocupado o seu lugar. O mais longe que ousaria era Lisboa, pela necessidade imperiosa de encontrar o ”amigo” que lhe ficara, pela segunda vez, com o capital para abrirem uma empresa em conjunto.</p>



<p>Ninguém mais sabia desse fracasso. Fora educado para vencer. Podia um homem de 1.85, cheio de vivacidade, ser enganado por alguém, ou traído pelos sonhos?</p>



<p>Muitos invernos caudalosos ainda haviam de correr, mas Setembro ficaria salvo na memória pelo manto da saudade daquelas manhãs e tardes em Coimbra.</p>



<p>Os aromas do amor incondicional ainda repetem as estações que os anos vão baralhando: Setembro e os cheiros bons, Janeiro e a minha festa, um Verão em que nem estava presente para corresponder ao meu adeus.</p>



<p>Talvez lhe desse hoje um beijo pelo dia do Pai, pelo seu ou pelo meu aniversário, menos destemperada pela suavidade dos anos. Talvez lhe dissesse que nenhum afastamento tem de ser uma ruptura.</p>



<p>O amor não morre, só se deixa esmaecer sob as vestes das desilusões que os anos vão sobrepondo, Manuel.</p>
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		<title>A mão de Annan</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/12/a-mao-de-annan/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Ventura Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Dec 2025 11:13:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O QUE DIZ HELENA]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[a vida tal como ela é]]></category>
		<category><![CDATA[amizade]]></category>
		<category><![CDATA[Cairo]]></category>
		<category><![CDATA[Grande Museu do Egipto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conheceram-se no Cairo eram ainda mais jovens</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Não a conheço pessoalmente a ela, é uma jovem senhora egípcia de sorriso encantador. Ele é português de sorriso cativante e anda pela mesma idade.</p>



<p>Conheceram-se no Cairo eram ainda mais jovens, num projecto multidisciplinar da UE, fez há duas semanas 22 anos. Muito tempo, mas sempre mantiveram, pelas redes sociais, por telefone, uma ligação forte como fio de seda a que chamo <strong>Amizade.</strong></p>



<p>Ele contava-lhe que constituíra família, ia dando novidades da evolução do trabalho, das actividades paralelas que praticava, sem nunca lhe perguntar uma palavra da vida pessoal. Sabia dela o que ela queria contar.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Recentemente ele foi mergulhar no Mar Vermelho integrado num grupo de mais cinco amigos. Numa mensagem informou-a de que passaria pelo Cairo, novamente.</p>



<p>Quando pousaram de novo na cidade, terminada a actividade do grupo, e saído ele de um acidente descompressivo e infecção bacteriana num ouvido, estava ela à espera para lhe fazer uma surpresa e rever o Amigo que não via há tanto tempo. O cabelo de ambos embranquecera, o sorriso mantinha-se inalterado.</p>



<p>Os colegas do grupo dele acharam-na encantadora. Agilizou a compra dos bilhetes para entrarem no Grande Museu do Egipto (GEM) o maior museu antropológico do mundo dedicado a uma só civilização. Chegou-se à bilheteira donde partia uma fila interminável de pessoas e comprou os ingressos para todos.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="886" height="533" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-6.png" alt="" class="wp-image-46011" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-6.png 886w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-6-300x180.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-6-768x462.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-6-696x419.png 696w" sizes="auto, (max-width: 886px) 100vw, 886px" /></figure></div></div>



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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="773" height="473" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-7.png" alt="" class="wp-image-46012" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-7.png 773w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-7-300x184.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-7-768x470.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-7-696x426.png 696w" sizes="auto, (max-width: 773px) 100vw, 773px" /></figure>
</div>
</div>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Fez com eles parte da visita. Ainda ensinou a um dos funcionários, que impedia certos visitantes de tocarem uma placa com gravuras em relevo e escrita em Braille, que era mesmo para ser tocada por pessoas com deficiência visual, para que entendessem a figura que representava o que liam.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-3 wp-block-columns-is-layout-flex">
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<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1003" height="704" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-4.png" alt="" class="wp-image-46014" style="width:449px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-4.png 1003w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-4-300x211.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-4-768x539.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-4-696x489.png 696w" sizes="auto, (max-width: 1003px) 100vw, 1003px" /></figure></div></div>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1005" height="602" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-5.png" alt="" class="wp-image-46016" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-5.png 1005w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-5-300x180.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-5-768x460.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-5-696x417.png 696w" sizes="auto, (max-width: 1005px) 100vw, 1005px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="997" height="702" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-3.png" alt="" class="wp-image-46017" style="width:445px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-3.png 997w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-3-300x211.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-3-768x541.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/Grande-Museu-do-Egipto-GEM-3-696x490.png 696w" sizes="auto, (max-width: 997px) 100vw, 997px" /></figure></div></div>
</div>



<p>À hora de almoço indicou-lhes o melhor restaurante do espaço, mas recusou o convite para almoçar com eles. Afinal ainda tinha de vencer três horas de viagem para chegar a sua casa em Alexandria.</p>



<p>Resistiu em aceitar o valor da compra dos bilhetes. E com o sorriso mais simpático do mundo, despediu-se de todos e do Amigo, com a ternura de uma <strong>Cumplicidade</strong> sempre baseada no respeito e nos mesmos interesses culturais.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Quando eles saíam do restaurante confortados com a comida e com a camaradagem, avistaram-na a correr para eles carregada de presentes que fora comprar naquele intervalo: uma lembrança para cada um.</p>



<p>A <strong>Dignidade</strong> não lhe permitia aceitar a devolução do que quisera oferecer espontaneamente: o valor dos bilhetes. Só depois se despedia de vez sem olhar para trás e corria para apanhar o transporte.</p>



<p>Já tinha aprendido há muitos anos, mas voltei a escrever umas notas para me situar neste tempo entretecido de equívocos. Vivemos entre os que julgam <strong>ter</strong> tudo, mas a quem falta o respeito pelos que, parecendo menos afortunados materialmente, têm o privilégio da riqueza cultural e humana.</p>



<p>Assistimos ao patético julgamento de pessoas ou povos com base em preconceitos injustificados. Pensam muitos que alguém com nível de vida inferior, não pode ter superior capacidade cognitiva e um código de valores mais consistente.</p>



<p>E tendo viajado, interagido com empatia, nunca menosprezar uma <strong>Amizade</strong> que está longe. Ela pode resistir ao passar dos anos mantendo-se na sua forma mais pura.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Poderá esta ser uma história de <strong>Natal?</strong></p>



<p>Vamos desembrulhar mais este conceito, porque é urgente fazê-lo nestes dias, para saborear o aroma do primeiro “doce” de um pacote que esperamos como prenda duradoura.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="485" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-1024x485.png" alt="" class="wp-image-46019" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-1024x485.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-300x142.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-768x364.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-1536x727.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-696x330.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-1392x659.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-1068x506.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar-1320x625.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/texto-intercalar.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Um nome e uma mão tocando os simbolos de acessibilidade em Braille, neste Museu onde Tutankamon é a estrela principal.</p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/a-mao-de-annan/">A mão de Annan</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>EU PAGUEI</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Ventura Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Sep 2025 09:00:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O QUE DIZ HELENA]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Convento da Cartuxa]]></category>
		<category><![CDATA[defesa do património]]></category>
		<category><![CDATA[Oeiras]]></category>
		<category><![CDATA[ópera La traviata]]></category>
		<category><![CDATA[património arquitetónico]]></category>
		<category><![CDATA[património degradado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os “belos” claustros do Convento da Cartuxa não têm condições para eventos. Há boas e más decisões, esta pertence à segunda categoria.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/09/eu-paguei/">EU PAGUEI</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Não, não vou falar da regra rígida dos monges cartuxos, nem tão-pouco criticar demais a inutilidade de procedimentos extremos para servir a divindade. Afinal os reis de então e os senhores que tanto a veneravam, banqueteavam-se com a caça abundante das coutadas anexas.</p>



<p>Eram os senhores dos homens, claro. Qualquer bom senhor das almas devia dispensar sacrifício humano. Ora, viver miseravelmente em grutas, jejuar mais do que a conta, não comer carne nem o melhor da matéria prima que engalanava as travessas dos senhores, devia ser considerada uma ofensa aos princípios de qualquer religião que se prezasse, se todas as hierarquias tivessem dignidade.</p>



<p>Ontem como hoje, os pobres precisam sentir as dificuldades de que os ricos estão isentos, se querem atingir o céu&#8230;</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Fui à Ópera nos claustros do Convento da Cartuxa em Laveiras-Caxias e <strong>paguei 50&nbsp; €</strong> por bilhete (comprei dois) no âmbito da OPERAFEST 2025. Queria satisfazer a vontade de mais uma representação cantada de La Traviata. Gosto da inspiração do libreto em A Dama das Camélias, do romantismo dos amores de Violeta e Alfredo e ainda mais da música maravilhosa de Verdi.</p>



<p>Comprei os bilhetes na FNAC de Oeiras. Para escolha dos lugares foi-me mostrada uma sala coberta em anfiteatro, onde podia apontar, de entre os já poucos lugares disponíveis,&nbsp; aqueles que mais me agradavam.</p>



<p>Não sou obrigada a saber o estado de recuperação ou degradação do monumento, apesar de ter ouvido que a igreja estava restaurada. Está, mas o espaço envolvente, que foi tão elogiado na publicitação do espectáculo, é um deserto de ruínas. Refiro-me aos claustros, como a imagem mostra, tão degradantes como as cadeiras oferecidas para um bilhete de <strong>50 €.</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="593" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/helena-na-operafest-1024x593.png" alt="" class="wp-image-44208" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/helena-na-operafest-1024x593.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/helena-na-operafest-300x174.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/helena-na-operafest-768x445.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/helena-na-operafest-1536x889.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/helena-na-operafest-696x403.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/helena-na-operafest-1392x806.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/helena-na-operafest-1068x618.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/helena-na-operafest-1320x764.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/helena-na-operafest.png 1866w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Bom, talvez nem toda a gente pagasse e não tenha de que se queixar, mas eu que<strong> paguei, </strong>tenho. E sinto que é defraudar as expectativas do público, mostrar uma sala coberta e depois “oferecer-lhe” um espaço feio ao ar livre. Nem as casas de banho, contentores para os trabalhadores das obras, me chocaram tanto – dado o estado incipiente da recuperação do Convento – como o espaço partilhado pelos utentes do evento.</p>



<p>Por acaso não chovia, mas caíam uns discretos pingos que toda a gente viu nos pára-brisas dos automóveis, estacionados pelo menos a meio quilómetro de distância.</p>



