Militares israelitas ordenaram a dezenas de famílias palestinianas, no sul da Faixa de Gaza, que abandonassem os locais onde se encontravam a viver em tendas. Desde o cessar-fogo de outubro, ainda não tinha acontecido nenhuma ordem para deslocar população. Mas, agora, Israel deu início à expulsão metódica e sistemática da população, que se concentra cada vez mais em áreas menores e confinadas. O exército está, assim, a expandir a área sob o seu controlo.
Diz a insuspeita agência noticiosa norte-americana Reuters que os folhetos com as ordem de evacuação foram lançados por meio de drones e helicópteros, para as famílias a viver em acampamentos de tendas num local conhecido como Al-Reqeb, na localidade de Bani Suhaila.
“Mensagem urgente. A área está sob controlo das Forças de Defesa de Israel. Deve evacuar imediatamente”, diziam os panfletos, escritos em árabe, hebraico e inglês, que o exército israelita disseminou.
O exército israelita nega ter planos de deslocar à força os palestinianos da área, diz que os panfletos destinam-se a afastar a população da chamada linha amarela, uma espécie de nova fronteira da Faixa de gaza reduzida agora a menos de metade da área.
O cessar-fogo não avançou além da primeira fase, mas os bombardeamentos mais intensos diminuiram. Israel mantém-se em mais de metade do território de Gaza, apesar do Hamas ter libertado todos os reféns vivos e devolvido a Israel a grande maioria dos cadáveres de reféns falecidos, a maior parte dos quais vítimas dos bombardeamentos dos próprios israelitas.
Praticamente toda a população palestiniana, um número incerto depois de dois anos de mortandade, mas oficialmente à volta de 2 milhões de pessoas, está confinada num espaço que, agora, voltou a encolher e que é cerca de um terço de todo o território.


A população vive em tendas, não há habitações intactas. Quando era suposto ter início a segunda fase das negociações, que deveria levar a um plano de reconstrução das infraestruturas e à normalização possível da vida da população, Israel recomeçou a expandir a sua ocupação e, com isso, a criar novos atritos com os palestinianos.
Segundo relata a Reuters, as novas ordens de evacuação afetaram pelo menos 70 famílias, aproximadamente 3 mil pessoas. “É a quarta ou quinta vez que a ocupação expandiu a linha amarela desde o mês passado”, disse um porta-voz do Hamas à Reuters, por telefone, desde Khan Younis.
Israel engole cada vez mais território. Mas a agressão genocida deixou de ser noticiada. É a paz dos cemitérios.



