Os países europeus alinharam-se no não apoio à guerra. Depois de Espanha ter afirmado que não permitiria que as bases americanas em território espanhol fossem utilizadas e no seu espaço aéreo passassem aviões dos EUA, vários outros países, incluindo a França, a Itália e a Alemanha, puseram-se de parte numa guerra que, claramente, viola o Direito Internacional. Sobra para nós a vergonha de ceder as Lajes, nos Açores, para a utilização dos drones (MQ-9 Reaper) que, em português e para que não haja dúvidas, são chamados de ‘assassinos’.
A ida de Paulo Rangel à Comissão de Assuntos Europeus na Assembleia da República, no 1 de Abril, parecia uma mentira reportada ao dia das mentiras. Ficou a vergonha alheia de o ouvir garantir que o nosso país não está envolvido nas operações contra o Irão e a utilização da Base das Lajes cumpre o Direito Internacional.
Ah! E tal, sim, claro. Foi por isso, porque está tudo bem, que foi confrangedor ouvi-lo dizer que essa utilização só pode ser feita “em resposta a um ataque sofrido, necessário e proporcional e não vise alvos civis” (as crianças assassinadas pelos aviões americanos, logo nos primeiros dias, deviam ser um alvo militar), ou que “se essas garantias nos forem dadas e puderem ser observadas, estamos tranquilos. Até agora foi isso que aconteceu”. E reina a tranquilidade, sobretudo por duas razões. A primeira porque o primeiro-ministro, Luís Montenegro (o chefe de Rangel) já disse que Portugal “não acompanha, não subscreve e não está envolvido nesta operação” (leia-se guerra), e a segunda porque um dos “amiguinhos” de Rangel, o Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, já lhe ligou a agradecer e os EUA “registaram a importância da ligação transatlântica, tendo abordado também a relação bilateral Portugal/ EUA, a nível da economia e da defesa”, segundo palavras do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Uma vergonha mesmo. Não porque (e reitero o que já escrevi) pense que o regime iraniano é bom, mas porque nunca permitiríamos, antes do 25 de Abril de 1974, que outras potências viessem dar ordens no nosso país.
Fica a ironia maior quando se olha para o lado se vê Israel, “uma democracia”, como tem sido sobejamente dito, cometer as atrocidades e invasões que estão à vista. Agora, para pôr uma cereja no topo da vergonha, foi aprovada uma lei antiterrorismo profundamente terrorista. Celebrada com champanhe no Knesset, o parlamento israelita, a legislação inclui a pena de morte, que não se aplica a israelitas, para os palestinianos nos territórios ocupados da Cisjordânia. E mais, os condenados à morte ficarão em instalações próprias, sem direito a visitas e os contactos com advogados feitos por videoconferência. A sentença será proferida por uma maioria simples de juízes.
O mundo tem reagido contra esta nova lei. Ah! É verdade, não ouvi ninguém do governo americano pronunciar-se contra, apesar de a pena de morte não poder ser aplicada aos colonos extremistas israelitas que assassinam palestinianos.
Recorde-se que a pena de morte em Israel foi aplicada pela última vez ao criminoso de guerra nazi Adolf Eichmann em 1962.
Vergonha alheia, sim. De um mundo que permite que os governos israelita e americano façam o que estão a fazer com a oposição de alguns, mas não de todos.



