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	<title>Arquivo de MUNDO - Duas Linhas</title>
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	<description>Informação online</description>
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	<title>Arquivo de MUNDO - Duas Linhas</title>
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		<title>QUE CADA UM DE NÓS FAÇA A SUA PARTE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2026 23:23:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
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		<category><![CDATA[José Mena Abrantes]]></category>
		<category><![CDATA[livro Genocídio em Gaza]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma forma diferente de reproduzir notícias</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O nº 43 “O Riso e o Sangue” é um dos meus preferidos. É de uma crueldade absoluta. O nº 43 é um dos 135 textos a que o autor chamou antipoemas factuais. O livro tem um propósito: denunciar o genocídio em curso em Gaza. Diz o autor que espera ter feito a parte que estava ao seu alcance, nessa denúncia urgente. E fez.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="724" height="1019" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/o-riso-e-o-sangue.png" alt="" class="wp-image-49614" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/o-riso-e-o-sangue.png 724w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/o-riso-e-o-sangue-213x300.png 213w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/o-riso-e-o-sangue-696x980.png 696w" sizes="(max-width: 724px) 100vw, 724px" /></figure></div>


<p>Não é um livro de poesia. É um livro de antipoemas. Ou seja, textos com a estética gráfica do poema, mas que podiam ser texto corrido. É uma forma diferente de reproduzir notícias. O conceito de antipoema implica a utilização de linguagem do dia a dia, narrativa prosaica, sem obedecer a métricas ou a rimas.</p>



<p>O autor é José Mena Abrantes, escritor e dramaturgo angolano que, nesta obra, surge como denunciante de atrocidades. Este trabalho já recebeu críticas elogiosas de muitos quadrantes.  </p>



<p>Não me lembro de ter lido antes alguma coisa deste autor, mas o que sei do percurso dele foi ter sido assalariado durante décadas de instituições do regime de Angola. Nunca ouvi falar de alguma crítica dele ao regime, nem isso seria possível, tendo ele sido figura do aparelho de Estado angolano, onde trabalhou diretamente na Presidência da República de Angola, em cargos de grande proximidade com o poder, nomeadamente como assessor de imprensa, secretário para a comunicação e consultor de José Eduardo dos Santos. Foi também um dos fundadores e diretor-geral da agência oficial de notícias do país, a ANGOP. Um homem de um &nbsp;regime que tem sido criticado por autoritarismo e corrupção.</p>



<p>Nada disso impede agora José Mena Abrantes de vir a terreiro acusar Israel pelo genocídio em curso em Gaza. A denúncia é urgente e deve ser feita por todos nós. Tal como o autor, também nós temos o dever de fazer a nossa parte nessa empreitada na defesa dos direitos humanos.</p>



<p>Mas fica difícil aceitar que um escritor denuncie apenas a injustiça e a opressão quando ocorrem noutras geografias e silencie as injustiças que se passam no quintal da sua própria casa há décadas.</p>



<p>Enquanto leitor tenho de sentir que existe um pacto de verdade entre quem escreve e quem lê e não gosto de suspeitar que o autor escolhe a dedo quais as opressões que merecem o seu repúdio. No entanto, percebo que fica difícil morder a mão de quem nos dá de comer.</p>



<p>Alguns destes 135 antipoemas são interessantes, mesmo se nem todos são convincentes em termos literários. Pela denúncia todos eles valem mais alguma coisa.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="839" height="844" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/cumplicidades.png" alt="" class="wp-image-49616" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/cumplicidades.png 839w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/cumplicidades-298x300.png 298w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/cumplicidades-150x150.png 150w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/cumplicidades-768x773.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/cumplicidades-696x700.png 696w" sizes="(max-width: 839px) 100vw, 839px" /></figure></div>


<p></p>
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		<title>SINTO-ME INQUIETO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 04 Jun 2026 10:32:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[inteligência artificial]]></category>
		<category><![CDATA[inteligência artificial na televisão]]></category>
		<category><![CDATA[literatura de Jean Raspail]]></category>
		<category><![CDATA[livro Le Camp des Saints]]></category>
		<category><![CDATA[Star Trek]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Lembram-se certamente de ver o comandante Kirk a falar com o computador central da nave Enterprise</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Aqueles que assistiram há uns 50 anos, na televisão, à série Star Trek (O Caminho das Estrelas), lembram-se certamente de ver o comandante Kirk a falar com o computador central da nave Enterprise, sempre que surgia algum problema mais grave ou algum imprevisto que pudesse colocar em perigo a sobrevivência do grupo.</p>



<p>Hoje, quando falamos com a Inteligência Artificial do Google, estamos a fazer a mesma coisa. Perguntamos e a máquina responde. A máquina corrige-nos, a máquina aconselha-nos, a máquina ajuda-nos.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="425" height="319" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/TOS_Elenco.jpg" alt="" class="wp-image-49608" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/TOS_Elenco.jpg 425w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/TOS_Elenco-300x225.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/TOS_Elenco-265x198.jpg 265w" sizes="(max-width: 425px) 100vw, 425px" /><figcaption class="wp-element-caption">A tripulação da Enterprise</figcaption></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="360" height="480" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/Gene_Roddenberry_crop.jpg" alt="" class="wp-image-49609" style="width:237px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/Gene_Roddenberry_crop.jpg 360w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/Gene_Roddenberry_crop-225x300.jpg 225w" sizes="auto, (max-width: 360px) 100vw, 360px" /><figcaption class="wp-element-caption">Gene Roddenberry, produtor da Star Trek</figcaption></figure></div></div>
</div>



<p>O que eu acho espantoso já não é a existência desta “coisa” que interage connosco, mas o facto disto ter sido antecipado por um novelista, um tipo que escrevia guiões para séries de televisão. Acho legítimo perguntarmos se o escriba imaginou mesmo ou se o guião lhe foi ditado por alguém.</p>



