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	<title>Luiz Carvalho, autor em Duas Linhas</title>
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	<title>Luiz Carvalho, autor em Duas Linhas</title>
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		<title>Mortes por incúria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Carvalho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 06 Jul 2021 10:06:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Dois acidentes mortais na passada semana ganharam um impacto notável na opinião pública. E trouxeram de novo à reflexão de todos, a importância da prevenção rodoviária e da fiscalização policial activa, para ser mais seguro circular nas ruas e na estrada. Falo, como é óbvio, do acidente com o carro que transportava o ministro Cabrita, [&#8230;]</p>
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<p>Dois acidentes mortais na passada semana ganharam um impacto notável na opinião pública. E trouxeram de novo à reflexão de todos, a importância da prevenção rodoviária e da fiscalização policial activa, para ser mais seguro circular nas ruas e na estrada. </p>



<p>Falo, como é óbvio, do acidente com o carro que transportava o ministro Cabrita, com um final trágico que resultou na morte de um trabalhador, que deixou uma família desamparada, e do não menos triste acidente que matou uma mãe grávida de 5 meses, e que conduzia uma bicicleta de tipo desportivo numa via de grande tráfego em Lisboa. </p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/oCT3WKo.jpg" alt="" class="wp-image-10813" /></figure></div>



<p><strong>O acidente com o carro do ministro</strong> é do ponto de vista da responsabilidade civil um óbvio atentado às regras de trânsito, embora se saiba pouco das circunstâncias.Mas o que já se sabe dá para chegar a estas conclusões: O carro (pertencente a um traficante de droga, e apreendido com a assinatura do ministro) circulava a uma média de 200 quilómetros por hora, em autoestrada, sem pirilampos azuis, sem batedores policiais, circulava na faixa esquerda (onde colheu o trabalhador) quando devia circular na faixa da direita, e os dois ocupantes do veículo (motorista e ministro) nem sequer saíram do veículo para prestarem auxílio à vítima como o exige o código da estrada. </p>



<p>Por outro lado, a GNR que acorreu ao local, sabia que era um carro com ministro dentro e não fez o teste do álcool ao motorista, que não era um entre milhares que o Estado tem, mas um profissional sem as características desejáveis para quem conduz em regime prioritário um carro do Estado. Um ministro da administração Interna devia ser conduzido por um polícia ou militar experiente neste tipo de condução. Todos nós jornalistas, sabemos por experiência, que os veículos do Estado em comitiva, andam sempre a velocidades ciclónicas. Até o Vasco Goncalves gritava com o motorista para ultrapassar os batedores de mota, e passava-os, para chegar mais depressa. </p>



<p>Por exemplo, o Mercedes S500 de Cavaco (com a legenda retirada a secador de cabelo) andava sempre acima dos 230, embora numa comitiva de batedores, motoristas preparados para estas velocidades, com técnicas de visibilidade e defesa. </p>



<p>Politicamente não é aceitável que qualquer governante (mesmo os secretários de Estado têm esta prática) se achem acima dos deveres cívicos, praticando uma arrogância do Poder que os transforma em speeds acima dos zézinhos que os elegem. É uma atitude que diz muito da classe política e do seu comportamento desprezível para com os cidadãos. </p>



<div class="wp-block-image"><figure class="alignright size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i.imgur.com/QOWsW2l.jpg" alt="" class="wp-image-10814" width="261" height="348" /></figure></div>



<p><strong>O acidente que vitimou a senhora grávida</strong> e que logo gerou movimentação política contra os carros, dá que pensar (embora poucos o queiram fazer) da fragilidade que é andar de bicicleta no meio do trânsito intenso, urbano. O principal problema, e perigo, é que as bicicletas são pouco visíveis entre o movimento do tráfego urbano, e assistimos (eu confronto-me todos os dias com essa realidade) à maior loucura: as bicicletas não têm seguro de responsabilidade civil, os ciclistas não usam capacete, luvas, refletores, andam à noite sem luz de presença, passam sinais vermelhos, surgem entre os carros nas paragens dos sinais luminosos, não respeitam os peões, não gostam de andar nas ciclovias, e acham que um carro a 50 km/hora os tem de evitar mesmo havendo uma diferença de velocidade notável entre os dois veículos. </p>



<p>A bicicleta é um veículo maravilhoso mas quando se mistura com o trânsito automóvel, por natureza é um perigo iminente. Depois ainda há as trotinetes, os skates, os patins e outros objetos rolantes que passaram a fazer parte do universo de veículos andantes. </p>



<p>O fatídico acidente referido, foi provocado por um choque traseiro de um pequeno Smart na bicicleta. Dizem que foi um encadeamento. Mas não deixo de pensar, que, mesmo que não tivesse havido o infeliz acidente, como é possível uma mãe grávida usar uma bicicleta com uma posição de condução de corrida, com um selim agressivo, e circular numa via complicada, embora circulasse numa ciclovia. </p>



