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	<title>Arquivo de Cândido Ferreira - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de Cândido Ferreira - Duas Linhas</title>
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		<title>Luz Vermelha</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Nov 2023 19:27:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cândido Ferreira já não pertence ao nosso mundo; deixou-nos em 21 de março deste ano. Aliás, as suas intervenções nos últimos anos de vida poderiam já ser consideradas «do outro mundo», como foi o caso do livro “Covid-19 A Tempestade Perfeita”, sobre que o médico Rui Crisóstomo – em cerimónia de homenagem realizada em Cantanhede, sua [&#8230;]</p>
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<p>Cândido Ferreira já não pertence ao nosso mundo; deixou-nos em <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/03/estamos-tristes/">21 de março</a></strong> deste ano. Aliás, as suas intervenções nos últimos anos de vida poderiam já ser consideradas «do outro mundo», como foi o caso do livro “Covid-19 A Tempestade Perfeita”, sobre que o médico Rui Crisóstomo – em cerimónia de homenagem realizada em Cantanhede, sua terra natal, a cujo município mui significativamente <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/03/em-memoria-de-candido-ferreira/">Cândido Ferreira</a></strong> entregou parte do espólio histórico que foi reunindo ao longo dos anos – afirmou que as soluções aí apontadas, «por estarem sempre muito à frente no tempo, só muito mais tarde foram reconhecidas na sua justeza e validade», acrescentando: «Infelizmente, quando o foram, para muitos, era tarde demais».</p>



<p>Retomo a evocação da sua <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/03/pequena-biografia-de-candido-ferreira-1949-2023/">memória</a></strong>, porque dele guardei esta frase que me enviou numa das muitas mensagens que tivemos oportunidade de trocar:</p>



<p>«No entanto, três meses depois da apresentação da candidatura, bloqueado pela principal imprensa, que sobre mim só passava contrainformação, ganhei a certeza de que o melhor seria desistir. Pois se até entrevistas televisivas solicitadas foram alvo de apagão, enquanto jornalistas amigos me avisavam que sempre se acendia uma qualquer “luz vermelha”, quando o meu nome aparecia nas Redações».</p>



<p>Referia-se à candidatura à presidência da República.</p>



<p>Ocorreu-me agora a sua alusão à ‘luz vermelha’. Não, por encontrar, amiúde, quem, na estrada, passe a toda a brida e o semáforo já virara encarnado, mas porque a frequência dessas tais luzinhas vermelhas está a aumentar substancialmente.</p>



<p>Cândido Ferreira partiu, consciente de que, custe-lhe o que custasse, não obedecia ao eufemismo do «politicamente correcto» e, por isso, a luzinha acendia; nós, os que por cá ainda andamos e tivemos a experiência de aprender a escrever para a Censura, acabamos por, agora, recomeçarmos essa aprendizagem.</p>



<p>O perigo espreita, porém: o de nos acomodarmos, baixarmos os braços, quem vier atrás que feche a porta, para que hei-de eu ralar-me, eles são pagos para isso, albarde-se o burro à vontade do dono!&#8230;</p>



<p>O dono é que nem sempre domina à perfeição as técnicas do albardar e, quando menos se espera, lá vai a cangalha ao chão com tudo o que tem em cima e nada há que se aproveite depois. Chora-se sobre o leite derramado, mas só o canito que passe o tentará lamber…</p>



<p></p>



<p><sup>Publicado antes em&nbsp;<em>Renascimento&nbsp;</em>[Mangualde], nº 855, 15/11/2023, p. 10 e no blog <strong><a href="http://notascomentarios.blogspot.com/2023/11/luz-vermelha.html">Notas &amp; Comentários</a></strong></sup></p>
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		<title>EM MEMÓRIA DE CÂNDIDO FERREIRA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Ilharco]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Mar 2023 11:55:18 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[elogio a Cândido Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[missa do 7º dia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No dia da Missa de Sétimo Dia do meu Amigo Cândido Ferreira, decidi escrever algo sobre ele. De há muito que sou contra todas as homenagens póstumas ou elogios tardios. Penso que todos temos a obrigação de mostrar a nossa admiração, o nosso respeito, a nossa amizade, em vida, directamente, olhos nos olhos. Tenho feito [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>No dia da Missa de Sétimo Dia do meu Amigo Cândido Ferreira, decidi escrever algo sobre ele. De há muito que sou contra todas as homenagens póstumas ou elogios tardios. Penso que todos temos a obrigação de mostrar a nossa admiração, o nosso respeito, a nossa amizade, em vida, directamente, olhos nos olhos. Tenho feito isso da melhor maneira que sei dedicando os meus livros às pessoas de quem mais gosto e que admiro.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Por isso, neste dia em que, novamente, o irei recordar junto à sua Família, deixo a dedicatória que lhe fiz no meu livro “Frasco de Veneno – Dose Final”.</p>



