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	<title>Arquivo de saúde pública - Duas Linhas</title>
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	<description>Informação online</description>
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	<title>Arquivo de saúde pública - Duas Linhas</title>
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		<title>EPIDEMIA MORTAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Rainer Daehnhardt]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 19 Mar 2026 11:00:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
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		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A febre amarela grassou em Portugal entre 1858 e 1861.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/epidemia-mortal/">EPIDEMIA MORTAL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Na sequência do que se escreveu sobre a mina de pedras semipreciosas em Belas – : <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/mina-de-pedras-preciosas-em-sintra/"><em>https://duaslinhas.pt/2026/03/mina-de-pedras-preciosas-em-sintra/</em></a> – dir-se-á que o seu reconhecimento está relacionado com a febre amarela, que grassou em Portugal entre 1858 e 1861.</p>



<p>Esta epidemia foi tão terrível, que se chegou a pensar ser devida a uma conspiração para dar cabo dos filhos de D. Maria II e do nosso Rei-Artista, Dom Fernando von Sachsen Coburg Gotha, seu marido.</p>



<p>No caso do Príncipe Augusto de Leuchtenberg, há bastantes indícios que levam a suspeitar ter havido mesmo intenção de o matar; mas, quanto aos filhos de Dona Maria II e de D. Fernando, a causa das mortes deve ser procurada numa vulgar contaminação, quando não havia eficazes meios de prevenção.</p>



<p>Após a morte dos pais, subiu ao trono D. Pedro V, que casou com Dona Estefânia, uma rainha dedicada ao povo e de enorme boa vontade, deslocando-se aos hospitais de campanha onde se recolhiam os doentes com a epidemia, nomeadamente ao que foi erguido ao lado da Igreja Matriz, em Belas, ou em Torres Vedras, onde grassava outro surto epidémico.</p>



<p>Esta febre, contra a qual não havia remédio nenhum, destacava-se pela rapidez com que uma pessoa adoentada com febres altas morria, num espaço de poucos dias.</p>



<p>Foi assim a Rainha que, bem intencionada, levou a febre de Belas para o palácio em Lisboa, onde seus irmãos a quiseram ajudar e apanharam a febre. Seu marido não a podia ver sequer. A rainha morreu logo (1858), os irmãos um pouco mais tarde, e o rei em 1861.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="672" height="480" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/dom-pedro-v-e-dona-estefania.png" alt="" class="wp-image-47947" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/dom-pedro-v-e-dona-estefania.png 672w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/dom-pedro-v-e-dona-estefania-300x214.png 300w" sizes="(max-width: 672px) 100vw, 672px" /><figcaption class="wp-element-caption">D. Pedro V e Dona Estefânia </figcaption></figure></div>


<p>Os mortos de Belas eram enterrados à noite, sem a presença de ninguém, na vala comum que se abriu para este efeito na Quinta da Chicola, uma das seis quintas que meu bisavô adquiriu.</p>



<p>Após os costumados dez anos de descanso, trasladou-se o que restava dos corpos para o novo cemitério de Belas, alguns duzentos metros acima da minha rua, a Estrada Nacional 117.</p>



<p>Através dos padres de Belas, conseguiu minha avó, que nascera aqui em 1885, adquirir umas dezenas destas pedras de jacinto, já sem os anéis, a maioria delas já facetadas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" width="765" height="464" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pedras-de-jacinto-de-belas-2x.png" alt="" class="wp-image-47938" style="width:758px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pedras-de-jacinto-de-belas-2x.png 765w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pedras-de-jacinto-de-belas-2x-300x182.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/pedras-de-jacinto-de-belas-2x-696x422.png 696w" sizes="(max-width: 765px) 100vw, 765px" /><figcaption class="wp-element-caption">as pedras de jacinto de Belas compradas pela minha avó</figcaption></figure></div>


<p>A fim de galardoar quantos médicos e voluntários se distinguiram na luta contra a doença, mormente no apoio aos infectados, aprovou o município de Lisboa, em sessão de 17 de junho de 1858, a instituição de uma Medalha da Febre Amarela. Da autoria de Francisco de Borja Freire, exibia a inscrição &#8220;Lisboa Agradecida&#8221; e &#8220;À Devoção Humanitária&#8221;. Teve aprovação real, de modo que passou a ser considerada uma condecoração nacional<strong>.</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" width="583" height="480" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/medalha-2x.png" alt="" class="wp-image-47941" style="width:583px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/medalha-2x.png 583w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/medalha-2x-300x247.png 300w" sizes="(max-width: 583px) 100vw, 583px" /><figcaption class="wp-element-caption">a Medalha da Febre Amarela</figcaption></figure></div>


<p>Cunhada em prata, apresentava uma alegoria da cidade de Lisboa distribuindo uma coroa de louros. Cunhou-se um exemplar, em ouro, destinado a D. Pedro V, com o qual ele deixou escrito que queria ser sepultado.</p>



<p>(em colaboração com <strong><a href="https://duaslinhas.pt/author/jose-de-encarnacao/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/author/jose-de-encarnacao/">José d’Encarnação</a></strong>)</p>
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		<title>A Guerra dos Macacos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marta da Silva Gameiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Aug 2024 23:05:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Neste contexto, a&nbsp; agenda da OMS segue a vapor, apesar dos percalços, com a nova declaração de crise de saúde pública da Monkey Pox (com um nome mais orelhudo), em parte porque a declaração prévia finalizava no final de Agosto de 2024. Os projetos das novas vacinas já foram encomendados, tem de se manter a Indústria das Pandemias a funcionar de modo a justificá-la.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/sgi55Wg.jpeg" alt="" class="wp-image-36070"/><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.ecdc.europa.eu/en/news-events/ecdc-statement-developments-concerning-mpox-clade-i-outbreak-africa">ECDC statement on developments concerning mpox clade I outbreak in Africa (europa.eu)</a></figcaption></figure></div>


<p>A atual Emergência de Saúde Pública&nbsp; foi precipitada principalmente pelo surto em curso na República Democrática do Congo (RDC), embora existam surtos conhecidos em países próximos. Cerca de <strong><a href="https://www.ecdc.europa.eu/en/news-events/ecdc-statement-developments-concerning-mpox-clade-i-outbreak-africa">500 pessoas morreram da Mpox na RDC</a></strong> este ano, mais de 80% deles com menos de 15 anos de idade. Se quisermos colocar em perspetiva, no mesmo período de tempo morreram de malária no mesmo país cerca 40,000 pessoas, na sua maioria crianças com menos de 5 anos. As mortes por malária deveram-se principalmente à falta de acesso a produtos muito básicos, como testes de diagnóstico, medicamentos antimaláricos e mosquiteiros inseticidas, uma vez que o controlo da malária é cronicamente subfinanciado globalmente. A malária é quase sempre evitável ou tratável se houver recursos suficientes.</p>
</div></div>



<p>Durante este mesmo período em que 500 pessoas morreram de Mpox na RDC, centenas de milhares também morreram na RDC e nos países africanos vizinhos devido à tuberculose, ao VIH/SIDA e aos impactos da subnutrição e da água imprópria. A tuberculose sozinha mata cerca de 1.3 milhão de pessoas globalmente a cada ano, o que é uma taxa cerca de 1,500 vezes maior que a Mpox em 2024.</p>



<p>A população da RDC também enfrenta instabilidade social crescente, pelo que os seus problemas são múltiplos e esta crise deve ser gerida localmente e em proporcionalidade. Tal deve-se ao facto da Mpox ser transmitida por contato corporal próximo, principalmente (mas não só) por via sexual.</p>



<p>O perigo de pandemias não é maior que há 10 anos atrás, mas agora temos um Indústria global a procurar ativamente surtos e a fazer deles notícias de última hora, amplificando a sua importância e retirando-os de contexto.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Em 9 de julho,&nbsp; Ashish Jha admitiu que a obrigatoriedade das vacinas, que ele apoiou, “<strong><a href="https://www.drvinayprasad.com/p/ashish-jha-says-vaccine-mandates">geraram muita desconfiança</a></strong>” a longo prazo e também causaram danos. Continuam a ser publicados estudos que afirmam que as intervenções políticas para combater a pandemia – confinamentos, máscaras, vacinas – salvaram milhões de vidas. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/rR2ZyLF.png" alt="" class="wp-image-36073"/><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.thelancet.com/journals/laninf/article/PIIS1473-3099(22)00320-6/fulltext">Global impact of the first year of COVID-19 vaccination: a mathematical modelling study &#8211; The Lancet Infectious Diseases</a></figcaption></figure></div>


<p>Assim, um estudo de Watson <em>et al</em>. publicado em <strong><a href="https://www.thelancet.com/journals/laninf/article/PIIS1473-3099(22)00320-6/fulltext">Lancet Infectious Diseases</a></strong> em Junho de 2022 estimou, utilizando modelação matemática, obviamente,&nbsp;que apenas no seu primeiro ano, até 8 de Dezembro de 2021, as vacinações salvaram 14.4 milhões de vidas. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/P40hiiu.jpeg" alt="" class="wp-image-36074" style="width:721px;height:auto"/><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://jamanetwork.com/journals/jama-health-forum/fullarticle/2821581?_hsmi=317667934">US State Restrictions and Excess COVID-19 Pandemic Deaths | Health Policy | JAMA Health Forum | JAMA Network</a></figcaption></figure></div>


<p>Christopher Ruhm, em <strong><a href="https://jamanetwork.com/journals/jama-health-forum/fullarticle/2821581?_hsmi=317667934">artigo em Fórum de Saúde JAMA em 26 de julho</a></strong>, descobriu que se todos os estados dos EUA tivessem seguido as restrições dos dez estados mais restritivos, teria havido 118,000-248,000 mortes a menos nos EUA nos dois anos até 8 de dezembro de 2022.</p>



<p>Talvez&#8230;</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Outros estudos afirmam que, pelo contrário, o número de mortes que as intervenções políticas causaram e são suscetíveis de causar dano a longo prazo devido aos efeitos combinados a jusante, incluindo lesões causadas por vacinas, perturbações graves nas cadeias de abastecimento de cuidados de saúde e farmacêuticos, falha na imunização infantil, perturbações na aprendizagem, a fome e a pobreza, excederão em muito a soma das vidas salvas.</p>



<p>Em 19 de julho, um artigo de 521 páginas de Denis Rancourt, Joseph Hickey e Christian Linard, com base em dados de 125 países para 2021 e 2022, calculou que o número de mortes excessivas por todas as causas “associadas” às vacinas Covid era de 16.9 milhões – 2.4 vezes o número de mortes por Covid até fevereiro de 2024, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Um artigo publicado on-line em 21 de junho na <strong><a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0379073824001968">Forensic Science International</a></strong>, baseado em uma revisão sistemática de dados de autópsia, concluiu que 73.9 por cento de todas as mortes relacionadas à Covid foram causados ​​ou significativamente impactados pelas vacinas Covid.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/teBqtRY.jpeg" alt="" class="wp-image-36079"/><figcaption class="wp-element-caption">                                        fonte <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0379073824001968">Withdrawn: A systematic review of autopsy findings in deaths after COVID-19 vaccination &#8211; ScienceDirect</a></figcaption></figure></div>


<p>Em Setembro de 2021, o governo do Reino Unido, seguindo o conselho do médico-chefe Chris Whitty, que ignorou o mais cauteloso Comité Misto de Vacinas e Imunização (JCVI), autorizou a vacinação de crianças dos 5 aos 11 anos. Isto foi feito apesar de um <strong><a href="https://www.telegraph.co.uk/politics/2021/09/10/ignoring-expert-advice-child-vaccines-will-dissolve-public-trust/">alerta de um grupo de 26 deputados</a></strong> conservadores de que a anulação do parecer de peritos do JCVI representava o risco de &#8216;dissolvendo o vínculo de confiança&#8217; entre o público e o governo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/eyMWdHa.png" alt="" class="wp-image-36082"/><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.telegraph.co.uk/politics/2021/09/10/ignoring-expert-advice-child-vaccines-will-dissolve-public-trust/">Ignoring expert advice on child vaccines will dissolve public trust in the state, ministers warned (telegraph.co.uk)</a></figcaption></figure></div>


<p>Uma pré-impressão de 20 de maio de uma equipa da Universidade de Oxford relatou um estudo com um total de 415,884 crianças vacinadas e não vacinadas. Eles chegaram a três descobertas importantes: não houve uma única morte relacionada à Covid em nenhum dos grupos entre crianças saudáveis; os vacinados tiveram resultados de saúde marginalmente melhores na hospitalização (1 criança adicional por 10,000) e atendimento de emergência (1 por 20,000); mas estes foram principalmente compensados ​​pela incidência de miocardite e pericardite que colocou 1 em cada 25,000 crianças vacinadas no hospital. O custo económico foi de £1.3/0.6 milhões por visita hospitalar/atendimento às urgências (não morte) que foi evitado.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Dados recordes relativos a dez milhões de pessoas na República Checa foram <strong><a href="https://kirschsubstack.com/p/breaking-record-level-data-from-czech">analisados por Steve Kirsch</a></strong> para mostrar que as mortes por todas as causas entre pessoas de 45 a 69 anos que receberam as vacinas Moderna foram mais de 50% superiores às das vacinas Pfizer. Tratar este último como o grupo placebo permitiu-lhe controlar outras variáveis que poderiam criar confusão e limitar a causalidade às vacinas. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/zhAxpJk.png" alt="" class="wp-image-36086"/><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://kirschsubstack.com/p/breaking-record-level-data-from-czech">Record-level data from Czech Republic FOIA proves that the Moderna vaccines increased all-cause mortality by over 30% (and the Pfizer vaccines weren&#8217;t safe either) (kirschsubstack.com)</a></figcaption></figure></div>


<p>Um estudo israelita <strong><a href="https://www.nature.com/articles/s41541-024-00911-2">publicado</a></strong> em 26 de junho na revista de alto impacto Nature explicou como a Vacina da Pfizer causa irregularidades menstruais. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/Rc6HHVM.jpeg" alt="" class="wp-image-36090"/><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.nature.com/articles/s41541-024-00911-2">The direct effect of SARS-CoV-2 virus vaccination on human ovarian granulosa cells explains menstrual irregularities | npj Vaccines (nature.com)</a></figcaption></figure></div>


<p>No entanto, artigos e resenhas críticas à narrativa oficial sobre máscaras e vacinas, de autoria de especialistas bem credenciados e publicados nos principais meios de comunicação científicos após rigorosos processos de revisão por pares, foram por vezes retratados ou tiveram notas de advertência adicionadas por editores nervosos, apenas para serem justificados meses ou um ano depois, diminuindo enormemente o seu impacto durante o período crítico. O eminente oncologista britânico <strong><a href="https://www.conservativewoman.co.uk/systematic-suppression-of-the-truth-covid-vaccines-are-linked-to-cancer-and-death/">Angus Dalgliesh escreveu</a></strong> em 11 de julho que houve uma supressão sistemática da verdade sobre a ligação entre as vacinas da Covid, o cancro e a morte.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/TEWliRe.jpeg" alt="" class="wp-image-36092"/><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.conservativewoman.co.uk/systematic-suppression-of-the-truth-covid-vaccines-are-linked-to-cancer-and-death/">Systematic suppression of the truth – covid vaccines are linked to cancer and death &#8211; The Conservative Woman</a></figcaption></figure></div>


<p>Numa <strong><a href="https://www.brisbanetimes.com.au/national/queensland/jeannette-young-who-is-the-woman-leading-queensland-s-fight-against-covid-19-20200406-p54hmd.html">entrevista ao jornal Brisbane Times</a></strong> em 30 de abril de 2020, a então Diretora de Saúde de Queensland (e agora Governadora) Jeannette Young deixou claro que a sua opinião sobre o encerramento de escolas era principalmente política. Ela aceitou a evidência de que as escolas não são um ambiente de alto risco para a propagação do vírus, mas argumentou que o seu encerramento ajudou a convencer as pessoas da gravidade da situação. &#8216;Portanto, às vezes é mais do que apenas ciência e saúde, trata-se de mensagens.&#8217;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/m2tsNCk.jpeg" alt="" class="wp-image-36097"/><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.brisbanetimes.com.au/national/queensland/jeannette-young-who-is-the-woman-leading-queensland-s-fight-against-covid-19-20200406-p54hmd.html">Jeannette Young: who is the woman leading Queensland&#8217;s fight against COVID-19? (brisbanetimes.com.au)</a></figcaption></figure></div>


<p>Não é surpresa, portanto, que uma pesquisa com 443,455 adultos norte-americanos em 50 estados, publicada recentemente no <strong><a href="https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/article-abstract/2821693">Jornal da Associação Médica Americana</a></strong>, tenha descoberto que, em geral, a confiança nos médicos e hospitais caiu de 71.5 para 40.1 por cento entre abril de 2020 e janeiro de 2024. A confiança caiu em todos os grupos sociodemográficos da pesquisa por idade, sexo, raça e renda. Níveis mais baixos de confiança correlacionaram-se com taxas mais baixas de vacinação.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/cJodSBq.jpeg" alt="" class="wp-image-36101"/><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/article-abstract/2821693">Trust in Physicians and Hospitals During the COVID-19 Pandemic in a 50-State Survey of US Adults | Public Health | JAMA Network Open | JAMA Network</a></figcaption></figure></div></div></div>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Resistência</strong></h3>



<p>Em 2023 a Suécia mantém o nível mais baixo de excesso de mortalidade de toda a Europa no período pandémico. Sem confinamentos, sem máscaras, com poucas medidas restritivas e um taxa de vacinação semelhante à Alemanha, Tegnel bem poderia reinvidicar um mérito que nunca lhe irá ser atribuído.</p>



<p>A divulgação recente dos Protocolos do Robert Koch Institute (o CDC alemão) vulgarmente designados de RKI files, demonstraram, mais uma vez, que as decisões de saúde pública pandémicas foram contra todos os pareceres científicos, tendo a principais instituições nacionais sido transformadas em meras marionetes do sistema político alemão.</p>



<p>Já &nbsp;nas novas emendas ao Regulamento Sanitário Internacional&nbsp; surge a necessidade dos países fazerem a “gestão da infodemia”. Atualmente, o A OMS sugere que “uma infodemia é o excesso de informação, incluindo informações falsas ou enganosas em ambientes digitais e físicos durante uma emergência de saúde”. Aqui, a questão é que há simplesmente demasiada informação disponível, algumas das quais serão imprecisas</p>



<p>Isto lembra os acordos feitos entre autoridades dos EUA e operadores de redes sociais durante a pandemia do coronavírus. E-mails publicados pelo Facebook como parte de um <strong><a href="https://www.courtlistener.com/docket/67563473/state-of-missouri-v-biden/">processo judicial</a></strong> revelaram que a plataforma informou aos funcionários da Casa Branca que havia inibido a disseminação de postagens alegando que a imunidade natural à infecção era mais forte do que a imunidade à vacinação, embora esta seja uma questão em aberto.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Por outro lado em um Zoom recentemente divulgado encontramos a equipa de Joe Biden a decidir <strong><a href="https://www.msn.com/en-us/news/politics/biden-harris-staffers-reveal-how-they-manipulated-disinformation-to-hide-biden-s-mental-decline-from-voters/ar-AA1ot8aQ">aplicar algoritmos</a></strong> para classificar, entre outras coisas, informação sobre o covid ou o declínio mental de Joe Biden como &#8220;desinformação&#8221; numa operação semelhante à feita pela Cambridge Analytica.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/67Cq2ea.jpeg" alt="" class="wp-image-36106"/><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://www.msn.com/en-us/news/politics/biden-harris-staffers-reveal-how-they-manipulated-disinformation-to-hide-biden-s-mental-decline-from-voters/ar-AA1ot8aQ">Biden-Harris Staffers Reveal How They Manipulated ‘Disinformation’ To Hide Biden’s Mental Decline From Voters (msn.com)</a></figcaption></figure></div>


<p>Esta “gestão da infodemia” não terá potencial para se transformar numa arma para impor narrativas únicas e difamar opiniões divergentes mas igualmente válidas?</p>



<p>O Mundo sofreu uma reviravolta súbita mas nunca como hoje se viu um tamanho esforço concertado das chamadas “elites” para alterar comportamentos das populações sobre a égide da salvação Humana. Mas apesar dos ideais louváveis, estranhos interesses económicos parecem ser o motor das várias narrativas em curso.</p>



<p>Cabe ao cidadão comum tentar vislumbrar para além da propaganda e tentar perceber onde acaba a realidade e começa a ficção. De uma coisa podemos ter a certeza: amanhã irá sempre nascer outro dia e o Planeta Terra continuará muito depois do término da nossa existência. Talvez por isso devêssemos falar mais em adaptação do que de sobrevivência.</p>



<p>(<strong><a href="https://duaslinhas.pt/2024/08/sars-cov-2-ou-o-inicio-da-segunda-guerra-fria/">artigo anterior</a></strong>)</p>
</div></div>
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		<title>SARS COV 2 ou o início da Segunda Guerra Fria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marta da Silva Gameiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Aug 2024 15:00:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Guerra Fria, nas mais de quatro décadas que a marcaram, teve diferentes períodos, entre os quais momentos de coexistência pacífica. O medo de uma III Guerra Mundial onde o nuclear desintegrasse largos territórios do planeta inibiu várias gerações de avançarem para um confronto direto alargado, optando-se por interferir na guerras civis da Coreia, do [&#8230;]</p>
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<p>A Guerra Fria, nas mais de quatro décadas que a marcaram, teve diferentes períodos, entre os quais momentos de coexistência pacífica. O medo de uma III Guerra Mundial onde o nuclear desintegrasse largos territórios do planeta inibiu várias gerações de avançarem para um confronto direto alargado, optando-se por interferir na guerras civis da Coreia, do Vietname, ou do Afeganistão, entre muitos outros países da Europa, África e América Latina, cujas consequências nas populações persistem até hoje. O terror quase existencial dos comunistas ditou a vitória dos EUA em muitos destes países, mas também houve derrotas.</p>



<p>No final, a URSS não aguentou o peso da sua estrutura, o que para alguns foi interpretado como a vitória do individualismo sobre o coletivo. Nos anos 90, os EUA pareciam não ter mais inimigos ao seu nível e a ordem mundial que se estabeleceu escancarou o processo em curso de globalização, de onde atualmente partem muitas das ideias do globalismo.</p>



<p>A questão que coloco hoje é: mas a guerra fria terminou mesmo em 1989? Ou os 10 anos que se seguiram foram apenas um interregno de modo a redefinir o alvo?</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Um novo modelo económico para um mundo político imerso no digital</strong></h3>



<p>Há quem diga que a Rússia é um inimigo fácil e conveniente. Foi Hollywood quem nos foi implantando esta ideia ao longo das décadas, com os seus vilões com sotaque carregado vindos de países frios. Mas e se a Rússia fosse mais um meio que um fim? E se na luta pelo domínio mundial uma guerra aberta seja demasiado complexa de suportar, devido às ligações económicas, e se torne mais vantajoso copiar simplesmente o modelo económico?</p>



<p>Há muito que a China exibe com orgulho o seu lema de “Um País dois Sistemas”, o que lhe permitiu um desenvolvimento notável. Mas se é facto que o capitalismo venceu na China, também é facto que muito se deveu à sua aposta nos meios digitais de <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2022/10/china-nome-de-jaula/">controlo da população</a></strong>. Este novo “capitalismo de vigilância” parece fazer muito sentido para o pessoal de Sillicon Valley, principalmente quando a economia mundial parece indicar que a melhor maneira de aumentar a produtividade é reconhecer os padrões comportamentais das populações. Tanto para prever as suas próximas compras, como também para influenciá-las.</p>



<p>Muito da Pandemia de Covid-19 foi isso mesmo: a introdução de “gadgets” a título “excecional” em nome de uma “crise de saúde pública”, de modo a que as populações se habituassem a ser monitorizadas. Pela sua saúde, claro! Dito publicamente pelo conselheiro do Fórum Económico Mundial, Yuval Noah Harari.</p>



<p>Uma das últimas edições do <em>The Economist,</em> focada nas vantagens da imigração no que toca ao aumento da produtividade através da captação de talento (Portugal aparentemente é um bom exemplo), destaca que as vantagens económicas da vigilância digital chocam de frente com o sentimento de liberdade individual que domina o mundo Ocidental. Aparentemente, segundo esta prestigiada revista, isto está a atrasar-nos em relação a, por exemplo, o Médio Oriente e a Ásia. A produtividade, o progresso, inclusive a inclusão e a diversidade, beneficiariam com a digitalização do mundo, a qual anula a tradicional e lenta burocracia.</p>



<p>Esta e outras leituras colocaram-me a pensar: e se o certificado digital durante a covid foi um projeto mais ou menos falhado porque a própria “vacina” não cumpria os critérios mínimos de controlo de transmissão a que se pretendia? Um Cartão Vacinal digital Europeu vai ser introduzido de qualquer maneira, porque é nesse sentido que se dirige a economia. A vigilância através dos dados de saúde é a melhor maneira de introduzir o extremamente produtivo modelo económico chinês a Ocidente, conseguindo assim competir ao mesmo nível com um inimigo que não esconde que manipula e controla a população (e eles até aceitam bem a situação, porque é para o bem maior).</p>



<p>Chamam-lhe progresso, mas não há bela sem senão. Apesar das leis de proteção de dados, não há passado jurídico nas crises de saúde pública que impeça as regimes “excecionais”.&nbsp; A introdução no mercado de dispositivos “para um bem maior”, vai abrir espaço, a curto prazo, à legitimação do condicionamento de comportamentos.</p>



<p>É a isto que se resume o <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/12/o-tratado-pandemico-e-o-negocio-da-doenca/">Tratado Pandémico</a></strong>.</p>



<p>Não há dia em que não se fale na eventualidade de uma III Guerra Mundial ou numa II Guerra Civil nos EUA, mas penso que estamos um pouco longe de tais cenários escatológicos. Para o bem e para o mal, o medo do nuclear ainda cumpre a sua função. O que se vive desde 2020, na minha opinião, é uma II Guerra Fria. Uma guerra silenciosa, que se vive principalmente nas redes sociais e através de meios de propaganda. Uma guerra de burocratas não eleitos, que perante um sistema tão grande e complexo se podem facilmente esconder na sua invisibilidade e falta de responsabilidades atribuíveis.</p>



<p>Uma guerra de pessoas que nasceram nos anos 70, 80 e 90. Que cresceram com os ecrãs, que vivem no mundo da representação, onde aquilo que se pensa sobrepõe-se&nbsp; ao que a realidade impõe, porque a realidade pode sempre ser ajustada. Uma guerra existencial, de luta pela sobrevivência, e que encontrou na Saúde a sua melhor bandeira, porque já ninguém quer realmente morrer pelo seu país, mas talvez morra por uma ideia romântica do planeta Terra e do sentido cósmico da Humanidade.</p>



<p>(<strong><a href="https://duaslinhas.pt/2024/08/a-guerra-dos-macacos/">continua</a></strong>)</p>
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		<title>PEDRO NUNO SANTOS METE DEDO NA FERIDA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jul 2024 23:00:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pedro Nuno Santos joga no desgaste acelerado provocado pela governação. E pisa nas feridas abertas pelos falhanços do Governo. O setor da Saúde foi uma dor de cabeça permanente para António Costa. O atual primeiro-ministro parece ter sido &#8220;contaminado&#8221; pelo mesmo mal. E o líder socialista mete o dedo nessa ferida.</p>
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<p>Pedro Nuno Santos joga no desgaste acelerado provocado pela governação. E pisa nas feridas abertas pelos falhanços do Governo. O setor da Saúde foi uma dor de cabeça permanente para António Costa. O atual primeiro-ministro parece ter sido &#8220;contaminado&#8221; pelo mesmo mal. E o líder socialista mete o dedo nessa ferida.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Pedro Nuno Santos e os 100 dias de falhanços do Governo" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/M9NmQ9S66f0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><sup>vídeo</sup></figcaption></figure>