<p>Este acidente cortou-me o coração. Temos de repensar a segurança nas estradas e ruas. É urgente a regulamentação da circulação ciclista. Essa atitude tem de ser incutida em cada um de nós quer montemos qualquer coisa, até um burro.</p>
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		<title>Medina assume ser o Shelltox</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Carvalho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Jun 2021 00:10:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[medidas de contenção do covid-19]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Já não bastavam as medidas restritivas que Medina &#38; Companhia têm vindo a impor à forçaatravés de cortes de ruas, ciclovias, obras sem fim, obras intermitentes, uma nova ordem urbana que transformou Lisboa numa cidade Lego para propaganda política e gáudio de fanáticos que consideram as cidades uma aberração ecológica.E se agora a cidade fica [&#8230;]</p>
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<p>Já não bastavam as medidas restritivas que Medina &amp; Companhia têm vindo a impor à força<br>através de cortes de ruas, ciclovias, obras sem fim, obras intermitentes, uma nova ordem urbana que transformou Lisboa numa cidade Lego para propaganda política e gáudio de fanáticos que consideram as cidades uma aberração ecológica.<br>E se agora a cidade fica mais uma vez entregue ao abandono, à restrição social, ao medo, em nome da saúde pública, tal facto deve-se ao autarca chefe que desvalorizou o controle sanitário a favor da festa do futebol.<br>Lisboa tem vivido nas últimas semanas num total forrobodó com esplanadas abertas e cheias de gente ao molhe e sem máscaras, onde a possibilidade de contágio pelo covid tem toda a possibilidade de acontecer. Confundiu-se liberdade com falta de higiene.</p>



<p><br>A cidade que importa mão de obra estrangeira, e que tem uma comunidade alargada e diversificada de gente oriunda de vários destinos, devia ser mais prudente e eficaz nas medidas a implementar contra a pandemia.<br>O Sr. Medina prefere antes o espectáculo político, agradar a todos que possam contribuir com o voto para a sua reeleição possível, dada a incompetência total da oposição, começando no sr. Moedas e acabando nos pândegos da Iniciativa Liberal.</p>



<p><br>A partir de agora, vai cair no esquecimento a história da delação dos burocratas que enviaram para Putin os nomes de uns rapazes contestatários, o aquecedor a óleo em formato gigante que passou a fazer parte da fachada principal do Palácio da Ajuda vai tornar-se numa obra<br>minimalista, e os milhares de Lisboetas que dormem com os carros no quarto bem vão poder reclamar os lugares de estacionamento que tinham, pois Medina vai surgir como o Superbombeiro que feito Shelltox vai matar até se fartar do bicho de coroa.</p>



<p><br>Marcelo tinha razão na prudência de regressarmos ao confinamento histérico. Costa viu aqui uma boa oportunidade para enfrentar o PR.<br>O país, Lisboa, não aguentam mais o Estado de Sítio. Os cidadãos precisam de respirar a vida, e a Lisboa que está a ser sitiada em nome do vírus, está cansada de tanto laboratório político.<br>A seguir, Medina vai proibir a circulação automóvel aos fins de semana, para que os turistas de pé descalço possam calcorrear a cidade de chanatos nos pés, enquanto os lisboetas ficam barricados no silêncio imposto, ou melhor: na taxa do confinamento</p>



<p></p>
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		<title>A marquise em forma de baliza rendada, é que era fixe!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Carvalho]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 29 May 2021 00:48:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há em cada um de nós um arquiteto. Também há um fotógrafo adormecido dentro de cada telemóvel. Por ironia do destino logo fui ter duas tarefas de que toda a gente sabe e decide mesmo. O meu filho mais velho, 43, dizia aos 4 que o pai arquiteto tirava fotografias e o meu chefe no [&#8230;]</p>
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<p>Há em cada um de nós um arquiteto. Também há um fotógrafo adormecido dentro de cada telemóvel. Por ironia do destino logo fui ter duas tarefas de que toda a gente sabe e decide mesmo. </p>



<p>O meu filho mais velho, 43, dizia aos 4 que o pai arquiteto tirava fotografias e o meu chefe no Ministério das Obras Públicas, chamava-me de senhor fotógrafo, quando me queria irritar sobre o meu trabalho de arquiteto. Mas o meu caso não interessa nada. Lembramos que o agente técnico Sócrates, mais tarde promovido num domingo a engenheiro, já rabiscava no seu período pré-socrático casas tipicamente portuguesas com janelas tipo <em>fenêtre</em>. </p>



<p>A alma de arquiteto está entranhada nos portugueses, desde gente letrada, como Cavaco Silva que gizou uma marquise na sua casa na Travessa do Possolo, ou o Comendador Berardo que meteu uma retrete na varanda, ao mais arreigado pato bravo de Tomar. </p>



<p>A Lisboa dos anos 60/90 foi toda ela rodeada de cidades à escala da tragédia urbana portuguesa, começando na histórica Brandoa, nascida clandestina e selvagem, até aos bairros sociais tipo caixote, desenhados por mentes brilhantes de arquitetos de esquerda, que tinham estagiado no SAAL do PREC. </p>