<p>Que havia estacionamento, ouvi dizer. Havia, para alguns afortunados a quem foi permitido entrar.</p>



<p>Se é para apresentar espectáculos de nível, dar uma caiadela nos claustros não faria mal. Os amantes de grafitos adoram telas em branco para voltar a pintar e o ambiente da Ópera merecia um ar mais limpo.</p>



<p>Cadeiras de plástico que faziam doer o corpo (digo o cóccix) também são um atentado à dignidade do público que paga <strong>50 €.</strong> <strong>Eu paguei.</strong></p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>As claúsulas referidas no verso do ingresso, como calculam, vão no sentido das proibições ao público e salvaguarda dos emissores dos bilhetes, que remetem obrigações e responsabilidades para o promotor, OPERA DO CASTELO, em parceria com o Município de Oeiras. Mas a que responsabilidades se referem, se até as escadas de acesso ao recinto estavam em estado de degradação e podiam ter causado uma queda a pessoas com dificuldades de mobilidade?</p>



<p>É bonito assistir a um espectáculo nas ruínas cuidadas de um monumento antigo, se&nbsp; salvaguardado o mínimo de condições para um público que gosta de Ópera, de Concertos.&nbsp; Eu gosto, privei-me de alguma coisa em benefício de dois bilhetes e <strong>paguei 50 € por cada um. </strong>Afinal na vida temos de fazer opções.</p>



<p>Fico admirada de não conhecer mais queixas, o que me leva a considerar que talvez houvesse quem não pagasse&#8230;</p>



<p>Vamos ser sinceros e deixar os seguidismos, mesmo que amplamente publicitados. Os “belos” claustros do Convento da Cartuxa não têm condições para eventos semelhantes, ao contrário de outros lugares privilegiados do Concelho de Oeiras. Há boas e más decisões, esta pertence à segunda categoria.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="730" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/cartuxa-7-1024x730.png" alt="" class="wp-image-44210" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/cartuxa-7-1024x730.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/cartuxa-7-300x214.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/cartuxa-7-768x547.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/cartuxa-7-696x496.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/09/cartuxa-7.png 1440w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Além das grandes interpretações de Darija Augustan e Ermin Ascéric nos papéis principais, de um belo desempenho da Orquestra Filarmónica Portuguesa, do esforço sempre louvável de quem ergue um espectáculo, é preciso não camuflar a verdade.</p>



<p>Os cenários eram pobres – e não venham dizer que não compreendo as novas tendências – o palco ficava a uma altura mínima que impedia a visão a partir de certos lugares da “sala” plana.</p>



<p>Atendendo à relação qualidade-preço, seria bonito respeitar um público a quem foram criadas expectativas de um espectáculo inesquecível num espaço elegante e abrigado. Quem, como eu, julgava ter esse retorno, não ia preparado para apanhar uma constipação.</p>



<p><strong>Eu paguei.</strong> Posso protestar.</p>



<p>E estou a ser branda, acreditem, em atenção à equipa jovem envolvida neste projecto e aos recepcionistas que, com a maior simpatia e eficiência, “guardavam” a linha de fronteira enquanto o elenco ensaiava.</p>



<p>(outras crónicas da mesma autora em <a href="https://duaslinhas.pt/author/helena-ventura-pereira/">Helena Ventura Pereira, autor em Duas Linhas</a>)</p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/09/eu-paguei/">EU PAGUEI</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>A RAINHA SANTA APARECEU</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/07/a-rainha-santa-apareceu/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Ventura Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 11 Jul 2025 18:46:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O QUE DIZ HELENA]]></category>
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		<category><![CDATA[a vida tal como ela é]]></category>
		<category><![CDATA[Convento de Santa Clara-a-Velha]]></category>
		<category><![CDATA[memórias de família]]></category>
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		<category><![CDATA[Rainha Santa Isabel]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O avôzinho (dela) sabia onde está ainda escondido um tesouro no convento de Santa Clara</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Já aqui falei da prima Laura, dos seus <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/06/olhos-verdes/">olhos verdes</a></strong> sorridentes, do primo Machado que dizia a tudo que sim com um aceno de cabeça. Jamais a contrariava. E assim viviam felizes para sempre&#8230;</p>



<p>Foram parte da <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/11/helena/">minha infância</a></strong>. E como os nomes se repetiam na família por respeito aos mais velhos, o meu avô, primo dela, era José Maria como o avô dele, meu trisavô e a prima Laura tinha sobrinhas, afilhadas e parentes todas com o mesmo nome.</p>



<p>Uma delas, sobrinha e afilhada, era prima-irmã da minha mãe.</p>



<p>Devo-lhe o conhecimento de toda a família desse meu avô materno, muito cedo separado da minha avó. Segredou-me as ligações, as preferências, as razões dos desaguisados e até histórias que valeriam fortunas&#8230;</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O meu bisavô materno tinha um irmão que era uma “celebridade” em Coimbra: inteligente, ambicioso, simpático. Era projectista, mas chamavam-lhe erradamente arquitecto. Depois de vir para o Porto para frequentar Arquitectura, sim, voltou para casa a mando da sua Maria José, uma mulher pequenina tão persuasiva como um batalhão. Perdoava-lhe as conquistas de varão, quase sorria quando ele a chamava ao galinheiro para demonstrar</p>



