QUANDO OS POBRES VOTAM À DIREITA

A extrema-direita conseguiu convencer parte dos explorados de que o inimigo tem a pele, o sotaque ou o passaporte errado, enquanto o verdadeiro beneficiário passa incólume. Enquanto essas mentiras não forem desmontadas no plano material e no plano moral, a extrema-direita continuará a convencer.

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A direita e a extrema-direita não incitam o ódio ao milionário, ao grande acionista, ao dono do banco. Incitam ao ódio contra o pobre “que recebe sem trabalhar”, promove a inveja do vizinho que “tem ajudas”, realça o desprezo pelo cigano que “anda de BMW” (mesmo que seja mentira). É uma engenharia ideológica muito eficaz, protege o topo, estimula a guerra entre os de baixo.

A direita mais extrema, não democrática, usa a tática da propaganda persistente de modo a cultivar o medo, transforma o sentimento de inferioridade em ódio. A extrema-direita oferece uma coisa muito concreta: “Tu não és lixo. Lixo são eles.” E isto cola.

No atual combate ideológico, o racismo funciona como substituto da luta de classes. As pessoas deixaram de considerar a exploração económica de que são vítimas, aprenderam a encontrar novos bodes expiatórios.

“Se eu trabalho e o salário não chega ao fim do mês, alguém me está a tirar alguma coisa.” Quem? O imigrante, o refugiado, o “subsidiodependente”, o “estrangeiro que vem para aqui viver à custa dos nossos impostos”. É falso, mas é emocionalmente convincente, porque dá um culpado visível. O capital é de difícil visualização. O imigrante é bastante visível.

Este “racismo dos pobres” não cai do céu nem nasce espontaneamente da pobreza. É uma ideologia alimentada pelos media sensacionalistas, amplificada nas redes sociais, legitimada por discursos políticos que utilizam o velho truque de “com a verdade me enganas”, é um racismo normalizado quando o Estado fala na imigração como “problema”. Na verdade, só passa a ser problema quando os políticos abdicam do combate pelas ideias decentes e vendem a alma ao diabo face à gritaria neofascista.

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