<p>Há no entanto uma elite de arquitetos que trabalha para as obras do Estado e para os grandes investimentos imobiliários. Esses arquitetos portugueses em geral, acham-se artistas e senhores do tipo de vida de quem vai habitar as suas obras. Muitos consideram a arquitetura antes de tudo, uma peça de arte onde quem condiciona os comportamentos sociais é a arquitetura, e não as pessoas. É a ideia de que a arquitetura contribui para a revolução socialista, ou o pedantismo de quem acha o espaço da vivência privada e social um jogo de formas desligadas da realidade. É uma ideia contrária a arquitetos como Le Corbusier ou Mies Van Der Rohe. </p>



<p>O escândalo da marquise mandada fazer por Ronaldo resume o estado da arquitetura portuguesa. Para o nosso génio da bola uma marquise, mesmo em forma de jardim de Inverno, faz parte do nosso imaginário infantil, pois palermas e marquises é o que mais há, e o que é preciso é que cumpra o seu papel: proteger os habitantes e tornar um terraço deslumbrante utilizável. E tem razão. </p>



<div class="wp-block-image"><figure class="alignright size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/PraHA6L.jpg" alt="" class="wp-image-10155"/></figure></div>



<p>Para o autor do mamarracho com assinatura, a marquise é uma falta de respeito pela sua obra que na verdade faz lembrar em maquete, dois caixotes de fruta empilhados ao alto. É ainda a velha discussão entre a forma e a função, e sobre a ideologia que a estética desperta. </p>



<p>Uma coisa é certa: se a tal marquise lá foi posta porque fazia falta, o <em>arquitetonto</em> falhou. E se a bola é redonda, e se move para Ronaldo, faz sentido que a marquise lá esteja para o proteger mesmo que tenha resultado de uma grande penalidade. Claro que se o <em>upgrade</em> tivesse sido desenhado pela Joana Vasconcelos em forma de baliza estávamos perante mais um grande feito cultural ! Ainda vais a tempo Ronaldo!!!</p>
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		<title>Há mas são verdes !…</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Carvalho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 May 2021 01:10:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há pelo menos três países em Portugal. Um país antigo onde existe 3 milhões de pobres, embora a maioria tenha emprego, e outra parte, está na reforma ou no desemprego de longa duração. Há outro país que trabalha e paga impostos na proporção do que ganha, a tal classe média baixa que consome o pouco [&#8230;]</p>
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<p>Há pelo menos três países em Portugal.</p>



<p>Um país antigo onde existe 3 milhões de pobres, embora a maioria tenha emprego, e outra parte, está na reforma ou no desemprego de longa duração.</p>



<p>Há outro país que trabalha e paga impostos na proporção do que ganha, a tal classe média baixa que consome o pouco que ganha em crédito de consumo ou em pequenas vaidades que aliviam a repressão social de uma vidinha difícil de equilibrar. Uma classe envelhecida, sem emprego para a vida.</p>



<p>O Terceiro Portugal é aquele que vive numa realidade virtual que o crédito da Europa alimenta, e que as bazucas vão bombardeando em forma de dinheiro a ser pago mais tarde, pelas gerações vindouras, que já estão depenadas antes mesmo de terem começado a amealhar o nada.</p>



<p>Uma das teorias para esse êxtase é a economia verde que nada produz em termos de valor acrescentado.</p>



<p>O investimento que aí vem no domínio da economia verde vai estagnar ainda mais a indústria débil nacional, criar mais desemprego na meia idade dos trabalhadores.</p>



<p>Por exemplo: construir 300 milhões de ciclovias não vai acrescentar mais um cêntimo em matéria transacionável. Pelo contrário: vai criar mais despesas em manutenção, vindas dos impostos do trabalho, e não vão ser essas vias para meia dúzia de pataratas andarem a pedalar que vai tornar o negócio mais competitivo nas cidades.</p>



<p>Gastar 200 milhões num novo troço do metropolitano de Lisboa que vai ligar duas estações existentes no centro de Lisboa, não vai facilitar em quase nada os lisboetas que resistiram a viver numa cidade onde o negócio quase sumiu, a cultura fechou portas e a habitação passou a ser casulos de aluguer a turistas de chinelo.</p>



<p>Os carros eléctricos não vão resolver problema nenhum aos utentes, muito menos ao ambiente. A construção dum veículo eléctrico , segundo a autoridade sueca de mobilidade, corresponde a 8 anos de CO2 de um veículo a gasolina.</p>



<p>Há toda uma indústria que terá de ser mudada e milhões de operários vão ficar sem trabalho, por falta de adaptação, ou terão uma formação complexa que nada tem a ver com o modelo tradicional. Aí estará uma nova classe de excluídos.</p>



<p>A pensar na mudança, o governo do PS tem permitido a exploração do lithium que destrói a paisagem rural e contamina o ambiente. O Hidrogénio aí está para fazer deitar fora daqui a pouco os carritos eléctricos caros e com uma autonomia ridícula. Alguns autarcas rejubilam, principalmente do Alto Alentejo.</p>



<p>E nem vale já a pena falarmos das ventoinhas que foram plantadas por todo o país, destruindo a paisagem, afugentando as aves e trazendo um ruído doentio.</p>



<p>Estamos embalados pela Europa que pouco ou nada pensa na produção. Por exemplo, muitas empresas europeias continuam a deslocar as sedes para países onde possam trabalhar sem a ditadura dos eurocratas e com a ditadura do comunismo-capitalista.</p>



<p>A Europa tornou-se num monstro que não deixa crescer a economia e que alimenta uma casta que custa fortunas, com práticas abençoadas pela conversa verde, mas que na recente cimeira social do Porto, gastou sessenta mil euros em catering e cem mil euros em Mercedes S…eléctricos!</p>



<p>Mas que teve o cuidado de ir avisando que vai haver aumentos brutais para veículos tradicionais. Sempre o Estado a aturar em nome dos pecados ambientais.</p>



<p>Não sou economista, mas como cidadão pergunto como irão sobreviver as médias empresas portuguesas que asseguram o emprego e muitas exportações. O que vai ser do nosso talento para promovermos para fora o melhor que temos para criação de riqueza?</p>



<p>Comer relva, regada a água das pedras, não será decerto o nosso desígnio nacional.</p>



<p>Neste momento, verde vitorioso só o Sporting. Mas eu sou suspeito !!…</p>
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		<title>As Estufas da Ira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Carvalho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 May 2021 00:01:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura intensiva]]></category>
		<category><![CDATA[direitos humanos]]></category>
		<category><![CDATA[imigrantes explorados em Odemira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Afinal somos um país racista e praticante, embora os diáconos de serviço, e que fazem dessa militância uma forma de ganhar a vida e notoriedade, nada terem feito para denunciar a barbárie instalada no litoral alentejano, onde patrões sem escrúpulos exploram trabalhadores imigrantes, muitos ilegais, alguns chegados ali por participação direta de máfias estrangeiras. Ninguém [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Afinal somos um país racista e praticante, embora os diáconos de serviço, e que fazem dessa militância uma forma de ganhar a vida e notoriedade, nada terem feito para denunciar a barbárie instalada no litoral alentejano, onde patrões sem escrúpulos exploram trabalhadores imigrantes, muitos ilegais, alguns chegados ali por participação direta de máfias estrangeiras.</p>



<p>Ninguém levantou a voz, ou exerceu o Poder político, para em tempo útil pôr fim a este escândalo social e agora sanitário. A GNR de Odemira nunca viu nada de aparentemente ilegal em tal comunidade, o presidente da Câmara de Odemira está a leste, os sindicatos têm estado a preparar manifestações em Lisboa, o ministro da Administração Interna tem mais que fazer, embora saiba mandar a tropa de choque quando é preciso <em>show-off</em> e fazer propaganda para a esquerda. </p>



<p>Há anos que aquelas estufas destroem o ambiente, as terras, o cultivo biológico da zona, mas os ministros da agricultura ignoraram o perigo para o ambiente e a economia daquelas estufas, como continuam a marimbar-se nos olivais intensivos plantados no Alentejo, para os espanhóis secarem as terras e levarem os recursos de Portugal. Os &#8220;Mamadous&#8221; desta vida preferem a vida confortável, paga com os dinheiros públicos, e fazerem foguetório com manifestações coloridas e de que as televisões gostam. </p>



<p>Uma vez que a tragédia sanitária foi impossível de esconder, desmascarado que foi o governo ao ter descuidado o controle dos trabalhadores, das condições sociais, salariais, ao ter permitido que várias ilegalidades graves não tivessem sido detectadas a tempo, não esteve com meias medidas. Usando da violência revolucionária à PREC, agora com mandado assinado pelo governo, requisitou propriedade privada, também elas de discutível existência, invadiu aquilo de quem era particular, fez tábua rasa dos direitos e liberdades constitucionais, usando uma requisição burocrática. </p>



<p>O povo de esquerda fica satisfeito. Afinal o governo socialista actuou e pôs em marcha uma medida coletivista que agrada e faz calar a esquerda festiva. Já um recente decreto que permite expropriar imóveis em Lisboa foi aprovado sem ai nem ui de ninguém. Chegados aqui, só nos resta voltarmos ao espírito da Alameda de 75 e dizer como Mário Soares o fez, que a cegueira revolucionária não passará. Só é preciso que os portugueses saiam de vez do confinamento político, há anos encafuados no sofá do esquecimento.</p>