<p><em>Maria José, quantas galinhas temos agora?</em></p>



<p><em>Sei lá, talvez umas 20&#8230;</em></p>



<p><em>Pois é&#8230; e galos?</em></p>



<p><em>Galos temos um, não vês?</em></p>



<p><em>Vejo&#8230;um galo para 20 galinhas&#8230;por que razão me atormentas?</em></p>



<p>E fazia-lhe um afago que logo a derretia. Afinal era dela o capital para sustentar a empresa que deixava nas mãos do irmão, meu humilde e fidelíssimo bisavô, enquanto tentava o curso lá no Porto.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O tio Benjamim projectava primeiro a casa dele, de fachada muito estreita, numa ladeira hoje chamada António de Vasconcelos, naquele tempo Oriental de Mont&#8217;Arroio. Nela sobressaía a janela com uma esfera armilar e os suportes de cada lado da porta para sustentarem dois santos em calcário de Ançã, com cerca de meio metro de altura e doados ao Museu Machado de Castro.</p>



<p>A casa Benjamin Ventura parecia ter só rés-do-chão vista da rua principal, mas era&nbsp; constituída por três andares que das casas do outro lado, situadas na Avenida Sá da Bandeira, bem se viam.</p>



<p>Desenhou depois muitas outras moradias na&nbsp; cidade e arredores, os Paços do Concelho de Mira, os de Miranda do Corvo. E por convite do compadre, Mestre António Augusto Gonçalves, dava pareceres na intervenção de monumentos nacionais e até levava a sua equipa de construtores para arranjos de envergadura, já então chefe de obras na Universidade e condecorado pelo ministro.</p>



<p>Embora o nome não apareça, interveio na igreja de Santiago, à Praça Velha, hoje Praça da República, no Santuário do Senhor da Serra, no hotel do Bussaco e no Convento de Santa Clara-a-Nova. Ainda havia por lá uma monja antiga que era uma caixa de segredos e surpresas&#8230;</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A essa altura já os irmãos pertenciam aos órgãos directivos da Escola Livre das Artes do Desenho, onde artesãos juntavam os saberes específicos à escolarização, para serem requisitados pelas obras mais destacadas da região.</p>



<p>O tio Benjamin escrevia em todos os jornais de então. De O Conimbricense ainda guardo alguma coisa na caixa de madeira rara que acolhe as cartas do filho do tempo em que, na Iª Grande Guerra, integrava o Corpo Expedicionário Português (CEP). Quando me perguntavam se era dele, tio-bisavô, que eu herdara o gosto pela escrita, a Maria Laura mais nova dizia toda eriçada</p>



<p><em>Não senhora, foi do meu avô, bisavô dela. Era ele quem fazia a escrita ao tio Benjamin e&#8230; até lhe compunha alguns artigos para os jornais, quando ele não tinha tempo&#8230;</em></p>
</div></div>



<p>Um dia, passados anos, insistia para ir dar um passeio comigo ao Parque de Monsanto. Bem lhe via os tiques nervosos que faziam adivinhar novidade. E assim que chegávamos, a abanar-se com um leque num dia de temperatura amena, desabafava:</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><em>O avôzinho (dela) sabia onde está ainda escondido um tesouro no convento de Santa Clara. Uma monja das mais antigas que ficou por lá, contou-lhe, mas pediu segredo</em></p>



<p><em>Então contou-lhe para quê?</em></p>



<p><em>Não sei&#8230;mas ele revelou-mo a mim, era eu ainda criança</em></p>



<p><em>E afinal em que local se encontra esse tesouro?</em></p>



<p><em>Espera&#8230;procurei imensa gente importante com capacidade para intervir, mas mal contava, zás, as pessoas morriam daí a dias..</em>..</p>



<p><em>Safa&#8230;Então não quero saber</em></p>



<p>E assim fomos gerindo a ânsia das revelações, embora a um lanche ou jantar ela quase&nbsp; rebentasse para soltar um pormenor qualquer</p>



<p><em>Posso dizer-te que&#8230;</em></p>



<p><em>Podes, mas eu já disse que não quero saber. E se és minha amiga não contas</em></p>



<p>Mas é claro que também eu andava roída de curiosidade. Um segredo tão valioso sobre um tesouro do tempo dos reis D. Dinis e Isabel, devia ter tido um desfecho qualquer muitos anos antes. Por que não acontecera?</p>



<p>Ao fim de meses e de uma noite em branco, fazia-me impressão que detendo a monja uma tal informação, nem tivesse morrido, nem fosse ela em busca do tesouro&#8230;E as perguntas saíam em borbotão ao pequeno-almoço, perante os olhos também verdes e grandes da Maria Laura</p>



<p><em>Diz-me&#8230;e a monja tentou, ou não conseguiu alcançar o tesouro?</em></p>



<p><em>Não conseguiu&#8230;apareceu-lhe a Rainha Santa a uns metros de distância, esticou o braço a formar uma barreira e obrigou-a a retirar-se&#8230;</em></p>



<p>Ficava eu de boca aberta e olhos redondos de espanto.</p>



<p>Já não tinha bisavô, nem tio Benjamin, nem a prima Laura para me certificarem. Decerto a última havia de rir à gargalhada franzindo os olhos verdes mais pequenos e dir-me-ia:</p>



<p><em>Nem sabes as histórias loucas que as mulheres desta família inventam!</em></p>



