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	<title>Arquivo de cinema - Duas Linhas</title>
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		<title>OS DESERTOS VERMELHOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vasco Gil Mantas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Aug 2025 23:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O tempo passou e deixou marcas e desertos</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há filmes que, pessoalmente, ganham em não ser visionados na altura em que surgiram nas salas. Fui, em tempos, um frequentador assíduo de cinemas, prática que fui perdendo à medida que se instalavam as ficções estelares que vieram substituir a cinematografia do velho <em>Peplum</em>, repleto de vilões e heróis mais ou menos míticos e de capitosas donzelas com mais curvas que talento. Os ruidosos trituradores de pipocas também contribuíram para este desgosto, sentido com melancólica aceitação, como aceitei – ou não? – o desaparecimento de tantos outros locais e coisas de memórias recentes e antigas.</p>



<p>Descansai: nesta temporada de fugidia alienação sugerida pelas férias em modo tentado, não vou traçar uma lista de cinemas desaparecidos. Desejo apenas, <em>en passant</em>, recordar o Avis, em Luanda (Ah! Mais uma vez, Angola!…), onde, entre outros, assisti à projecção de um inesquecível <em>Kartum.</em> Este filme, confesso, teve para mim um sabor especial, porque me embalava ainda no sonho imperial que toda a Europa abandonara já, deixando-me o gosto de cinza das epopeias vencidas, epopeias que não eram de todos, afinal.</p>



<p>Mas, com estas recordações de um outro tempo e vivência, afastei-me, sem o desejar, destas <em>Duas Linhas</em>, inspiradas pela solidão estival, quando tudo parece permanecer inalterado à nossa volta, embora saibamos que não é assim e as ausências, multiplicadas, se instalam com todo o seu peso, sem tréguas, sem forma, sem cor, mas reais, tão reais. Continuemos a navegar um pouco à bolina, proa à onda, nesta crónica, apenas guiado pelo farol do tema central que escolhi.</p>



<p>Por acaso, vi há alguns dias – expressão que tem aqui apenas o sentido de medida de tempo, pois foi à noite – um filme que deve ter passado entre nós em 1964 e que, confesso, talvez na altura não me tivesse levado ao cinema. A película em questão foi <em>O Deserto Vermelho</em>, de Antonioni. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1025" height="544" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/deserto-vermelho.png" alt="" class="wp-image-43809" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/deserto-vermelho.png 1025w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/deserto-vermelho-300x159.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/deserto-vermelho-768x408.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/deserto-vermelho-696x369.png 696w" sizes="(max-width: 1025px) 100vw, 1025px" /><figcaption class="wp-element-caption">Mónica Viti numa cena do filme <em>O Deserto Vermelho</em>.</figcaption></figure></div>


<p>Este filme conta uma história tão actual, com os seus mistérios, encontros, desencontros, desesperos e fraquezas humanas, sobre um fundo de decadência da civilização industrial, poluidora, insensível, destruidora, um filme quase ecológico, porque humano. A narrativa, protagonizada por Mónica Viti, decorre no cenário deprimente dos subúrbios fabris de Ravena (Fig. 1), outrora centro de outro poder, o do também decadente Império Romano do Ocidente. Mas isto são outras histórias, que talvez fosse bom recordar nestes tempos europeus tão infelizes e incertos. Fica para outra oportunidade.&nbsp; &nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full is-resized"><img decoding="async" width="367" height="480" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/Fig.-2.jpg" alt="" class="wp-image-43807" style="width:367px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/Fig.-2.jpg 367w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/Fig.-2-229x300.jpg 229w" sizes="(max-width: 367px) 100vw, 367px" /><figcaption class="wp-element-caption">o livro de Lartéguy <em>A Cidade Estrangulada</em></figcaption></figure></div>


<p>Não quero assumir a função de crítico cinematográfico, embora reconheça agora leituras que não faria há mais de meio século. A propósito de leituras, ocorre-me que o romance de Jean Lartéguy – quem o lê hoje? – <em>A Cidade Estrangulada</em>, quando o reli há pouco, me causou um sentimento de tristeza, muito diferente do que sentira ao lê-lo em Luanda, pois nessa época ainda não se instalara o deserto da dúvida, um dos muitos <em>desertos vermelhos</em> que apoquentam o homem e a sociedade, sempre sensíveis aos renovados (?) ventos da História, que cultivam desertos e secam vidas. Quem duvidar que veja os noticiários televisivos. E não se iluda!</p>



<p>Talvez a lição última do filme de Antonioni seja a única a observar, neste confuso e não menos vergonhoso século XXI: a de que devemos aceitar a nossa vida como somos, pois não teremos outra. Esqueceremos, assim, o princípio enunciado no título do livro do arqueólogo Gordon Childe, <em>O Homem Faz-se a Si Próprio, </em>cuja leitura nos foi sugerida pelo Prof. Furtado, em Faro, num tempo em que o Algarve era outro? O tempo passou e deixou marcas e desertos. Um deles chama-se Guerra do Ultramar ou Colonial – hoje, nada passa sem uma multiplicidade de sentidos, com a conveniente incerteza e indefinição… – e este deserto nem todos o conseguiram já atravessar. Uma guerra que muitos pretendem ocultar, calando-se como num quase pacto de silêncio, calando sentimentos e experiências, para além da permanente <em>vulgata</em> habitual, mergulhados num banho de acusações, suspeitos disto e daquilo.</p>