<p></p>
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		<title>Estes homens não são do norte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Carvalho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 30 Apr 2021 17:33:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Desporto]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[F.C. Porto]]></category>
		<category><![CDATA[violência no futebol]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Primeiro, o treinador invade o campo, vai ao encontro do árbitro e insulta-o na mais fina linguagem de carroceiro. O treinador já tinha sido castigado anteriormente por atitudes semelhantes. Depois, entra a tropa fandanga do presidente Pinto da Costa, um dinossauro do futebol do antigamente que tem conseguido manter-se à frente de um clube quase [&#8230;]</p>
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<p>Primeiro, o treinador invade o campo, vai ao encontro do árbitro e insulta-o na mais fina linguagem de carroceiro. O treinador já tinha sido castigado anteriormente por atitudes semelhantes. Depois, entra a tropa fandanga do presidente Pinto da Costa, um dinossauro do futebol do antigamente que tem conseguido manter-se à frente de um clube quase há mais anos que o homem das botas à frente da Nação. Entretanto, os <em>bobis</em> do presidente, cercam o árbitro, montam uma orquestra de gritos e insultos, enquanto um sensato administrador tenta a todo o custo fazer acalmar a malta, à falta de outro instrumento mais eficaz, usa a sua respeitosa careca. </p>



<p>O que se dá a ver nas televisões é a total anarquia num jogo de futebol, com o árbitro a ser ameaçado e insultado, e um grupo de capangas que devia estar quieto e calado no banco a entrar numa catarse total. Aliás, alguns dos figurões nem teriam legitimidade para ali estarem no campo, caso do ex-jornalista que agora é senhor diretor da comunicação. As voltas que a vida dá para ganhar a vidinha! Passou de escriba a agente provocador. </p>



<p>Não contente com esta vergonha desportiva, o idoso presidente, de mãos nos bolsos, dirige-se já no exterior do estádio a um jornalista, perguntando-lhe se “há azar”, foi essa a atitude, enquanto um tipo sem ética, nem vergonha, nem coragem, bate noutro jornalista que ali estava a trabalhar, filmando uma cena banal. Largaram a fera aos jornalistas, tornando um <em>bobi</em> num rotweiller, com todo o carinho por essa raça especial. </p>



<p>Foi a encenação de um facto, para desviar as atenções do fiasco no jogo e para mostrar a habitual força estúpida que contamina os clubes de futebol, onde o Porto se destaca, infelizmente não sendo único. Quiseram ganhar em força cá fora, o que deviam ter metido lá dentro. </p>



<p>Como jornalista reportei algum futebol, e nos últimos anos sempre que ia a um estádio fotografar, sentia que os jornalistas eram tratados como pessoal menor, e que eram os próprios a permitirem esse tratamento, ou por medo dos gorilas ou por pânico dos chefes de redacção. Enquanto o mundo do futebol for um país à parte, onde as diversas autoridades (começando pelas tributárias) e acabando na Federação que tem regras votadas pelos próprios clubes (!), vamos continuar a ter de suportar milhares de arruaceiros que confundem futebol com pontapé na chiça. </p>



<p>Esta semana foi o Porto, mas já foi o Sporting, o Benfica, o Guimarães, o Braga… Se jogassem futebol e se deixassem dos comentários sentados, se dignificassem o desporto, se exercessem as suas responsabilidades sociais, talvez o futebol parasse de perder cada vez mais público, e talvez os jovens não se estivessem já a marimbar para um desporto que já nada lhes diz. Os grandes clubes estão a perder milhões e o uso de jogadores para negociatas de outros milhões está cada vez mais decadente. Este é o futebol dos velhadas, dos acabados. O Mundo mudou mas estes trastes continuam a tratar do desporto com a violência própria de marginais. Cabe ao Estado atuar. E já.</p>



<p></p>
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		<title>Valeu sempre a pena, o 25 de 74</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Carvalho]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Apr 2021 09:51:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
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		<category><![CDATA[Revolução do 25 de abril]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vivi o meu 25 de Abril a ser acordado ao som fanhoso de um transistor AIWA que o meu pai me dera como se hoje fosse um iPOD de grande companhia. Ouvia nele as músicas da época que soavam de fora, um modernismo ruidoso ou muitos sucessos da música portuguesa, principalmente canções, já que as [&#8230;]</p>
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<p>Vivi o meu 25 de Abril a ser acordado ao som fanhoso de um transistor AIWA que o meu pai me dera como se hoje fosse um iPOD de grande companhia. Ouvia nele as músicas da época que soavam de fora, um modernismo ruidoso ou muitos sucessos da música portuguesa, principalmente canções, já que as proibidas ouvia em casa de amigos mais velhos que conspiravam.</p>



<p>“Um e dois e três era uma vez um soldadinho…” Eu tinha 19 anos, já tinha a mania que era fotógrafo, fazia curtas metragens com uma Beaulieu Super 8, uma câmara que alguns profissionais underground usavam em França. Saí de casa para ver os soldados passar. Levei primeiro a máquina fotográfica, uma Nikon F com uma objectiva normal, comprada por mim com o meu primeiro ganho, como desenhador. Eu era estudante de Belas-Artes e queria ser, como fui, arquitecto.</p>



