Enquanto três atletas afrolusitanos conquistavam ouro e prata em campeonatos do mundo de atletismo, André Ventura discursava em Budapeste, num comício de Viktor Orbán, para anunciar, sem surpresa, que “não queremos mais imigrantes”.

Enquanto os três subiam ao topo do pódio, envoltos na bandeira portuguesa e ao som do hino, Ventura falava, não para portugueses, mas para húngaros.
Enquanto os nomes de Agate Sousa, Gerson Baldé e Isaac Nader ocupam capas de jornais, aberturas de telejornais e manchetes de rádio, o outro limita-se hoje ao seu habitat natural: as redes sociais, onde a política se reduz a ruído e repetição.
Nada de novo nas palavras de Ventura. O mesmo guião gasto: o estrangeiro como ameaça, a aldrabice sobre os abusos no RSI, a mentira transformada em argumento político.

Mais interessantes são as palavras dos atletas. Falam de orgulho. De representar um país. Um país que, olhando bem, talvez não os mereça.

No fim, sobra o contraste, indecoroso, entre os que correm, saltam e vencem por Portugal, e os que precisam de inventar inimigos para ter alguma coisa para dizer.