<p>Até um dia, Querido Amigo.</p>



<p><strong><em>Conheço o Dr. Cândido Ferreira há quatro décadas.</em></strong></p>



<p><strong><em>Durante estes anos tive a oportunidade de conviver com um Homem multifacetado e com êxito em todas as muitas áreas a que se dedicou.</em></strong></p>



<p><strong><em>Como médico ilustre esteve na primeira transplantação bem-sucedida, com órgãos de cadáver, em Portugal.</em></strong></p>



<p><strong><em>Enquanto nefrologista conceituado foi um dos pioneiros da hemodiálise em clínicas privadas, e responsável técnico por mais de um milhão e duzentas mil diálises, tendo ganho o Prémio da Sociedade Internacional de Nefrologia, no Congresso de 2011, em Londres, para o melhor trabalho de investigação clínica.</em></strong></p>



<p><strong><em>Vi-o atender dezenas de doentes sem jamais ter cobrado um cêntimo dessas consultas</em></strong>.</p>



<p><strong><em>Escritor com vários romances e ensaios de sucesso.</em></strong></p>



<p><strong><em>Cronista brilhante com textos divulgados por vários jornais em papel e digitais.</em></strong></p>



<p><strong><em>Sem dúvida o maior coleccionista de Portugal, é dono de um espólio com mais de novecentas mil peças (de valor incalculável) que, numa prova de cidadania e patriotismo, resolveu doar, para um Museu na sua terra Natal, com a intenção de criar delegações em todos os PALOPs.</em></strong></p>



<p><strong><em>Político atento e corajoso passou pelas cadeias antes do 25 de Abril e foi, depois, líder do Partido Socialista, no distrito de Leiria, e candidato a Presidente da República.</em></strong></p>



<p><strong><em>Empresário de sucesso em várias áreas, a ele se deve um dos melhores espaços de turismo rural em Portugal.</em></strong></p>



<p><strong><em>Mas, para mim, há duas razões que para que lhe dedique este meu livro:</em></strong></p>



<p><strong><em>A sua dedicação à luta contra a exclusão e em prol dos Direitos Humanos (é sócio-fundador da APAR – Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso, seu número 3, Sócio de Mérito e Presidente do Conselho Consultivo), e a vontade de tornar pública a minha admiração pelo seu trajecto de vida e a gratidão por me ter como um dos seus mais antigos Amigos e, perdoem-me a imodéstia, aquele que estará, sempre e incondicionalmente, ao seu lado.</em></strong></p>



<p><strong><em>Deixo-lhe um abraço fraterno.</em></strong></p>
</div></div>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/03/frasco-de-veneno-dose-final.jpg" alt="" class="wp-image-25232"/><figcaption class="wp-element-caption">Frasco de Veneno, Dose Final, Edita 2020</figcaption></figure>
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		<title>Pequena biografia de Cândido Ferreira (1949-2023)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Mar 2023 18:54:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O início da sua vida profissional, em 1973, ainda hoje marca muitos ex-alunos, colaboradores e pacientes: em Cantanhede, sua terra natal; em Pombal, perante o assinalável desenvolvimento no SMP, em 1976; na Lousã, “perdido” por serras esquecidas em dedicação ao Serviço público; e nos HUC, onde, após estágio em Lyon, em 1980, desencadeou a primeira [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O início da sua vida profissional, em 1973, ainda hoje marca muitos ex-alunos, colaboradores e pacientes: em Cantanhede, sua terra natal; em Pombal, perante o assinalável desenvolvimento no SMP, em 1976; na Lousã, “perdido” por serras esquecidas em dedicação ao Serviço público; e nos HUC, onde, após estágio em Lyon, em 1980, desencadeou a primeira colheita de órgão de cadáver, tendo sido o único médico com formação específica a apoiar o primeiro transplante bem-sucedido em Portugal.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Sentindo-se cingido no exercício de funções, em 1982 optou por uma carreira autónoma na área da diálise, tendo sido responsável por um número impressionante de tratamentos e por uma consulta externa que, durante 25 anos, serviu 5% da população nacional em acordo quase benévolo com o SNS. Recusando sempre acumular funções públicas e privadas, jamais concorreu a apoios públicos e nunca cobrou quaisquer honorários nem aceitou alvíssaras dos milhares de pacientes que cuidou, deixando “marca” que ainda hoje muitos recordam – a de “médico dos pobres”.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/03/cf-caixa-1.jpg" alt="" class="wp-image-25090"/></figure>
</div></div>