<p>Ficava na ignorância estes anos todos.</p>



<p>Ficarei&#8230;sem tesouro, mas com vida. Nem por isso grande coisa, mas sempre dá para contar esta versão.</p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/07/a-rainha-santa-apareceu/">A RAINHA SANTA APARECEU</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>EL HÚSAR MELANCÓLICO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Ventura Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 May 2025 10:06:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O QUE DIZ HELENA]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[poesia de José Luna Borge]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Este livro tem 71 páginas de puro encanto.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse" style="font-size:18px">El misterio del tiempo<br>Qué mistério?<br>me digo,<br>si tu amor fue un momento<br>y ya no estás conmigo.</pre>



<p>Podíamos partir deste breve poema <em>El mistério del tiempo</em> e do pressuposto de que o amor tudo comanda, para analisar o poemário de José Luna Borge, poeta, ensaísta, ex-director do suplemento de cultura “<em>La Mirada</em>” no Correio de Andaluzia e da revista <em>El Mirador de Los Vientos</em>.<br>Nascido em Sahagún, Léon, mas a viver desde 1980 em Sevilha, Luna Borge é autor de um longo continuum poético, onde cada composição vai recebendo abrigo numa quietude reverente, imperceptivelmente fulgurante.<br>Como veremos pela leitura comovida de <em>El Húsar Melancólico</em>, além do amor há outros sentimentos fortes que impulsionam a vida, mesmo quando o indivíduo a vive num silêncio reconhecido: amizade, ternura, capacidade de sonhar intensamente.<br>Reconhecimento das experiências que o estruturaram enquanto ser humano, das belezas da existência que vai retendo em cada olhar desde criança, e de que lamenta não poder despedir-se um dia, tão afeiçoado a essas companhias, visuais e sonoras, musicais até, sejam elas uma sonata de Schubert, ou a melodia alegre das andorinhas – <em>Golondrinas</em>.<br>Sem nunca comprometer o rigor formal e a musicalidade das estrofes, José Luna Borge tem a capacidade poética de se exprimir de várias formas, em diferentes géneros temáticos e modelos discursivos, para assinalar a passagem do tempo e a mudança inevitável que ele opera em cada um de nós.<br><em>Testigos</em>, um dos belos poemas deste livro, comprova-o. Há trechos do percurso de cada indivíduo que a poeira do tempo, e alguns momentos menos ditosos, vão apagando, mas se a inevitável mudança tem aspectos indesejáveis, também lhe dá de presente a certeza de que, um dia, o vento que cobriu de pó as camadas de vida mais ditosas fazendo-o duvidar se existiram, voltará a passar em sentido contrário e a descobrir o brilho em que reconhece a sua identidade. Mesmo consciente de ser outro, aprecia rever o passado pintado com cores garridas e dizer: aquele era eu.<br>Assim como considera que o amor é motor da vida, Jose Luna Borge também não deixa de assumir que, quando ele acaba, é melhor deixá-lo ir. Nada o trará de volta para alimentar o mesmo encantamento antigo – <em>Sólo Fábula</em> – seria sempre um esforçado repetente de gestos que já nada representam, mesmo que tentasse renovar-se.<br>Talvez sejam este tema e o da morte, envolta em brumas e visita inesperada, duas angústias existenciais de José Luna Borge tratadas com serena frontalidade. Afinal, as lutas que empreendemos pelo sucesso, que pode ou não acontecer, acabam todas nessa linha de finitude que ninguém consegue evitar, nem vencer regressando, uma vez ultrapassada. Tanto empeño.<br>Dessa luta inglória ficam as saudades, o buraco fundo de um vazio que nada mais consegue preencher. A não ser que chegue alguém com um perfume novo, ou acenda as luzes que mostrem os recantos sensoriais que importam e não tínhamos descoberto. Em <em>Las lâmparas del tiempo</em>, Luna Borge assume que talvez escrever Poesia seja isso mesmo, uma forma de “…<em>escapar por las cárcavas del tiempo</em>”., e encontrar no já olhado, mas não visto, uma razão de vida em forma de evasão.<br>A melancolia em composições como <em>A veces</em>, em que o Poeta considera renunciar como sendo a atitude mais acertada, faz-nos voltar à simbologia do título, à consideração das razões para partir sem rumo certo, ou permanecer e aceitar acomodar-se à “<em>muelle de las brumas</em>”.<br>Importa ainda dizer que este livro, com 71 páginas de puro encanto, foi publicado pela editora AVERSO em Granada, em Novembro de 2024. É um documento literário elaborado com o maior cuidado estético no grafismo, respeitando a importância dos recursos estilísticos, da inegável delicadeza na composição harmoniosa das estrofes, tornando-o irresistível a novas releituras.<br>É Poesia no seu estado mais puro, desde o título ate ao último poema, <em>En silencio</em>.</p>
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		<title>O PROGRESSO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Ventura Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Feb 2025 00:10:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[O QUE DIZ HELENA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Cascais]]></category>
		<category><![CDATA[Mosteiro de Santa Maria do Mar]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo de Cascais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que será o progresso? Nos EUA, os ricos que não suportam os caprichos dos ditadores, a humilhação imposta aos imigrantes, irão para algum paraíso onde não percebam a devastação da tirania. Os pobres que não são despejados como criminosos de braços algemados nas costas, mantêm-se como escravos dessa loucura, que numa rede de arrasto [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O que será o <strong>progresso?</strong></p>