<p>Talvez por isso os antigos combatentes experimentem um sentimento de culpa generalizada, uma espécie de pecado original de toda uma geração que começa a desaparecer e ainda procura um sentido para aquele tempo, que não seja apenas o da perda absurda. Será esta razão que inibe os veteranos de usar o distintivo concedido pelo Ministério da Defesa, exprimindo o <em>Reconhecimento da Nação</em>? Porque se consideram culpados? Porque os fizeram sentir culpados? Numa época de anacrónicos revisionismos históricos – e é preciso não esquecer o quanto o uso da História ao serviço de Política é perigoso, por ser sugestivo e muito eficiente… – não chamou aos militares de então uma conhecida jornalista nossa contemporânea <em>a soldadesca</em>, palavra desde logo odiosa? Afinal, quem fez o 25 de Abril?</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="538" height="389" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/antigo-combatente.png" alt="" class="wp-image-43804" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/antigo-combatente.png 538w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/antigo-combatente-300x217.png 300w" sizes="(max-width: 538px) 100vw, 538px" /><figcaption class="wp-element-caption">A insígnia identificadora de <em>Antigo Combatente</em></figcaption></figure></div>


<p>Envelhecemos, os almoços de confraternização vão rareando e, na busca de um sentido para o que sucedeu, erramos num <em>deserto vermelho</em>, sem rumo garantido para tanta memória contraditória. Consideramos que não vivemos esses anos e que os perdemos para sempre, de todas as formas? Como hei-de terminar este escrito? Que esperança invocar para que este Verão, já adiantado, de sombras alongadas, seja aquela estação impossível de penumbras frescas em quartos velados e de insuspeitos hinos ao Sol e não a busca insensata do perdido? Afinal, não será a vida uma procura constante de nós próprios, sacrificados à identidade do que pensamos ser?</p>



<p>As comédias de Verão preenchem as salas quase vazias dos cinemas, o calor aperta, as guerras continuam, toda a gente finge a felicidade garantida por mais uma aquisição supérflua ou apenas por um gelado apetitoso, com sabor exótico, como deve ser agora. Quanto ao mais, os <em>desertos vermelhos </em>continuam por aí, individuais ou colectivos, de braço dado com o tempo passado, que já foi futuro. E ardem as árvores, que também já o foram, ontem.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-1024x576.png" alt="" class="wp-image-43616" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Incêndio florestal algures em Portugal</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/08/os-desertos-vermelhos/">OS DESERTOS VERMELHOS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>António Casimiro, 91 anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paulo Morais-Alexandre]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Jun 2025 23:00:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Está aqui alguém que faz parte da História das Artes do Espetáculo em Portugal</p>
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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="592" height="263" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/cenografia.png" alt="" class="wp-image-42592" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/cenografia.png 592w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/cenografia-300x133.png 300w" sizes="auto, (max-width: 592px) 100vw, 592px" /></figure></div>


<p>Hoje escrevo e homenageio um grande amigo, uma das pessoas de quem mais gosto na vida. Mas, registe-se, desde logo, que esta homenagem não é de todo motivada pela amizade, mas pelo reconhecimento devido a um homem, a um artista, absolutamente excecional – António Casimiro.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Desde sempre que venho acompanhando a sua obra, mesmo sem o saber.</p>



<p>Uma das primeiras vezes que fui ao teatro, corria o ano de 1975, foi exatamente para assistir a um espetáculo cuja realização plástica estava a seu cargo. Tratava-se d’<em>As Espingardas da Mãe Carrar</em>, com encenação de João Lourenço, na saudosa e ora desaparecida Casa da Comédia, na Rua de São Francisco de Borja, ali à Lapa, na rua onde morava. Na altura, não sabia quem era o cenógrafo, mas, com o tempo, vim a descobrir quem era António Casimiro.</p>



<p>Conheci-o, muito mais tarde, na Escola Superior de Teatro e Cinema, ainda instalada no velho edifício do Conservatório Nacional, sendo eu o último dos assistentes e Jorge Listopad o exigentíssimo presidente da Escola. Este encenador e também pedagogo havia, em 1980, contratado António Casimiro para professor de Cenografia no curso de Realização Plástica do Espetáculo. Desde esse dia que se tornou uma referência perene a vários níveis, muito tendo aprendido com o seu convívio, porque António Casimiro é também a história das Artes do Espetáculo viva, já que esteve presente, ou melhor, participou de forma muito actuante em alguns dos seus mais importantes momentos.</p>



<p>Nascido no dia 26 de junho de 1934, António Casimiro é um dos mais importantes cenógrafos portugueses, tendo obra relevante em Teatro, Ópera, Dança, Cinema e Televisão, mas é muito mais do que isso: é também figurinista, pintor e até decorador, sendo ainda de referir a sua atividade como galerista, tendo chegado a ser proprietário da Galeria Época, com um grupo de amigos, qualquer deles notável, como Afonso Botelho, António Botelho ou Artur Bual.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><strong>A formação</strong></p>



<p>A formação de António Casimiro na área das Artes Plásticas começou na juventude, ao ingressar na Escola de Artes Decorativas António Arroio, que concluiu, passando depois para a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Lembre-se que é da geração e foi colega e muito amigo, entre outros, de René Bertholo e de João Vieira. Abandonaria o curso para ingressar numa escola muito importante, não formal, onde tantos fizeram notáveis formações práticas ao nível da gravura e do desenho, a Casa da Moeda, aqui trabalhando na área das Artes Gráficas, tendo chegado a produzir vários trabalhos na esfera do que se designa como Design Visual, nomeadamente selos de grande circulação. Voltaria às Belas Artes, mais tarde, para concluir a sua formação em Pintura e seriam muitas as suas exposições nesta área, como a que realizou em 2017 sob a epígrafe de <em>Entre Telas</em> na Casa da Cultura Jaime Lobo e Silva, Ericeira.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="803" height="601" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-2.png" alt="" class="wp-image-42611" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-2.png 803w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-2-300x225.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-2-768x575.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-2-696x521.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-2-265x198.png 265w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-2-530x396.png 530w" sizes="auto, (max-width: 803px) 100vw, 803px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Posteriormente viriam as bolsas da Fundação Calouste Gulbenkian, em Roma, Milão e Paris. A Itália, mas à Itália moderna, voltaria para, em Florença, cursar Cenografia para Televisão.</p>