<p>Pioneiro na extensão de cuidados de hemodiálise, sobretudo a diabéticos, além dos sete projetos pessoais em que se empenhou, CF nunca regateou apoio tanto a clínicas privadas como aos hospitais públicos de Lisboa, Santarém, Bragança, Vila Real, Luanda e até Abidjan. Sempre atento a novos avanços científicos, orientou a formação de largas centenas de técnicos de diálise, organizou encontros médicos em Leiria, percorreu o mundo a conhecer numerosas unidades de referência e participou em congressos nacionais e internacionais, onde apresentou dezenas de comunicações. Em 2009, a equipa que dirigiu obteve, no Congresso da Sociedade Internacional de Nefrologia de Londres, o diploma de “Melhor Trabalho” na área da investigação clínica, ao qual a NDT, a revista europeia da especialidade, dedicou diversas traduções.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>A qualidade do desempenho humano, técnico, científico e profissional mereceu-lhe o reconhecimento de profissionais de todos os continentes, traduzidos na atribuição de prémios de prestígio, nacionais e internacionais, enquanto empresário da saúde; de empresas de certificação e de avaliação de clínicas de diálise, que adotaram alguns dos seus critérios inovadores; de dezenas de delegações que visitaram o seu Serviço, entre elas a OM dirigida pelo seu Bastonário; da Escola Superior de Enfermagem de Leiria, que presidiu a uma sessão em sua homenagem e a que aderiram os Presidentes da Câmara e da Assembleia Municipal; dos doentes e suas famílias, reconhecimento expresso em inquéritos de opinião, nos quais também foi pioneiro; em revistas de doentes renais, que consideraram as suas clínicas como “modelares”; da generalidade dos seus ex-colegas e colaboradores, que fazem questão da sua presença em eventos memorativos; e de ex-pacientes e amigos que organizaram homenagens de despedida nas quais, significativa e espontaneamente, se envolveram mais de mil pessoas.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/03/cf-caixa-2.jpg" alt="" class="wp-image-25091"/></figure>
</div></div>



<p>Leal a Hipócrates, Cândido Ferreira elege como referência moderna Linhares Furtado que, em 2021, o honrou com a doação de um quadro da sua autoria para o Museu de Arte e Colecionismo de Cantanhede, que acolhe um copioso e eclético espólio artístico reunido e doado por Cândido Ferreira àquele Município. Outros ilustres médicos, como Levy Guerra e Diniz de Freitas, seus professores, e também os colegas António Travassos, Ana Bela Couceiro e Rufino Ribeiro integrarão um pequeno espaço aí dedicado a artistas médicos portugueses. Em 2012, coordenou uma homenagem a Alexis Carrell, à qual se associaram outros notáveis colegas.</p>



<p>Em 2007, criou, em Leiria, um museu dedicado à Nefrologia e Diálise, que doou à SPN. Colabora, desde 2017, com o Município de Setúbal, doando centenas de peças arqueológicas que abrangem toda a História local. Em 2018, doou à Junta de Freguesia da Urra dois núcleos museológicos, tendo, por isso, sido agraciado com a Medalha de Mérito.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Democrata e humanista, integrou, como independente, o Executivo Distrital do MDP, de Coimbra, tendo sido detido por atividades contra a ditadura. Caído o regime, foi eleito “coordenador político” da Câmara de Cantanhede, “cargo” no qual conduziu, de forma reconhecidamente exemplar, a transição autárquica para a democracia. Em 2019, a Assembleia Municipal atribuiu-lhe um “Voto de Louvor”, subscrito por todos os seus membros.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/03/cf-caixa-3.jpg" alt="" class="wp-image-25093"/></figure>
</div></div>