<p>Nos EUA, os ricos que não suportam os caprichos dos ditadores, a humilhação imposta aos imigrantes, irão para algum paraíso onde não percebam a devastação da tirania.</p>



<p>Os pobres que não são despejados como criminosos de braços algemados nas costas, mantêm-se como escravos dessa loucura, que numa rede de arrasto os atira como lixo para um mar de lodo onde tentam manter a cabeça de fora.</p>



<p>Pessoas, animais, plantas, qualidade de vida, perdem-se na podridão da corrida ao Poder por&nbsp; psicopatas que proliferam no topo das hierarquias.</p>



<p>Assim o resto do mundo se digladia em jogadas perversas pela conquista de qualquer coisa sinónima de Poder, com absoluta confusão de prioridades, sendo a primeira manter activa uma indústria bélica&nbsp; lucrativa para quem a domina.</p>



<p>Os poderes vão criando ilhas à medida da sua avidez imediata, defendidas por uma legião de interesses que os servem a eles e à clientela útil que os respalda, à margem da vontade popular.</p>



<p>Está bem, os populares podem converter-se em hordas sem freio, se não forem conduzidos por líderes razoáveis movidos por ideais nobres. E eles, os populistas que cortam fitas quando garantem um lugar nos recantos dessas ilhas de exclusividade, são o quê? Alguma vez contemplam o bem-estar dos outros seres humanos que os servem?</p>



<p>Vejamos por cá, tão perto de nós, tão cada vez mais parecidos com os modelos negativos de além fronteiras.</p>



<p>Sem a decisão dos eleitores, os poderes nada seriam. Não têm direito algum de se auto-promoverem com a maior ousadia, apoderando-se do que é de todos sem referendar as decisões importantes. Destruir paulatinamente o equilíbrio dos ecossistemas, transformar bairros airosos de ambiente equilibrado em aglomerados de betão, permitir complexos habitacionais de volumetria maciça sem consultar moradores, atafulhar zonas verdes depois de alterarem PDMs, não podem, não devem. Vender sonhos a quem anseia milagres, uma casa de renda económica, é imoral se não forem cumpridos e injusto para quem suporta os danos nas proximidades.</p>



<p>Entretanto vão ruindo prédios de belas fachadas, deixam-se cair portas e janelas que ainda contam histórias de vida e marcam períodos da História. <strong>Recuperar</strong> é um conceito em desuso, que prefere ceder lugar à degradação de belos exemplares de arquitectura civil e religiosa.</p>



<p>Algum endinheirado de dentro ou de fora comprará os imóveis para satisfazer outro santo chamado <strong>lucro, </strong>ou o mesmo com nova roupagem.</p>



<p>Volto atrás no tempo para mostrar a evolução de uma <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2024/07/sim-senhor-capital/">matéria publicada neste jornal</a></strong> em Julho de 2024. O panorama era então o de máquinas alisando uma pequena porção de terreno. Para um equipamento social de que tanto carecem cidadãos desprovidos de meios materiais? Para uma biblioteca que jovens das escolas próximas pudessem usufruir? Nada disso é compatível com o entendimento de<strong> progresso </strong>na cabeça de quem governa. O alisamento de terras, as máquinas que foram surgindo, os andares de tijolo sobre tijolo, destinavam-se a erguer monstros de betão mais volumosos do que os imaginados.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/Tkw1BJt.jpeg" alt="" class="wp-image-35138" style="width:743px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">publicado em <a href="https://duaslinhas.pt/2024/07/sim-senhor-capital/">SIM SENHOR CAPITAL</a></figcaption></figure></div>


<p>O interesse dos cidadãos, tantas vezes invocado para justificar o nefasto, fica-se pelo nefasto. E até os discursos ocos, as fitas cortadas, as imagens feitas no momento das promessas, vão sendo removidas para arquivos a que poucos terão acesso.</p>



<p>Que os espaços pertencem à autarquia, como se os representantes não fossem mandatados por munícipes crentes de que a máxima de Lorde Acton “<strong>o poder corrompe</strong>” já estivesse vencida pelo cansaço, ou desacreditada por obsoleta.</p>



<p>As novas imagens não conseguem mostrar, do lado da rua principal, como vai ser ferida a serenidade do bairro. Toda ocupada, rente ao passeio vedado aos transeuntes, por veículos e camiões de grande cilindrada da gente das obras, não deixa colher imagens. Enretanto os cidadãos apeados&nbsp; têm de repartir a via pública&nbsp; com os automóveis que circulam.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-5 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="798" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/urbanismo-cascais-2-1024x798.jpg" alt="" class="wp-image-39811" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/urbanismo-cascais-2-1024x798.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/urbanismo-cascais-2-300x234.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/urbanismo-cascais-2-768x599.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/urbanismo-cascais-2-696x543.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/urbanismo-cascais-2-1068x833.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/urbanismo-cascais-2-1320x1029.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/urbanismo-cascais-2.jpg 1385w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">permitir complexos habitacionais de volumetria maciça sem consultar moradores</figcaption></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="918" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/urbanismo-cascais-3-1024x918.jpg" alt="" class="wp-image-39812" style="width:460px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/urbanismo-cascais-3-1024x918.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/urbanismo-cascais-3-300x269.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/urbanismo-cascais-3-768x688.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/urbanismo-cascais-3-696x624.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/urbanismo-cascais-3-1068x957.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/02/urbanismo-cascais-3.jpg 1205w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">transformar bairros airosos de ambiente equilibrado em aglomerados de betão</figcaption></figure></div></div>
</div>