<p>Boa parte daquilo a que chamamos ficção científica e que serve de base para livros e muitos filmes de Hollywood, acaba por surgir na vida real pouco depois como avanço tecnológico. Não são apenas viagens no espaço sideral, são também os satélites civis e militares, a espionagem eletrónica, o reconhecimento facial, armas de tiro laser, automóveis sem condutor, cirurgias à distância, robots. &nbsp;Hoje, pegamos no telemóvel e dizemos em voz alta “se eu perguntar alguma coisa, você responde?” e “aquilo” responde-nos&#8230;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="893" height="926" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/dialogo-com-IA-2.png" alt="" class="wp-image-49599" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/dialogo-com-IA-2.png 893w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/dialogo-com-IA-2-289x300.png 289w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/dialogo-com-IA-2-768x796.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/dialogo-com-IA-2-696x722.png 696w" sizes="auto, (max-width: 893px) 100vw, 893px" /></figure></div>


<p>Não sei se gosto de me sentir “comandante Kirk”. Primeiro, falta-me a Enterprise. A minha nave espacial tem 4 rodas e não passa dos 130 kms por hora. Depois, porque tenho medo do que aí vem. Se nos lembrarmos da série televisiva, sabemos que além do computador que resolvia todos os problemas, havia também um robot autoconsciente que procurava entender a humanidade, um “holograma médico de emergência” que surgia quando eles chamavam pelo “Doutor”, um programa computorizado que desenvolveu personalidade, sentimentos e ambições artísticas e um arsenal de armas capaz de destruir qualquer planeta que acoitasse inimigos.</p>



<p>No Caminho das Estrelas antecipou-se tudo isto. Uma parte já é realidade, a outra está a caminho de ser. Isto não pode ser por acaso. Hollywood sempre seguiu uma cartilha propagandista do American Way of Life que abarca a ação &#8216;benévola&#8217; do Pentágono perante os vários inimigos que, simplificando, começaram por ser os alemães nazis, passaram depois a ser russos e são, agora, chineses.</p>



<p>Mas antes mesmo da série ser produzida para televisão, lembro-me de um livro que também deve ter sido escrito por algum bruxo adivinhador.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="852" height="971" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/le-camp-des-saints-capa.png" alt="" class="wp-image-49600" style="width:400px" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/le-camp-des-saints-capa.png 852w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/le-camp-des-saints-capa-263x300.png 263w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/le-camp-des-saints-capa-768x875.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/le-camp-des-saints-capa-696x793.png 696w" sizes="auto, (max-width: 852px) 100vw, 852px" /></figure></div>


<p>Jean Raspail escreveu Le Camp des Saints em 1970, uma história onde uma horda de imigrantes africanos e asiáticos atravessavam o Mediterrâneo em direção à Europa que os recebeu mal. O livro constrói um cenário político distópico, apocalíptico, de morte física e moral, do desaparecimento de sentimentos humanistas. Estamos também a assistir a isso. </p>



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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/desembarque-de-migrantes-1024x576.png" alt="" class="wp-image-49601" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/desembarque-de-migrantes-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/desembarque-de-migrantes-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/desembarque-de-migrantes-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/desembarque-de-migrantes-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/desembarque-de-migrantes-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/desembarque-de-migrantes-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/desembarque-de-migrantes-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/desembarque-de-migrantes-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/desembarque-de-migrantes.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Imigrantes desembarcam numa praia em Espanha, depois de atravessar o Mediterrâneo em embarcações precárias</figcaption></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="611" height="586" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/crianca-morta-na-praia.jpg" alt="" class="wp-image-49602" style="width:309px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/crianca-morta-na-praia.jpg 611w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/crianca-morta-na-praia-300x288.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 611px) 100vw, 611px" /><figcaption class="wp-element-caption">Nem todos chegam vivos às praias da Europa</figcaption></figure></div></div>
</div>



<p>Tudo junto, não sei se a espécie humana vai ter um bom futuro.</p>
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		<title>MORAR NA RUA KWAME NKRUMAH</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vanda Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2026 08:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[Kwame Nkrumah]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Não apenas para homenagear o passado, mas para lembrar uma promessa ainda por cumprir.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Moro numa rua com o nome de Kwame Nkrumah, em Luanda. Durante algum tempo, esse detalhe pareceu-me apenas mais um elemento da paisagem urbana, daqueles que fazem parte da rotina e aos quais raramente prestamos atenção. Sabia vagamente quem foi Kwame Nkrumah; o nome estava lá, no GPS, nos documentos, nas indicações dadas aos taxistas: Rua Kwame Nkrumah. Simplesmente isso.</p>



<p>Mas as datas comemorativas, neste caso o Dia de África, celebrado no 25 de maio, têm essa particularidade: obrigam-nos a olhar novamente para detalhes e símbolos que a pressa do quotidiano teima em tornar invisíveis. Quem foi realmente Kwame Nkrumah para merecer ter ruas espalhadas por várias cidades africanas? E por que continua o seu nome presente, décadas depois da sua morte, no imaginário político do continente?<br>Nkrumah não foi apenas o primeiro presidente do Gana independente. Foi uma das principais figuras do Pan Africanismo, corrente política e intelectual que defendia a união dos povos africanos contra o colonialismo, a exploração e a fragmentação herdada da ocupação europeia.</p>



<p>Hoje fala-se muito de integração africana, livre circulação e cooperação regional. Mas Nkrumah defendeu isso numa época em que muitos países africanos ainda eram colónias. Para ele, a independência de um único país nunca seria suficiente enquanto o continente permanecesse dividido e submetido a interesses externos.<br>Talvez por isso o seu pensamento continue atual. Não por nostalgia revolucionária, mas como advertência. A unidade africana de que falava não significava uniformidade política, mas sim cooperação séria, autonomia económica e consciência histórica, objetivos que continuam longe de ser plenamente alcançados.</p>



<p>E Angola? Que ligação teve Nkrumah com a independência de Angola? Historicamente, não se pode afirmar que ele tenha tido um papel direto na independência de Angola. Não combateu nas matas, não liderou movimentos em Angola, nem participou diretamente nas negociações que conduziram à independência. Mas seria igualmente injusto negar a influência do seu pensamento.<br>O Pan-Africanismo ajudou a criar consciência continental em torno das lutas de libertação africanas. Numa época em que Portugal insistia em chamar “províncias ultramarinas” às suas colónias, vozes como a de Nkrumah ajudavam o mundo a perceber que o que existia em Angola era uma luta legítima pela autodeterminação. Mais do que apoio militar, Nkrumah ofereceu legitimidade política e inspiração ideológica. E isso também conta na História.</p>



