LEMBRAM-SE DE GAZA?

O mundo deixou de falar de Gaza. As televisões calaram-se, os jornalistas ocidentais desistiram. Agora andamos entretidos com a guerra do Irão que, afinal, é a mesma guerra injusta que destruiu Gaza

0
232

Enquanto o mundo está focado na guerra do Irão, Israel voltou a estrangular a entrada de alimentos e ajuda humanitária em Gaza. Há, de novo, centenas de milhar de pessoas a passar fome, muitas delas crianças.

Cada vez mais sozinhos perante um destino que se adivinha cruel, os palestinianos resistem. Mesmo em Gaza, onde tudo foi destruído, onde não há ferramentas para auxiliar o esforço humano, eles estão a tentar não morrer facilmente nem tão depressa quanto Israel gostaria.

Começaram a chegar histórias de agricultores que estão a recuperar as terras agrícolas que Israel bombardeou nos últimos três anos. Todas as quintas foram destruídas, as reservas de água contaminadas, os poços entulhados, Gaza não tem nada, apenas a vontade de viver da população. Grupos comunitários estão a tentar reparar as estufas, as linhas de irrigação e os poços de água. A maior parte das pessoas trabalha de mãos nuas. Mas estão a produzir tomates, beringelas e feijões, ainda em pequenas quantidades. Mas é um recomeço.

Hoje, todos os membros da ONG e de organizações humanitárias que conseguem autorização de Israel para entrar em Gaza, levam sementes nos bolsos. Os palestinianos sabem como transformar essas sementes em vida.

E há gente a cultivar pequenas hortas por entre os escombros, por entre as campas dos seus mortos. Gaza é um dos lugares mais devastados à face da Terra. Mas há sinais de vida.

Durante os dias negros do genocídio, os palestinianos referiram-se muitas vezes a “sumoud”, palavra que se pode traduzir como “espírito inquebrantável” ou “resistência”. Sumoud é a forma como as famílias em Gaza, Hebron, Ramallah, Jericho, Nablus, Bethlehem, Jerusalém, resistem há décadas e como continuarão a resistir, plantando sementes nos escombros da destruição.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui