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	<title>Arquivo de LIFESTYLE - Duas Linhas</title>
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	<description>Informação online</description>
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	<title>Arquivo de LIFESTYLE - Duas Linhas</title>
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		<title>A CAMISOLA 7 FICA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Tomaz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Nov 2026 00:10:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desporto]]></category>
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		<category><![CDATA[Cristiano Ronaldo abandona seleção]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A camisola 7 continuará a ser vestida por outros. Mas a história que ele escreveu nunca mais será repetida</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há despedidas que encerram uma carreira. E há outras que nos obrigam a pensar sobre o valor das referências que uma sociedade constrói e, por vezes, não sabe preservar. Há notícias que nos deixam mais do que uma sensação de tristeza. Deixam-nos a consciência de que uma parte da nossa história chegou ao fim. A despedida de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional é uma dessas notícias.</p>



<p>Durante 23 anos, habituámo-nos a vê-lo vestir a camisola de Portugal. Habituámo-nos à sua presença, à sua ambição, aos seus golos, à sua determinação e àquela vontade quase indomável de vencer que fez dele uma das maiores figuras da história do futebol mundial. Essa presença terminou.</p>



<p>E não estamos apenas perante a saída de um futebolista extraordinário. Estamos perante o fim de um ciclo que acompanhou várias gerações de portugueses e que levou o nome de Portugal aos quatro cantos do mundo.</p>



<p>Cristiano Ronaldo representa muito mais do que os números que deixa: 234 internacionalizações, 146 golos, uma carreira internacional extraordinária e uma história construída com trabalho, sacrifício e uma capacidade invulgar de superar os próprios limites. Foi protagonista de momentos que pertencem à memória coletiva do país. Esteve presente nas alegrias e nas desilusões, nas conquistas e nas derrotas. Liderou uma geração que conseguiu dar a Portugal aquilo que durante tanto tempo pareceu distante: a conquista de um Campeonato da Europa e de duas Ligas das Nações.</p>



<p>Mas talvez o seu maior legado não esteja apenas nos títulos. Está naquilo que ensinou a milhões de pessoas, dentro e fora de Portugal: que o talento precisa de ser trabalhado, que a ambição exige disciplina, que a derrota não tem de ser o fim e que a vontade de vencer não deve desaparecer quando os obstáculos parecem maiores do que as nossas forças.</p>



<p>Ronaldo tornou-se uma referência para jovens de todo o mundo. Não apenas para aqueles que sonham ser futebolistas, mas para todos os que procuram um exemplo de determinação, coragem e superação. É por isso que a sua saída da Seleção nos deve fazer refletir.</p>



<p>A polémica com Jorge Jesus, as divergências, as palavras não cumpridas e a forma como o conflito evoluiu acabaram por conduzir a um desfecho que ninguém deveria desejar. Não cabe agora transformar esta despedida num julgamento de responsabilidades individuais. Cristiano Ronaldo tem as suas responsabilidades, como qualquer outro profissional. O selecionador tem as suas. E a Federação tem também a obrigação de preservar a estabilidade, a dignidade e os interesses da Seleção Nacional. Mas há uma pergunta que permanece: não teria sido possível encontrar outro caminho?</p>



<p>O futebol é feito de decisões técnicas, de hierarquias e de autoridade. Nenhum jogador está acima da equipa. Mas também seria um erro esquecer que há jogadores cuja dimensão ultrapassa a função que desempenham dentro do campo. A sua presença transporta história, experiência, identidade e uma capacidade de mobilização que não se substitui de um dia para o outro. Portugal continuará a ter uma Seleção. Outros jogadores surgirão, outras gerações conquistarão o seu espaço e novas vitórias poderão chegar. Mas não será a mesma Seleção. E não será a mesma relação emocional que milhões de portugueses construíram com aquele número 7. </p>



<p>Há também uma dimensão internacional que não podemos ignorar. Cristiano Ronaldo tornou-se uma das maiores figuras de reconhecimento mundial associadas a Portugal. Em estádios, cidades e países onde a nossa história, a nossa cultura ou a nossa língua são pouco conhecidas, o seu nome e a bandeira portuguesa caminharam muitas vezes lado a lado. O seu afastamento representa, por isso, uma perda que ultrapassa o futebol e que se estende à imagem e à projeção internacional do nosso país.</p>



<p>Não significa que Portugal perca a sua capacidade de competir. Significa que deixa de contar com uma figura que, durante mais de duas décadas, foi simultaneamente jogador, capitão, símbolo e embaixador. Talvez seja este o momento de percebermos que as grandes referências não devem ser avaliadas apenas pelos seus últimos gestos, pelas suas fragilidades ou pelas circunstâncias em que terminam uma carreira. Devem ser avaliadas pela dimensão do caminho que percorreram e pelo que deixaram aos outros.</p>



<p>Cristiano Ronaldo não é perfeito. Nunca precisou de o ser para ser extraordinário. A sua história também tem excessos, momentos difíceis e decisões discutíveis. Mas nenhuma dessas circunstâncias apaga aquilo que construiu. A Seleção Nacional perde um capitão. Os portugueses perdem uma presença a que se habituaram. O futebol mundial perde um dos seus protagonistas mais marcantes. E os mais jovens perdem a oportunidade de continuar a ver, com a camisola de Portugal, alguém que lhes mostrou que os sonhos podem ser maiores do que o lugar onde nascemos.</p>



<p>A Federação Portuguesa de Futebol anunciou que pretende organizar uma homenagem à altura da sua carreira. É justo. É necessário. E deve ser uma homenagem que não pertença apenas ao futebol, mas a todos os portugueses. Porque há jogadores que passam pela Seleção. E há jogadores que ficam na história de um país. Cristiano Ronaldo fica.</p>



<p>A camisola 7 continuará a ser vestida por outros. Mas a história que ele escreveu nunca mais será repetida. Obrigado, Cristiano. Por tudo o que deste ao futebol. Mas, sobretudo, por tudo o que deste a Portugal.</p>



<p></p>
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		<title>A LIBERDADE NÃO É UMA LICENÇA PARA TUDO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Tomaz]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Nov 2026 09:30:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>como conciliar o direito de manifestação com o cumprimento da lei e a autoridade do Estado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O que está a acontecer em Lisboa e no Porto, em torno dos protestos pelo direito à habitação, ultrapassou a dimensão de uma simples contestação social. As intervenções policiais, a instalação de tendas em espaços públicos, os confrontos entre manifestantes e autoridades e, mais recentemente, uma decisão judicial relativa à permanência de uma tenda no Rossio trouxeram para o centro do debate uma questão essencial: como conciliar o direito de manifestação com o cumprimento da lei e a autoridade democrática do Estado.</p>



<p>A reivindicação dos manifestantes merece ser levada a sério. A crise da habitação é uma realidade que afeta milhares de portugueses. A dificuldade em encontrar casa, o custo das rendas e a distância crescente entre os rendimentos das famílias e os preços praticados são problemas que exigem respostas políticas concretas. Protestar contra esta situação é legítimo. Mais do que isso, é um exercício de cidadania que a democracia deve proteger. Mas a legitimidade de uma causa não torna automaticamente legítimos todos os meios utilizados para a defender.</p>



<p>No Porto, na Praça D. João I, e em Lisboa, no Rossio, os protestos deram origem a episódios de tensão com a PSP, que invocou legislação de 1974 para justificar a remoção das tendas e a cessação das concentrações depois das 00h30. As intervenções policiais, algumas das quais resultaram em confrontos, detenções e feridos, levantaram dúvidas sobre a proporcionalidade dos meios utilizados e sobre a interpretação da legislação aplicável.</p>



<p>O episódio de Lisboa ganhou uma nova dimensão com a decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa, que autorizou uma manifestante a manter uma tenda no Rossio durante a noite, até à votação final do Orçamento do Estado para 2027, prevista para 24 de novembro.<br>A decisão considera que o limite das 00h30 não pode ser aplicado como uma proibição automática e absoluta do exercício do direito de manifestação. Obriga, assim, a ponderar os direitos constitucionais dos cidadãos e a proporcionalidade da atuação das autoridades.</p>



<p>Importa, contudo, compreender o alcance da sentença. O tribunal decidiu sobre uma situação individual e concreta, estabelecendo condições para a permanência daquela manifestante e da sua tenda. Não apreciou a legalidade de uma ocupação coletiva do Rossio, nem reconheceu formalmente um direito geral à instalação de tendas por todos os participantes. A fundamentação da decisão, porém, poderá ter relevância na apreciação de situações semelhantes.</p>



<p>Esta distinção é importante. Uma decisão judicial não pode ser interpretada apenas na parte que favorece quem a invoca. Mas também não pode ser ignorada quando coloca em causa uma interpretação rígida da lei e exige às autoridades uma avaliação concreta das circunstâncias.</p>



<p>Ao Estado cabe igualmente uma responsabilidade que não pode ser secundarizada. A polícia não pode transformar uma disposição legal antiga num instrumento de aplicação mecânica, ignorando a Constituição e as características de cada manifestação. A ordem pública não pode ser assegurada à custa de restrições desproporcionadas das liberdades fundamentais.</p>



<p>O problema não está, portanto, em escolher entre manifestantes e polícia. Está em garantir que ambos respeitam os limites que a democracia estabelece.</p>



<p>Os tribunais têm um papel insubstituível na interpretação da lei e na proteção dos direitos dos cidadãos. As autoridades policiais devem assegurar a segurança e a utilização equilibrada do espaço público. E aos manifestantes cabe compreender que a defesa de uma causa, por mais justa que seja, não os coloca fora do quadro legal.</p>



<p>O espaço público pertence a todos. Nem o Rossio nem a Praça D. João I são propriedade de quem protesta, mas também não são espaços cuja utilização possa ser arbitrariamente condicionada pelas autoridades. São lugares de convivência, circulação e participação cívica, onde direitos diferentes têm de encontrar condições para coexistir.</p>



<p>O que se passou em Lisboa e no Porto deveria constituir uma oportunidade para esclarecer regras, responsabilidades e procedimentos. Não basta invocar uma legislação de 1974, como se o país não tivesse entretanto aprovado uma Constituição que consagra e protege o direito de reunião e manifestação. Mas também não basta invocar a liberdade para transformar uma autorização individual numa licença coletiva de ocupação do espaço público.</p>



<p>A crise da habitação exige respostas políticas sérias e urgentes. Os protestos podem e devem continuar a dar visibilidade a essa exigência. Mas não será através de confrontos sucessivos, de interpretações contraditórias da lei ou de uma competição de autoridade entre manifestantes e forças policiais que se encontrarão soluções.</p>



<p>A democracia não é apenas o direito de contestar o poder. É também a obrigação de respeitar os direitos dos outros e as instituições que garantem a liberdade de todos. A liberdade não pode ser confundida com arbitrariedade. A autoridade não pode ser confundida com autoritarismo. E a lei não pode ser respeitada apenas quando nos dá razão. É nessa diferença que se mede, afinal, a qualidade de uma democracia</p>
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		<title>O PECADO ORIGINAL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Nov 2026 11:00:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A bastonada não constrói casas</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/11/o-pecado-original/">O PECADO ORIGINAL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A manifestação poderia ter terminado ali. Algumas horas de palavras de ordem, uma noite mal dormida, tendas que seriam desmontadas e cada um regressaria à sua vida. Mesmo que tivesse havido alguma infração às disposições legais que regulam o exercício do direito de manifestação, não estava em causa uma ameaça à ordem pública. As tendas eram, acima de tudo, um artefacto simbólico, a representação da casa que tantos portugueses procuram e não conseguem ter.</p>



<p>Mas o Governo escolheu outro caminho. A PSP interveio, dispersou os manifestantes pela força e recorreu à bastonada. A justificação foi o alegado incumprimento de disposições de um decreto-lei de 1974, relativo aos horários das manifestações. Foi o pecado original. Uma questão que poderia ter sido resolvida sem consequências de maior transformou-se num episódio de repressão que deixou marcas muito para além da praça onde aconteceu.</p>



<p>Ao agir assim, o Governo revelou uma insensibilidade política que não passou despercebida. Em vez de reconhecer a legitimidade de uma reivindicação social e procurar compreender as razões de quem protestava, preferiu tratar os manifestantes como um problema de ordem pública. A mensagem que transmitiu foi simples: o que incomoda não é a falta de habitação, são as pessoas que se atrevem a protestar contra ela.</p>



<p>A resposta popular foi a que seria de esperar. A indignação cresceu. Os protestos ganharam dimensão, multiplicaram-se e chegaram a Lisboa, Faro, Coimbra e a outras localidades. Há cada vez mais gente nas ruas. O Governo conseguiu precisamente o contrário daquilo que uma intervenção policial desta natureza poderia pretender: em vez de conter o protesto, ajudou a alargá-lo.</p>



<p>Entretanto, começaram também a circular denúncias particularmente graves sobre a atuação policial nas manifestações. Participantes dizem ter identificado e filmado agentes à paisana infiltrados entre os manifestantes. Num dos episódios relatados, um desses indivíduos  sacou de uma pistola quando percebeu que tinha sido reconhecido e confrontado por quem participava no protesto.</p>



<p>As suspeitas não se ficam pela recolha de informação ou pela identificação de eventuais comportamentos violentos. Há manifestantes que denunciam a existência de agentes provocadores, alegadamente envolvidos em ações destinadas a desencadear confrontos, incluindo situações em que polícias à paisana terão simulado agressões aos próprios colegas fardados. A finalidade seria criar pretextos para a intervenção policial e, sobretudo, desviar a atenção daquilo que verdadeiramente está em causa: o direito à habitação.</p>



<p>São acusações graves que não podem ser descartadas com uma explicação administrativa ou uma qualquer justificação produzida pela própria estrutura policial. Quando a atuação de agentes policiais é colocada sob suspeita, a investigação não pode ficar exclusivamente nas mãos da instituição a que pertencem. A fiscalização da atividade policial exige independência, transparência e credibilidade. É necessário que os cidadãos possam confiar em quem investiga. </p>



<p>Não é tolerável estarmos perante a utilização deliberada da autoridade do Estado para fabricar situações que permitam justificar a repressão de cidadãos no exercício de um direito constitucional. A ser assim, é uma afronta à democracia. Um Governo que olha para a contestação social como uma ameaça a neutralizar, em vez de a reconhecer como uma expressão legítima de descontentamento, está a confundir autoridade com intimidação. Um Estado que procura desacreditar os protestos, associando-os de má-fé à desordem e à violência, arrisca-se a perder a confiança da população.</p>



<p>O problema da habitação não nasceu na Praça D. João I, nem desaparecerá quando os manifestantes regressarem a casa. Aliás, para muitos, regressar a casa é precisamente o problema. Há quem não consiga comprar, quem não consiga arrendar e quem viva permanentemente ameaçado pela subida das rendas. Há jovens que adiam a autonomia, famílias que sacrificam uma parte incomportável dos rendimentos e pessoas que trabalham para pagar uma casa onde mal conseguem viver.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>vídeo</sub></em></figcaption></figure>



<p>Perante tudo isto, o Governo tem uma escolha. Pode continuar a responder com dispositivos policiais, formalismos legais e tentativas de descredibilização dos protestos, ou pode finalmente perceber que a indignação não é um problema de segurança pública. É um problema político e social que exige respostas políticas.</p>



<p>A bastonada não constrói casas, as infiltrações policiais não baixam rendas e a repressão não resolve a falta de habitação. Apenas acrescenta indignação à indignação.</p>



<p>O pecado original foi cometido no Porto. As suas consequências, porém, já não cabem na Praça D. João I.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/11/o-pecado-original/">O PECADO ORIGINAL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>HABITAÇÃO, PROTESTO E AUTORIDADE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Manuel Tomaz]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Oct 2026 15:00:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>perceber o que está a acontecer e o que os acontecimentos revelam sobre o país em que vivemos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><br>Há momentos em que uma sociedade deve parar para olhar para si própria. Não para escolher um lado, não para distribuir culpas de acordo com as conveniências partidárias, mas para perceber o que está a acontecer e o que os acontecimentos revelam sobre o país em que vivemos.</p>



<p>Os recentes protestos pelo direito à habitação, em Lisboa e no Porto, e a intervenção policial que se seguiu à permanência dos manifestantes em espaços públicos obrigam-nos a essa reflexão.</p>



<p>Comecemos pelo essencial: ninguém deveria ter de escolher entre pagar uma renda incomportável e prescindir de condições de vida dignas. Uma casa não é apenas um imóvel, um investimento ou uma mercadoria. É o lugar onde uma pessoa constrói a sua intimidade, protege a família, descansa e encontra a segurança indispensável para organizar o futuro.</p>



<p>Não é por acaso que a Constituição da República consagra o direito à habitação e atribui ao Estado responsabilidades concretas na sua concretização. Não se trata, portanto, de uma reivindicação inventada por um movimento político, nem de uma concessão generosa de qualquer Governo. É um compromisso constitucional com os cidadãos. Quando tantos sentem que esse compromisso está longe de ser cumprido, o descontentamento não deve surpreender-nos. Deve preocupar-nos.</p>



<p>Mas compreender a revolta não significa legitimar todos os comportamentos praticados em seu nome. O direito à manifestação é uma das liberdades fundamentais de uma democracia. Permite tornar visível aquilo que o poder preferiria, por vezes, não ver. Dá voz a quem não tem acesso aos centros de decisão e obriga a sociedade a confrontar problemas que não podem ser resolvidos com declarações de circunstância.</p>



<p>Esse direito, porém, não elimina todos os outros direitos, nem dispensa o respeito pelas regras que regulam a utilização do espaço público. Uma reivindicação justa não transforma automaticamente qualquer forma de protesto num comportamento legítimo. A desobediência às determinações legais pode ter consequências, mas a legalidade de cada ordem e a proporcionalidade da resposta das autoridades também têm de poder ser escrutinadas. É aqui que começa a verdadeira dificuldade.</p>