<p>Mais de cinquenta anos depois da independência de Angola, o continente continua dividido entre enormes potencialidades e velhos desafios. África possui recursos naturais abundantes, uma juventude vibrante e uma riqueza cultural invejável. Ainda assim, permanece economicamente dependente, politicamente vulnerável e frequentemente fragmentada nos seus interesses estratégicos.<br>O continente africano continua distante do sonho pan africanista imaginado nos anos 60. As fronteiras permanecem difíceis para muitos africanos, as economias excessivamente dependentes do exterior e os conflitos internos persistem. Apesar disso, há uma ideia que resiste: a de que África ainda pode construir um destino comum. Talvez seja essa a verdadeira razão pela qual nomes como Kwame Nkrumah continuam gravados nas ruas de tantas cidades africanas. Não apenas para homenagear o passado, mas para lembrar uma promessa ainda por cumprir.</p>



<p>O Dia de África deveria servir precisamente para isso: menos pompa e circunstância, mais reflexão. Porque celebrar África não é apenas recordar a libertação do passado; é questionar se o continente conseguiu realmente libertar-se das novas formas de dependência que substituíram as antigas.<br>Ao caminhar pela rua que leva o seu nome, penso muitas vezes numa das grandes ironias africanas: homenageiam-se os defensores da unidade continental, mas persistem divisões políticas, económicas e até mentais que enfraquecem o continente.</p>



<p>Nkrumah sonhava com uma África unida. Morar numa rua Kwame Nkrumah é, afinal, conviver diariamente com perguntas históricas: será que os africanos ainda acreditam nesse sonho? E que África querem deixar às próximas gerações?</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/RlPxfyr.jpeg" alt="" class="wp-image-49537"/><figcaption class="wp-element-caption">composição gráfica</figcaption></figure>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/06/morar-na-rua-kwame-nkrumah/">MORAR NA RUA KWAME NKRUMAH</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>A VALA COMUM E OS FANTASMAS DE 1977</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/06/a-vala-comum-e-os-fantasmas-de-1977/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 23:00:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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		<category><![CDATA[António Costa Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Francisca Van-Dunem]]></category>
		<category><![CDATA[José Van Dunem]]></category>
		<category><![CDATA[massacres de 27 de maio de 1977]]></category>
		<category><![CDATA[Sita Valles]]></category>
		<category><![CDATA[vala comum]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esta vala comum não é um local arqueológico</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/06/a-vala-comum-e-os-fantasmas-de-1977/">A VALA COMUM E OS FANTASMAS DE 1977</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando em Angola se anunciou a descoberta de mais uma vala comum, esta com mais de 500 restos mortais, no Cemitério do 14, em Luanda, percebemos que ali está a prova de um dos muitos episódios sangrentos da história de Angola. Naquela vala podem estar pessoas cujos nomes continuam a atravessar a história contemporânea de Angola e de Portugal. Poderão lá estar os restos de Sita Valles e de José Van Dunem, dois nomes entre milhares de anónimos massacrados em 27 de maio de 1977 pelo regime político angolano. Uma história que a <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2022/05/sita-valles-o-exemplo/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2022/05/sita-valles-o-exemplo/">RTP já contou</a></strong>.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1600" height="800" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/05/sita-agostinho-neto-sentenca-de-morte.jpg" alt="" class="wp-image-19678"/><figcaption class="wp-element-caption">Quando Agostinho Neto disse “não vamos perder tempo com julgamentos” ditou uma <strong><a href="https://www.rtp.pt/noticias/mundo/nito-alves-sita-vales-e-jose-van-dunem-podem-estar-entre-os-dez-corpos-recuperados-em-angola-ministro_n1393213">sentença de morte</a></strong> para dezenas de milhar de angolanos.</figcaption></figure>



<p>Ela era portuguesa, médica, antiga dirigente estudantil em Lisboa, militante comunista formada politicamente no ambiente revolucionário português do pós-25 de Abril. Ele era um dos quadros políticos mais influentes da corrente nitista dentro do MPLA. Casaram-se, tiveram um filho e acabaram executados poucos meses depois do nascimento da criança. Há décadas que as famílias não sabem onde estão os seus corpos.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-3 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="426" height="495" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/zevandunem.jpg" alt="" class="wp-image-49557" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/zevandunem.jpg 426w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/zevandunem-258x300.jpg 258w" sizes="auto, (max-width: 426px) 100vw, 426px" /><figcaption class="wp-element-caption">José Van Dunem</figcaption></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="547" height="549" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/sita-valles.png" alt="" class="wp-image-49558" style="width:490px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/sita-valles.png 547w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/sita-valles-300x300.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/sita-valles-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 547px) 100vw, 547px" /><figcaption class="wp-element-caption">Sita Valles</figcaption></figure></div></div>
</div>



<p>Mas a história não termina aí. A irmã de José Van Dunem, Francisca Van Dunem, conseguiu escapar ao destino do irmão. Veio para Portugal, estudou Direito, fez carreira no Ministério Público e acabaria por se tornar ministra duas vezes, primeiro da Justiça e depois da Administração Interna, a primeira mulher negra a ocupar uma pasta ministerial em Portugal. Desde sempre que carrega consigo uma história familiar marcada por um drama nunca cabalmente esclarecido.</p>



<p>Há ainda outra figura que liga diretamente a tragédia de 1977 à política portuguesa recente: António Costa Silva. António é um sobrevivente. Foi preso na sequência das purgas desencadeadas pelo regime, torturado e levado perante um pelotão de fuzilamento. O próprio relatou que ouviu os preparativos para a execução e acreditou estar perante os últimos minutos da sua vida. No último instante, a ordem para disparar não foi dada. Décadas mais tarde seria ministro da Economia em Portugal.</p>