<p>Optando sempre pela carreira médica – sua “paixão” desde a infância – recusou, em 1975, integrar a Assembleia Constituinte em lista do Partido Socialista. Não obstante, entre 1985 e 2005, envolver-se-ia em atividades políticas, tendo sido Presidente Distrital do PS e triplicado o número de votos do partido, enquanto candidato à Câmara de Leiria. Assumindo a vereação do Desporto, aí realizou, entre 90 e 91, um trabalho que mereceu o único louvor, e por unanimidade, do Executivo Municipal de Leiria, no século XX, além de várias distinções dos clubes e associações desportivas e culturais do concelho. Encarando essas funções como um dever cívico, sempre declinou prémios, vencimentos ou, sequer, senhas de presença, mesmo enquanto membro do CA dos SMAS de Leiria.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Em 2011, declinou o pedido de diversos socialistas para se candidatar a Secretário-Geral do PS contra a linha então dominante. Em 2015, face à insistência de muitos cidadãos, assumiu uma candidatura à Presidência da República que, alvo de distorções e discriminação, quase passou despercebida. Nestas “intrusões” pela política privou, entre outros, com personalidades como Isabel e Hortense Allende, Filipe Gonzalez, Mitterrand, Mário Soares, Zenha, Nobre da Costa, Alegre, Eanes, António Costa e o SG da ONU, António Guterres.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/03/cf-caixa-4.jpg" alt="" class="wp-image-25094"/></figure>
</div></div>



<p>Produziu milhares de artigos de opinião, acolhidos em jornais, revistas e redes sociais, tendo-se cedo destacado na revista Opção, de Artur Portela Filho, em pleno PREC. Efetuou também inúmeras intervenções públicas, incluindo na rádio e na TV. Ligado aos meios artísticos e culturais, a partir de 1994 destacou-se nas áreas do romance, conto, crónica e ensaio, tendo-se associado à Associação Portuguesa de Escritores, a convite da Direção. Em 2009, liderou um movimento cívico que, no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, ganhou uma reclamação contra o EP.</p>



<p>Em 1994, fundou a APAR, ONG que luta pela dignificação da Justiça e pela Reinserção Social dos reclusos e suas famílias. Em 2019, foi por ela distinguido como Sócio de Mérito e, mais tarde, eleito Presidente do Conselho Consultivo. É também sócio n.º 1 da ONG Santa Maria da Vitória, que promove ajuda às antigas colónias portuguesas.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Em 2007, num retorno à vida rural, adquiriu uma exploração agrícola no Alentejo, dedicando-se à produção pecuária e de vinhos, os quais logo mereceram prémios em todos os concursos em que participaram. Em 2013, concluiu uma unidade de Agroturismo, a Casa da Urra, que continua a expandir sem quaisquer apoios oficiais e que foi distinguida, já em 2022, com as melhores classificações atribuídas pela Booking e Airbnb.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2023/03/cf-caixa-5.jpg" alt="" class="wp-image-25095"/></figure>



<p>Reconhecido pelo seu voluntarismo e generosidade, colabora com várias autarquias e, a convite do reputado médico José Tereso, aderiu à Confraria dos Sabores da Gândara. Em 2010, foi também entronizado “Confrade de Honra” da Confraria Gastronómica Nabos e Companhia. Sócio de diversas associações desportivas e culturais, participa em vários Movimentos cívicos independentes e de solidariedade, nacionais e internacionais, que amiúde o convidam para entrevistas ou como palestrante, tendo efetuado inúmeras intervenções públicas, incluindo em órgãos de Comunicação Social. Recentemente, aderiu à SEDES, uma organização à qual esteve ligado Miller Guerra, ilustre médico que igualmente conheceu. O convite para a adesão partiu do atual Presidente, o médico Álvaro Beleza e de um dos antigos fundadores, José Roquette.</p>



<p>Na noite de fim do ano de 2017, encerrou a sua carreira médica simbolicamente no Serviço de Urgência da Clínica que sempre dirigiu. Mas, em 2020, perante a pandemia, voluntariou-se para, em teletrabalho, integrar a Linha SOS 24 e, face à ausência de resposta e ao caos instalado, não resistiu em “voltar a vestir a bata de médico”.</p>
</div></div>