<p>Os manifestantes não podem presumir que a justeza da sua causa lhes concede uma licença ilimitada para agir. A polícia, por seu lado, não pode confundir o cumprimento da lei com a autorização para usar a força sem necessidade, sem proporcionalidade ou sem respeito pela dignidade humana.</p>



<p>A autoridade democrática não se mede pela intensidade da força que consegue exercer. Mede-se pela capacidade de fazer cumprir a lei protegendo, simultaneamente, os direitos fundamentais. Por isso, perante imagens de confrontos, detenções e pessoas feridas, não basta repetir que a polícia cumpriu ordens ou que os manifestantes desobedeceram. É necessário apurar o que aconteceu, que ordens foram dadas, em que condições, se existiam alternativas e se a força utilizada foi estritamente necessária. A investigação anunciada à intervenção policial no Porto é, nesse sentido, importante: a responsabilidade não se presume, mas também não pode ser afastada antes de os factos serem conhecidos.</p>



<p>Há, contudo, uma questão anterior a todas estas confrontações: como chegámos a uma situação em que o acesso a uma casa se tornou, para tantos cidadãos, uma fonte permanente de angústia?</p>



<p>Não se resolve uma crise habitacional apenas com apelos à paciência, nem se cria uma política de habitação eficaz através da confrontação entre inquilinos e proprietários. É necessário construir mais habitação acessível, mobilizar os imóveis que possam efetivamente entrar no mercado, promover o arrendamento a preços compatíveis com os rendimentos e criar condições para que os proprietários tenham segurança jurídica sem que os inquilinos fiquem desprotegidos.</p>



<p>É igualmente necessário reconhecer que os interesses em presença não são todos iguais, mas também não são necessariamente incompatíveis. Um mercado de arrendamento funcional precisa de proprietários dispostos a arrendar e de inquilinos capazes de pagar rendas comportáveis. Se uma das partes fica sistematicamente exposta à insegurança, o sistema falha. Se a habitação se torna inacessível a uma parte crescente da população, falha ainda mais profundamente.</p>



<p>As alterações legislativas propostas para o arrendamento devem, por isso, ser avaliadas pelos seus efeitos concretos: aumentam a oferta? Melhoram o acesso à habitação? Protegem quem se encontra numa situação de vulnerabilidade? Garantem aos proprietários direitos legítimos? Ou transferem os custos de um problema estrutural para aqueles que têm menor capacidade de os suportar?<br>São estas as perguntas que importa responder, sem slogans e sem fidelidades partidárias.</p>



<p>Também seria um erro imaginar que a solução consiste em obrigar todos os cidadãos a aceitar, silenciosamente, uma realidade que consideram injusta. O protesto pacífico é necessário precisamente porque a democracia não se esgota no voto. Mas seria igualmente perigoso aceitar a ideia contrária: a de que a legitimidade de uma causa dispensa o cumprimento das regras comuns. Uma democracia não pode exigir respeito pela lei sem se preocupar com a justiça das condições em que os cidadãos vivem. E não pode defender a justiça social abandonando o princípio de que a lei deve valer para todos.</p>



<p>O Estado tem responsabilidades que não podem ser transferidas para a polícia. A polícia pode garantir a ordem pública dentro dos limites legais; não pode construir casas, corrigir rendas incomportáveis ou substituir uma política habitacional que tarda em responder às necessidades.</p>



<p>Quando a resposta mais visível a uma reivindicação social acaba por ser uma intervenção policial, talvez seja tempo de perguntar se não estamos a tratar a consequência enquanto adiamos a resolução da causa.</p>



<p>Não se trata de desautorizar a polícia, nem de conceder razão automática aos manifestantes. Trata-se de exigir a ambos, e sobretudo aos responsáveis políticos, o cumprimento das suas obrigações.</p>



<p>Aos cidadãos, pede-se responsabilidade no exercício dos seus direitos. Às forças de segurança, exige-se profissionalismo, contenção e respeito pela legalidade. Ao poder político, pede-se muito mais: que não se limite a administrar o conflito, que não confunda a aprovação de uma lei com a resolução de um problema e que não espere que a indignação se transforme em confronto para reconhecer a urgência de agir. Porque uma casa não é um privilégio reservado a quem pode pagar qualquer preço. É uma condição essencial de dignidade, estabilidade e liberdade.</p>



<p>E um país que não consegue garantir condições razoáveis de acesso à habitação tem de reconhecer que existe uma distância preocupante entre os direitos que proclama e a vida que os seus cidadãos conseguem efetivamente viver.</p>



<p>A democracia não se defende escolhendo entre a habitação e a lei, entre os manifestantes e a polícia. Defende-se garantindo que os direitos são respeitados, que os abusos são investigados e que os problemas que alimentam a revolta encontram respostas concretas.<br>É essa a responsabilidade de todos. Mas é, acima de tudo, a responsabilidade de quem governa.</p>
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		<title>OS DIREITOS QUE CONQUISTÁMOS, OS DIREITOS QUE LHES NEGAMOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2026 00:00:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[acampadas]]></category>
		<category><![CDATA[cheira a ditadura]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade de Expressão]]></category>
		<category><![CDATA[manifestações pelo direito à habitação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Olho com perplexidade para as tentativas de colar os protestos dos jovens a interesses partidários</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Comprei duas casas, até hoje. A primeira ficou num divórcio e tive de comprar uma segunda. Fiz uma licenciatura e um mestrado. A licenciatura saiu-me cara, porque frequentei uma universidade privada, mas era a solução para conseguir estudar num regime pós-laboral. Trabalhava e ganhava o suficiente para pagar. Não conto isto por vaidade, mas porque me parece importante recordar que, apesar das dificuldades, havia uma relação entre o trabalho, o rendimento e a possibilidade de concretizar projetos de vida.</p>



