Ao tempo, efectivamente já vão muitos anos, nas Cortes, usava-se uma linguagem quase que poética, mas de muito bom gosto, para a altura. Claro que agradar a um rei, era, ou tinha que se ser engenhoso na linguagem para não ferir a sensibilidade de sua majestade, mas, simultaneamente não dar aos outros “parlamentares” a ideia de um desprovimento intelectual e socialmente um, digamos assim, cidadão desprovido de capacidade intelectual.
Os tempos evoluíram e na Assembleia, que sempre foi do povo, agora na primeira república, a riqueza de vocabulário foi-se cultivando, dando às frases e ideias, um respaldo histórico, sempre no sentido de não se cometerem os erros do passado, indicando novos caminhos, com um linguarejar elegante, dando ao orador uma nota de um estatuto de fluência linguística e competência política.
A Assembleia a seguir ao 25 de Abril, teve num período curto, uma forma de discurso menos filosófica, mas civilizada. Nos tempos recorrentes, a incivilidade tomou conta do espaço da Assembleia da República e os insultos velados, ou até frontais, por incapacidade linguística dos deputados que os proferem, leva os beligerantes deputados a provocarem interrupções já sistematizadas, no decurso da ordem do dia, que já levam ao ataque com carácter pessoal. Esses ataques são suportados com textos nas “redes” ditas “sociais”, onde se apoiam os oradores da Assembleia da República e pretendem que os leitores concordem e apoiem estas calunias, e vejam quem as diz, como sendo os únicos deputados capazes de dizer a verdade no e ao país.
Nestas redes, está montado um cenário que nos tenta convencer que é verdade o que determinado dirigente “gritou” e argumentou jocosamente, na Assembleia da República. Conseguem desgastar a confiança dos cidadãos, conseguem levar a um “medo social” sobre “invasões” de estrangeiros, todos são corruptos (menos eles), numa catadupa de discursos de medo e ódio sem justificação nenhuma.



