O REGRESSO FALHADO

A ‘conversa’ entre Maria João Avilez e Passos Coelho confirmou que o Professor Catedrático desistiu de voltar ao poder executivo e que tem dois objectivos políticos: destruir o seu ex-serventuário, Luís Montenegro, e ser o candidato da direita à Presidência da República.

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Se dúvidas havia, elas ficaram claras. Passos Coelho não tem ideias, melhor dizendo, tem muitas ideias ao estilo da Chef Noélia do 24 Kitchen, que passa o tempo a gritar ‘tragam pão’, ‘tragam pão’. Ele passa o tempo a gritar ‘reformas, é preciso reformas’. Mas de reformas nada diz, porque nada tem para dizer. E, se o disser, sabe que, além de erráticas, irão merecer o repúdio da generalidade dos portugueses. De resto, enquanto foi chefe do governo mostrou algumas das suas, poucas, ideias para reformar o País. A maior de todas era empobrecer os pobres como castigo punitivo. A punição seria encarada como uma fase redentora para o futuro. Quem sobrevivesse mereceria viver. Outra é a de aliviar a carga fiscal das grandes empresas porque, segundo ele, esse alívio fiscal seria gerador de riqueza. Claro que sim, para os accionistas dessas empresas. Na ‘conversa’, avançou apenas uma ideia, a de reformar o SNS. Ideias brilhante, de resto, e que deverá merecer o apoio dos grandes grupos económicos da saúde, a privatização do SNS.

Mas, voltando à questão principal, o que pretende Passos Coelho? A resposta é relativamente simples, apesar de poder ser decomposta em quatro fases. A primeira é a de derrubar Luís Montenegro que, para ele, não passa de uma obediente líder parlamentar e nada mais do que isso. A segunda é a de levar o Chega para o poder, partindo o PSD e abrindo o caminho para um grande partido de direita. A terceira é a de ser o próximo Presidente da República, na convicção de que, com o Chega, conseguirá uma maioria, um governo, um Presidente. A quarta é a de mudar o regime, para um sistema presidencial.

Passos Coelho vive na ideia de ser o ‘salvador da Pátria’, ideia que é alimentada pelos seus próximos e por alguns meios de comunicação social. A realidade é que, por muito que lhe custe, a maioria dos portugueses não pensa o mesmo e, no panorama político, a direita que se revia nele, já tem um líder, André Ventura, que ele criou e que, por muitas juras de amor que faça, apenas o quer usar como meio para cimentar a sua liderança.

Passos Coelho veio fazer prova de vida, na convicção de que o governo da AD está em decomposição e que este seria o tempo ideal para aparecer e marcar a sua posição. Na Europa assiste-se a um crescimento das forças de extrema-direita. Passos Coelho ambiciona liderar um projecto de direita radical, de pendor presidencialista, para o qual quer levar o PSD, que ainda está com ele, em coligação com o Chega. Ainda não interiorizou que André Ventura não quer partilhar o poder, mas apenas usá-lo para atingir os seus objectivos.

A ‘conversa’, levada a cabo por Maria João Avilez, que não é jornalista, acabou por ser um acto falhado e um frete da SIC que apenas entusiasmou alguns crentes.

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