<p><strong>A cenografia e figurinos</strong></p>



<p>Trata-se de um dos mais importantes cenógrafos de sempre, não só de Portugal, onde poucos com ele poderão ombrear, com uma notável obra ao nível das artes performativas e da imagem em movimento, mas também alguém com muitas das criações que assinou a terem grande visibilidade internacional, como as cenografias que produziu para os <em>Jogos sem Fronteiras</em>, talvez o mais popular programa europeu dos anos 80 e 90. Ainda ao nível do trabalho para televisão, há a referir a sua colaboração com a TV Globo na cenografia da obra <em>O Primo Basílio</em>. Foi diretor de cenografia da RTP e podem ainda ser citados os seus trabalhos para <em>Os Maias</em> ou <em>Tragédia da Rua das Flores </em>ou<em> Felizmente há Luar</em> e mesmo, no campo da comédia, a cenografia para a série <em>Os Trapalhões em Portugal</em>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="718" height="544" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-3.png" alt="" class="wp-image-42612" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-3.png 718w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-3-300x227.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-3-696x527.png 696w" sizes="auto, (max-width: 718px) 100vw, 718px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Ainda para televisão, juntou a este meio o seu amor pelo Teatro, tendo feito cenários para teatro televisionado, caso das ilustrações que realizou para o programa baseado na peça de teatro de Luiz Francisco Rebello &#8211; <em>O Mundo começou às 5 e 47</em>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="952" height="563" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-4.png" alt="" class="wp-image-42613" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-4.png 952w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-4-300x177.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-4-768x454.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-4-696x412.png 696w" sizes="auto, (max-width: 952px) 100vw, 952px" /></figure></div>


<p>Do trabalho para bailado refira-se, entre outras, a colaboração com o bailarino e coreógrafo Armando Jorge, de que se destaca a criação do espaço cénico para o bailado <em>La Silphide</em>.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Trabalhou para o Teatro Nacional de São Carlos, sendo, nomeadamente, seus os cenários das óperas <em>Prima la musica poi le parole</em> de Antonio Salier<strong>i</strong>, onde recria no palco a sala em que a ópera é apresentada e que serviria de modelo para outras cenografias. Cite-se ainda a realização plástica da ópera <em>D. Duardos e Flérida</em>, tendo ainda realizado cenários para a área da ópera fora deste teatro, mais concretamente com uma impressionante cenografia para a ópera <em>Albert Herring,</em> de Benjamin Britten, encenada por João Lourenço e apresentada no Teatro Aberto no ano de 2002.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="733" height="519" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-5.png" alt="" class="wp-image-42615" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-5.png 733w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-5-300x212.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-5-696x493.png 696w" sizes="auto, (max-width: 733px) 100vw, 733px" /></figure></div>


<p>No campo teatral, trabalhou com os mais notáveis encenadores portugueses, com o tantas vezes esquecido Artur Ramos, com Paulo Renato, Luís de Sttau Monteiro, Jorge Listopad, João Mota, José Peixoto, Carlos Avilez, entre vários outros.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Ainda na esfera do Teatro, não pode deixar de ser citada a longa colaboração que vem mantendo com o encenador João Lourenço, para quem assinou tantas cenografias que se tornaram referência, desde <em>As Espingardas da Mãe Carrar</em> na Casa da Comédia, mais recentemente, no presente milénio, na nova casa do Teatro Aberto e do mesmo dramaturgo, os cenários para <em>O senhor Puntila e o seu criado Matti</em>. Cite-se ainda a sua cenografia para <em>Vermelho</em>, onde recriou uma pintura de Mark Rothko, hoje pertença do acervo do Museu Nacional do Teatro e da Dança.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="387" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-6-1024x387.png" alt="" class="wp-image-42617" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-6-1024x387.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-6-300x113.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-6-768x290.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-6-696x263.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-6-1068x404.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-6-1320x499.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-6.png 1346w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>No Cinem trabalhou com inúmeros realizadores, mas não pode ser escamoteada a sua grande ligação a Manoel de Oliveira, sendo de referir, entre outros, o trabalho que fez para os filmes <em>Francisca</em>, <em>Le Soulier de Satin</em>, <em>Benilde ou a Virgem-Mãe, Amor de Perdição</em>. Trabalhou também com outros realizadores, como o seu particular amigo Artur Semedo, mas também os realizadores que mudaram o panorama do cinema em Portugal com o Novo Cinema Português e cite-se as colaborações com Luís Filipe Rocha<a> </a>em <em>Cerromaior</em>, Eduardo Geada n’<em>O Banqueiro Anarquista</em> e Antonio de Macedo n’<em>Os Abismos da Meia-Noite</em>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="977" height="643" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-7.png" alt="" class="wp-image-42621" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-7.png 977w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-7-300x197.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-7-768x505.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-7-696x458.png 696w" sizes="auto, (max-width: 977px) 100vw, 977px" /></figure></div>


<p>Em 1990, foi convidado por uma das mais relevantes criadoras contemporâneas, Rebecca Horn, para cenografar o filme <em>The Buster&#8217;s Bed Room</em>com Donald Sutherland e Geraldine Chaplin, entre outros.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Em tudo o que fez houve um total profissionalismo, um perfeccionismo hoje tão raro, houve rigor, nomeadamente quando foi necessário existir realismo, mas também existiu inovação e experimentação.</p>



<p>A sua relevância levou-o a ser o representante de Portugal no mais importante evento mundial dedicado à cenografia, a Quadrienal de Praga.</p>
</div></div>



