AS PALAVRAS E O ‘NOBEL’

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As palavras, em português pelo menos, têm um significado. Um significado claro. Assim, de acordo com os variados dicionários, ‘capturar’ quer dizer ‘prender ou apreender’. Por outro lado, ‘raptar’ diz ser ‘roubar ou arrebatar alguém ou algo à força, com violência, ou cometer o crime de rapto, que é sequestrar uma pessoa, geralmente pedindo resgate ou para fins ilícitos’. Vem isto a propósito da situação do ‘deposto’ (dizem) presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Deixo claro que não sou apoiante do que classifico de uma ditadura. Mas quando dizem que Trump capturou Maduro, isso é falso. Trump, de facto, raptou Maduro.

Segundo afirmou o presidente dos EUA, pretende-se que a Venezuela seja uma democracia. Mas como? Com mais jornalistas presos, com mais prisões arbitrárias de cidadãos, com milícias armadas nas ruas? Que democracia? Como a da Arábia Saudita onde não há eleições, as mulheres são tratadas como se sabe e os assassinos de jornalistas ficam impunes?

De facto, não se trata de combate ao tráfico de droga ou ao terrorismo, nem tão pouco de ajudar a democratizar o país. Trata-se, antes, do petróleo que, durante 50 anos, serviu os EUA e, nos últimos anos, era vendido à China e até à Rússia. Trocaram-se os petrodólares por yuan, rublos e até euros. E isto os americanos não podem permitir, porque a ‘cultura’ do dólar caiu substancialmente. E, se dúvidas houvesse, vejam-se os ataques, entre a Islândia e a Escócia, aos petroleiros, aparentemente vindos da Venezuela, e apreendidos pelos americanos, ‘em cumprimento de um mandado emitido por um tribunal federal norte-americano depois de ter sido rastreado’, segundo Karoline Leavitt. Não se sabe ainda com que legitimidade. É só petróleo.

Isto faz lembrar quando os americanos invadiram o Iraque e depuseram Sadam Hussein. Iam combater as armas de destruição maciça que nunca foram encontradas. Claro, ficaram com o petróleo.

A História está cheia de feitos destes, levados a cabo pelos EUA sempre que se ameaçam os dólares do petróleo. Uma vez mais, tudo se repete.

Resta saber como vai a União Europeia opor-se à ‘conquista’ da Gronelândia e se o Rei Frederico X da Dinamarca vai ser exibido, sem nenhuma dignidade, como sucedeu com Hussein e Maduro. Goste-se ou não, e eu não gosto dos dois últimos, há princípios e direitos humanos que devem ser respeitados.

Por isso, ao indivíduo que se arvorou em Nobel da Paz, prometendo (o que não cumpriu, nem vai cumprir) a Paz entre a Rússia e a Ucrânia, ofereça-se-lhe o ‘Nobel’ da guerra. É para lá que ele nos leva.

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