<p>Nunca tinha vivido um sobressalto daqueles. Lisboa era então uma cidade agitada pois, ao contrário de hoje, não era um museu urbano, mas um organismo mantido vivo e vibrante, por trabalho, cultura, cinema de autor, teatro alternativo, bares e casas de putas, bêbados e jornalistas, miúdas de mini-saia, carros pretos e autocarros de dois andares. Eram muitos os signos daquela Lisboa diversa. Tenho saudades dessa cidade.</p>



<p>O 25 de Abril foi a festa que sabemos e vivemos, que logo se tornou confuso quando o Spínola apareceu na RTP a apadrinhar a revolta dos bravos soldados e dos corajosos capitães, num timbre de voz que fazia adivinhar um novo-velho regime. Depois a revolução ganhou asas e voou e o povo na rua tomou conta da festa, brava no entusiasmo e louca na infantilidade política. Mal sabíamos então que os filhos daquele povo, e os netos, viriam anos mais tarde a encafuarem-se meses e meses em casa, obedientes, medrosos, por causa de um vírus vindo da China, depois de se terem acalentado ao vírus mortal do déficit, que poucos anos antes trouxe o FMI em vez do MFA!</p>



<p>Como fotógrafo perdi muito facto, era um puto que fotografava mas a minha objectiva não apanhava tudo, aliás impossível, tanta era a confusão e a catadupa de acontecimentos. Vi os soldados a desviarem autocarros para a margem Sul, vi o assalto à Embaixada de Espanha, vi o povo como um rio no 1º de Maio de 74, onde toquei Soares e Cunhal no Estádio da alegria no trabalho.</p>



<p>A reconquista da Liberdade depois do 25 de Novembro foi tramada, e a consolidação da dita democracia ainda mais tramada. Um tempo cheio de dramas. A morte de Sá Carneiro na queda da avioneta em Camarate, onde estive, as bombas do MDLP, mais tarde os crimes das FP 25 nunca julgados e que deixaram livres os criminosos de 17 crimes de sangue.</p>



<p>Hoje Portugal avançou mas também recuou muitos passos atrás. Temos 3 milhões de pobres, muitos deles trabalham, outros estão reformados a patacos, a democracia está refém dos que manobram os vários poderes à volta da política. Vivemos hoje um regime mais decadente do que aquele que caiu na rua em Abril de 74. Mas o 25 de Abril valeu a pena se a alma não for pequena.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/6ItyoxL.jpg" alt="" class="wp-image-9438" /><figcaption>fotografia de Luiz Carvalho</figcaption></figure>



<p></p>
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		<title>Um processo NETFLIX</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Carvalho]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 17 Apr 2021 00:01:49 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[José Sócrates]]></category>
		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nesta história, há um juiz que gosta de levar um andor na procissão anual da sua terra. É devoto da Santa e da vila que o viu nascer. O juiz gosta de dar entrevistas em grande às televisões e outros chamados órgãos de comunicação. Tem uma pose que revela alguma vaidade e faz afirmações que [&#8230;]</p>
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<p>Nesta história, há um juiz que gosta de levar um andor na procissão anual da sua terra. É devoto da Santa e da vila que o viu nascer. O juiz gosta de dar entrevistas em grande às televisões e outros chamados órgãos de comunicação. Tem uma pose que revela alguma vaidade e faz afirmações que nos levam a crer que estamos perante um viciado em trabalho, em elaborar acusações e até a fazer comentários sobre os seus processos, do género: “ não tenho amigos ricos que me paguem as contas”. No entanto, soube-se que pediu um empréstimo para as obras na sua casa a um amigo procurador que, por azar dos Távora, foi pronunciado num processo de corrupção.</p>



<p>Há muitos anos, desde o reinado de Salazar, que por cá se valoriza o trabalho, a pobreza e o espírito abnegado. Precisávamos de um justiceiro, um acusador do regime onde os amigos, os grupos, os que estão nos bastidores a governar a vidinha, pudessem ir para o Inferno.</p>



<p>Fazendo inspiração na voz popular, onde tudo o que brilha nos outros é ladroagem, o juiz construiu uma história perfeita no enredo, mas que por vezes entrou no sonho pesado de que um primeiro-ministro podia ser protagonista. Um sucesso brutal nas audiências! Quando um ex-governante passa a viver como um novo-rico, com tiques de pato bravo urbano, é normal levantar desconfianças. Férias a cem mil euros, jantares caros, ténis de 500 paus, chauffeur de pistola ilegal, fatos comprados na baixa de Los Angeles, carros topo de gama, apartamentos palacianos…são vícios estranhos de quem apregoava bicicletas para os cidadãos, computadores de brincar para os alunos, aeroportos faraónicos ou TGV para um país onde um terço dos reformados é pobre.</p>



<p>Na sequência do filme, o homem do argumento mandou prender o fugitivo que entrava no país, acusado por um crime em que mais tarde foi declarado inocente, embora tenha tornado famoso o 33 da suite da prisão de Évora. O homem do argumento, também realizador, mandou prender para investigar, e por pouco não ia julgar os seus próprios actos acusatórios.</p>