<p>A democracia abriu portas. Com a democratização do ensino, a universidade deixou de ser um espaço reservado quase exclusivamente às elites. A possibilidade de estudar, adquirir conhecimentos e melhorar as condições de vida tornou-se mais acessível. Também os direitos laborais deixaram de ser uma concessão patronal para passarem a ser uma matéria de reivindicação e luta. Fui delegado sindical, fiz parte de conselhos de redação. Os jornalistas sempre foram avessos a greves, mas nos anos 80 fiz a primeira greve da RTP. Em 2002, voltei a lutar, desta vez contra a prepotência patronal e a má gestão na SIC. Não me arrependo de nenhuma dessas lutas. E não me lembro de ter precisado de autorização de um partido, de um comité central ou de uma comissão política para perceber o que estava mal e decidir que era preciso tentar fazer alguma coisa.</p>



<p>É por isso que olho com perplexidade para as tentativas de colar os protestos dos jovens a interesses partidários. Há sempre quem procure, por detrás de uma manifestação, a mão de um partido, a agenda de uma organização ou a estratégia de alguém que pretende tirar dividendos políticos. Pode acontecer. Mas essa obsessão em encontrar uma conspiração por detrás de cada movimento de contestação acaba por revelar uma dificuldade em aceitar o mais simples: as pessoas também são capazes de pensar pela própria cabeça, identificar os seus problemas e sair à rua para os denunciar.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Os jovens que hoje protestam pela habitação não precisam que alguém lhes explique que não conseguem pagar uma renda com o salário que recebem. Sabem-no por experiência própria. Não precisam de um partido para lhes dizer que a precariedade lhes rouba o futuro, que trabalhar não chega para ter uma casa ou que adiar indefinidamente a autonomia não é propriamente um projeto de vida. Basta-lhes olhar para as contas ao fim do mês.</p>



<p>A crise da habitação é evidente. Os salários, sobretudo os mais baixos, continuam a ser insuficientes para garantir condições de vida dignas. Quem ganha menos de mil euros mensais tem uma margem de manobra cada vez mais estreita, sobretudo quando uma parte desproporcionada do rendimento é absorvida pela renda de casa ou mesmo do quarto. E há um problema que vai muito além do presente: salários baixos significam também contribuições mais baixas e, amanhã, pensões mais reduzidas. Estamos a criar condições para uma crise social que não se limitará aos jovens de hoje. Acabará por atingir a sociedade inteira.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Perante este cenário, seria de esperar que a discussão se concentrasse nas razões do protesto e nas soluções possíveis. Mas não. Uma parte da conversa pública parece mais preocupada com o cabelo, os piercings, as roupas e os hábitos dos manifestantes do que com aquilo que os levou a acampar e a protestar.</p>



<p>Conheci isto antes. Ainda antes do 25 de Abril, um colega de escola foi detido por um agente da polícia por causa da roupa que usava: calças à boca de sino, camisa florida e um blusão com franjas nas mangas. Uma indumentária indecorosa, segundo os critérios da época. Hoje, ninguém deveria ser olhado de lado por usar piercings ou pintar o cabelo de azul. Felizmente não podem levar as pessoas para a esquadra por terem o cabelo verde, a lei já não dá cobertura a esse tipo de arbitrariedade. Mas a discriminação não precisa de estar escrita na lei para continuar a existir. Basta que permaneça na cabeça de quem confunde a sua ideia de decência com uma norma universal de comportamento.</p>



<p>As críticas à aparência dos jovens que participam nas acampadas são, em muitos casos, uma versão atualizada de velhos preconceitos. Como se o cabelo colorido, os piercings ou uma roupa pouco convencional retirassem legitimidade às reivindicações de quem os usa. Como se a apresentação pessoal fosse um certificado de competência cívica. E como se a irreverência fosse incompatível com a capacidade de trabalhar, estudar, constituir família ou assumir responsabilidades.</p>



<p>Aquele meu colega de escola é hoje gestor de empresas na indústria têxtil. Aquele blusão com franjas não lhe impediu a vida profissional, nem o condenou à marginalidade. Talvez fosse apenas um rapaz que se vestia de maneira diferente, antecipando modas que mais tarde se tornariam banais. A história é um bom antídoto contra a arrogância de quem julga conhecer uma pessoa pela roupa que traz vestida.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Há ainda as insinuações sobre o consumo de drogas nas acampadas. Suspeito de que muitas dessas observações vêm de pessoas que nunca frequentaram um festival de música ou que preferem esquecer o que por lá viram ou experimentaram. Ganza fumámos muitos, embora nem todos. Alguns preferiam o álcool, que tem a vantagem de ser uma droga legal e socialmente aceite. A distinção legal existe e não deve ser ignorada, mas a indignação seletiva diz-nos muito sobre os preconceitos de quem a manifesta. Há consumos que provocam escândalo e outros que, mesmo quando causam problemas graves, são tratados como parte normal da vida social.</p>



<p>A legitimidade de um protesto não depende da aparência dos manifestantes, dos seus gostos ou dos hábitos que têm na vida privada. Depende, antes de mais, dos problemas que denunciam e da razão que lhes assiste. E é isso que é preciso discutir de forma a encontrar as soluções possíveis.</p>



<p>52 anos depois do 25 de abril, depois de termos beneficiado dos avanços sociais e da liberdade política, parece-me estranho que alguém diga aos mais novos de que devem aceitar, em silêncio, condições de vida que tornam cada vez mais difícil construir um futuro.</p>



<p>Não sei se os jovens de hoje conseguirão conquistar aquilo que procuram. Sei que têm razões para lutar. E sei também que uma sociedade que começa por desvalorizar os seus protestos, depois ridiculariza a sua aparência e acaba a suspeitar das suas intenções corre o risco de nunca discutir seriamente o essencial.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Versão vídeo:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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		<title>O RESSOAR DA QUEDA: TRATADO METAFÍSICO SOBRE A DIGESTÃO DA REVOLTA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Oct 2026 23:00:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRÍTICAS E PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p> O problema filosófico da revolta é que o chicote muda de mão, mas raramente muda de função.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ora, olhai para nós, excelsos pensadores de trazer por casa, de punho erguido e rima na ponta da língua. Que belo e terrível espetáculo este, onde o trágico da opressão se resolve com a elegância de um soneto de cordel.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>A Dialética do Chouriço e do Absoluto</strong></h4>