<p><strong>&nbsp;Figurinista</strong></p>



<p>Embora o seu trabalho na esfera da realização plástica do espetáculo mais conhecido seja na área da cenografia, a sua produção enquanto figurinista não é de todo despicienda e inclui um número muito significativo de trabalhos, abrangendo também várias áreas do espetáculo, sendo de destacar o cuidado que tem nas ilustrações, evidenciando cristalinamente o que pretende, o que permite ao executante compreender facilmente o projeto e concretizar o figurino.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Dos figurinos pelos quais se responsabilizou, citem-se apenas alguns, nomeadamente os projetados para o espetáculo baseado na peça de Henrik Ibsen – <em>Um Inimigo do Povo</em>, levada à cena em Lisboa, no Teatro Capitólio, no já remoto ano de 1972, sendo a tradução, adaptação e encenação de Luís de Sttau Monteiro.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="297" height="750" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-8.png" alt="" class="wp-image-42623" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-8.png 297w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-8-119x300.png 119w" sizes="auto, (max-width: 297px) 100vw, 297px" /></figure></div>


<p>Refiram-se ainda os figurinos que realizou para a companhia “Intervalo” Grupo de Teatro, nomeadamente para <em>Dom Quixote de la Mancha</em>, um espetáculo baseado na obra de António José da Silva (O Judeu)<strong> </strong>– <em>A Vida do Grande D. Quixote de la Mancha e do Gordo Sancho Pança</em>.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="492" height="684" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-9.png" alt="" class="wp-image-42625" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-9.png 492w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-9-216x300.png 216w" sizes="auto, (max-width: 492px) 100vw, 492px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="517" height="687" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-10.png" alt="" class="wp-image-42626" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-10.png 517w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-10-226x300.png 226w" sizes="auto, (max-width: 517px) 100vw, 517px" /></figure></div></div>
</div>



<p>Também desenhou figurinos para o Teatro Nacional de São Carlos, como para a ópera <em>Três Máscaras</em>, corria o ano de 1986.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="550" height="747" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-11.png" alt="" class="wp-image-42627" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-11.png 550w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-11-221x300.png 221w" sizes="auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px" /></figure></div>


<p>Por fim, refira-se algo mais inesperado, mas também significativo: chegou a criar figurinos para o <em>Festival RTP da Canção</em>, nomeadamente no ano de 1973.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="444" height="652" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-12.png" alt="" class="wp-image-42628" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-12.png 444w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-12-204x300.png 204w" sizes="auto, (max-width: 444px) 100vw, 444px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="490" height="703" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-13.png" alt="" class="wp-image-42629" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-13.png 490w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-13-209x300.png 209w" sizes="auto, (max-width: 490px) 100vw, 490px" /></figure></div></div>
</div>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><strong>O Pedagogo</strong></p>



<p>Há, ainda, algo que deve ser realçado e que geralmente é esquecido, mas não pode de forma alguma ser escamoteado: o seu trabalho como pedagogo, ou seja, o seu labor como docente do curso de Cenografia, depois designado como Realização Plástica do Espetáculo na Escola Superior de Teatro e Cinema, onde foi professor convidado a partir de 1980, tendo formado várias gerações de cenógrafos, muitos dos quais de grande relevo no presente, nas áreas do cinema, teatro, dança e televisão, como Sérgio Loureiro, Mariana Sá Nogueira, Fernando Ribeiro, Marta Carreiras, Ana Paula Rocha, Luís Santos, Artur Pinheiro, Stephen Alberto, Catarina Amaro e acredite-se que neste pequeno elenco são injustamente esquecidos outros tantos nomes importantes.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><strong>A Pintura e o Desenho como escape</strong></p>



<p>Também menos referida é a sua obra pictórica, com uma evidente relação com a cenografia, sendo muitas vezes um desenvolvimento do que faz para o Teatro, a sua atividade primordial, algo que tantas vezes se reflete nas suas telas, mas, por outro lado, criado de forma propositadamente distinta.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="600" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-14-1024x600.png" alt="" class="wp-image-42631" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-14-1024x600.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-14-300x176.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-14-768x450.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-14-696x408.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-14-1068x626.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-14.png 1150w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A razão pela qual se dedica ao desenho e à pintura será exatamente a mesma pela qual também Marc Chagall o fez: este pintor declarou liminarmente que havia escolhido aquela forma artística, porque ela lhe era tão necessária quanto os alimentos e que, paralelamente, parecia ser uma janela a partir da qual poderia voar para outro mundo. Neste caso, a pintura e o desenho servem, sem dúvida, de refúgio e surgem como áreas paralelas à profissão de cenógrafo, que é a principal que desenvolve, mas como uma atividade que é, ao mesmo tempo, acessória e fulcral. A sua pintura tem também que ser entendida como parte integrante da sua pesquisa plástica, uma investigação que jamais cessa, movida por uma enorme curiosidade relativamente às formas e cores. Assim, mesmo que seja possível encontrar alguns denominadores comuns relativamente ao que faz como cenógrafo, percebe-se que há, não uma dispersão, mas uma busca incessante da pureza das formas, numa pintura que apela claramente à emotividade, onde a pincelada ou o traço largo são assumidos como importante componente de expressão; com manchas de cor de grandes dimensões.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="716" height="717" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-15.png" alt="" class="wp-image-42633" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-15.png 716w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-15-300x300.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-15-150x150.png 150w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-15-696x697.png 696w" sizes="auto, (max-width: 716px) 100vw, 716px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Fica a faltar referir um aspeto que todos nós que somos amigos do António Casimiro conhecemos muito bem: Paralelamente a todas as suas criações, ele cultiva o prazer pelo desenho. Aqui, a representação do corpo feminino é muito significativa, quer meramente em termos de cômputo numérico, ocupando uma percentagem muito expressiva da produção, mas sobretudo pela grande qualidade que muitas patenteiam e pela variedade de formas como este tema é tratado. A este respeito, permita-se-me uma inconfidência: na sua versatilidade, neste prazer pelo desenho, descobri o seu gabinete secreto, um <em>corpus</em> absolutamente notável de temática erótica, que vai ser inventariado, estudado, exposto e publicado, porque é realmente um conjunto excecional, que merece ser conhecido.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="554" height="739" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-16.png" alt="" class="wp-image-42634" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-16.png 554w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/06/a-casimiro-16-225x300.png 225w" sizes="auto, (max-width: 554px) 100vw, 554px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><strong>Conclusão, por enquanto…</strong></p>