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<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="792" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/2022_-_Opening_Night_PO1_3280_52471284170_cropped-792x1024.jpg" alt="" class="wp-image-49560" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/2022_-_Opening_Night_PO1_3280_52471284170_cropped-792x1024.jpg 792w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/2022_-_Opening_Night_PO1_3280_52471284170_cropped-232x300.jpg 232w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/2022_-_Opening_Night_PO1_3280_52471284170_cropped-768x993.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/2022_-_Opening_Night_PO1_3280_52471284170_cropped-696x900.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/2022_-_Opening_Night_PO1_3280_52471284170_cropped.jpg 849w" sizes="auto, (max-width: 792px) 100vw, 792px" /><figcaption class="wp-element-caption">António Costa Silva</figcaption></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="767" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-TOUR_DE_TABLE_2016-07-08_Informal_Meeting_of_Justice_Ministers_27553458143_cropped_flipped_left-767x1024.jpg" alt="" class="wp-image-49561" style="width:514px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-TOUR_DE_TABLE_2016-07-08_Informal_Meeting_of_Justice_Ministers_27553458143_cropped_flipped_left-767x1024.jpg 767w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-TOUR_DE_TABLE_2016-07-08_Informal_Meeting_of_Justice_Ministers_27553458143_cropped_flipped_left-225x300.jpg 225w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-TOUR_DE_TABLE_2016-07-08_Informal_Meeting_of_Justice_Ministers_27553458143_cropped_flipped_left-768x1026.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-TOUR_DE_TABLE_2016-07-08_Informal_Meeting_of_Justice_Ministers_27553458143_cropped_flipped_left-1150x1536.jpg 1150w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-TOUR_DE_TABLE_2016-07-08_Informal_Meeting_of_Justice_Ministers_27553458143_cropped_flipped_left-696x930.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-TOUR_DE_TABLE_2016-07-08_Informal_Meeting_of_Justice_Ministers_27553458143_cropped_flipped_left-1068x1427.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-TOUR_DE_TABLE_2016-07-08_Informal_Meeting_of_Justice_Ministers_27553458143_cropped_flipped_left.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 767px) 100vw, 767px" /><figcaption class="wp-element-caption">Francisca Van Dunem</figcaption></figure></div></div>
</div>



<p>É difícil encontrar um contraste mais impressionante: de um lado, os que desapareceram sem sepultura conhecida; do outro, os sobreviventes que conseguiram reconstruir um percurso de vida.</p>



<p>O jornal Folha 8 tem insistido durante anos que enquanto não forem identificadas as vítimas e abertas as valas comuns, não existe reconciliação na sociedade angolana. A descoberta da vala comum é noticiada pelo jornal como um possível avanço na identificação dos desaparecidos do 27 de Maio.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-5 wp-block-columns-is-layout-flex">
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<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="444" height="336" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-vala-comum.jpg" alt="" class="wp-image-49544" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-vala-comum.jpg 444w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-vala-comum-300x227.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 444px) 100vw, 444px" /><figcaption class="wp-element-caption">recorte da publicação em pdf</figcaption></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="633" height="550" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-1.jpg" alt="" class="wp-image-49543" style="width:382px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-1.jpg 633w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-1-300x261.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 633px) 100vw, 633px" /><figcaption class="wp-element-caption"><a href="https://jornalf8.net/2026/presidente-quer-reconciliar-impor-ou-submissao-das-vitimas/">PRESIDENTE, QUER RECONCILIAR, IMPOR OU SUBMISSÃO DAS VÍTIMAS? | Jornal Folha 8</a></figcaption></figure></div></div>
</div>



<p>O que torna esta descoberta particularmente interessante é que ela devolve materialidade a uma história que durante décadas viveu apenas em testemunhos e memórias. Esta vala comum não é um local arqueológico. É um lugar onde podem convergir as histórias de milhares de anónimos que nunca chegaram a ter nome numa lápide.</p>



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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="957" height="653" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-2.jpg" alt="" class="wp-image-49542" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-2.jpg 957w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-2-300x205.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-2-768x524.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-2-218x150.jpg 218w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-2-696x475.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 957px) 100vw, 957px" /><figcaption class="wp-element-caption">recorte da publicação em pdf</figcaption></figure>
</div>



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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="938" height="662" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-4.jpg" alt="" class="wp-image-49546" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-4.jpg 938w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-4-300x212.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-4-768x542.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-4-696x491.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 938px) 100vw, 938px" /><figcaption class="wp-element-caption">recorte da publicação em pdf</figcaption></figure>
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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="920" height="459" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-5.jpg" alt="" class="wp-image-49547" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-5.jpg 920w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-5-300x150.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-5-768x383.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-5-696x347.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 920px) 100vw, 920px" /><figcaption class="wp-element-caption"><a href="https://jornalf8.net/2026/neto-liderou-matanca-indescritivel/">NETO LIDEROU MATANÇA INDESCRITÍVEL | Jornal Folha 8</a></figcaption></figure>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="918" height="416" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-6.jpg" alt="" class="wp-image-49548" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-6.jpg 918w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-6-300x136.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-6-768x348.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/folha-8-6-696x315.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 918px) 100vw, 918px" /></figure>
</div>
</div>



<p>Meio século depois, a questão não é apenas saber quantos morreram. É saber quem eram, onde estão e porque foram assassinados. A vala do Cemitério do 14 pode não responder a todas essas perguntas, mas é preciso começar por algum lado.</p>



<p></p>
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		<title>A POLÍTICA SIONISTA E O JORNALISMO SERVIL</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/05/a-politica-sionista-e-o-jornalismo-servil/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 30 May 2026 23:00:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[António Guterres]]></category>
		<category><![CDATA[crimes de guerra de Israel]]></category>
		<category><![CDATA[genocídio do povo palestiniano]]></category>
		<category><![CDATA[Israel viola direitos humanos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Títulos dos média colocam Israel como o elemento ofendido</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Depois de centenas de testemunhos fidedignos de médicos internacionais que prestaram serviço humanitário em Gaza e que relataram esses casos, depois de inúmeros testemunhos de vítimas, homens, mulheres e crianças palestinianas violadas nas cadeias israelitas, depois de todas as evidências que provam as práticas genocidas dos militares israelitas em Gaza, na Cisjordânia, no Líbano, na Síria&#8230; os média continuam a dar tratamento favorável às declarações políticas de Israel, numa clara desigualdade editorial face ao outro lado do conflito, o lado onde está a maioria das vítimas das atrocidades cometidas por combatentes.</p>



<p>O anúncio do rompimento das relações “com o gabinete do secretário-geral da ONU” é de uma hipocrisia monumental, quando estamos a seis meses de António Guterres terminar o seu derradeiro mandato na ONU. &nbsp;</p>