<p><sub>Fontes: “Nos Bastidores da Medicina”, de 2018; “A Poluição Atmosférica”, revista “Capa e Batina”, de abril de 1971; “A Transplantação em Portugal”, de 2018; “Pegadas Recentes”, de 2018; “O Poder da Oração e Seus Efeitos”, de 2012: “A Psiquiatria é uma Ciência?”, revista oficial da Ordem dos Médicos, março-abril de 2010; “Covid-19 – A Tempestade Perfeita”, 2.ª edição de 2022; Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso; Santa Maria da Vitória.</sub></p>
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		<title>ESTAMOS TRISTES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Mar 2023 09:40:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Morreu Cândido Ferreira. Médico, cidadão, político, escritor, generoso, impulsivo, polémico, solidário, hoje morreu um homem bom. Morreu uma pessoa de quem gostavamos. Morreu um amigo.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Morreu Cândido Ferreira. Médico, cidadão, político, escritor, generoso, impulsivo, polémico, solidário, hoje morreu um <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2023/03/pequena-biografia-de-candido-ferreira-1949-2023/">homem bom</a></strong>.  Morreu uma pessoa de quem gostavamos. Morreu um amigo.</p>
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		<title>Carta Aberta aos meus Amigos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cândido Ferreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 31 Dec 2022 00:25:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Cândido Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[consequências da vacina anti-covid]]></category>
		<category><![CDATA[covid-19]]></category>
		<category><![CDATA[PS]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Para quê “perder tempo” com a crescente decadência da nossa governação, uma triste realidade que há muito antecipei? Perguntarão se também eu me “habituei”. Digo, simplesmente, que aquilo que ainda não tem remédio à vista, remediado está. Outros, com renovada energia, que avancem… &#160; Entretanto, sofri um súbito agravamento de uma doença neurológica muito rara [&#8230;]</p>
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<p>Para quê “perder tempo” com a crescente decadência da nossa governação, uma triste realidade que há muito antecipei? Perguntarão se também eu me “habituei”. Digo, simplesmente, que aquilo que ainda não tem remédio à vista, remediado está. Outros, com renovada energia, que avancem… &nbsp;</p>



<p>Entretanto, sofri um súbito agravamento de uma doença neurológica muito rara e que quase me incapacitou fisicamente. Confiado à qualidade da Medicina Portuguesa, é com satisfação que posso anunciar que, desde há dias, gozo de um diagnóstico promissor e de um prognóstico airoso.</p>



<p>Doença autoimune, não se pode descartar que este meu “desarranjo” possa ter sido precipitado pelas vacinas anticovid, ou por uma forma fruste da doença, que terei contraído no verão. E deste modo se reforçam as 29 conclusões do I Congresso Internacional sobre a Gestão de Pandemias, em Fátima, de que fui redator e que, tendo merecido ampla divulgação, não viu contestada uma só linha. Tal como na política…</p>



<p>Reitero assim, neste final de ano, a minha proposta de “pacificação” entre a OM e os chamados “médicos pela verdade”, colegas dignos e que não merecem o labéu de “negacionistas”. Nesta quadra de Natal e, em tempos de reflexão eleitoral, proponho mesmo a amnistia de todos os profissionais injustamente acusados, até porque a maioria honrou a classe médica ao dar o seu melhor na frente da batalha. Centremo-nos em salvar o SNS.</p>



<p>Justifica-se ainda este meu curto interregno na política pela elaboração de vários livros e pelo meu constrangimento pessoal, perante a terrível sucessão de mortes de amigos muito próximos, ou de pessoas que simplesmente admirava, desde Adriano Moreira a António Mega Ferreira. Tem sido deveras doloroso…</p>



<p>Mesmo assim, não deixei de reagir recentemente contra a insanidade política do atual Ministro da Cultura e ao miserável “saneamento” do PS, a título póstumo, de Maximino Serra, o último dos heróis da resistência à ditadura. Reafirmo um princípio de sempre:&nbsp;<strong>“Diz-me por que causas e ao lado de quem te bates e dir-te-ei quem és!”.</strong></p>