<p>Em tudo o que fez e faz há, na obra de António Casimiro, um total profissionalismo, um perfeccionismo hoje tão raro. Há muito rigor, nomeadamente quando é necessário existir realismo, mas também há muita inovação, há experimentação, há criação e há, sobretudo, Arte.</p>



<p>Digam-me, agora, se não está aqui a História das Artes do Espetáculo em Portugal?!</p>
</div></div>
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		<title>Quimera</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sónia Andrade]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Mar 2025 00:05:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Charlie Chaplin]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[cinema mudo]]></category>
		<category><![CDATA[filme "A Quimera de Ouro"]]></category>
		<category><![CDATA[filme “A História de Souleymane”]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>À direita da oficina, uma pilha de carros para abate, mas ali sossegados numa camada de pó. À esquerda, outros tantos, ainda a pedir vida, os assentos para os meus primos e eu. Não eram os carros que nos impressionavam, era a parede branca onde, assim que se ouvia o trrrtt trrrtt da máquina mágica [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>À direita da oficina, uma pilha de carros para abate, mas ali sossegados numa camada de pó. À esquerda, outros tantos, ainda a pedir vida, os assentos para os meus primos e eu. Não eram os carros que nos impressionavam, era a parede branca onde, assim que se ouvia o trrrtt trrrtt da máquina mágica do Sr. João, Charlot aparecia na parede! Riamos, chorávamos com as histórias do vagabundo, Charlot na primeira pessoa. Pedíamos sempre para repetir e o Sr. João fazia-nos sempre a vontade como um maestro perante uma ovação transcendental.</p>



<p>Hoje, desço a Avenida da Liberdade trauteando a música romântica. O filme, o vagabundo, o poder de uma orquestra ao vivo, a voz de um filme que nunca é mudo, traz a lágrima no canto do olho e a risada no canto da boca, “A Quimera de Ouro”. A orquestra é brutal, a sala do São Jorge também, é tudo absolutamente bonito. Saí encantada, princesa num conto de fadas.</p>



<p>O cinema é um milagre que tanto nos salva como destrói. Quando nenhuma dessas coisas acontece, é porque foi assim-assim, de mastigar e deitar fora. Vivemos tempos modernos onde as imagens e os instantâneos de histórias só contribuem para a estupidificação. Tempos de pastilha elástica…</p>



<p>E vou trauteando pela Avenida da Liberdade a música que Charlie Chaplin compôs, Charlot interpretou, e a orquestra tocou com mestria. Acabou-se a quimera, descobriu-se o ouro. Puro cinema.</p>



<p>Numa outra noite, entrei no Salão Nobre da Voz do Operário que faz justiça ao nome. Um ecrã pequeno, mas suficiente, cadeiras de plástico, a espera pelo início da sessão.</p>



<p>Desde o primeiro frame que não há nada de assim-assim ou pastilha elástica. Ele prende-nos de imediato e atrás dele seguimos pelas ruas de Paris em busca do que parece ser apenas uma quimera.</p>



<p>Começo a mexer-me na cadeira, perdi a postura confortável que não recuperarei. E a história vai piorando e por ele nos apaixonamos cada vez mais, é uma genuinidade galopante.</p>



<p>Não chorei, estava demasiado incomodada para isso. É isso mesmo “A História de Souleymane”, um incómodo insistente maior do que um soco no estômago. Não dá lugar a lágrimas, é seco, não nos deixa olhar para o lado.</p>



<p>Quando finalmente conhecemos a história escondida de Souleymane rendemo-nos, não apenas à dureza do que relata, mas à estonteante interpretação de um ator no seu primeiro papel, inspirado na sua própria vida.</p>



<p>Saí encantada e sofrida, não trauteei nenhuma canção, não fui princesa, mas saí feliz porque pude escolher sair feliz. O cinema é um milagre que tanto nos salva como destrói.</p>



<p>Caminho pelo bairro da Graça sem chuva, o elétrico 28 passa por mim. A rua está molhada, as luzes refletem-se esborratadas nas poças de água, o super-mercado ainda está aberto.</p>



<p>Charlot é a mais bonita recordação que tenho do cinema. A “Vida de Souleymane” restaurou-me a fé nele. É um dos filmes mais duros e encantadores que vivi. Puro cinema.</p>
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		<title>PEDRÓGÃO GRANDE SOFRIMENTO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Dec 2022 21:33:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
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		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
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		<category><![CDATA[alterações climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[documentário “From Devil’s Breath”]]></category>
		<category><![CDATA[incêndios florestais]]></category>
		<category><![CDATA[Leonardo DiCaprio]]></category>
		<category><![CDATA[Pedrógão Grande]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Portugal nas telas do cinema mundial, por causa de um filme produzido por Leonardo DiCaprio. O filme chama-se “From Devil’s Breath”, numa tradução livre &#8220;O Assopro do Diabo&#8221; e retrata a catástrofe que aconteceu em Pedrogão Grande, em 2017. “From Devil’s Breath” é uma curta-metragem documental de 40 minutos que conta a história de sobreviventes [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Portugal nas telas do cinema mundial, por causa de um filme produzido por Leonardo DiCaprio.</p>



<p>O filme chama-se “From Devil’s Breath”, numa tradução livre &#8220;O Assopro do Diabo&#8221; e retrata a catástrofe que aconteceu em Pedrogão Grande, em 2017.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="From Devil’s Breath | Official Trailer" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/OXjWSO54TGw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><sub>trailer de “From Devil’s Breath”</sub></figcaption></figure>



<p>“From Devil’s Breath” é uma curta-metragem documental de 40 minutos que conta a história de sobreviventes do grande incêndio de Pedrógão Grande, no verão de 2017, que vitimou 66 pessoas.</p>