<p>Hipócrita porque Israel sabe bem que a decisão de incluir um país numa lista de ofensas aos direitos humanos nunca é tomada pelo Secretário-Geral. Essas deliberações são coletivas e resultam do trabalho de órgãos intergovernamentais compostos por Estados-Membros, com destaque para o Conselho de Direitos Humanos da ONU. Estamos a falar de um órgão sediado em Genebra, o principal órgão político intergovernamental da ONU nesta área. É composto por 47 Estados-Membros eleitos pela Assembleia Geral da ONU.</p>



<p>Neste âmbito, Guterres não manda nem desmanda. Não vota nem veta. O Secretário-Geral não tem o poder de sancionar países. O seu papel concentra-se em chamar a atenção dos órgãos competentes para situações de crise que coloquem em risco a paz mundial, e em preparar relatórios com base nas informações recolhidas pelos peritos e comités.</p>



<p>Mas é mais fácil para Israel fulanizar a questão, dar rosto a um “culpado” pela denúncia dos crimes cometidos contra os palestinianos e outros povos de países vizinhos.</p>



<p>É uma estratégia conhecida. Quando os factos se tornam difíceis de contestar, procura-se criar um novo elemento distrativo. Quando a acumulação de evidências se torna demasiado pesada, cria-se um alvo para concentrar indignação fabricada. O problema é que António Guterres não é o autor dos testemunhos, não é o autor das perícias médicas, não é o autor das investigações independentes nem é o responsável pelas vítimas que relatam abusos. O secretário-geral limita-se a ser o portador institucional de conclusões produzidas por mecanismos internacionais. Ah! Também não é lacaio dos sionistas.</p>



<p>É muito preocupante a forma como uma parte significativa dos meios de comunicação social continua a reproduzir esta inversão narrativa. Nos títulos, Israel surge frequentemente como a parte ofendida que reage a uma injustiça. As acusações que motivaram essa reação ficam para segundo plano, quando não desaparecem por completo.</p>



<p>É esta inversão que ajuda a compreender porque razão, apesar das sucessivas denúncias de organizações humanitárias, dos relatos de sobreviventes e das conclusões produzidas por organismos internacionais, a perceção pública do conflito continua tão distante da dimensão humana da tragédia vivida pelos palestinianos. Em demasiados casos, a notícia deixa de ser o sofrimento das vítimas para passar a ser a irritação dos algozes.</p>
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		<title>O DESARMAMENTO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/05/o-desarmamaento-da-inteligencia-artificial/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 May 2026 18:12:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[encíclica papal Manifica Humanitas]]></category>
		<category><![CDATA[fé e ciência]]></category>
		<category><![CDATA[guerra e paz]]></category>
		<category><![CDATA[Papa Leão XIV]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>E se a maior ameaça à nossa liberdade não viesse de um exército invasor, mas de um algoritmo?</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-desarmamaento-da-inteligencia-artificial/">O DESARMAMENTO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>E se a maior ameaça à nossa liberdade não viesse de um exército invasor, mas de um algoritmo? Esta questão incómoda atravessa a primeira encíclica do Papa Leão XIV,&nbsp;<em><strong><a href="https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/encyclicals/documents/20260515-magnifica-humanitas.html" type="link" id="https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/encyclicals/documents/20260515-magnifica-humanitas.html">Magnifica Humanitas</a></strong></em>, um documento que surpreende não apenas pela sua profundidade teológica, mas pela coragem de colocar a ciência e a fé frente a frente com o monstro silencioso do nosso tempo que caracterizará uma nova época: a inteligência artificial.</p>



<p>O que torna este texto verdadeiramente único é o facto de não ter sido escrito num gabinete eclesiástico isolado. Ao lado do Papa, na sua apresentação, estavam cientistas de renome, como Christopher Olah (cofundador da <strong><a href="https://www.anthropic.com/" type="link" id="https://www.anthropic.com/">Anthropic</a></strong> e diretor de investigação sobre a interpretabilidade da IA), numa demonstração clara de que o diálogo entre a razão técnica e a sabedoria humanista é não só possível, mas urgente. Leão XIV não condena a tecnologia; quer «desarmá-la». E desarmar a IA, como explica a encíclica, «significa retirá-la da lógica da competição armada». Tal como a energia nuclear, a inteligência artificial não pode ser refém de uma corrida insana pelo algoritmo mais potente ou pela base de dados mais gigantesca, movida por vantagens geopolíticas ou lucros obscuros.</p>



<p>Desarmar não é renunciar. É, antes, impedir que a tecnologia domine o ser humano. É humanizá-la, torná-la acessível a todos e aberta ao debate. Neste ponto, o Papa é incisivo: a transformação digital, com as suas promessas de eficiência e inovação, não pode servir de desculpa para «uma cadeia de exploração que é deliberadamente mantida na obscuridade». Quantos trabalhadores, quantos pobres e marginalizados, aqueles que «não têm voz», são silenciados por algoritmos que discriminam na saúde, no emprego ou na segurança? Quantos países do Sul Global vêem os seus dados saqueados num novo «colonialismo digital»?</p>



<p>Mas Leão XIV vai mais longe. Aborda o uso militar autónomo da IA e declara que não é «admissível deixar decisões mortíferas» a cargo da tecnologia. Sistemas de armas praticamente fora do controlo humano são uma linha vermelha que a fé e a razão não podem cruzar. E com igual veemência, critica o transhumanismo e o pós-humanismo, essas ideologias que sonham com um ser humano aumentado, esquecendo que a dignidade da pessoa reside precisamente na sua fragilidade, no seu corpo, na sua consciência, no seu sentido moral, coisas que «as máquinas nunca possuirão».</p>



<p>Este posicionamento tem um destinatário claro. O Pontífice responde, sem os nomear diretamente, aos que como o presidente dos EUA, <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/trump-ou-a-caricatura-dele-proprio/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/04/trump-ou-a-caricatura-dele-proprio/">Trump</a></strong>, lhe querem negar o direito de se pronunciar sobre assuntos políticos. E, internamente, Leão XIV põe fim a discussões excessivamente centradas em questões internas da Igreja, afirmando que «há coisas mais importantes do que a moral sexual». Com esta encíclica, ele redefine prioridades: a proteção da pessoa humana na era digital é a grande causa comum.</p>