<p>Dizeis que os séculos pesam mais que os anos. É uma belíssima hipérbole para impressionar os tiranos no café central. Mas perguntemos, com a devida vénia epistemológica: o tirano tem tempo para ler prosa crua enquanto conta o dinheiro dos impostos sobre o brio e o estudo? A história ensina-nos que o opressor não teme a vossa estrofe; teme, sim, o dia em que o preço do pão suba tanto que o povo decida usar os muros que ele ergueu para afiar as foices.</p>



<p>Quereis que o juízo seja o açoite. Muito bem. Mas quem segura o cabo? O problema filosófico da revolta é que o chicote muda de mão, mas raramente muda de função. O oprimido de hoje é o burocrata de amanhã, que passará o carimbo da censura com a mesma firmeza com que outrora segurava o escudo do grito. É a eterna astúcia da razão, ou talvez apenas a velha e boa hipocrisia humana.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>A Estética da Maré e o Azar dos Muros</strong></h4>



<p>Prometeis uma &#8220;madrugada nova&#8221; e uma &#8220;maré que não para&#8221;. A metafísica da água é fascinante: limpa tudo, mas deixa a terra enlameada. O povo, com as suas espáduas curvadas, marchará com passo largo e estrondo alto. É uma coreografia magnífica para um documentário histórico do futuro. Contudo, convém notar a ironia existencial: quando o futuro for finalmente tomado &#8220;num último assalto&#8221;, ele transforma-se imediatamente em presente. E o presente, como todos sabemos, é aquela rotina aborrecida onde é preciso voltar a semear o trigo, limpar as ruas e pagar a conta final que o destino somou — com juros de mora.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Paradoxo da Luz Explosiva</strong></h4>



<p>Terminais com a visão apocalíptica da &#8220;luz que explode em cada mão&#8221;. Do ponto de vista estritamente conceptual, ter uma explosão na mão parece doloroso e pouco prático para quem tem de lavrar o chão logo a seguir. Se já não haverá prosa, nem escárnio, nem luto, o que nos resta? O silêncio dos triunfantes. E o silêncio, meus caros revolucionários, é a matéria-prima de que os novos tiranos gostam para começar a construir os seus próprios muros seguros.</p>



<p>Colhamos, pois, o fruto da revolta. Mas guardemos o caroço, não vá a terra continuar seca e a madrugada nascer com nevoeiro.</p>
</div></div>
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		<title>CUIDADO LUÍS, O TEU GOVERNO VAI CAIR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Oct 2026 10:00:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[manifestações pelo direito à habitação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As pessoas que se manifestam não reclamam luxos</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/10/cuidado-luis-o-teu-governo-vai-cair/">CUIDADO LUÍS, O TEU GOVERNO VAI CAIR</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Tal como disse na televisão o antigo líder do CDS, Francisco Rodrigues dos Santos, o primeiro-ministro fala de um modo frio, sem empatia pelos problemas sociais, tenta espalhar cortinas de fumo para menorizar os problemas e atribui responsabilidades sempre a outros e nunca a ele próprio. A argumentação de Montenegro é tóxica, não mostra vontade de resolver nada, talvez na esperança de que a polícia lhe resolva o problema com cacetadas em cima dos manifestantes.</p>



<p>Quando ele diz que os manifestantes são egoístas, pessoas que se manifestam por um direito universal que é o de ter uma casa para morar, não se percebe onde quer Montenegro chegar. É uma frase sem sentido, provoca reações negativas na sociedade e, politicamente, não faz qualquer sentido.</p>



<p>A maioria dos jovens, e menos jovens, hoje, não têm rendimentos salariais que lhes permitam arrender uma casa, principalmente depois deste governo ter reduzido impostos aos arrendamentos até 2300 euros. À pala dessa borla aos senhorios, os preços subiram em flecha e 2300 euros é o dobro, talvez mais, do salário médio em Portugal. Foi divulgado há dias que Montenegro é proprietários de 55 casas e a questão, aqui, será perceber o que vai ele ganhar com a lei que ele mesmo aprovou.  Podemos estar perante uma nova &#8220;spinumvivice&#8221; de um tipo que já nos mostrou ter alguma queda para a chico-espertice.</p>



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</div>
</div>



<p>Talvez este governante não saiba, mas hoje muitas empresas não pagam mais do que o salário mínimo aos trabalhadores, como é o caso na hotelaria. Algumas menos ainda, como, por exemplo, as empresas que prestam serviços de limpeza e manutenção, com mão-de-obra paga à hora e que, ao final do mês, não recebe mais do que 500 ou 600 euros de salário. São apenas dois exemplos, mas que agregam dezenas de milhar de trabalhadores em Portugal.</p>



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</div>
</div>



<p>Estas pessoas que se manifestam não reclamam luxos, num movimento que pode estar a espalhar-se pelo país (este sábado houve manifestações em Lisboa, Porto e Faro). Querem um salário digno, querem poder pagar uma casa onde possam viver e sonhar com uma vida banal. Apenas isso. A reação do primeiro-ministro e de outros políticos da direita, o modo agressivo como classificaram os jovens que reivindicam o direito a ter um futuro que não passe pela escravatura, mostra que esses políticos vivem numa bolha e que Montenegro não percebe nada do país que pretende governar.</p>



<p>Em Portugal há 2 milhões de pessoas que trabalham e são pobres, adultos que não conseguem pagar as suas despesas. Estas pessoas só agora parecem terem despertado para a necessidade de forçar uma mudança de políticas laborais e sociais. Ainda só uma pequena percentagem veio para as ruas gritar. Quando vierem todos, cuidado Luís, o teu governo vai cair.</p>