<p>As gravações para o documentário decorreram no início de 2020 e retratam a história de Nádia Piazza, que perdeu o filho e que foi presidente da Associação das Vítimas do Incêndio de Pedrógão Grande, de um dos feridos graves, Vítor Neves, do bombeiro Sérgio Lourenço e de Sofia Carmo, dinamizadora de projetos de reflorestação na área afetada.</p>



<p></p>
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		<title>MORTOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sónia Andrade]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 04 Nov 2022 14:25:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O contraponto com o iogurte natural não funcionou como pensei. Ainda mais enganei-me, comprei o leite cozido que não tem metade do sabor ou graça. Mas ajudou a serenar a barriga e a cabeça. Precisava urgentemente de leite condensado para lançar uma bomba calórica bem no centro da nulidade. Acabei a taça, escolhi um filme [&#8230;]</p>
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<p>O contraponto com o iogurte natural não funcionou como pensei. Ainda mais enganei-me, comprei o leite cozido que não tem metade do sabor ou graça. Mas ajudou a serenar a barriga e a cabeça. Precisava urgentemente de leite condensado para lançar uma bomba calórica bem no centro da nulidade. Acabei a taça, escolhi um filme com o actor que durante muito tempo achei que não passava de uma carinha laroca até ver o Kalifornia. Carreguei no play.</p>



<p>Casablanca, II Guerra Mundial, vestidos de cetim e carros que hoje parecem de brincar, Londres, o som das sirenes dos bombardeamentos, um grande amor.</p>



<p>O barulho das conversas lá fora quedou-se se num burburinho quase inaudível. O silêncio pesado na casa deu lugar a uma brisa ligeira, suave. Não está calor nem frio.</p>



<p>Deitada, na perna direita dobrada o portátil, na esquerda, escondido, um peso familiar. Desviei o Mac e dei de caras com aquele focinho, aqueles olhos azuis gritantes vidrados em mim. Paz. Alcancei a paz depois de muitos dias de &#8220;o que é que me vai acontecer hoje?&#8221;, o pensamento a mil, o sono a fugir por muito que o tentasse agarrar, a inquietação intermitente, os ataques de pânico. Um deles levou-me a voz por eternos minutos, mas bem sei porquê, bem sei do que fujo. Mas tudo isto ficou à beira da cama, há muito que me encontrava em Londres a seguir o amor deles com morte anunciada. E ela chega, num ambiente cinematográfico bonito, tão bonito, tão simples. A morte chega pela mão do argumentista que a escreve singela, tão bela, sofrível, a perpetuação do amor. O amor não morre no suicídio da protagonista. O amor nunca morre.</p>



<p>Cai o genérico, caem-me as primeiras lágrimas, as do filme. Fecho o portátil e continuo deitada de barriga para cima. Choro os beijos que me faltaram, os abraços que não senti, as festas no cabelo capazes de me abraçarem por inteiro. Choro a minha solidão durante este turbilhão de coisas menos boas, más péssimas. Choro por muito mais.</p>



<p>Roço com as pernas as pregas das calças de ganga, há quase uma semana que não visto mais nada, é cetim para mim. Enfio os pés nus na colcha castanha, sinto a textura e aí sim, choro os meus mortos. Não me abraço às almofadas nem me ponho em posição fetal. Não, entrego o meu corpo ao choro, sinto-o bocadinho a bocadinho, até me atingir por inteiro. Paro, recomeço, uma e outra vez. Fico tranquila, venci a velocidade do pensamento, o pânico de ataques permanentes, a solidão. Não escondi nenhuma dor enterrada dentro de mim. O gato saiu da cama, penso que as minhas lágrimas o assustaram. A mim não.</p>



<p>Era suposto tomar um duche mas, tal como o sal do mar que se gruda no corpo depois da praia, não quero lavar as lágrimas que se entranharam na pele. Não quero aquecer a sopa, não quero organizar as pastas para amanhã. Hei-de fazer isso tudo. Por agora só quero outro filme com o actor que já levo a sério, não obstante a carinha laroca.</p>



<p>Aqui o décor é de um cinzento eléctrico, é a noite que desliza sobre linhas, o barulho que vem do restaurante por debaixo da janela, o amarelo torrado dos candeeiros que velam sempre por mim.</p>



<p>Amanhã vai estar tudo onde deixei, excepto talvez os ataques de pânico que levaram uma banhada com as lágrimas, mas sei que o reboliço vai acordar-me bem cedo. É quase certo. Amanhã.</p>



<p>Hoje entrego-me ao cinema que empurrou a tristeza e me deixou ali na cama, a roçar as pregas das calças de ganga e enfiar os pés nus na colcha castanha. Hoje choro os meus mortos e tudo em mim é vida.</p>
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		<title>BEATRIZ COSTA, 26 anos depois</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 15 Apr 2022 09:39:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[LIFESTYLE]]></category>
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		<category><![CDATA[Beatriz Costa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há 26 anos morria Beatriz Costa, grande vedeta da época dourada do cinema português. Beatriz teve uma vida surpreendente. Filha de um moleiro, o sr. António Isidro, e de uma lavadeira, a dona Claudina da Conceição, Beatriz nasceu em 1907 na aldeia da Charneca, perto da Venda do Pinheiro, Mafra. Morreu a 15 de abril [&#8230;]</p>
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<p>Há 26 anos morria Beatriz Costa, grande vedeta da época dourada do cinema português. Beatriz teve uma vida surpreendente. Filha de um moleiro, o sr. António Isidro, e de uma lavadeira, a dona Claudina da Conceição, Beatriz nasceu em 1907 na aldeia da Charneca, perto da Venda do Pinheiro, Mafra. Morreu a 15 de abril de 1996, em Lisboa.</p>



<p>O sucesso fez dela um ídolo para os que se identificam como saloios. Uma imagem de marca que ela cultivou.</p>