<p><em>Magnifica Humanitas</em>&nbsp;é um grito de alerta e um abraço ao mesmo tempo. O Papa Leao XIV, declara-se «chamado a contemplar outra grande transformação com os olhos da fé, com a clareza da razão, com a abertura ao mistério e com os clamores dos pobres e da terra que ressoam no meu coração». Não se trata apenas de evitar o mal. Trata-se de construir um futuro «para toda a família humana», onde os países ricos e pobres, as instituições e os indivíduos, os centros de poder e as periferias colaborem.</p>



<p>A IA precisa de ser desarmada. Mas, primeiro, precisamos de desarmar os nossos corações da arrogância de acreditar que a tecnologia pode substituir a fé e a ética. Porque, no fundo, a questão não é se as máquinas pensarão como nós, mas se nós continuaremos a agir como humanos.</p>



<p><sup>(adaptação da crónica publicada primeiro em <strong><a href="https://antonio-justo.eu/?p=10968" type="link" id="https://antonio-justo.eu/?p=10968">Pegadas do Tempo</a></strong>)</sup></p>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-desarmamaento-da-inteligencia-artificial/">O DESARMAMENTO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>O GRANDE TROPEÇÃO COLETIVO DA HUMANIDADE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2026 23:00:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CRÍTICAS E PROSAS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>- Ah, a humanidade… Essa magnífica espécie...</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Já não há metáforas que possam ter alguma equivalência ao declínio humano. Quando suspiro, penso: &#8211; Ah, a humanidade… Essa magnífica espécie que descobriu como dividir o átomo, mas que ainda não percebeu que o sinal de “Puxar” na porta não é um convite para um duelo de força física.</p>



<p>Se olharmos de longe, somos um prodígio de engenharia biológica. De perto, somos basicamente semelhantes a um primata ansioso com um smartphone na mão, a tentar convencer-se de que é o centro do universo enquanto tropeça nos próprios atacadores. O triunfo da lógica (ou a falta dela) leva-me a concluir que o que mais me fascina no Sapiens não é a sua inteligência, mas a sua dedicação quase religiosa ao absurdo.</p>



<p>Somos o único animal que paga fortunas por comida que nos faz mal, para depois pagar fortunas por medicamentos que combatem os efeitos dessa comida. Inventamos o conceito de “Tempo” apenas para dizer o dia inteiro que não o temos, enquanto o gastamos com meras futilidades. Acreditamos em teorias da conspiração complexas — como a Terra ser plana ou o mundo ser governado por lagartos — porque aceitar que a realidade é apenas um caos aleatório, onde ninguém está realmente ao comando, é, aparentemente, demasiado assustador.</p>



<p>Dizem que a Internet seria a “Biblioteca de Alexandria” no bolso de cada cidadão. O resultado? Temos acesso a todo o conhecimento humano acumulado e usamos essa ferramenta divina para discutir com desconhecidos se o ananás deve ou não estar na pizza, ou para partilhar fotos de torradas que se parecem com o rosto de uma celebridade. Criámos a Inteligência Artificial porque, convenhamos, a inteligência natural já dava sinais de fadiga.</p>



<p>A nossa irracionalidade é a nossa verdadeira “impressão digital&#8221;. É o que nos faz comprar um fato de banho em pleno inverno porque está em promoção e ignorar as alterações climáticas porque “hoje até está um bocadinho de frio&#8221;. O ser humano é um mestre na arte de ignorar o óbvio. Construímos castelos de cartas sobre fundações de ignorância e depois ficamos genuinamente ofendidos quando a gravidade decide fazer o seu trabalho. Somos criaturas que temem o escuro, mas que passam a vida a fechar os olhos à luz dos factos.</p>



<p>No fundo, talvez a nossa estupidez seja a nossa maior defesa. Se fôssemos totalmente lógicos, a vida seria uma folha de Excel cinzenta e impecável. Sem a nossa gloriosa capacidade de sermos absurdos, quem é que riria das piadas? Quem é que compraria o “manual de autoajuda para ser feliz em 5 passos”?</p>



<p>Ainda continuando a falar de aberrações: a política e a guerra. São os dois passatempos favoritos da humanidade quando nos cansamos de ser apenas individualmente estúpidos e decidimos ser catastróficos em grupo. Se a história humana fosse um exame de condução, já teríamos tido a licença perdida no primeiro milénio; no entanto, continuamos a acelerar em direção ao muro, discutindo quem escolhe a música no rádio.</p>



<p>Quanto à política, parece um teatro do absurdo em alta definição. É o único setor onde se pode ser promovido por falhar espetacularmente. O cenário político global atingiu um nível de surrealismo que faz as pinturas de Salvador Dalí parecerem fotografias de passaporte. Vivemos a &#8220;Era das Bolhas Algorítmicas&#8221;, onde a sátira está morrendo porque a realidade é mais ridícula do que qualquer piada. As pessoas consomem notícias por feeds personalizados que apenas confirmam o que elas já pensam, impossibilitando qualquer diálogo racional.</p>



<p>No auge da ironia, líderes envolvidos em conflitos brutais são sugeridos para prémios de paz. A guerra é o monumento máximo à nossa incapacidade de partilhar um planeta pequeno. Gastamos biliões em arsenais nucleares que, se alguma vez forem usados, garantem que ninguém restará para contar quem ganhou. É o equivalente a comprar um seguro de vida onde a casa explode e o segurado morre.</p>



<p>A política e a guerra provam que a inteligência humana é uma ferramenta poderosa, mas que, infelizmente, costuma ser entregue a pessoas com o equilíbrio emocional de uma criança de cinco anos a quem roubaram o brinquedo — a diferença é que agora o “brinquedo” tem ogivas nucleares.</p>
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		<title>EDITAL: INSTRUÇÕES PARA A AUTO EXTINÇÃO EFICIENTE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2026 16:00:08 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Preparem as medalhas para os vossos esqueletos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Parabéns. Chegámos finalmente ao auge da nossa sofisticação intelectual. Conseguimos a proeza de transformar o horror visceral em estatística higiénica. Falar de guerra hoje é um exercício de estética: discutimos o alcance de um míssil como quem aprecia a curva de um decote, e planeamos invasões com o desapego de quem joga uma partida de xadrez num domingo de chuva.</p>