<p>Dispensando mais comentários que até serão imperiosos, mas que certamente não se ajustam a esta quadra, resta-me desejar que, em 2023, juntos possamos desatar alguns dos mais apertados nós que hoje flagelam a sociedade portuguesa.</p>



<p>Um forte abraço de amizade e gratidão a todos quantos me aturam.</p>



<p>E “façam-me o favor” de ser felizes!</p>
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		<title>Um romance de bisturi afiado</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2022/09/um-romance-de-bisturi-afiado/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 10 Sep 2022 23:01:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Cândido Ferreira]]></category>
		<category><![CDATA[crise académica de Coimbra em 1969]]></category>
		<category><![CDATA[Setembro Vermelho de Cândido Ferreira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Setembro Vermelho, de Cândido Ferreira(Edições MinervaCoimbra, Junho de 2012) apresenta-se como «romance». Afirma o autor, numa ‘explicação necessária’, que se trata de «uma ficção que não pretende traduzir, com rigor absoluto, os factos ocorridos e a sua sequência». Acrescenta: «Procurando não desvirtuar a realidade que viveu, o autor recorreu a criações para contar uma história [&#8230;]</p>
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<p><em>Setembro Vermelho,</em> de Cândido Ferreira(Edições MinervaCoimbra, Junho de 2012) apresenta-se como «romance». Afirma o autor, numa ‘explicação necessária’, que se trata de «uma ficção que não pretende traduzir, com rigor absoluto, os factos ocorridos e a sua sequência». Acrescenta: «Procurando não desvirtuar a realidade que viveu, o autor recorreu a criações para contar uma história e não para acertar contas com a História».</p>



<p>Tudo gira, na verdade, em torno da biografia do protagonista, Ulisses de Castro, contada na primeira pessoa; e se a palavra <em>romance</em> se assume como o desenrolar de peripécias amorosas, <em>Setembro Vermelho</em> merece a classificação, porque a narrativa se desenvolve, desde o início, a partir de ou tendo como aliciante condimento os ‘romances’ de Ulisses.</p>



<p>Quem, no entanto, conhece o currículo do autor, depressa compreenderá que, mais do que os enredos amorosos, lhe importou dar a sua versão dos acontecimentos que abalaram a Academia Coimbrã em 1969. Aliás, o protagonista viveu em Paris o Maio de 68, confessa-se acérrimo militante do PCP e é deste prisma que o relato é minuciosamente feito, retrato acabado da vida estudantil coimbrã e das suas repúblicas.</p>



<p>¿Romance «histórico», então, para miudamente contar as peripécias por que passou a juventude portuguesa nesses anos de exacerbada guerra colonial – as lutas académicas, a ida da ‘malta’ para a recruta em Mafra, a incorporação compulsiva, o ‘clima’ em Angola… – e, inclusive, o que se seguiu ao 25 de Abril até ao 28 de Setembro de 75? &nbsp;Sim, desse prisma, mau grado a ‘explicação necessária’, romance histórico será.</p>



<p>Há, porém, um 3º aspecto, quiçá aquele em que o autor mais se deleita: a mui erudita discussão ideológica. Amiúde as personagens se envolvem em acesa troca de ideias, na defesa das causas subjacentes à sua actuação política e religiosa. Tudo é passado a pente fino, dir-se-ia…</p>



<p>Nesse âmbito, não é nada despiciendo o facto de o protagonista (o autor, entenda-se agora…), afirmando-se já aposentado, não ter resistido a contar, em epílogo, o rumo que cada um dos personagens seguiu até ao momento da edição do livro. E se já antes, aqui e acolá, as farpas se não pouparam, é nesse relato individual que a ironia assume papel preponderante, na medida em que cada «figurante» personifica percursos, amiúde inesperados, que ‘revolucionários’, pides e outros lograram milagrosamente engendrar…</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1684" height="1036" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/09/contracapa.jpg" alt="" class="wp-image-21737"/><figcaption>imagem da contracapa</figcaption></figure>



<p>Muito bem escrito, sem gralhas (a louvar!), num português escorreito e de mui fácil leitura, ajustado a cada ambiente social, brinda-nos, de vez em quando, com sentenças lapidares, que não resisto a transcrever:</p>



<p>«Nunca será pela matraca que se quebra a alavanca das ideias» (p. 92).</p>



<p>«O sonhar acordado é a lanterna que ilumina as noites mais escuras» (p. 95).</p>