<p>Do jardim que servia o bairro via-se o convento de Santa Maria do Mar (<strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/03/santa-maria-do-mar/">texto de 15 Março de 2023</a></strong>) um corredor de aragem vinda do oceano, benfazeja às vinhas que dele faziam parte. Tão enaltecida fora a sua recuperação pelos representantes da edilidade com parangonas e imagens para português ver!</p>



<p>Só que o Mosteiro em vez de dignidade ganhou, também ele, uma cauda de apartamentos que dizem a preços módicos para estudantes. Das vinhas, pretexto para ganhar votos, poucas cepas ainda restam. Assim o corredor que as deveria arejar, afinal é ocupado por um maciço de cimento que impede qualquer circulação de ar, benéfica para o equilíbrio do ambiente e dos moradores, mas desnecessária aos olhos de quem decide.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1543" height="869" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/03/santa-maria-do-mar-capa-2.jpg" alt="" class="wp-image-24969" style="width:758px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">publicado em <a href="https://duaslinhas.pt/2023/03/santa-maria-do-mar/">SANTA MARIA DO MAR</a></figcaption></figure></div>


<p>Triste destino o do concelho, refém da gula imobiliária que parece dominar até a inteligência dos autarcas. Perderam todos a capacidade de se colocar no lugar do próximo, só porque têm reursos para viver em locais protegidos? Também eles rendem homenagem ao capital, o deus dos grandes senhores? Então não se assumam como defensores do povo em slogans já sem viço, porque esses precisam de acreditar em outras entidadedes divinas.</p>



<p>Há falta de casas para toda a gente, proclama o altruísmo balofo.</p>



<p>Casas precisam-se, sim. E ruas, vias de escoamento para um trânsito em breve caótico. E garagens para os automóveis, dois por cada um dos 52 fogos previstos. Precisa-se de ordem, ordenamento primeiro. A desproporção de betão para o espaço livre é de assustar – uma área de construção de 12945,79 m2&nbsp; num espaço reduzido.</p>



<p>Quando os problemas surgirem, já os senhores autarcas estarão longe, indiferentes. Como diria Eduardo Galenano, falta-lhes consciência para se apoquentarem com o futuro dos menos afortunados.</p>



<p>Só uma pergunta precisa de resposta urgente: irá o executivo baixar uma das mais altas contribuições autárquicas do país, depois de defraudar os anseios de paz e sossego de uma população desejosa de ambos?</p>



<p>Em nome de um conceito chamado <strong>dignidade</strong>, deveria fazê-lo pelos eleitores que confiaram no seu desempenho.</p>
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		<title>NATAL&#8230;PASSEI POR AQUI</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Helena Ventura Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 31 Dec 2024 00:00:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O QUE DIZ HELENA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[memórias de família]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>
		<category><![CDATA[o Natal em guerra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Era já tarde quando chegavam. Tinha eu acabado de levantar a mesa e preparava-me para repousar uns minutos. A D. Maria Augusta trazia um ramo de amores-perfeitos e outro de violetas, as minhas flores preferidas. Em que recanto do jardim as guardara, se o tempo nem estava de feição? O Sr. Inácio pousava ali mesmo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Era já tarde quando chegavam.</p>



<p>Tinha eu acabado de levantar a mesa e preparava-me para repousar uns minutos.</p>



<p>A D. Maria Augusta trazia um ramo de amores-perfeitos e outro de violetas, as minhas flores preferidas. Em que recanto do jardim as guardara, se o tempo nem estava de feição?</p>



<p>O Sr. Inácio pousava ali mesmo o açafate de vime com produtos da horta pontilhados de gotas de chuva, com uma abóbora-menina bem no centro.</p>



<p>Não se esqueciam de mim.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A minha avó ficava na cadeira em frente, silenciosa como no seu “convento”, com a enorme caneca de chá aconchegada nas mãos. Não era chá de limão, era de folhas de limoeiro. Escolhidas, lavadas, tirado o veio do centro, faziam o melhor chá que lhe podiam oferecer.</p>



<p>Bolos não&#8230;pão caseiro com uma fatia de queijo, qualquer um. Ia buscar?&#8230;</p>



<p>Acenava-me que não. Bebia um trago pequenino do líquido quase fervente. O fumo levava o aroma pelos cantos da sala. Os anos corriam em sentido inverso até às casas geminadas que eu visitava na infância e adolescência.</p>



<p>Alguma recriminação? Afinal esquecera-me de lhe deixar o lugar vago com a sua louça, lugar sempre suspenso das franjas da minha saudade.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Sorria-me sem viço, mas sorria. E adivinhando as perguntas envoltas numa cortina de lágrimas, respondia-me naquele tom natural com que sempre contornava as arestas da vida:</p>



<p><em>É Natal&#8230;Passei por aqui e lembrei-me de subir.</em></p>



<p>Ainda nem eram sete horas&#8230; Acordava do meu sonho em sobressalto e ia planear a jornada diante de uma chávena de chá.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Escrevi este texto certo dia para publicar no FB. As redes sociais recebem, no meio do lixo, fragmentos de memórias que ainda podemos afagar, ao mesmo tempo que a desolação se espalha pelos vários cantos do mundo sem podermos afagar quem sofre&#8230;Não sei se elas ficam resguardadas das intempéries. Há quem ouse cobiçar pedaços de lembranças alheias, até daquelas que sempre serão nossas, tão íntimas como um acto de amor.</p>