<p>É admirável a vossa capacidade de esquecer que, por baixo do metal que brilha no satélite, existe uma coisa inconveniente chamada carne. A carne queima, sabiam? E faz um barulho bastante desagradável quando é triturada por metais de alta precisão. Mas não deixem que esse detalhe &#8220;humanitário&#8221; estrague a vossa retórica de soberania. Afinal, o que é uma criança sem pernas perante a majestade de uma fronteira redesenhada no mapa?</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="261" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-2-crop-1024x261.png" alt="" class="wp-image-49341" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-2-crop-1024x261.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-2-crop-300x76.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-2-crop-768x196.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-2-crop-1536x391.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-2-crop-696x177.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-2-crop-1392x355.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-2-crop-1068x272.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-2-crop-1320x336.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-2-crop.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Continuem assim. Ignorem que a guerra não é um &#8220;tabuleiro geopolítico&#8221;, mas sim um talho a céu aberto onde o lucro de uns é pago com o tutano de outros. É fascinante observar como a humanidade se tornou especialista em eufemismos: não chamamos &#8220;assassinato em massa&#8221; quando podemos dizer &#8220;ajuste estratégico&#8221;. Não chamamos &#8220;agonia&#8221; quando podemos dizer &#8220;danos colaterais&#8221;.</p>



<p>O vosso aviso é este: a Natureza não tem pressa, mas tem memória. Enquanto brincam aos deuses com os vossos botões de pânico, o chão que pisam prepara-se para vos engolir a todos &#8211; generais e poetas, culpados e cúmplices. Se o vosso objetivo é provar que a inteligência foi um erro evolutivo, descansem: a prova está entregue e o veredito é de uma vacuidade absoluta.</p>



<p>Preparem as medalhas para os vossos esqueletos. Serão as decorações mais brilhantes num deserto onde ninguém restará para governar.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-3-crop-1024x576.png" alt="" class="wp-image-49342" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-3-crop-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-3-crop-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-3-crop-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-3-crop-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-3-crop-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-3-crop-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-3-crop-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-3-crop-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/guerra-3-crop.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/edital-instrucoes-para-a-auto-extincao-eficiente/">EDITAL: INSTRUÇÕES PARA A AUTO EXTINÇÃO EFICIENTE</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>EUROPA, RECOMENDAÇÕES PARA 2026</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Alfredo Quintas]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 May 2026 09:00:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Em prol da coesão</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/europa-recomendacoes-para-2026/">EUROPA, RECOMENDAÇÕES PARA 2026</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<ol class="wp-block-list">
<li><strong>O “Eramus Obrigatório” para Políticos – </strong>Em vez de jovens estudantes, todos os chefes de Estado passariam seis meses a viver com o salário mínimo de outro País da União. <strong>A Coesão:</strong> Imagine um chanceler alemão a tentar arrendar um T1 em Lisboa ou um primeiro-ministro grego a gerir a pontualidade de um comboio na Filândia. A empatia burocrática atingiria níveis recorde.                                     </li>



<li><strong>Tradução Automática de “Politi-quês” para Humano – </strong>A Comissão Europeia implementaria um filtro de IA obrigatório em todos comunicados. <strong>A Mudança:</strong> Termos como “autonomia estratégica aberta” seriam traduzidos para “ vamos tentar não depender tanto de quem não gostamos”. Se o povo entender o que Bruxelas diz, a coesão deixa de ser um mito urbano.</li>



<li><strong>A “Euro-Visão” da Fiscalidade – </strong>Um concurso anual onde cada país apresenta a sua proposta de orçamento com coreografias e luzes LED. <strong>O Benefício: </strong>Já que perdemos tempo a analisar números que ninguém lê, pelo menos tornamos o debate sobre os fundos de coesão entretido. Quem tiver o melhor sistema de combate à corrupção ganha “12 pontos” e prioridade nos fundos do NextGenerationEU.</li>



<li><strong>O Sistema de “Puntos de Sesta” Unificado – </strong>Para equilibrar o Norte produtivo com o sul relaxado, criar-se-ia a “ Sesta Europeia Harmonizada”. <strong>A Regra: </strong>Entre as 14h00 e as 16h00, o continente inteiro desliga o Wi-Fi. Menos e-mails significa menos burocracia desnecessárias e cidadãos muito mais felizes e menos propensos a sair da União.</li>



<li><strong>Substituir Fronteiras por Buffets Transfronteiriços – </strong>Em vez de controlos alfandegários, as fronteiras teriam mesas de 1km com especialidades de cada lado. <strong>O Resultado:</strong> É impossível odiar um país vizinho enquanto se partilha um croissant e um pastel de nata. A coesão territorial passaria pelo estômago, o único órgão europeu que nunca precisa de tradução.</li>
</ol>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/europa-recomendacoes-para-2026/">EUROPA, RECOMENDAÇÕES PARA 2026</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>DEIXAM-NOS DOENTES DE ANSIEDADE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2026 23:00:36 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[vírus ébola]]></category>
		<category><![CDATA[vírus nipah]]></category>
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					<description><![CDATA[<p> "Alerta global: vírus mortal detetado com taxa de letalidade de 90%".</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/deixam-nos-doentes-de-ansiedade/">DEIXAM-NOS DOENTES DE ANSIEDADE</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Todos os anos, o guião repete-se com uma precisão cirúrgica. Surge uma manchete em letras garrafais na barra do telemóvel: <em>&#8220;Alerta global: vírus mortal sem vacina nem tratamento&#8221;</em>.</p>



<p>O coração acelera, a memória recente de 2020 desperta e o leitor clica, partilha e consome o pânico. Dias depois, descobre que se tratava de um surto isolado de Ébola numa aldeia remota da República Democrática do Congo, contido eficazmente pelas equipas locais. Passaram semanas, a calamidade prometida não aconteceu, mas o lucro do clique já entrou na conta do órgão de comunicação. Vivendo na ressaca psicológica da COVID-19, o jornalismo moderno descobriu uma mina de ouro: o clickbait sanitário.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>O CICLO INFINITO DO MEDO</strong></h4>



<p>Estamos reféns de uma engrenagem mediática que se alimenta da nossa vulnerabilidade. Do Norovírus ao Hantavírus, passando pelas recorrentes vagas de Gripe Aviária, qualquer mutação biológica de rotina é tratada pelas redações como o prenúncio do fim do mundo.</p>