<p>Entretanto no Ticão, um super tribunal de instrução criminal com dois juízes apenas, acontece que cada um pensa de forma diferente, com a particular perversão de se odiarem. Um é da província e gosta de ser duro, implacável, indo se puder além das funções, o outro é urbano, pós-moderno, começando nos óculos de estilo e design moderno. E acha que as leis não podem perverter direitos dos acusados. Podemos dizer que o primeiro juiz é um sistema Windows o outro é um sistema IOS. Um complica e faz grandes acusações em processos de 7 mil páginas, o outro simplifica e faz da montanha de páginas um documento minimalista mas, onde as acusações aceites já davam para uma longa estadia na prisão.</p>



<p>Só que, a vingança, ou a fraqueza de quem é rejeitado demasiadas vezes pelos outros juízes superiores, deixaram assistir a um festival de adjetivação como nunca se tinha visto numa leitura de um acórdão, por parte de um juiz.</p>



<p>O Marquês lá do alto, olhando Lisboa, compreende bem esta série Netflix. Também ele foi acusado e a Rainha veio em seu socorro. Mas o que os leitores nunca irão compreender é como foi possível termos aqui chegado, dezenas de anos após o 25 de Abril da Justiça e da igualdade. A Justiça está agora presa numa enorme teia de vaidades e interesses corporativos, e os dois mais altos responsáveis da Nação meteram a cabeça na areia, e acham que nada disto tem a ver com política, mas tão, e só, com uma novela para entretenimento dos votantes totós.</p>
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		<title>O Síndroma de Estocolmo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Carvalho]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Nov 2020 18:14:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Temos de ser prudentes com o covid? Temos.  Devemos aceitar medidas objectivas por parte do governo para a prevenção? Claro que sim. Mas nós, que arriscamos as nossas vidas na estrada, onde morrem centenas de pessoas por ano, além dos incapacitados para a vida, não deixamos de andar de carro, a pé, ou de bicicleta, [&#8230;]</p>
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<p>Temos de ser prudentes com o covid? Temos.  Devemos aceitar medidas objectivas por parte do governo para a prevenção? Claro que sim.</p>



<p>Mas nós, que arriscamos as nossas vidas na estrada, onde morrem centenas de pessoas por ano, além dos incapacitados para a vida, não deixamos de andar de carro, a pé, ou de bicicleta, porque é uma actividade negra para quem se desloca. Cumprimos as regras de trânsito, somos penalizados quando somos apanhados em falta, mesmo em acções baixas por parte da polícia na caça à multa.</p>



<p>Se as mortes, os incapacitados, abrissem os telejornais e fossem o único tema durante hora e meia, o Senhor Costa tomaria logo medidas &#8220;dolorosas&#8221;: ficam proibidos de transportar a família em períodos de datas com pontes, fins de semana. Iriam passar a reduzir a potência dos carritos, incluir travões automáticos de velocidade, usarem máscaras que ficariam vermelhas com a ingestão de tintol e outras substâncias de felicidade. Passariam a ser obrigados a usarem os excelentes transportes públicos ao dispor, não poderiam mudar de concelho ao volante, e só podiam usar o chaço, ou o carro a pilhas, de quinze em quinze dias, nos meses de 28 dias!</p>



<p>Já nem falaremos de noticiários diários, com especialistas em política, a mostrarem grandes <em>powerpoint</em> com os mortos por cancro ( vítimas do malfadado tabaco anti-verde), por ataques cardíacos e até por velhice natural. Seria bem mais assustador do que naqueles tempos em que a palavra &#8220;crise&#8221; era citada até à tortura nos inúmeros noticiários, em looping diário. E como a palavra &#8220;crise&#8221; deixou de ser pronunciada, já não existe.</p>



<p>Agora a covid é o que está a dar, para as audiências mínimas num país micro. A missão dos nossos governantes, eleitos todos por uma baixa votação (os energúmenos que preferem o futebol, novela, à palavra dos partidos, não votam) é serem os nossos pais. Por isso adoramos ditadores.</p>



<p>Protegem-nos, arranjam-nos empregos para a vida no Estado e fundações, em câmaras&#8230;tratam de nós, e se estivermos à rasca mandam-nos para o dolce Lay-off. Entre o medo e a esmola, o cidadão prefere mais a esmola, o paternalismo e as medidas absurdas que nos confinam.</p>