<p>«Até no campo mais daninho podem, a qualquer momento, brotar flores» (p. 106).</p>



<p>«Larga é a estrada que leva à desilusão, e estreito o caminho de regresso» (p. 107).</p>



<p>«Só se descobre que alguém sabe pouco quando fala muito» (p. 123).</p>



<p>«O povinho prefere um ditador que não lhe aumente as décimas a um libertador que o obrigue a dar corda ao relógio» (p. 124).</p>



<p>«O homem sábio aprende mais com os falhanços dos outros do que com os seus» (p. 162).</p>



<p>«A diversidade é o mel da humanidade» (p. 188).</p>



<p>«Quem não tem inimigos também não é digno de ter amigos…» (p. 188).</p>



<p>«A calúnia pode ferir-nos mais do que as balas» (p. 189).</p>



<p>«Os rouxinóis não cantam por serem estouvados, mas porque nascem poetas e trazem o coração cheio de melodias» (p. 234).</p>



<p>Apesar de confessar, no final (p. 285). que se decidiu a escrever este livro «na convicção de que as novas gerações saberão impor-se à pilhagem institucionalizada», o certo é que nele está, de facto, pintado em paleta de negras cores o quadro deste Portugal no dealbar do século XXI.</p>



<p>Todo o edifício continua a correr mui sério risco de ruir, mercê – atrevo-me eu a assinalar – da pertinaz existência daquela erva daninha para que já o perspicaz Luís de Camões quisera chamar a atenção, qual testamento, ao escolhê-la para ser a última palavra d’<em>Os Lusíadas:</em> a <strong>inveja</strong>!</p>
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		<title>Quando os culpados são os mortos…</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cândido Ferreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Dec 2021 13:41:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[Justiça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ouvidas as testemunhas, e divulgado o resultado das “autópsias” da infausta viatura e os restos do cadáver recolhido nas imediações, tudo indicia serem loas as suspeições levantadas em torno de uma investigação, que estaria a ser conduzida de forma tendenciosa. Pelo contrário, do relatório ressalta a certeza de que os responsáveis máximos, pela nossa segurança [&#8230;]</p>
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<p></p>



<p>Ouvidas as testemunhas, e divulgado o resultado das “autópsias” da infausta viatura e os restos do cadáver recolhido nas imediações, tudo indicia serem loas as suspeições levantadas em torno de uma investigação, que estaria a ser conduzida de forma tendenciosa. Pelo contrário, do relatório ressalta a certeza de que os responsáveis máximos, pela nossa segurança interna, apenas se entregam ao “biscate extra de varrer estradas”, em regime de voluntariado.</p>



<p>Nada de surpreendente, num país em que ninguém está acima da lei e nem os mortos escapam ao apuramento das suas responsabilidades na deterioração do erário público, só porque lhes “dá jeito morrer”. Já em 2009, e na sequência de uma fraude na Sub-Região de Saúde de Leiria, duas obscuras funcionárias foram condenadas por, depois de falecerem, terem cometido a proeza de eliminar todas as provas incriminatórias, à guarda dessa&nbsp;Instituição. &nbsp;</p>



<p>Sem dúvida, também o presente relatório vem honrar as tradições de um Estado de Direito em que, ainda recentemente, um médico-legista se atreveu a sugerir a tese de assassinato dum cidadão estrangeiro, falecido no Aeroporto de Lisboa por “morte natural”. “Ideia delirante” que, neste país de boas contas, logo mereceu grave punição, nunca levantada. Mais uma decisão administrativa exemplar que, certamente, ainda irá merecer reconhecimento público num qualquer 10 de junho. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>A propósito, recordo outro “passarão”, o general Loureiro dos Santos, que, em tempos, ousou questionar a honra e a dignidade das Instituições que jurou servir fielmente. A que terei ainda de somar Almerindo Marques, mais um “caso patológico” que, há meses, já em risco de vida, tomou a iniciativa de prestar um “pidesco” depoimento ao Juiz Carlos Alexandre, outra personagem de perfil “sinistro” que insiste em prestar assistência a esse “doente em cuidados intensivos”, que é o TIC.</p>



