UMA LENDA DE AMOR E DE MISTÉRIO

Marialva é, hoje, uma Aldeia Histórica do concelho da Meda, lá onde se faz caminho entre o Planalto Beirão e o Alto Douro vinhateiro, “onde o Douro encontra a Serra”, costuma dizer-se com alguma poesia e onde, passo a passo, surgem histórias bonitas para contar.

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Hoje ficaremos pelo encantatório domínio da fantasia, onde se mantém, sedutora sempre, a história de uma princesa ou de mourinha encantada, tanto faz. Contada e recontada em noites de serões, a história de Maria Alva, moura ou princesa, permanece viva.

Já foi tema de um filme de António de Macedo, estreado em 1991. Já foi peça de teatro. Já foi tema de livros de criança e de outros livros para adultos com alma de criança. Como esse, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada, publicado pela Editora Caminho em 2002 – as Lendas e Segredos das Aldeias Históricas de Portugal.

Muitos dos contadores não deram um fim feliz à história da princesa ou da mourinha que ficara presa numa das torres do castelo, onde as aias iam servi-la sem compreender sua tristeza.

Corria, por longe, a fama da sua beleza e, de onde em onde, apareciam pretendentes. Um dia, a moura ou a princesa mandou dizer aos muitos pretendentes que batiam à porta do castelo: Só caso com quem me oferecer uns sapatos à medida dos meus pés!…

Muitos pares de sapatos chegaram à porta do castelo. Nenhum servia aos pés da moura ou da princesa. E foi então que um príncipe enamorado, vindo de longe, seduziu uma criada a quem pediu o desenho dos pés estranhos da moura ou da princesa. Mas ela nunca vira os pés da Senhora a quem servia, sempre recobertos pela fímbria do manto que cobria.

Um dia, deixou que adormecesse e estendeu, timidamente, uma ligeira poalha de cinza aos pés da cama, que sua Senhora pisaria ao levantar-se. E quando, ao amanhecer, entrou na câmara da princesa, que isso mais parecia ser, viu uns desenhos da passagem de uma cabra e estremeceu, mas não gritou. E levou o estranho desenho ao príncipe enamorado, que não se perturbou e mandou fazer, em segredo pago a peso de ouro, uns sapatinhos à feição do modelo que levava.

Levou três dias, o sapateiro, a satisfazer a encomenda pretendida. E o príncipe, na posse deles, envolveu-os num caro manto de seda e entregou-os em segredo à criada que os foi levar à câmara da princesa, contando do príncipe que os enviara. E quando esta desvela o véu que os cobria, ouve-se um medonho estrondo no castelo e alguém viu rolos de fumo a sair pelas janelas.

A princesa, princesa moura que ela era, em breve descia, serena, as escadas do castelo em passos pequeninos. Veio descalça até à porta e desceu ao chão de terra do jardim, lá onde o príncipe apaixonado a esperava. A princesa contou ao príncipe o encanto que uma bruxa má, um dia, lhe talhara e que ele agora lhe quebrara.

Pediu-a o príncipe em casamento e a festa aconteceu pouco depois. O castelo voltou a encher-se de gente e povoaram-se as casas ao redor. E ali ficaram, felizes para sempre, na cidade que veio a ganhar o nome Marialva.

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