<p></p>
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		<title>MONTENEGRO E GOVERNO: VIOLADORES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Margarida Maria]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Oct 2026 16:55:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Este primeiro-ministro é assim: chama ‘egoístas’ aos manifestantes, vê-se nas televisões, ouve-se nas rádios e, depois, diz que não chamou nada a ninguém</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/10/montenegro-e-governo-violadores/">MONTENEGRO E GOVERNO: VIOLADORES</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<p>A habitação é um direito constitucional. Mas parece ser só para alguns. O primeiro-ministro (pm) de Portugal tem uma família (tanto quanto sei) de quatro pessoas e várias casas. Estarão alugadas? À venda? E só estou a falar do pm, nem falo dos restantes membros do governo. Mas gostaria de saber, até para perceber o motivo das preocupações de Luís Montenegro, quando se sentiu ameaçado por um manifestante que participava nos protestos recentes na Praça D. João I, no Porto. Entretanto, João Silveira, da organização da Acampada, garante que o orador não pertence à organização e que a ameaça que fez ‘não é real’.</p>



<p>Portanto, Montenegro, proprietário de várias casas, quiçá uma para morar em cada dia da semana, ou para se ir refugiando indiscriminadamente, para não ser ‘apanhado’ pelos ‘perigosos’ manifestantes do Porto, não consegue entender o que são tendas, qual o propósito, para que servem. Como não percebe o que é uma manifestação e como tudo se processa. Descanse o pm que os manifestantes estão organizados e quando perceberam que, à noite, havia infiltração de gente que queria era provocar, dispersaram pacificamente. Não, não foi medo da polícia, nem de Pedro Duarte e das suas ameaças. São actos de civismo que, infelizmente, estes políticos não entendem. Por isso, chamam a polícia. A polícia de choque, para não haver dúvidas sobre as suas intenções repressivas.</p>



<p>Vou lembrar que, em 2020, a Juventude Social Democrata também acampou numa manifestação com tendas em frente ao Ministério do Ensino Superior, em Lisboa, em plena pandemia. Era, então, pm António Costa e não houve ordem da PSP para os jovens dispersarem, para a retirada de tendas ou carga policial.</p>



<p>Aliás, e a propósito de tendas, ainda recentemente escrevi aqui que as tendas dos sem-abrigo são montadas, por exemplo, na Praça de Espanha, em Lisboa, pelas 19,30 e desmontadas pela manhã. O mesmo sucede, como também referi, em plena Avenida da Liberdade, todas as noites. São as funcionárias da limpeza das lojas de luxo que os acordam, para desmontarem as tendas e irem dormir nos bancos da avenida.</p>



<p>Pedro Duarte, presidente da Câmara do Porto, achando que ia fazer uma demonstração de ‘quem manda aqui sou eu’, teve a ousadia de mandar a polícia de choque contra os manifestantes. Passou demasiado tempo em Lisboa e esqueceu-se que essa não é a melhor forma de lidar com as gentes do Norte. ‘Pedro Duarte, presta atenção, a tua casa vai virar habitação’, ‘viemos fazer das tripas revolução’ e ‘queremos casas c&#8230;!’ foram alguns dos slogans que se fizeram ouvir, quando de umas centenas de manifestantes, depois de uma carga de pancada e 37 feridos, passou a uma manifestação intergeracional de milhares de pessoas. E Montenegro ainda diz que as forças policiais costumam ser ‘extraordinariamente criteriosas e respeitadoras’.</p>



<p>Mas este pm é assim: chama ‘egoístas’ aos manifestantes, vê-se nas televisões, ouve-se nas rádios e, depois, diz que não chamou nada a ninguém. Aliás, ele deveria querer dizer outra coisa qualquer, porque pedir aos manifestantes pela habitação que ‘não sejam egoístas’ é, no mínimo ridículo. Nem sequer é um adjectivo que caiba nesta situação. Já os manifestantes podem sempre chamar ‘violador’ ao pm e ao seu governo, porquanto estão, definitivamente, a violar a Constituição da República.</p>
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		<title>O ÁBACO MEDIÁTICO: ENSAIO SOBRE A REDUÇÃO DO MUNDO A FEIJÕES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 16:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRÍTICAS E PROSAS]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A casta intocável de ex-governantes, advogados de grandes causas e analistas encartados moldou a sua função social à imagem e semelhança dos antigos contadores de feijões</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/10/o-abaco-mediatico-ensaio-sobre-a-reducao-do-mundo-a-feijoes/">O ÁBACO MEDIÁTICO: ENSAIO SOBRE A REDUÇÃO DO MUNDO A FEIJÕES</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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<p>A televisão contemporânea em Portugal operou um milagre alquímico inverso ao transformar a complexidade da geopolítica e da governação numa mercearia de pacotilha. No centro desta operação, que coloniza os blocos de horário nobre da SIC Notícias, da RTP-3 e da CNN Portugal, encontram-se os comentadores residentes. Esta casta intocável de ex-governantes, advogados de grandes causas e analistas encartados moldou a sua função social à imagem e semelhança dos antigos contadores de feijões. </p>



<p>O erro do cidadão comum é acreditar que as crises na saúde, as maratonas orçamentais ou as recentes campanhas das Eleições Presidenciais de 2026 são feitas de substância real. O comentador de estúdio sabe perfeitamente que tudo se reduz a unidades contabilísticas discretas. Perante um sobressalto no Parlamento ou uma alteração nas lideranças partidárias, a mente destes analistas não processa o impacto estrutural no país profundo; processa aritmética pura de sobrevivência e tática de bastidores. Cada rutura ou aliança é apenas um bago lançado para cima da mesa de debate, onde o comentador não procura compreender a raiz do problema, mas sim empilhar os grãos em colunas previsíveis de &#8220;spin&#8221;, ganhos de imagem, perdas de capital político e danos colaterais na próxima sondagem. </p>



<p>A realidade do país deixa de ser um rio caudaloso e passa a ser um saco de feijão-frade que se despeja sofismadamente diante de um pivot acenando com acabeça. Quando o comentador se senta perante o ecrã tático &#8211; a célebre <em>Magic Wall</em> que as televisões importaram para simular modernidade tecnológica -, a obsessão assume contornos cirúrgicos. Munidos de percentagens ao milímetro, eles discutem décimas com a gravidade de quem decide o futuro da pátria, usando expressões como &#8220;centralidade do espetro&#8221;, &#8220;geometria variável&#8221; ou &#8220;narrativa desgastada&#8221; como um ruído de fundo que impede o espectador de perceber que o ábaco está, na verdade, completamente vazio. </p>