<p>O caso do Ébola é o exemplo mais flagrante de amnésia coletiva planeada. Cientificamente, sabemos que o vírus se transmite por fluidos corporais, o que limita de forma drástica o seu potencial de contágio. No entanto, vende-se o Ébola como se fosse uma peste aérea iminente.</p>



<p>O Hantavírus segue a mesma cartilha. Esconde-se o facto de que a transmissão entre humanos é uma raridade biológica e que o risco real advém do contacto com roedores, tudo em prol de um título vago e assustador.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="912" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/hanta-virus-int-1024x912.png" alt="" class="wp-image-49224" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/hanta-virus-int-1024x912.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/hanta-virus-int-300x267.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/hanta-virus-int-768x684.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/hanta-virus-int-696x620.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/hanta-virus-int-1068x951.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/hanta-virus-int.png 1161w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>A verdade económica por trás destas manchetes é simples: o medo é o algoritmo mais rentável da internet. Na atual economia da atenção, as plataformas digitais e os meios de comunicação não são pagos pela qualidade da informação, mas sim pelo volume de interações. Um relatório técnico da OMS sobre uma &#8220;variante sob monitorização&#8221;, algo perfeitamente normal na ciência, transforma-se em &#8220;ameaça mortal&#8221; porque a moderação e o rigor não geram <em>scroll</em> infinito nem receita publicitária. O jornalismo de saúde foi substituído pela gestão do susto.</p>



<p>O mais recente sobressalto, à data em que escrevo este artigo, foi este:</p>
</div></div>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="616" height="288" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/bacteria.jpg" alt="" class="wp-image-49228" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/bacteria.jpg 616w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/bacteria-300x140.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 616px) 100vw, 616px" /><figcaption class="wp-element-caption">publicado em 20 de maio no portal Notícias ao Minuto</figcaption></figure></div>


<h4 class="wp-block-heading"><strong>O EFEITO &#8220;PEDRO E O LOBO&#8221;</strong></h4>



<p>Este alarmismo injustificado gera uma ansiedade social desnecessária. Mas, ao banalizar o estado de emergência para faturar com o Norovírus, os média provocam uma fadiga de alerta na população. Quando um patógeno verdadeiramente perigoso e com potencial pandémico real emergir, o público poderá simplesmente encolher os ombros, anestesiado por anos de falsos apocalipses mediáticos.</p>



<p>Não podemos vacinar-nos contra todos os vírus da natureza, mas podemos e devemos vacinar-nos contra o <em>clickbait</em> sanitário. Afinal, a pior epidemia que enfrentamos hoje não é biológica, é editorial.</p>



<p>Esta espécie de febre noticiosa pode estar relacionada com o Tratado Pandémico adotado formalmente a 20 de maio de 2025, durante a 78ª Assembleia Mundial da Saúde realizada em Genebra, na Suíça.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>OS NEGÓCIOS DO COSTUME</strong></h4>



<p>O texto político está aprovado, mas a parte técnico-científica ainda não. Falta conciliar interesses muito divergentes dos diferentes blocos geopolíticos, organizações de saúde e setores industriais, cada um motivado por interesses estratégicos distintos.</p>



<p>Por exemplo, Estados Unidos e Reino Unido<strong> </strong>recusam assinar cláusulas que obriguem à quebra de patentes ou à partilha forçada de tecnologia. O interesse deste bloco é puramente focado na <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2024/01/o-tratado-pandemico-e-um-problema-chamado-bill-gates/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2024/01/o-tratado-pandemico-e-um-problema-chamado-bill-gates/">vigilância epidemiológica</a></strong> global, salvaguardando a propriedade intelectual das suas farmacêuticas.</p>



<p><strong><a href="https://duaslinhas.pt/tag/tratado-internacional-sobre-prevencao-e-preparacao-para-pandemias/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/tag/tratado-internacional-sobre-prevencao-e-preparacao-para-pandemias/">Gigantes farmacêuticas</a></strong> (como a Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Roche) e as suas associações setoriais são os atores privados mais influentes no processo. Eles querem produzir medicamentos para os vender, ponto. Para isso, não prescindem dos seus direitos de propriedade intelectual (patentes). A indústria argumenta que a quebra de patentes destrói o incentivo financeiro para investir milhares de milhões em investigação e desenvolvimento de novos fármacos. Dito de outra forma, estraga-lhes o negócio.</p>



<p>Lembremo-nos ainda como foi que as vacinas anti-covid produzidas por laboratórios residentes em outros blocos geopolíticos foram menosprezadas pelos governos ocidentais. Afinal, essas vacinas produzidas na <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2020/12/covid-19-86-mortes-e-as-vacinas-invisiveis/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2020/12/covid-19-86-mortes-e-as-vacinas-invisiveis/">China</a></strong>, na <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2021/01/covid-19-278-mortes-vacina-russa-pode-ser-solucao/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2021/01/covid-19-278-mortes-vacina-russa-pode-ser-solucao/">Rússia</a></strong> ou na Índia funcionaram tão bem ou tão mal como as dos laboratórios ocidentais.</p>



<p>Chegados a este ponto, falta dizer que a eclosão de uma nova crise pandémica funcionaria como um potenciador imediato para a ratificação célere do tratado. O medo de um novo colapso económico e hospitalar destruiria a inércia burocrática atual. Os Estados seriam pressionados a assinar qualquer mecanismo global de proteção imediata.</p>



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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="510" height="631" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ebola-2.jpg" alt="" class="wp-image-49233" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ebola-2.jpg 510w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ebola-2-242x300.jpg 242w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/ebola-2-324x400.jpg 324w" sizes="auto, (max-width: 510px) 100vw, 510px" /><figcaption class="wp-element-caption">Nos últimos 20 anos, a Repúblic Democrática do Congo já teve 17 surtos de ébola</figcaption></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="480" height="633" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/virus-nipah-2.jpg" alt="" class="wp-image-49234" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/virus-nipah-2.jpg 480w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/virus-nipah-2-227x300.jpg 227w" sizes="auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px" /><figcaption class="wp-element-caption">Um surto do vírus nipah aconteceu em janeiro de 2026, no Estado de Bengala Ocidental, na Índia.</figcaption></figure></div></div>
</div>



<p></p>
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