<p></p>
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		<title>A Saúde Global e o Fascismo</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2024/04/a-saude-global-e-o-fascismo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Marta da Silva Gameiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Apr 2024 18:00:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nos últimos quatro anos envolvi-me profundamente na crítica à gestão da pandemia e procurei perceber, dentro das minhas limitações, onde começou a distorção científica que permitiu esta escalada de acontecimentos. Uma das conclusões a que cheguei começa num conceito básico a todo o tema: Saúde. A “Saúde Global” ou “One Health” é um slogan associado [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nos últimos quatro anos envolvi-me profundamente na crítica à gestão da pandemia e procurei perceber, dentro das minhas limitações, onde começou a distorção científica que permitiu esta escalada de acontecimentos. Uma das conclusões a que cheguei começa num conceito básico a todo o tema: Saúde.</p>



<p>A “Saúde Global” ou “One Health” é um slogan associado aos objetivos societários da OMS, que tem tido como principal figura de defesa, se não mesmo o grande promotor, o multimilionário da tecnologia Bill Gates, um dos homens mais ricos do mundo. A ideia em si mesma parece destituída de mácula: que mal há em defender a saúde a nível global?</p>



<p>O capitalismo caritativo ou a filantropia capitalista, como lhe queiramos chamar, padece do problema inerente ao próprio conceito: busca o lucro. Introduzir a caridade ou filantropia nas lógicas de mercado é envolvê-la na selva de competição que tem, obrigatoriamente, de produzir resultados. Herdeira das lógicas económicas neo-liberais, esta filantropia é flexível, reinventa-se constantemente e pensa a curto prazo. Noutras palavras, pensa a nível do “produto” a vender e não olha a meios às campanhas de marketing necessárias para ter retorno.</p>



<p>O Bill Gates é o mais proeminente no catálogo de multimilionários da tecnologia que tentam lavar a imagem com boas obras. A estratégia é tão velha como o tempo, basta lembrar o que o narcotraficante Pablo Escobar também fez na sua época a nível “filantrópico”, mas talvez nunca como hoje se tenha gasto tanto dinheiro nela. Tal quantidade de investimento a circular tem impactos inevitáveis na sociedade, sobretudo numa época em que a política se tornou dependente da economia. Mas Bill Gates e os seus não são políticos – apesar da sua ação ser largamente política – são empresários.</p>



<p> “Saúde” vem do latim <em>salus</em>, referindo-se à época à integridade anátomo-funcional dos organismos vivos. Daqui surge a derivação <em>salvus</em>, mais voltado para a superação de ameaça à integridade física dos sujeitos. <em>Salus</em>, por seu lado, derivará do grego <em>holos</em>, que implica a “totalidade” e encontra-se na origem do termo holismo. De uma forma geral ter “<strong><a href="https://www.scielo.br/j/csp/a/JdpRf8k8jYMcSTT8zTQsZWv/">saúde</a></strong>” advém de uma noção arcaica de ser inteiro, sendo entendida hoje na medicina como “bem estar”.</p>



<p>Ter saúde, portanto, é diferente de estar vivo. A médica psiquiatra norte-americana Anna Lembke, autora de <em>Drug Dealer M.D.</em>, constata como a crise de opióides nos EUA teve origem no aumento do sucesso das cirurgias médicas. Os pacientes começaram a sobreviver mais graças aos avanços tecnológicos, mas aumentou também a dor crónica, efeito secundário de muitas destas intervenções.&nbsp; Compadecidos com o sofrimento dos doentes, os médicos tornaram-se alvos fáceis de empresas farmacêuticas, como a Purdue Pharma, e a sua gama de vendedores treinados nas técnicas do marketing agressivo, para receitar medicamentos novos para a dor, cuja composição, veio-se a concluir, não era muito distante da heroína. O vício, que estaria em princípio aglutinado nos doentes terminais, rapidamente se espalhou pela América, assim começou o receituário indiscriminado destes fármacos para qualquer tipo de dor (a este respeito, recomendo <em>O Império da Dor</em>, do jornalista Patrick Radden Keefe).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full is-resized"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/FJTnA93.png" alt="" class="wp-image-33522" style="width:195px;height:auto"/></figure></div>


<p>No seu livro <em>Cérebro de Escassez</em>, o jornalista Michael Easter acaba a concluir que a distância que separa o stress pós-traumático, que pode destruir mentalmente as pessoas na depressão, e a consciência traumática é ténue. Mas precisamos de viver determinado tipo de experiências para ganhar consciência sobre o mundo e sobre nós próprios para, deste modo, evoluirmos de algum modo na nossa humanidade. Mas como fazê-lo num mundo que tudo faz para suprimir o sofrimento, gerando, num estranho paradoxo, ainda mais estados de depressão?</p>



<p>Autores como o médico Jean-David Zeiton, doutorado em epidemiologia clínica, (autor de <em>O Suicídio da Espécie</em>) têm alertado como o crescimento económico e progresso tecnológico trazem inevitáveis efeitos secundários, com novos e complexos problemas de saúde pública. Resta a questão: o que fazer? Será que as mesmas indústrias capitalistas que sugam a vida às pessoas, podem arranjar soluções para os problemas por elas criados?</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/9WNOyjs.jpeg" alt="" class="wp-image-33524"/></figure></div>


<p>O documentário da Netflix, de 2020, <em>Inside Bill’s Brain</em>, é uma interessante exposição à filantropia de Bill Gates, um destes capitalistas. Logo no primeiro episódio somos apresentados ao seu projeto de sanitas com compostagem interna, uma forma de combater a falta de saneamento em países que cresceram demasiado sem infraestruturas sanitárias, em particular em África, conduzindo à propagação de doenças. Gates identificou o problema e investiu milhões na busca de uma solução. “Brutal!”&nbsp; – pensamos de imediato &#8211; “alguém com recursos a ajudar a encontrar soluções”.</p>



<p>À medida que o episódio avança, num sentimento desconfortável que acaba a marcar o visionamento deste documentário cor-de-rosa, o entusiasmo acaba a transformar-se em ceticismo. Gates investiu milhões nestas sanitas, que depois transformou em projetos de sanitários públicos. Mas, poucos as usam. “Esta gente é burra?!” – indagamos &#8211; “não percebem os benefícios na saúde pública desta solução super criativa?!”.&nbsp;</p>



<p>Na tentativa de perceber qual o problema num determinado país africano, entra Melinda Gates. A resposta sobre o relativo falhanço deste projeto é a marca da Fundação Gates: o país em causa tem uma elevada taxa de violações e as mulheres, em particular, não usavam as sanitas públicas com medo de ser violadas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/AM7b3Qr.png" alt="" class="wp-image-33527"/></figure></div>


<p>O livro <em>O problema Bill Gates</em>, do jornalista de investigação Tim Schwab, é uma listagem sucessiva deste tipo de situações caricatas, em que as soluções encontradas negligenciam completamente o lado humano do consumidor. Gates gasta milhares de milhões em África, mas gasta muito mais em lobby político no Congresso dos EUA. A sua filantropia possui objetivos definidos, em grande medida moldados por uma ideologia voltada para soluções tecnológicas e não para a resolução estrutural de problemas. Apesar de ter captado ao longo dos anos especialistas nas mais diversas áreas de saúde pública, com larga experiência no terreno em países africanos, como Hans Rosling, autor de <em>Factualidade</em>, ou jornalistas e/ou ativistas que dedicaram a vida a mostrar os impactos do homem na natureza,&nbsp; como David Attenborough, a grande voz da <em>BBC Vida Selvagem</em>, Gates tem-se apropriado sobretudo dos seus discursos e narrativas. O objetivo continua a ser, como sempre foi, vender produtos tecnológicos.</p>



<p>A apropriação do discurso da esquerda para legitimar objetivos capitalistas é uma estratégia típica da extrama-direita, como se pode constatar ao longo de <em>As Origens do Totalitarismo</em>, da filósofa judia Hannah Arendt. Mussolini e Hitler fizeram-no, apropriando-se do discurso socialista em torno do trabalho para ganhar espaço entre o eleitorado descontente com as soluções do comunismo. Conseguir que instituição públicas financiem projetos com objetivos direcionados e, em grande medida, privados, não anda muito longe do corporativismo fascista.</p>



<p>A mesma Hannah Arendt argumenta que as grandes guerras surgiram de uma aliança improvável entre a elite e a ralé (vulgo populistas), ambas atraídas por um desejo de destruir o mundo existente em prol de um novo, moldado pelos grandes projetos tecnológicos da época. O que os distinguia era a exposição: a elite trabalhava na sombra, a ralé queria palco.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/pMtqXKA.jpeg" alt="" class="wp-image-33532"/></figure></div>


<p>O crescimento do populismo conservador é, pois, apenas a versão espalhafatosa e popular do que já sucede no topo da hierarquia social, procurando-se imitar, e frequentemente exacerbando, os vícios já instalados, como documenta o analista político Giuliano da Empoli, autor de <em>Os Engenheiros do Caos</em>. Embora se ataquem os populistas pela ignorância, o facto é que estes são frequentemente estrategas geniais, que conseguem captar as tendências conjunturais, distorcendo-as à sensibilidade das camadas populares. Mas pensar excessivamente a longo prazo, negligenciando o homem do presente em prol de um hipotético homem do futuro, não é diferente do pensamento populista de curto prazo. São extremos. </p>