<p>O Zé acha que o Costa e o Tio Marcelo os salvam da calamidade dos arautos da desgraça, os inimigos da democracia, assim os protagonistas do Poder dormem descansados. Lixaram a Liberdade, rasgaram a Constituição, congelaram a economia, destruíram negócios de anos, mas nunca ninguém lhes poderá atirar à cara que não foi por não terem tomado medidas duras. O síndroma de Estocolmo existe. E é disso que a sociedade está a padecer.</p>
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		<title>Castiguem, a gente gosta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Luiz Carvalho]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Nov 2020 00:25:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[cidadania]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos e Liberdades]]></category>
		<category><![CDATA[Estado controlador]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há 19 anos convenceram-nos que devíamos abdicar de uma série de direitos, liberdades e do sigilo pessoal em nome do combate ao terrorismo e da segurança da nossa civilização global. O 11 de Setembro de 2001 foi uma tragédia dantesca, demasiado perfeita para ter sido possível ocorrer daquela forma. Mas a realidade por vezes supera [&#8230;]</p>
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<p>Há 19 anos convenceram-nos que devíamos abdicar de uma série de direitos, liberdades e do sigilo pessoal em nome do combate ao terrorismo e da segurança da nossa civilização global.</p>



<p>O 11 de Setembro de 2001 foi uma tragédia dantesca, demasiado perfeita para ter sido possível ocorrer daquela forma. Mas a realidade por vezes supera a ficção e no caso das Torres Gémeas, um filme da Netflix com este enredo pareceria pouco verosímil.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/c7wZx1m.png" alt="" class="wp-image-5022"/></figure></div>



<p>Mas acabámos por aceitar mudar os nossos hábitos quando viajámos de avião, na partilha de informação, que sabemos ser feita pelo Estado a partir da pegada digital que deixamos por todo o lado. Desde os cartões de crédito, às vias verdes, às câmaras públicas de vigilância…tudo testemunha o que fazemos, o nosso estilo de vida, o nosso potencial de consumidores.</p>



<p>Os movimentos políticos radicais e os governos à esquerda convenceram-nos, mais uma vez, que a fuga fiscal deveria dar lugar a uma ditadura fiscal, aceite logo por gente ingénua que achava que os impostos arrecadados iriam ser postos ao serviço do Estado Social. Afinal, o Estado passou a cobrar o que devia e o que não devia, sem que o contribuinte pudesse em tempo útil e de forma célere poder defender-se.</p>



<p>Hoje o dinheiro dos impostos continua a ser consumido por um Estado gastador que se alimenta a si próprio, continuando a criar milhares de funcionários, muitos inúteis, outros competentes e mal pagos, porque nunca houve uma avaliação séria do papel do Estado e da sua estrutura. Mas o cidadão comum que trabalha, sustenta família e pouco pode protestar, aguenta. E até gosta. Desde que haja um Presidente-<em>enterteiner</em>.</p>



<p>Quem da geração de sessenta e setenta lutou pela liberdade, contra a ideia de família como suporte de um regime paternalista, que sabia ser útil pagar a dois trabalhadores o que um devia receber, pois despesas divididas por dois é mais fácil haver contenção salarial, nunca pôde contar com o seu rendimento unipessoal. Salvo os da classe média-alta.</p>



<p>Quando sonhávamos com uma sociedade social-democrata, à sueca, com carrinhas Volvo para levar os filhos à escola, ou onde cada um vive por si sem truques de coligação matrimonial, chegaram os movimentos gay a reivindicarem não o direito à liberdade, não o natural direito à diferença, mas sim o direito a terem como modelo a sociedade assente na família, sempre conservadora, querendo desenterrar essa instituição burguesa que é o casamento.</p>



<p>Com a crise das dívidas soberanas passámos a aceitar a austeridade, o corte nos rendimentos, o roubo nas pensões de quem tinha descontado uma vida, aceitámos que a sociedade ideal é afinal aquela em que se anda de bicicleta, se pagam impostos-multa por usar um veículo tradicional, que quem amealha deve ser punido, e que o bom investimento é aquele em que o Estado utiliza o nosso dinheiro para se autopromover e assim os poderes políticos instalados poderem ganhar eleições, aumentando sempre a despesa.</p>



<p>Já não temos um Estado. Temos um <em>reality-show</em> com chamadas de votos acrescentados. E também perdemos a ideia de Nação. Se for caso disso, vendemos a chineses o que é estratégico do ponto de vista da economia e até da segurança nacional.</p>



<p>Depois veio o <em>covid</em>, um fenómeno tão perfeito de enredo como outra série Netflix. O vírus surge na China, perto de um laboratório farmacêutico, espalha-se pelo Mundo, mas a China está agora livre do vírus, enquanto o Mundo informado morre de medo, das complicações que o vírus gera, sem que ninguém pergunte pelo milagre dos chineses. Eles que comem cães, talvez comam o vírus à sobremesa.</p>



<p>Estamos num tempo em que o Estado já percebeu que pode proibir sem critério, sem coerência. Quem regressa do trabalho tem de esperar 3 horas para passar a ponte? As televisões em direto explicam ao Bom Povo Português, que tem de ser obediente e seguir as ordens, mesmo inconstitucionais, do grande líder.  Se a tecnologia tudo mudou nos últimos 20 anos, as ditaduras também passaram a ser exercidas de outra maneira. O que conta é o resultado. E este resultado nem precisa de prognóstico no fim do jogo.</p>
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