<p>No concelho de Mafra preserva-se a memória que Beatriz Costa deixou, nomeadamente no Auditório Municipal de Mafra, com o seu nome, e o Museu Popular Beatriz Costa, na Malveira.</p>



<p>Beatriz começou no teatro como corista em 1923, tinha apenas 15 anos. Mas depressa agarrou os principais papéis em muitas peças de revista (teatro musicado) em diferentes salas de teatro do Parque Mayer, em Lisboa.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1600" height="800" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/04/beatriz-costa-2.jpg" alt="" class="wp-image-18705"/></figure></div>



<p>Em 1927, estreou-se no cinema. Se já era famosa em Portugal, ficou igualmente famosa no Brasil. Participou em muitos espetáculos no Rio de Janeiro e São Paulo.</p>



<p>Talvez o seu papel mais conhecido tenha sido no filme “A Canção de Lisboa”, de Cotinelli Telmo, ao lado de António Silva e Vasco Santana, em 1933.</p>



<p>Hoje, no dia em que morreu <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2022/04/morreu-eunice/">Eunice Munõz</a></strong>, não podíamos deixar de assinalar a trágica coincidência.</p>
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		<title>Rogério Samora e os preconceituosos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fátima Laouini]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Dec 2021 15:58:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Rogério Samora]]></category>
		<category><![CDATA[telenovelas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Luís Osório diz que o Rogério tinha mau feitio e que não fazia concessões à verdade. Que incomodava com o seu perfeccionismo. Pode ser isso. Mas não. Muitos atores de mau feitio e até mau comportamento são apreciados. O Rogério foi um galã, era muito giro e geralmente isso cobra-se caro junto dos críticos. [&#8230;]</p>
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<p>O Luís Osório diz que o Rogério tinha mau feitio e que não fazia concessões à verdade. Que incomodava com o seu perfeccionismo. Pode ser isso. Mas não. Muitos atores de mau feitio e até mau comportamento são apreciados. </p>



<p>O Rogério foi um galã, era muito giro e geralmente isso cobra-se caro junto dos críticos. Quando se é homem. Pode ser. Mas há outros atores reconhecidos pela beleza que são exaltados pelas elites, como o Alain Delon, por exemplo, com as devidas distâncias, mas a quem não entrevi muito mais do que um rosto belo.</p>



<p>O Rogério era português. Sabemos como nos custa reconhecer os &#8220;nossos&#8221;, até que alguém lá fora os reconheça primeiro. Pode ser por aí. Mas atores nacionais que já fizeram filmes em Hollywood também não são especialmente agraciados pelos bem pensantes cá.</p>



<p>O Rogério fazia telenovelas, para sobreviver ou viver melhor. Penso que é isso. A participação em televisão é geralmente vista como menorizante. Tendo em conta como as estações portuguesas se guerreiam entre si, com gaffes e sensacionalismos, a cotação das mesmas não é efetivamente grande coisa atualmente. A ser assim, é injusto que um ator &#8211; ou atriz &#8211; seja reduzido ao seu estatuto televisivo quando outras artes se anteciparam e lhe puseram o rosto e a voz no grande ecrã ou no palco. As elites intelectuais silenciaram-se nesta morte. </p>



<p>No Brasil, essa linha preconceituosa entre teatro, cinema e televisão é, felizmente, quase inexistente. Focam-se no talento individual e esse pode ser transversal. Sempre pensei que os brasileiros são mais abertos, mais descomplexados e mais felizes do que nós.</p>
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		<title>Rogério Samora, a cena mais dramática</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Sep 2021 09:08:21 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
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		<category><![CDATA[Rogério Samora]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O ator Rogério Samora não voltará aos palcos ou aos estúdios de televisão. Ainda que consiga sobreviver, as consequências do acidente cardiovascular que o vitimou em 20 de julho serão sempre inibidoras de uma vida normal, em termos profissionais. É a opinião divulgada por uma revista do jet-7. Uma alegada fonte hospitalar, não identificada pela [&#8230;]</p>
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<p>O ator Rogério Samora não voltará aos palcos ou aos estúdios de televisão. Ainda que consiga sobreviver, as consequências do acidente cardiovascular que o vitimou em 20 de julho serão sempre inibidoras de uma vida normal, em termos profissionais.</p>



<p>É a opinião divulgada por uma revista do jet-7. Uma alegada fonte hospitalar, não identificada pela revista, diz que o Hospital Fernando da Fonseca considera três cenários possíveis: “morte cerebral — que ainda não foi declarada porque Rogério não está dentro dos parâmetros que a consideram —, coma vegetativo ou alguma recuperação, que dificilmente será total”.</p>



<p>Rogério Samora está nos cuidados intensivos e tem tido uma única visita familiar, um primo que publica no Facebook relatos quase diários sobre o que se passa com o ator. Pelos relatos e pelas fotografias que vão sendo publicadas, fica a ideia de que a família ainda alimenta a esperança de que Rogério Samora consiga recuperar, embora o pai do ator nem saiba o que se passa com o filho, uma vez que está a viver num lar e tem sido poupado a este desgosto.</p>



<p>Rogério Samora sofreu uma paragem cardiorrespiratória no decorrer das gravações da novela &#8220;Amor Amor&#8221;.</p>
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		<title>Morreu Raymond, que gostava de Portugal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 29 Dec 2020 23:43:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Raymond Arnaud]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Raymond Arnaud casou com uma senhora portuguesa e essa proximidade marcou toda a sua vida a partir de então. Professor e cineasta, defendeu &#160;uma tese de doutoramento em Cinema na Universidade de Paris X Nanterre em 1997 intitulada&#160;“Essais filmiques sur deux villages de Trás-os-Montes”. Realizou inúmeros filmes e documentários sobre Portugal, mas também sobre outros [&#8230;]</p>
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<p>Raymond Arnaud casou com uma senhora portuguesa e essa proximidade marcou toda a sua vida a partir de então. Professor e cineasta, defendeu &nbsp;uma tese de doutoramento em Cinema na Universidade de Paris X Nanterre em 1997 intitulada&nbsp;<strong>“Essais filmiques sur deux villages de Trás-os-Montes”</strong>.</p>