<p>O que é, então, a Saúde Global? A Saúde Global é um slogan corporativista, cujo propósito é vender tecnologia embebida em marketing de esquerda, vulgo “progresso”. As aproximações de Gates à China, e de Sillicon Valey de forma geral, são disso prova, como constata <em>O Capitalismo de Vigilância</em>, da socióloga Shoshana Zuboff. A “saúde”, tradicionalmente voltada para a prevenção e a saúde primária, aliás uma das grandes conquistas do 25 de abril de 1974, acaba transformada em produtos. Ter saúde implica ter dinheiro para comprar engenhocas, mesmo que não funcionem como prometeu o fabricador. Que se lixe o exercício físico, a alimentação saudável, a exposição à natureza e aos seus patogénios que fortalecem o sistema imunitário, as análises regulares, ou os tratamentos, vacinais ou não, com provas dadas na prevenção de doenças graves e marcadamente seguros.</p>



<p>A extrema-direita está a crescer em todo o mundo? Está! E começou bem lá em cima, não cá em baixo. As massas com frequência copiam as elites antes de tomarem consciência sobre o impacto dos seus desvarios em si próprias, conforme constata a análise histórica de Daron Acemoglu e Simon Johnson, em <em>Poder e Progresso – a nossa luta milenar pela tecnologia e prosperidade</em>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/ImitVea.jpeg" alt="" class="wp-image-33535"/></figure></div>


<p>Penso, em linha com o ativista e antigo espião Edward Snowden, que isto de algum modo começou com o crescimento da vigilância. Os ataques terroristas às Torres Gémeas a 11 de setembro de 2001 marcaram um ponto de viragem militarista no complexo industrial militar dos EUA, que colocaram milhões em projetos diversificados para combater inimigos invisíveis. Tal permitiu o impulso da Inteligência Artificial e da tecnologia genética, as quais tiveram ambas saltos de desenvolvimento na mesma época, como se pode ler em <em>O Código da Vida &#8211; Jennifer Doudna &#8211; A edição genética e o futuro da espécie humana</em>, do autor Walter Isaacson. Mas em que mãos e com que prioridades se desenvolvem estas tecnologias?</p>



<p>O Tratado Pandémico e as Emendas ao Regulamento Sanitário Internacional são um pequeno passo burocrático num mundo que está a caminhar a passos largos para novas versões do Holocausto judaico, imerso na criação de sucessivas indústrias que acham que a Ética ou o mero consentimento informado são empecilhos ao progresso social. Entretanto vamo-nos distraindo com guerras, reais ou imaginárias, há muito prometidas mas com uma aparente surpresa para a comunicação social, que rapidamente toma parte de um dos lados – em teoria o mundo livre – sem questionar os pressupostos.</p>



<p>Onde fica a nossa humanidade?</p>



<p>Sim, o nazi-fascismo voltou. Têm a certeza que sabem identificá-lo?</p>



<p><sub>Artigo em co-autoria com com L.H.Fernandes</sub></p>
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		<title>O HERBICIDA GLIFOSATO, UMA HISTÓRIA SEM FIM À VISTA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Vicente]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 11:16:39 +0000</pubDate>
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<p>Para esta decisão, a Comissão baseou-se num relatório da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, que não identificou áreas críticas de preocupação, embora tenha apontado riscos elevados, a longo prazo, nomeadamente para os mamíferos, tendo recomendado a adoção de medidas restritivas. A Agência concluiu ainda não existir qualquer prova de que o herbicida mais utilizado no mundo é cancerígeno, para espanto da comunidade científica e contra o apelo de cerca de 291 cientistas, incluindo 104 professores, da Bélgica e dos Países Baixos, dirigido aos seus ministros para levarem em conta a ciência independente e, portanto, não avançarem com a aprovação desta substância, não levando em consideração a Agência Internacional de Investigação sobre o Cancro, uma agência da Organização Mundial de Saúde (OMS) que, em 2015, considerou o Glifosato como um provável agente cancerígeno.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O Glifosato é um herbicida amplamente utilizado na agricultura, podendo ser encontrado em produtos como o conhecido produto químico de largo espectro Roundup. Na Europa, o Glifosato representa cerca de 33% do volume de herbicidas, segundo dados de 2017, e cerca de um terço da área de culturas anuais e metade da área de culturas permanentes, é sujeita à aplicação anual deste tipo de substância. Segundo os dados da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária, pensando no caso português, esta é a substância ativa mais comercializada no grupo dos herbicidas e corresponde a quase 80% do volume de vendas de herbicidas em 2021. Quando comparado a outros herbicidas, o Glifosato apresenta algumas vantagens, como: baixo custo; fácil aplicação; flexibilidade de uso; amplo espectro de ação. No entanto, a controvérsia em torno da sua utilização não é nova nem consensual.</p>



<p>Este herbicida foi introduzido no mercado em 1974, pela empresa química Monsanto (adquirida em 2018 pela Bayer). Nessa altura, não se suspeitava que a sua utilização teria efeitos devastadores na saúde e no ambiente, conforme comprovam os diversos estudos que têm vindo a ser divulgados e que asseguram a nocividade e o elevado potencial de dano para pessoas e ambiente. A própria Bayer de alguma forma o assumiu, em 2020, ao comprometer-se a indemnizar grande parte dos milhares de pessoas que a processaram nos EUA, devido ao herbicida Glifosato, em mais de 10,9 mil milhões de dólares (9,7 mil milhões de euros), estando na base da acusação os efeitos cancerígenos associados ao herbicida. Inclusivamente alguns especialistas associaram a exposição ao Roundup ao aumento da incidência de uma série de problemas de saúde, nomeadamente, vários tipos de cancro, problemas reprodutivos, doenças neurológicas como a esclerose lateral amiotrófica (ELA), perturbações endócrinas, entre outros. Além disso, a utilização do Glifosato também afetaria a biodiversidade, eliminando espécies vegetais que sustentam o ambiente natural de seres vivos cruciais para a agricultura, como os polinizadores.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Ainda assim, e face à evidência científica, a Comissão Europeia decidiu aprovar a sua utilização por mais dez anos, com, reconheça-se, algumas restrições como a&nbsp;exigência de que os Estados-Membros prestem especial atenção a aspetos específicos aquando da realização das avaliações de risco, que&nbsp;devem ser estabelecidas medidas de redução dos riscos e o aumento das&nbsp;obrigações, por parte dos Estados-membros, em termos de fiscalização e de verificação. Além disso a própria Comissão Europeia mencionou que se surgisse, no entretanto, alguma informação de relevo que leve à alteração da decisão, poderia intervir a qualquer momento.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/03/glifosato-artigo.jpg" alt="" class="wp-image-24938"/></figure>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>No entanto o caminho não deveria ser este. Para além de ir contra um dos princípios da estratégia europeia do “do prado ao prato”, em particular, o objetivo de reduzir para metade a utilização de pesticidas e fertilizantes, bem como, a venda de agentes antimicrobianos, é imperioso procurar outros métodos que não sejam químicos. Deveria ser feito um grande investimento para reduzir a quantidade de pesticidas que utilizamos, uma aposta clara no aumento da área de cultivo biológico entre muitas outras alternativas bem mais saudáveis e sustentáveis.</p>



<p>Aqui, uma vez mais, os fortíssimos lóbis da agroquímica venceram e os deputados, uma vez mais, falharam na <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2020/09/populacao-portuguesa-com-glifosato-no-organismo/">defesa da saúde</a></strong> das pessoas e na condenação de medidas que em nada contribuem para a salvaguarda do <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2022/04/rios-portugueses-envenenados/">equilíbrio da nossa Terra</a></strong>. Uma história sem um fim à vista.</p>
</div></div>
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		<title>Protocolos que Matam &#8211; quando os extremos se unem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marta da Silva Gameiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 Jul 2023 23:00:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>No pós II Guerra Mundial, os EUA instalaram-se como superpotência hegemónica através da venda de defesa aos países aliados, no objetivo de impedir uma nova militarização tanto da Europa como do Japão. O estratega geopolítico norte-americano Peter Zeihan compara esta abordagem a uma nova forma de imperialismo, que não podendo propriamente conquistar o território, como [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>No pós II Guerra Mundial, os EUA instalaram-se como superpotência hegemónica através da venda de defesa aos países aliados, no objetivo de impedir uma nova militarização tanto da Europa como do Japão. O estratega geopolítico norte-americano Peter Zeihan compara esta abordagem a uma nova forma de imperialismo, que não podendo propriamente conquistar o território, como noutras épocas, vendeu influência política e, através desta, a sua cultura. Nos últimos 80 anos, portanto, o mundo ocidental estruturou-se com base no poder do complexo industrial militar dos EUA, uma estrutura&nbsp; que parecia esquecida após a queda do muro de Berlim, em 1989, mas que se revitalizou com o 11 de Setembro, por meio do combate ao terrorismo.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/07/livro-confissoes-de-1-assassino.jpg" alt="" class="wp-image-27584"/></figure>



<p>Mas os americanos não venderam só defesa. À medida que a Guerra Fria começava a desanuviar, em particular nos anos 70, passou-se gradualmente da venda de segurança para a venda de dívida. A título de exemplo, a partir de um livro lançado recentemente no mercado, John Perkins constata no seu “Confissões de um Assassino Económico” como os EUA, como o apoio do Banco Mundial, começaram a apostar numa abordagem de sobre-endividamento dos países de terceiro mundo, tornando-os dependentes por meio da dívida e perdendo, deste modo, a propriedade dos seus recursos naturais e energéticos para os norte-americanos.&nbsp;</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Tudo parecia bem a Ocidente, até se começar a assistir a uma inesperada, mais confiante, ascensão da China, país que no final dos anos 80 parecia que ia colapsar&nbsp; face aos protestos na praça de Tiananmen. Mas o “Império do Meio” socialista, como constatam vários analistas, soube ouvir as queixas do povo e readaptar-se. O “milagre chinês” é feito sobre a égide “um país, dois sistemas” e o crescimento do poder económico das suas populações, uma forte competitividade interna e a gradual libertação de políticas que oprimiram os cidadãos durante décadas, como a política do filho único.</p>



<p>Mas a China não é um país livre. Embora exista uma certa liberdade individual, não há a liberdade política que existe a Ocidente, o que se traduz em algo tão simples como falar mal publicamente das políticas governamentais. Os seus cidadãos são constantemente vigiados e a China encontra-se na linha da frente de muitas políticas assentes na cibervigilância. No entanto, há quem julgue que essa é a sua força.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/07/livro-na-cabeca-de-xi.jpg" alt="" class="wp-image-27582"/></figure>



<p>O rosto da atual China é o seu líder supremo, Xi Jinping, e de uma estratégia documentada – leia-se a este respeito o livro “Na cabeça de Xi” – de imitação do modelo imperialista, em particular o norte-americano. Não podendo vender defesa, começou a vender também dívida, em condições de forte concorrência com o modelo ocidental. A promessa: não se intrometer nas políticas locais. Pretendia-se, claro, que a venda de cultura acompanhasse a abordagem, com grandes comunidades de trabalhadores chineses a espalharem-se pelo mundo.&nbsp;</p>



<p>E aqui entrou Itália.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Em 2013, um novo partido político formado pelo comediante Beppe Grillo, chamado Movimento Cinco Estrelas (M5S), começou a surgir no panorama político italiano. O ensaísta e analista político Guiliano Empoli coloca neste episódio o berço dos designados “engenheiros do caos”, ativistas políticos populistas e anti-sistema que começaram a usar as estratégias das redes sociais – diga-se algoritmos – para ganhar espaço na arena política, num momento em que poucos estavam alerta para as possibilidades destas novas ferramentas.</p>



<p>Não obstante a colagem imediata à extrema-direita, o M5S procurou desde logo formar relações estreitas com a China. Esta proximidade foi depois “vendida” ao povo italiano como uma forma de se promover a independência económica de Itália. Quando em 2018 Giuseppe Conte, membro do M5S, se torna primeiro-ministro, este objetivo é aparentemente concretizado com a entrada italiana na Iniciativa “One Belt, One Road”, por cá conhecida como “Nova Rota da Seda”. Este é um massivo projeto global de infraestruturas patrocinado pela China, e uma das grandes bandeiras de Xi Jinping, que deseja, deste modo, competir com os EUA na arena da dívida global. Itália foi o primeiro grande país europeu a aderir.</p>



<p>Nem por acaso, a 23 de março de 2019, no mesmo dia que Conte assinou a entrada na “Nova Rota da Seda”, a Ministra da Saúde da Itália, Giulia Grillo, membro do M5S, assinou também um Plano de Ação para a Cooperação em Saúde entre a Itália e a China, vinculando a Itália à cooperação com a China em certos campos, incluindo “prevenção de doenças infecciosas”.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Conta Michael P. Senger, no seu artigo “Neil Ferguson, China e um fanático socialista Ministro da Saúde: a história não contada de como os confinamentos chegaram à Itália e ao Ocidente”:</p>



<p>Em outubro de 2020, (Roberto) Speranza publicou um livro intitulado <em>Why We Will Heal: From the Hardest Days to a New Idea of Health</em>. Pouco depois de ser publicado, o livro foi retirado às pressas das lojas. O motivo declarado foi que a Itália estava a passar por uma segunda onda de Covid, mas ao ler o livro fica bem claro que Speranza, que assinou as primeiras ordens de confinamento no mundo ocidental, revela uma embaraçosa falta de preocupação com a própria Covid e um muito maior preocupação sobre como a resposta poderia ser usada para implementar reformas políticas de extrema-esquerda em toda a Itália. Como ele afirma em uma passagem reveladora: “Estou convencido de que temos uma oportunidade única de consolidar uma nova ideia de esquerda&#8230; Acredito que, depois de tantos anos indo contra o vento, existe a possibilidade de reconstruir uma hegemonia cultural sobre novas bases.”</p>



<p>Da mesma forma, Speranza diz que uma lição primária de Covid é que a OMS deve ser fortalecida e pediu que os Estados Unidos fossem impedidos de deixar a OMS. Em contraste, ao longo do livro de 229 páginas, Speranza nunca expressa qualquer crítica à China, indo tão longe a ponto de reconhecer que a China tem “um modelo cultural, político e institucional muito diferente”, enquanto defende laços mais estreitos com a China. “A China é uma grande protagonista do tempo que vivemos e estou convencido de que um importante espaço político se abre para a Europa, como uma dobradiça entre a nova potência asiática e os Estados Unidos.”</p>



<p>Speranza é líder do recém-formado partido político italiano Article One, fundado pelo ex-primeiro-ministro Massimo D’Alema, primeiro ex-membro conhecido de um Partido Comunista a tornar-se primeiro-ministro de um país da NATO. D&#8217;Alema agora atua como presidente honorário da Silk Road Cities Alliance, uma organização estatal chinesa. Speranza deixa claro que estava bem ciente, na época em que ordenou o primeiro bloqueio do mundo livre na Lombardia, na Itália, que estava a copiar uma política que só a China havia feito e que seria uma restrição aos direitos constitucionais fundamentais dos cidadãos.</p>



<p>Antes de ordenar os primeiros confinamentos do mundo ocidental, Speranza desempenhou um papel na Itália como um dos primeiros alarmistas da Covid (…) Speranza organizou as primeiras reuniões da task force de coronavírus da Itália antes de haver casos confirmados no mundo ocidental (…) Speranza diz que foi inspirado a fazê-lo pela resposta que viu na China.)</p>



<p>Michael P. Senger acaba por concluir que acedita que Roberto Speranza foi vítima da propaganda chinesa.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><strong>As consequências da adesão ao modelo chinês</strong></p>



<p>Há quem afirme que a atual China há muito que deixou de ser, na essência, marxista ou socialista, tendo-se aproximado mais dos modelos fascistas ou nacional-socialistas. Na prática, esta é apenas uma inversão da lógica de raciocínio, na medida em que o poder político deixa de estar assente no povo, nos trabalhadores, para ser depositado numa elite que supostamente se encontra mais bem preparada, ou é mais “iluminada”, para lidar com questões políticas complexas. Porque o povo afinal, comentam os ditos “iluminados”, é estúpido e não sabe o que é melhor para ele e para o bem comum.</p>



<p>Esta lógica de raciocínio tem, porém, as suas consequências, porque até os “iluminados” são seres-humanos e têm as suas limitações, razão pela qual Maria Antonieta acabou na guilhotina e Napoleão morreu exilado em Santa Helena.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A adoção das estratégias chinesas não passou apenas pelos confinamentos mas também pela adoção de determinados protocolos hospitalares. É sabido que o número de casos em Bérgamo disparou quando chegaram… os testes e os ventiladores.&nbsp; Há relatórios da OMS que davam a entender que os pacientes estariam a ser ventilados precocemente, em parte devido ao medo de contaminação. Esta ventilação precoce e excessiva terá sido a verdadeira causa do número elevado de mortes que se verificou na Primavera de 2020 em vários países.</p>



<p>Stella Paul, escritora de Nova Iorque, descreve como o protocolo adotado nos EUA teria perigosas promiscuidades lucrativas, conforme listado pela AAPS (Association of American Physicians and Surgeons). Nomeadamente:</p>



<p>&#8211; Um teste de PCR “gratuito”&nbsp; obrigatório&nbsp; na sala de emergência ou na admissão de cada paciente, com taxa paga pelo governo para o hospital;</p>



<p>&#8211; Adicionado pagamento de bónus para cada diagnóstico positivo de COVID-19;</p>



<p>&#8211; Outro bónus para uma admissão de COVID-19 no hospital;</p>



<p>&#8211; Um pagamento de bónus de 20% do Medicare em&nbsp; toda a conta do hospital&nbsp; pelo uso de remdesivir em vez de medicamentos como a ivermectina;</p>



<p>&#8211; Outro e maior pagamento de bónus ao hospital se um paciente com COVID-19 for ventilado mecanicamente;</p>



<p>&#8211; Mais dinheiro para o hospital se a causa da morte for listada como COVID-19, mesmo que o paciente não tenha morrido diretamente de COVID-19;</p>



<p>&nbsp;&#8211; Um diagnóstico de COVID-19 também fornece pagamentos extras aos médicos legistas.</p>



<p>No final caso a morte fosse COVID, o familiar teria direito a ajudas de custo no funeral.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Em Portugal não foi muito diferente, apesar de algumas tentativas, noticiadas pelos media portugueses, de não se reduzir a abordagem ao uso de ventiladores, os protocolos acabaram por influenciar o excesso de diagnósticos e mortes por todas as causas. Enumero:</p>



<p>1 &#8211; Terem sido exclusivamente centrados na Covid.</p>



<p>2 &#8211; Não se terem articulado com os hospitais privados, estabelecendo-se protocolos para garantir que as outras doenças não ficavam sem assistência. Nomeadamente, no que toca a cirurgia programada e a rastreios oncológicos e diagnóstico precoce.</p>



<p>3 &#8211; Condicionarem o acesso dos outros doentes aos serviços de saúde.</p>



<p>4 &#8211; Comprometerem as consultas hospitalares e em centros de saúde com cerca de 1 milhão de consultas canceladas.</p>



<p>5 – Adiarem a cirurgia programada, com um agravamento exponencial das listas de espera.</p>



<p>6 &#8211; Adiarem rastreios de cancro do cólon e mama, com cerca de 400.000 rastreios do colo do útero a ficar por fazer, muitos deles de forma irrecuperável.</p>



<p>(Números do início de 2020)</p>



<p>7 &#8211; Terem quase completamente amputado a relação médico-doente, que se tornou praticamente inexistente durante a crise sanitária porque substituída por atendimentos ao postigo e telemedicina. E ainda não foi completamente recuperada.</p>



<p>8 &#8211; Não terem acautelado o supremo respeito pelo Consentimento Informado dos doentes.</p>



<p>9 &#8211; Terem comprometido a continuidade de tratamentos oncológicos por submissão ao resultado negativo dos Rt-PCR e, posteriormente, ao estado vacinal dos pacientes.</p>



<p>Claro que tudo isto seria esquecido e até valorizado se a prometida nova vacina com uma inovadora tecnologia desenvolvida em 9 meses tivesse conseguido controlar a pandemia e erradicado o vírus Sars Cov 2. Mas até isto é questionável.</p>



<p>O investigador Denis Rancourt publicou recentemente um artigo em que defende que o excesso de mortalidade foi devido às medidas de saúde pública aplicadas e posteriormente aos efeitos secundários das Vacinas.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Já Eyal Shahar, professor emérito de saúde pública em epidemiologia e bioestatística, refere a partir de um artigo israelita que todas as análises estatísticas às vacinas foram feitas sem ter atenção aos múltiplos vieses:</p>



<p>“A decisão de quem não vacinar não foi aleatória. Deve ter sido baseado em considerações médicas razoáveis, particularmente na expectativa de vida. Por exemplo, qual é o mérito de vacinar um idoso de 90 anos que sofre de demência avançada e câncer metastático?</p>



<p>Esses 4.114 residentes não vacinados estavam mais doentes para começar. A sua expectativa de vida era menor, independentemente da possível infecção por SARS-CoV-2, e é por isso que sua mortalidade não-Covid era várias vezes maior.</p>



<p>Dito de outra forma, pertencer ao grupo não vacinado foi um marcador geral de pior saúde. Ou vice-versa — pertencer ao grupo vacinado era um marcador de melhor saúde. Isso em média, claro.</p>



<p>O fenómeno que observamos aqui é chamado de viés do “vacinado saudável” e está bem documentado na literatura de pesquisa, que remonta às vacinas contra a gripe . O viés é muito forte em idosos frágeis residentes em lares, mas é visto em todas as faixas etárias da população em geral.</p>



<p>A implicação do fenómeno do “vacinado saudável” – ao estimar a eficácia da vacina – é chamada de viés de confusão. Uma comparação ingénua da mortalidade por Covid em pessoas vacinadas e não vacinadas, mesmo que ajustada por idade, é totalmente enganosa porque as últimas têm maior risco de morte para começar. Pelo menos parte de sua maior mortalidade por Covid, se não toda, não tem nada a ver com não ser vacinado. Eles são simplesmente pessoas mais doentes.”</p>
</div></div>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Na China há a convicção de que só os mais iluminados têm o direito de Governar, tendo-se criado um sistema educativo altamente competitivo desde a base que estratifica e condiciona a vida dos seus cidadãos. Este espírito parece ter contaminado o Ocidente. Uma certa elite acredita que por ter mais dinheiro, por ter movido os últimos avanços tecnológicos globais, deveria decidir o futuro do planeta.</p>



<p>Talvez para preservar as hegemonia os EUA só precisem de parar de promover a guerra em vez de adotarem as estratégias totalitárias dos seus adversários.</p>



<p>&nbsp;“Quem só sabe de medicina, nem de medicina sabe”.</p>
</div></div>
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		<title>ADOÇANTE ARTIFICIAL PROVOCA CANCRO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 Jul 2023 23:00:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um dos adoçantes artificiais mais utilizados pela indústria alimentar é cancerígeno. A Agência Internacional de Pesquisa sobre Cancro (IARC) acaba de anunciar que vai classificar o aspartame como produto que pode provocar cancro. O aspartame é utilizado na fabricação de muitos refrigerantes artificais, nomeadamente a Coca-Cola dieta, pastilhas elástica “sem açúcar” e na confeção de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um dos adoçantes artificiais mais utilizados pela indústria alimentar é cancerígeno. A Agência Internacional de Pesquisa sobre Cancro (IARC) acaba de anunciar que vai classificar o aspartame como produto que pode provocar cancro. O aspartame é utilizado na fabricação de muitos refrigerantes artificais, nomeadamente a Coca-Cola dieta, pastilhas elástica “sem açúcar” e na confeção de bolos.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/07/aspartame-coca.jpg" alt="" class="wp-image-27232"/></figure>



<p>O IARC é um organismo do universo da Organização Mundial de Saúde (OMS), mas esta decisão não está isenta de controvérsia.&nbsp; Por exemplo, os fabricantes de refrigerantes dizem que o aspartame será perigoso para a saúde se alguém beber mais de doze latas de refrigerante dieta, todos os dias, ao longo de muito tempo.</p>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color" style="max-width:416px"><strong>Depois de décadas de publicidade na promoção de refrigerantes “sem açúcar”, agora dizem-nos que afinal mais vale beber outra coisa.</strong></p>



<p>Adivinhamos uma discussão pública inconclusiva, à semelhança do que se passa, por exemplo, com o glifosato, um químico utilizado em herbicidas e inseticidas agrícolas. Os cientistas dizem que o glifosato é &#8220;provavelmente cancerígeno&#8221;. Mas a indústria diz que não. E o<strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/03/o-borrifo-de-veneno/"> glifosato</a></strong> continua a ser utilizado em larga escala.</p>



<p>Nos Estados Unidos, por exemplo, a empresa química Bayer perdeu já vários recursos de decisões judiciais que a obrigam a pagar indemnizações a utilizadores de herbicidas com glifosato e que contraíram cancro.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/03/glifosato-artigo.jpg" alt="" class="wp-image-24938"/><figcaption class="wp-element-caption">A utilização de glifosato é prática comum na agricultura</figcaption></figure>



<p>Há outros exemplos de discussões onde as indústrias insistem em produzir, mesmo sob suspeita de perigo para a saúde pública, como são os casos, por exemplo, da carne processada (chouriços, salsichas, etc) ou do amianto muito utilizado, ainda, na construção civil.</p>



<p>O problema está na dificuldade em apresentar provas irrefutáveis sobre a perigosidade desses elementos químicos. Estamos a falar de investigações que levarão décadas a compilar dados que, só depois, poderão ser avaliados. Por isso, em vez de conclusões assertivas temos declarações sinuosas, onde as palavras &#8220;podem&#8221;, &#8220;talvez&#8221;, &#8220;provavelmente&#8221;, deixam espaço para a incerteza.</p>



<p>Na dúvida, a Pepsi <strong><a href="https://natelinha.uol.com.br/super-viral/2023/06/29/-adocante-presente-na-coca-cola-zero-e-classificado-como-potencial-cancerigeno-pela-oms-198964.php">abandonou o aspartame</a></strong> da receita da sua cola dieta, mas para já apenas nos Estados Unidos.</p>



<p><sub>Fontes: Reuters, <a href="https://www.livescience.com/health/food-diet/aspartame-to-be-declared-possible-carcinogen-by-who-dont-panic">LiveScience</a></sub></p>
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		<title>PORQUE FOGEM OS MÉDICOS DO SNS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Jun 2023 12:39:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ficou sem médicos, o Centro de Saúde de São João das Lampas, em Sintra. O último médico que lá trabalhava foi-se embora, à beira de um esgotamento físico e psicológico. Pedro Simões explicou as suas razões, numa entrevista à Saloia TV, que aqui apresentamos numa versão resumida. Ficam as alusões aos interesses privados que estarão [&#8230;]</p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Ficou sem médicos, o Centro de Saúde de São João das Lampas, em Sintra. O último médico que lá trabalhava foi-se embora, à beira de um esgotamento físico e psicológico.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1224" height="565" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/06/centro-de-saude-s-joao-das-lampas.jpg" alt="" class="wp-image-26841"/></figure>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Pedro Simões explicou as suas razões, numa entrevista à Saloia TV, que aqui apresentamos numa versão resumida.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Porque fogem os médicos do SNS" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/qCerpSZI95s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>vídeo &#8211; gravação de direto da Saloia TV</sub></em></figcaption></figure>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Ficam as alusões aos interesses privados que estarão a ser beneficiados por conluio de quem devia decidir em benefício do SNS.</p>



<p>O desmantelamento do SNS irá obrigar o Estado a pagar avenças aos privados, de modo a que as pessoas continuem a ter assistência médica nos cuidados de saúde primários e hospitalares. Mais barato ao erário público não ficará, mas sempre se engordam os empresário do setor. </p>
</div></div>
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		<title>ESTADOS SEM SOBERANIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Marta da Silva Gameiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Jun 2023 23:01:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[Tratado Internacional sobre Prevenção e Preparação para Pandemias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A saúde pública é altamente dependente de uma economia robusta, mas o pacote de medidas apoiado pela OMS para combater a Covid prejudicou a saúde pública, nomeadamente nos programas de imunização infantil de outras doenças, na saúde mental, segurança alimentar, mas também a economia, a redução da pobreza e o bem-estar educacional e social dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A saúde pública é altamente dependente de uma economia robusta, mas o pacote de medidas apoiado pela OMS para combater a Covid prejudicou a saúde pública, nomeadamente nos programas de imunização infantil de outras doenças, na saúde mental, segurança alimentar, mas também a economia, a redução da pobreza e o bem-estar educacional e social dos povos.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O UNICEF publicou o relatório “<strong><a href="https://www.unicef.org/reports/state-worlds-children-2023">O estado das crianças no mundo 2023</a></strong>” no mês passado com a conclusão alarmante de que, nos últimos três anos, as interrupções induzidas pelos confinamentos na saúde resultaram em um total de 67 milhões a menos de imunizações infantis. Isso significa que “em apenas três anos, o mundo perdeu mais de uma década de progresso”.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1773" height="811" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/05/unicef-relatorio-2023.jpg" alt="" class="wp-image-26654"/></figure>
</div></div>



<p>Além disso foram feitos graves ataques aos direitos humanos, liberdades civis, autonomia individual e integridade corporal. Ao promover essas políticas, a OMS violou, sem fornecer qualquer justificativa além do exemplo da China, a orientação do seu próprio relatório em setembro de 2019, que resumia um século de experiência e ciência mundiais. Violou a sua própria definição de saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não meramente a ausência de doença ou enfermidade”. As campanhas de vacinação ignoraram tanto os sinais de segurança acumulados sobre a escala das reações adversas, como a eficácia cada vez menor após doses sucessivas.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h3 class="wp-block-heading"><strong>O TRATADO PANDÉMICO E O NOVO ESTATUTO DA OMS</strong></h3>



<p>Os esforços euro-americanos para alterar os regulamentos internacionais de saúde juridicamente vinculativos e adotar um novo Tratado Pandémico sobre “prevenção, preparação e resposta pandémica” vão conferir poderes extraordinários à OMS. Atuando por meio do diretor-geral e dos seis diretores (para África, Américas, Europa, Mediterrâneo Oriental, Sudeste Asiático e Pacífico Ocidental), a instituição passará a poder declarar emergências de saúde pública de interesse internacional/regional e instruir os governos a implementar as suas recomendações. Os inspetores da OMS passarão a ter o direito de entrar nos países sem consentimento e verificar o cumprimento das suas diretrizes.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Mas embora estas “reformas” surjam sobre a capa da OMS, que as tutela, respondem sobretudo aos interesses da <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/05/os-patroes-da-oms/">Big Pharma</a></strong> e dos grandes doadores da instituição, conforme expus no artigo “<strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/05/os-patroes-da-oms/">Os Patrões da OMS</a></strong>”. Medidas altamente políticas passarão assim a ser definidas por burocratas e técnicos de empresas capitalistas, passando quase completamente por cima dos governos eleitos e do devido debate democrático.</p>



<p>Ao contrário do novo Tratado Pandémico proposto, que deve ser examinado pelo Parlamento antes de ser ratificado pelo Governo, o Regulamento Sanitário Internacional (RSI) de 2005 já é um instrumento de direito internacional juridicamente vinculativo para 196 países. Como tal, quaisquer emendas adotadas não exigirão escrutínio ou votação do Parlamento. Todas as emendas atualmente propostas (307 no rascunho de trabalho) serão simplesmente adotadas na 77ª reunião da Assembleia Mundial de Saúde (WHA) em maio de 2024 se a maioria dos representantes dos países votar “sim”.&nbsp;</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h3 class="wp-block-heading"><strong>COMO FICAM OS DIREITOS HUMANOS E A DEMOCRACIA?</strong></h3>



<p>A pressa para alterar os regulamentos internacionais de saúde existentes encontrou resistência significativa dos países em desenvolvimento, China e Rússia, na <strong><a href="https://www.who.int/about/governance/world-health-assembly/seventy-fifth-world-health-assembly">75ª WHA</a></strong>, o corpo diretivo da OMS de 196 membros, em maio do ano passado. No entanto, esta questão vai ser discutida novamente. Um novo tratado exigiria a aprovação de dois terços dos estados membros da WHA (ou seja, 131 países) e estaria sujeito ao processo de ratificação nacional. Mas os regulamentos internacionais de saúde podem ser alterados por apenas 50% dos estados membros (98 países).</p>



<p>É extraordinário como não existiu praticamente nenhum debate público sobre as ramificações deste tipo de invasões de longo alcance na autonomia nacional, soberania do Estado e direitos humanos. Para dar apenas um exemplo, as emendas ao RSI propõem que a atual referência ao “pleno respeito pela dignidade, direitos humanos e liberdades fundamentais das pessoas”, no Artigo 3, seja substituída por “equidade, coerência, inclusão”. Isto vai alterar simplesmente o vocabulário padrão do movimento internacional de direitos humanos, conforme incorporado na Declaração Universal dos Direitos Humanos.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h3 class="wp-block-heading has-vivid-red-color has-text-color" style="max-width:313px"><strong>Uma das grandes bandeiras da OMS é a defesa de uma “saúde global”. Mas o que é exatamente a saúde global?</strong></h3>



<p>Se a “saúde” em si mesma implica uma relação entre a vida e a morte, um conceito tão abstrato como “saúde global” pode englobar literalmente tudo o que toca a vida humana, desde questões como a mudança climática, violência armada ou mesmo o racismo. A OMS pode passar a ter atribuições em questões completamente fora da sua esfera atual e que estiveram na base da sua constituição.</p>



<p>A título de exemplo, a 2 de maio, o jornal The Guardian informou que a próxima cúpula climática da ONU (instituição onde a OMS se insere), em novembro no Dubai, pela primeira vez discutirá questões de saúde em profundidade.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Pandemias são eventos raros. A OMS listou apenas quatro nos 120 anos anteriores ao Covid-19: a gripe espanhola de 1918–19, a gripe asiática de 1957–58, a gripe de Hong Kong de 1968–69 e a gripe suína de 2009–10. Pandemias impõem uma baixa carga de doença em comparação com as doenças infecciosas e crónicas endémicas. Doenças cardíacas, cancros, derrames, doenças pulmonares, gripe e pneumonia são as doenças que mais matam no mundo. Além disso, como é bem conhecido e ao contrário das pandemias anteriores, cerca de três quartos das 6,9 milhões de mortes por Covid ocorreram em pessoas com comorbidades iguais ou acima da expectativa média de vida. </p>



<p>A Florida e a Suécia resistiram ao pensamento de grupo de confinamento e se saíram muito melhor no equilíbrio de benefícios versus danos. É por isso que a exigência de que cada país dedique um mínimo de 5% de seu orçamento de saúde à preparação para uma pandemia (artigo 19.1c do rascunho do novo tratado) não faz muito sentido.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>UMA ESPÉCIE DE &#8220;GOVERNO SOMBRA&#8221; MUNDIAL</strong></h3>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A mudança terminológica no RSI de uma “pandemia” para uma “emergência de saúde pública de interesse internacional” tornará mais fácil para a OMS assumir poderes extraordinários para crises de saúde que não sejam pandemias. No extremo, a nova estrutura regulatória prejudicará o direito dos estados soberanos de traçar os seus próprios caminhos independentes, assim como os confinamentos mudaram a responsabilidade e a agência dos indivíduos para o clero da saúde pública.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Não por acaso, também irá:</p>



<p>1- Consolidar os ganhos de quem lucrou com a Covid-19, concentrando a riqueza privada, aumentando as dívidas nacionais e desacelerando a redução da pobreza;</p>



<p>2- Expandir a burocracia internacional da saúde no âmbito da OMS;</p>



<p>3- Mudar o centro de gravidade de doenças endémicas comuns para surtos pandémicos relativamente raros;</p>



<p>4- Criar um complexo bio farmacêutico global autoperpetuado.</p>
</div></div>



<p>O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, diz que uma prioridade urgente é “fortalecer a OMS como autoridade líder e diretora em saúde global”, pois: “Somos um mundo, temos uma saúde, somos uma OMS”. A crise da Covid “expôs sérias lacunas na arquitectura global de segurança da saúde”, o novo tratado seria “um acordo geracional” e “um divisor de águas” para a segurança da saúde global.</p>
</div></div>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Ao mudar o foco da autoridade política de saúde (novo Artigo 13A.1 do RSI alterado), a tomada de decisões e recursos do Estado serão desviados para um corpo de tecnocratas internacionais, criando e capacitando um organismo internacional semelhante ao Estado e, assim, diluir as democracias nacionais.  Surpreendentemente, a OMS será capaz de comandar os governos a direcionar recursos (bens e fundos) para si mesma e para outros governos (artigo 13.5, 13A.3–5 alterado do RSI);</p>



<p>Estamos a assistir à ascensão de uma burocracia internacional cujo propósito definidor, existência, poderes e orçamentos dependerá de surtos de pandemias. Quanto mais, melhor.</p>
</div></div>
</div></div>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/1pnO5ae.jpg" alt="" class="wp-image-10587"/></figure>



<p class="has-vivid-red-color has-text-color">(1ªparte deste artigo <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/05/a-saude-nao-esta-a-venda/">neste link</a></strong>)</p>
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