<p>A maior vantagem desta contagem de feijões em sinal aberto ou no cabo é a sua total imunidade e irresponsabilidade histórica. Ao contrário de um merceeiro de bairro que sofre prejuízos se errar o stock, o comentador televisivo goza de uma infalibilidade divinal: o erro factual cometido no domingo anterior é reciclado na terça-feira seguinte como uma &#8220;inevitabilidade de conjuntura&#8221;. O contador nunca perde o tacho nem o púlpito porque o público, anestesiado pelo ritmo frenético dos comentadores encartados, esquece a semente da semana passada e aceita que o debate democrático seja reduzido a uma contabilidade aborrecida gerida por especialistas em cenografia política. </p>



<p>Em última análise, ao transformarem a vida pública num jogo mecânico de pequenos grãos partidários, estes analistas garantem que os feijões voltem para o saco no final da emissão, deixando o país exatamente na mesma e provando que a única coisa que realmente se cozinha sob as luzes da ribalta televisiva é o ordenado de quem comenta.</p>
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		<title>TER OU NÃO TER BERÇO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Margarida Maria]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Oct 2026 23:00:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desporto]]></category>
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		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[seleção nacional de futebol]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O presidente da Federação Portuguesa de Futebol diz que ele (Cristiano Ronaldo) é um ‘ícone’ do País</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Toda a gente fala de Cristiano Ronaldo. Não era minha intenção fazê-lo, mas quando o presidente da Federação Portuguesa de Futebol diz que ele é um ‘ícone’ do País, eu pergunto-me se Pedro Proença sabe o significado da palavra. É que ícone, que deriva do grego, é, segundo o dicionário de Português, um ‘símbolo gráfico ou representação visual que transmite um significado de forma rápida e intuitiva’. Se formos à parte religiosa, é uma arte sacra, geralmente pintada sobre madeira, que surge na tradição cristã oriental/bizantina. Claro que no caso, nos ateremos à cultura e sociedade em que será uma pessoa ou objecto tido como símbolo máximo de uma época, como um ícone da moda ou da cultura.</p>



<p>Cristiano Ronaldo pode ter muitas virtudes como futebolista. Pouco percebo desta matéria, mas acredito que sim: corre muito, meteu muitos golos, etc. Sim. Pode ser um orgulho. Mas um ícone? Levou Portugal ao Mundo, como tantos outros o fizeram.</p>



<p>Ao longo da sua vida teve, como é sobejamente sabido, uma infância difícil. Entretanto, ganhou muito dinheiro, terá dado algum para quem mais necessitava (alguns casos sabem-se, outros dizem que foi anonimamente), ajudou a família, tratou bem do seu corpo, é atlético e etc. E oferece jóias de milhões e possui casas de outros tantos. E faz bem. Mas, o que tem a mais no seu orgulho, tem a menos na humildade.</p>



<p>Tenho ouvido as coisas que dizem os seus amigos (fala por interpostas pessoas, o que é mesmo muito mau) a propósito da sua saída da selecção. E pasmo. Ensinamos as crianças a que quem manda na escola são os professores; quem manda em casa são os pais. E não se fazem birras quando se é contrariado.</p>



<p>Não sei se Ronaldo teve razão para se aborrecer com o treinador Jorge Jesus. Do meu ponto de vista, perdeu-a toda quando, enquanto capitão da equipa, abandonou os seus homens e se enfiou no seu aviãozinho particular e fugiu. Sim, diante do confronto, Ronaldo abandonou a sua equipa e fugiu! E já não foi uma birra, foi a fuga de um suposto atleta de alta competição que não aguentou que outros o substituíssem, quiçá por serem mais jovens ou também muito talentosos. Ainda assim, o treinador pediu ou não desculpas (ainda não percebi de quê e se é verdade ou não) e os colegas pediram-lhe o regresso. Ronaldo manda recados por terceiros e, aparentemente, só voltará se o treinador for despedido. Eu sei que ele detém muito dinheiro na Media Capital e que os canais Now, CMTV, CNN e TVI precisam de ‘obedecer à voz do dono’. Mas ainda fico estupefacta… (Até parecem as ‘entrevistas exclusivas’ feitas quase todos os dias ao presidente do Chega).</p>



<p>O homem que quis conhecer Donald Trump e que vive nas Arábias pensará que é dono da Selecção Nacional? Talvez seja mesmo isso, já que até o primeiro-ministro (valha-me Deus!) se meteu ao barulho. Alguém que pensa que o dinheiro é um estatuto. Outros jogadores (julgo que ouvi falar em dois) que tiveram a mesma atitude, sofreram as consequências e não eram capitães da equipa. Como se pode pedir a um capitão, que abandonou uma equipa, que regresse?</p>



<p>Ah!, sim, explicam-me amigos que é um problema de dinheiro. Ronaldo é patrocínios, é marca, é essas coisas todas. Então não tem de ser educado, nem correcto? E, quando o ridículo não tem nome, passa a ser um ‘ícone’? Eu, que tenho mais idade, dava-lhes já com verdadeiros ícones, como Camões, Gago Coutinho e Sacadura Cabral, Vasco da Gama, Egas Moniz, Camilo Castelo Branco, Eça de Queirós, José Saramago, Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, Paula Rego e da inexcedível Amália Rodrigues; falamos de Almada Negreiros, de Manoel de Oliveira; e para que não se diga que é só cultura e não desporto, falamos de Eusébio, do fantástico Jorge Costa, de Carlos Lopes, de Rosa Mota e tantos outros.</p>



<p>Outros amigos interrogam-se como pode dizer que só vem quando o treinador sair: Jorge Jesus tem contrato até 2030. Por essa altura, Ronaldo terá 44 anos…</p>



<p>Independentemente do que possa fazer nas Arábias, Ronaldo, que tinha a porta grande escancarada, sai pela do galinheiro. Não aprendeu nada com outros, incluindo Messi. Não passa de um tipo com dinheiro, mas sem ‘berço’, o tal que o dinheiro não lhe deu.</p>
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