FALAR DE COMIDA

Dois dias em Cascais a falar de tradições alimentares

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O serviço da Câmara Municipal de Cascais a que, seguindo os ditames da estranja, optou por se designar Cascais Food Lab – assim uma espécie de «laboratório de comida» – organizou as II Jornadas Portuguesas de Gastronomia, que se revestiram de acentuado interesse.

Primeiro, porque a equipa responsável, chefiada por Cláudia Mataloto, de Cascais, com a mais ampla colaboração de Inês de Ornellas e Castro, da DIAITA, souberam convocar especialistas de várias zonas do País e de variados campos de actividade; depois, porque o programa soube, mui inteligentemente, alternar comunicações e degustação. Por outro lado, o facto de a manhã do segundo dia ter sido passada no ambiente ímpar do Casal Saloio, em Outeiro de Polima, emprestou às jornadas superior encanto, por quase haver permitido uma vivência saloia in loco.

Abriu as jornadas o director municipal de Cultura, João Aníbal Henriques, que, além das palavras de ocasião, sublinhou quanto a Arqueologia se interessa pela comida, porque, num sítio arqueológico, as montureiras, por nelas se acumular toda a espécie de resíduos, mormente alimentares, constituem fonte importante de informação acerca da vida quotidiana.

Tivemos palestras muito eruditas sobre história da gastronomia saloia, aulas de culinária, degustação de “obras de arte” para o paladar de autoria de chefs, recordaram-nos ementas do tempo dos nossos avós, tivemos doces, petiscos, curiosidades culinárias de agora, do passado e de sempre. Foi de “comer e chorar por mais”, acreditem. Mais do que as palavras, o que consagrou a excelência da especificidade culinária saloia foram as iguarias bem seleccionadas e ainda mais apreciadas nas pausas das palestras.

Terminou o 1º dia com a realização de um ateliê de doçaria e petiscos saloios, com os chefs Rui Mota e Leonardo  Sousa (Cascais Food Lab). O 2º dia, debruçado sobre o passado, o presente e o futuro da cozinha saloia, teve por palco o Casal Saloio, em Outeiro de Polima, onde, em mesa-redonda, moderada pelo chef Luís Lavrador, se falou de queijos, vinhos, produtos hortícolas e frutícolas. A ementa do jantar foi, naturalmente, inspirada na cozinha saloia, com curadoria do Cascais Food Lab.

Pela mui auspiciosa e alargada troca de impressões e de experiências gustativas que estas II Jornadas Portuguesas de Gastronomia possibilitaram entre investigadores e meros apreciadores da nossa gastronomia, o saldo foi altamente positivo.

1 COMENTÁRIO

  1. Não tive conhecimento destas II Jornadas de Gastronomia. “Falar de Comida”, ou mais pomposamente Cascais Food Lab seria uma matéria do meu interesse. Tenho pena!
    Há estudos que se podem fazer depois de descobertos os pratos preferidos, ou habituais, em contexto restrito e social, tendo em atenção os recursos das populações, os hábitos religiosos e culturais por exemplo. As vertentes podem ser infinitas, quase.

    Talvez fosse melhor não ir. Por um lado não sou especialista, embora saiba avaliar quando um prato tem qualidade. Esse factor devia ser ponderado (ter pessoas alheias ao métier, mas conhecedoras de petiscos equilibrados e visualmente apelativos). Depois podia degustar mais do que a conta, nos intervalos das comuncações…
    Um abraço, José d’Encarnação.
    Sempre muito interessantes, estes textos.

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