<p>Partilhei o texto este Natal com todos os que estavam, em memória dos que foram seguindo caminhos diversos para o mesmo destino e se impunham ali como se nunca tivessem partido. Não havia mais lugares à mesa, só no meu coração farto de repetir rituais que já nada me dizem. Tão manchados de pérfidos apelos à violência, a guerras várias, ao consumo desenfreado, não matam a fome que vão presenciando, nem poupam a vida aos que um dia farão falta ao mundo alargado, como fazem agora ao mundo restrito do amor familiar.</p>



<p>Têm um mérito, estas dissemelhanças do conceito de Consoada: avivar os contornos da memória e o que, na pouca abastança, as pessoas faziam lá muito atrás umas pelas outras, depois de terem aprendido a desolação de uma Guerra que se julgava a última.</p>
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<p>Uma das minhas tias tinha negócios vários. O marido geria uma tabacaria e cuidava dos afazeres de Presidente da Junta. Num caderno grande&nbsp; apontavam os nomes dos clientes que pagavam ao fim do mês, quando num caso vinham reabastecer-se de géneros, ou no outro de material escolar. No mais pequenino, escondido nas gavetas do constrangimento, escreviam os nomes dos que nunca pagavam, mas a quem sempre atendiam.</p>



<p>Lá em casa havia uma legião de trabalhadoras e dois empregados internos. Além deles ainda chegavam raparigas de treze, catorze anos, para “servir” em troca de comida, deixadas pelos pais sem mágoa aparente, num discurso duro que lhes sugeriam “obediência aos benfeitores”&#8230;</p>



<p>Sempre da “serra”, dizia a minha tia para designar regiões ermas onde as famílias não conseguiam matar a fome à legião de filhos. Quando as moças chegavam aos 18 anos mais compostas, casavam com um rapaz “de bem”, reproduzindo os termos das serventes e da sogra da minha tia, a senhora que governava a casa e distribuía sorrisos.</p>
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<p>No meu presépio hava sempre um casal de burros com importância (quase) maior do que as outras personagens, um tributo às mulheres esfíngicas de saia rodada, que andavam quilómetros desde os pinhais à volta da Figueira da Foz até Coimbra, tangendo jericos magros carregados com dois cestos de míscaros, um de cada lado da barriga do animal.</p>



<p>Limpá-los de areias para fazer um cozinhado, nem pensar. Quem podia tinha o tradicional e não comprava um quilo sequer dos cogumelos selvagens. Mas havia necessidades, como bem sabiam as mulheres que trabalhavam lá em casa e as que se curvavam para apanhar o unico bem com que podiam lucrar.</p>



<p>Na véspera de Natal fechavam-se as portas do comércio, mas nunca a porta de casa, nem a da Junta de Freguesia. Não havia turbulência nas ruas, só conflitos domésticos. Era preciso fazer respeitar as tréguas do período religioso e matar a fome a quem viesse de perto ou de longe, para práticar o apoio social aos mais carenciados.</p>



<p>O fogão a lenha da Casa Velha, e o outro mais recente na parte nova, enchiam o ar de aromas inesquecíveis, depois de as mulheres afadigadas serenarem um pouco. A mesa da sala mais antiga, com cozinha de fumeiro e quartos dos empregados, enchia-se das melhores iguarias. Mas o sol não declinava sem a tarefa de limparem os míscaros que a minha tia comprava <strong>todos</strong> às mulheres que tangiam os jericos. Havia santas que não estavam nas igrejas, diziam a regalar-se com uma sanduíche de carne assada e um copo de café com leite para não irem de estômago vazio.</p>



<p>Antes da ceia em minha casa eu tinha de bisbilhotar aquela mesa grande, petiscar um pastel de massa tenra, um rissol de camarão, outra gulodice salgada que ninguém sabia fazer melhor do que cozinheira orientada pela D. Sofia. Foi com essa mesa que sonhei Consoadas semelhantes quando crescesse, mas nunca consegui reunir tanta gente, nem replicar tanta delícia. Depois ia ver as mulheres a cozinharem os cogumelos com um colar de dentes de alho para controlo da qualidade, ou para evitar o veneno de algum tortulho. A última tarefa antes de partirem, carregadas com outros géneros, era a divisão em porções iguais para cada uma, para irem celebrar o Natal com as famílias.</p>



<p>Aquela casa era uma escola de virtudes. Nem os meus tios, nem a D. Sofia se zangavam com ninguém. A última menina que veio da “serra” e casou aos 17 anos, deixava para trás um prejuízo considerável em louça. Em quatro anos todos os dias tinha o mérito de partir um prato, ao limpá-los. A seguir à gargalhada geral, dizia D. Sofia com um humor refinado:</p>



<p><em>deixa lá, não te magoaste&#8230;desta vez foi só uma travessa da Vista Alegre.</em></p>
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<p>Foi destes natais que retirei uma pitada de alegria, um pau de canela, aromas de limão e lúcia-lima para construir a minha Consoada, mas ela continuou vazia de sentido e de profundidade, porque foi a mim que faltou a centelha de alegria que anima qualquer festividade. Consegui iludir o tempo que ofereci, mas não iludir-me de que é preciso esquecer o que não vale a pena e reinventar o essencial. Em quatro palavrinhas: mudar o mundo todo.</p>
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