<p>Realizou inúmeros filmes e documentários sobre Portugal, mas também sobre outros países, nomeadamente Madagascar, onde foi professor na Universidade de Antananarivo durante 5 anos. Tradições culturais, religiosas, questões sociais foram os seus temas de eleição e que preencheram centenas de obras cinematográficas com as quais participou em muitos festivais de cinema ao longo de décadas de trabalho profícuo.</p>



<p>Sobre Portugal temos muitas obras das quais destacamos, a título de exemplo, <strong>“Immigrants portugais, entre allers et retours” (Imigrantes portugueses, entre ir e voltar) </strong>rodado em&nbsp;Pitões das Junias, no Parque Nacional do Gerês, ou a curta metragem <strong>“Les murs ont la parole” (Os muros têm a palavra) </strong>rodado em Lisboa a propósito dos murais políticos que enchiam os muros da cidade,<strong> &nbsp;</strong>ou ainda<strong> “Pessac fête les 40 ans de la Révolution portugaise” (Pessac festeja os 40 anos da revolução portuguesa) </strong>rodado em 2014 e que retrata o modo como a vila francesa de Pessac celebra a Revolução dos Cravos que aconteceu em Portugal.</p>



<p>Em 2021, a associação O Sol de Portugal celebra 40 anos de actividade e vai homenagear a vida e obra de Raymond Arnaud com a apresentação do último filme deste realizador, <strong>“Les Portugais pendant la grande guerre” (os portugueses na I Guerra Mundial)</strong>.</p>



<p><a href="https://naais.fr/adherent/raymond-arnaud/">Raymond Arnaud</a> morreu hoje em Bordeaux, cidade onde vivia.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2020/12/morreu-raymond-que-gostava-de-portugal/">Morreu Raymond, que gostava de Portugal</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>Os homens que mijam na rua</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2020/11/os-homens-que-mijam-na-rua-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[J B]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 21 Nov 2020 00:26:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Brigitte Bardot]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[ecologia]]></category>
		<category><![CDATA[Florença]]></category>
		<category><![CDATA[imigração]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A minha amiga rica viajou para Florença ao encontro de Brigitte Bardot, BB para os amigos. Ela adora a amiga portuguesa. Mas foi necessário explicar-lhe que Portugal não é Marrocos, porque BB queixa-se muito dos magrebinos a mijarem nos melhores monumentos da cidade. Claro as pastelarias e bares italianos evitam os magrebinos, porque não têm [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2020/11/os-homens-que-mijam-na-rua-2/">Os homens que mijam na rua</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A minha amiga rica viajou para Florença ao encontro de <a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Brigitte_Bardot">Brigitte Bardot</a>, BB para os amigos. Ela adora a amiga portuguesa. Mas foi necessário explicar-lhe que Portugal não é Marrocos, porque BB queixa-se muito dos magrebinos a mijarem nos melhores monumentos da cidade.</p>



<p>Claro as pastelarias e bares italianos evitam os magrebinos, porque não têm dinheiro. E não têm dinheiro, porque não têm trabalho. E porque não têm trabalho, dormem em esconsos e mijam nos recantos. Está explicado.</p>



<p>A caminho de Florença, a minha amiga rica pensou que teria sido melhor um cruzeiro no Mediterrâneo. De Roma a Veneza, no <a href="https://www.silversea.com/ships/silver-spirit.html">Silver Spirit</a> por 3240 euros. Mas Brigitte insistiu. Queria falar de cinema.</p>



<p>BB consagrou-se em 1957, no filme E Deus Criou a Mulher, do marido, Roger Vadim. Simone Beauvoir descreveu-a como &#8220;uma locomotiva da história das mulheres&#8221;. Brigitte era filha de gente endinheirada. Morava num apartamento de sete quartos no luxuoso 16º departamento de Paris. O cinema foi a vocação dela, ela foi o sex symbol dos cinéfilos. E as pessoas ricas têm um fascínio por estrelas de cinema. Basta lembrar Rainier do Mónaco.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/1UrHLSx.jpg" alt="" class="wp-image-5486"/><figcaption>                              <em> Brigitte Bardot, 1968</em></figcaption></figure></div>



<p>O encontro entre as duas correu muito bem. A minha amiga rica ficou submersa em gatos e fartou-se de ouvir <a href="https://www.google.com/search?sxsrf=ALeKk02KYooupCshPL635C5gsGQXBj0cUQ:1605920822054&amp;source=univ&amp;tbm=isch&amp;q=brigitte+bardot+e+os+animais&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwjm4oqhuZLtAhWK2hQKHT3-CTIQjJkEegQIAhAB&amp;biw=1920&amp;bih=937">BB criticar a poluição do planeta</a>. A extinção das baleias. O Greenpeace. Os ursos polares a morrer no degelo. Concordaram em tudo, até na enorme quantidade de baterias dos carros elétricos Tesla. O que farão às gigantes pilhas no fim do ciclo?</p>



<p>Mas a conversa acabou por se centrar em pilas. Porque razão os magrebinos não mijam no rio Arno. Claro, não perceberam. O problema não está no mijar. Está na má distribuição da riqueza. Quero lá saber, argumentou <a href="https://duaslinhas.pt/2020/11/uma-questao-de-rabos/?swcfpc=1">a minha amiga rica</a>. Eu não sou a ONU. O Guterres já fez alguma coisa? Ui! E eu que não consegui responder!</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/r2EOl65.jpg" alt="" class="wp-image-5487"/></figure>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2020/11/os-homens-que-mijam-na-rua-2/">Os homens que mijam na rua</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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