CUIDADO LUÍS, O TEU GOVERNO VAI CAIR

Numa tática bem conhecida da gestão de conflitos, o primeiro-ministro diz que as manifestações do Porto e de Lisboa importam um fenómeno que se stá a desenrolar em alguns paises da europa e que são um artificialismo em Portugal. Luís Montenegro tenta, assim, desviar o foco da sociedade para longe do problema real da falta de habitações, ensaiando argumentação com que tenta dizer que é tudo mentira e que, não tenhamos dúvidas, vai ser repetida pelo boys e girls do sistema, incluíndo a rapaziada do Chega.

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Tal como disse na televisão o antigo líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, o primeiro-ministro fala de um modo frio, sem empatia pelos problemas sociais, tenta espalhar cortinas de fumo para menorizar os problemas e atribui responsabilidades sempre a outros e nunca a ele próprio. A argumentação de Montenegro é tóxica, não mostra vontade de resolver nada, talvez na esperança de que a polícia lhe resolva o problema com cacetadas em cima dos manifestantes.

Quando ele diz que os manifestantes são egoístas, pessoas que se manifestam por um direito universal que é o de ter uma casa para morar, não se percebe onde quer Montenegro chegar. É uma frase sem sentido, provoca reações negativas na sociedade e, politicamente, não faz qualquer sentido.

A maioria dos jovens, e menos jovens, hoje, não têm rendimentos salariais que lhes permitam arrender uma casa, principalmente depois deste governo ter reduzido impostos aos arrendamentos até 2300 euros. À pala dessa borla aos senhorios, os preços subiram em flecha e 2300 euros é o dobro, talvez mais, do salário médio em Portugal. Foi divulgado há dias que Montenegro é proprietários de 55 casas e a questão, aqui, será perceber o que vai ele ganhar com a lei que ele mesmo aprovou. Podemos estar perante uma nova “spinumvivice” de um tipo que já nos mostrou ter alguma queda para a chico-espertice.

Talvez este governante não saiba, mas hoje muitas empresas não pagam mais do que o salário mínimo aos trabalhadores, como é o caso na hotelaria. Algumas menos ainda, como, por exemplo, as empresas que prestam serviços de limpeza e manutenção, com mão-de-obra paga à hora e que, ao final do mês, não recebe mais do que 500 ou 600 euros de salário. São apenas dois exemplos, mas que agregam dezenas de milhar de trabalhadores em Portugal.

acampada no Porto, 17 de outubro

Estas pessoas que se manifestam não reclamam luxos, num movimento que pode estar a espalhar-se pelo país (este sábado houve manifestações em Lisboa, Porto e Faro). Querem um salário digno, querem poder pagar uma casa onde possam viver e sonhar com uma vida banal. Apenas isso. A reação do primeiro-ministro e de outros políticos da direita, o modo agressivo como classificaram os jovens que reivindicam o direito a ter um futuro que não passe pela escravatura, mostra que esses políticos vivem numa bolha e que Montenegro não percebe nada do país que pretende governar.

Em Portugal há 2 milhões de pessoas que trabalham e são pobres, adultos que não conseguem pagar as suas despesas. Estas pessoas só agora parecem terem despertado para a necessidade de forçar uma mudança de políticas laborais e sociais. Ainda só uma pequena percentagem veio para as ruas gritar. Quando vierem todos, cuidado Luís, o teu governo vai cair.

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