
Foi há pouco tempo? Por acaso até não, que tive o “privilégio de conversar” com ela… verdade verdadinha, nem dava para trocar “falas”. Perguntam-me sempre, por ser já “entardecido”, como ela era, no principio, se se impunha, se quando aparecia mexia com todos… respondo sempre que sim, que não era uma presença, que por um momento que fosse, passasse despercebida, não, sabia-se logo quando chegava, nem um só de todos nós, passava “ao lado dela” sem a sentir. Era impossível. Dava-se conta na maneira de estar, até no falar de cada um de nós. Impôs-se sempre.
Mas, lá vêem as vossas perguntas, pessoal mais recente nesta vida: “Passava-se bem com ela?” Eu franzo o sobrolho, encolho os ombros, faço compassos de espera, a pensar no que vou dizer e…
Vamos lá a ver, tivemos uma posição social que não lhe deu hipótese de estar entre nós, já lá vão 5 décadas, ela era na altura uma velha condenada a desaparecer, estávamos radiantes…
– “Eh, eh, deixe lá esses tempos, até parece um Professor de História, o que queremos saber é se a conheceu, conhece, se foi amigo dela e como é que ela foi ou é, para si!…”
– Como calculam, não posso deixar de não falar da infância dela, claro que não vou falar da sua mãe… nem vou falar sequer, de uns “novos parentes” que a querem ver novamente na “passerelle” e até nos dizem, que não, que não a conhecem… Como é que é possível querer o desconhecido… é-se tão imbecil assim? Penso definitivamente que nos querem fazer uma surpresa… É uma rapaziada que não conheço bem, mas com a força que dão ao seu aparecimento na ribalta, outra vez… Conheço-a sim senhor e de forma muito próxima, nem imaginam o quanto… Vivi mesmo “ombro a ombro” com ela, claro, não estive no seu patamar, na altura pensávamos ser perene, acabei por passar um mau bocado, eu e a família, aliás como tantas outras. Ela era “intocável”, como se diz. Posso afirmar que a conheci, com toda a propriedade.
– Ora, é daí que a queremos conhecer. Deixe os eventos, a História, o “agora” é que vale!
– Mas algumas passagens terão que ser ditas, Não se descreve ninguém assim, de qualquer jeito. Não se consegue caracterizar o que quer que seja sem nos situarmos na “personagem”.
– Então, convive-se ou não, com ela? É ou não, uma “personagem” simples ou é complexa?
– Apresenta-se sempre simples, chega, porque foi “chamada” pela ignorância e por uma suposta necessidade, muitas vezes não é suposta, é uma necessidade real, fruto de muita incompetência que nos leva à necessidade…
– Não está a ser objectivo. Está a rodear. Ela tem ou não interesse, é necessária, pelo que nos parece, sim!
– Não! Não tem interesse nenhum, só vai atrofiar a vida de todos. O que nos poderá parecer uma mudança social para melhor não o é, vamos dizer, depois da actuação dela no terreno: “Chega! Não podemos continuar assim!” Mas vai ser tarde para todos, o que se pensava serem melhorias de vida, vão ser “aconchegos” para a “elite” criada por ela, o povo não vai conseguir levantar a cabeça até porque não temos recursos financeiros, recursos vindos do subsolo, veja-se dos poucos que temos, a teimosia em não deixarmos que se explorem…
– Ah, também é desses que querem “destruir” a paisagem, colocando-lhe marcos de suposta evolução?
– Todo os povos cuidam de si próprios com atenção redobrada aos seus recursos, de uma forma científica-tecnológica sem lugar a experimentalismos “políticos”…
– Mas afinal, não disse o nome de quem queremos saber, já estamos a ver que é uma “coisa” muito má, será que nós, os mais avoadores, não devemos saber, pelo menos o nome dela, já que nos informam que é muito má socialmente?
– Sendo avoados, e por mais que vos diga o que se passou na altura em que era tão jovem como vós o sois agora, insistem em querer afundar-se num lamaçal social e dizer, mas já tarde: “Chega! Não é possível este tormento!” Bom, de qualquer maneira… o nome dela é Autocracia e é casada com o Absolutismo.
– Ah… já ouvi isso…
– Adianta o que vos é informado? O que vos disse?