<p>Atenta ao “despautério” de Almerindo Marques, a imprensa apressou-se a dar conta de que a sua herança fora arrestada, a mando de um qualquer obscuro juiz. E para não violar o segredo de Justiça, nem sequer foram divulgadas as razões de tão célere e oportuna decisão, tomada poucos dias depois da morte desse “vira-latas”.</p>



<p>Enfim, curvemo-nos perante mais uma assinalável ação pedagógica da Justiça, esta exercida sobre os familiares de um “tresloucado” que, antes de sair do mundo, entendeu macular gestores públicos acima de suspeição, miseravelmente envolvidos em processos judiciais ainda em curso, enquanto outros, por falta de fundamento, até já mereceram justa prescrição. Corrupção em Portugal? Como é possível tal atoarda, se até alguns dos mais altos responsáveis pela nossa magistratura negam tal fantasia?</p>



<p>O relatório de Évora, alegadamente retido durante meses em segredo de justiça, devido a criteriosas investigações, deixou-me, no entanto, uma pertinente dúvida. A que velocidade seguia o “peão” para, literalmente, ter ficado com a bacia estilhaçada e o abdómen pulverizado, mesmo depois da comitiva oficial ter buzinado e travado à distância, perante o seu visível atropelo à livre ocupação rodoviária?</p>



<p>Perante tais evidências, não há argumentos. Depois desta investigação, em que até a matéria fecal derramada foi objeto de suspeições e perícias nunca vistas, sinto-me obrigado a proferir um ato de contrição. É que, tendo reagido de forma irrefletida em tempos idos, entendo ser minha obrigação retratar-me e pedir solene desculpa a quem, tão afanosamente, vela pelo bom funcionamento das nossas Instituições. &nbsp;</p>



<p>Eu pecador me confesso, em 2015 entendi participar numa campanha eleitoral para a Presidência da República, onde envolvi uma “fortuna” de vinte mil euros, mais IVA, sem subvenções oficiais e “escandalosamente” suportada por familiares. Uma ação cívica que entrou em choque com o normal funcionamento do Estado de Direito, sendo merecedora do devido escrutínio por parte das autoridades competentes: ao caso o Tribunal Constitucional, reconhecidamente o órgão com maior competência e isenção para analisar as contas das candidaturas a cargos políticos… e não só.</p>



<p>Suportada numa gestão financeira interna à prova do próprio Tribunal de Contas, e no apoio de um gabinete privado que, entretanto, substituiu tal “aberração”, depressa o constitucionalíssimo tribunal registou uma longa série de desconformidades, irregularidades, ilegalidades e até criminalidades, na minha candidatura.</p>



<p>Fruto desse afã, mais de quatro anos depois, a 28 de janeiro de 2020, e conforme então publiquei sob o título “<strong><em>Venho dizer-vos que não tenho medo”</em></strong>, calhou-me ser chamado à sede da PSP, de Leiria. Atendido de forma muito “profissional”, como então descrevi e poderei reproduzir se tal for julgado conveniente, aí fui informado que me fora concedido o “privilégio” de ser constituído arguido num processo-crime, com “direito a termo de fixação de identidade e residência”, caso não optasse por “não desistir dos meus direitos cívicos e políticos”, durante alguns anos.</p>



<p>Alegadamente, teria cometido vários crimes ao apresentar a declaração obrigatória de rendimentos e de património exigível no exercício de cargos políticos, uma “investigação” que ainda hoje prossegue com inquéritos, inquirições, processos e coimas em que me envolveram, bem como terceiros que me são próximos.</p>



<p>Tendo, de início, dispensado advogados, postura que adoto desde os “saudosos” tempos da PIDE, só dias depois tive conhecimento de que tal processo já correra anteriormente, no DIAP de Lisboa, tendo sido arquivado por “falta de provas”. No entanto, e aparentemente com base em mais um “credível” email anónimo, o Tribunal Constitucional entendera proceder a nova investigação e&nbsp;decidira até tomar medidas cautelares de precaução, dado o meu sério risco de fuga. &nbsp; &nbsp;</p>



<p>Dotado à nascença de &#8220;mau feitio&#8221;, decidi então declinar o “simpático” acordo que me foi proposto e optei por “iludir” a Justiça. Uma decisão ignóbil e de que agora me arrependo porque, embora nunca tenha&nbsp;auferido de um cêntimo na prestação de cargos públicos, só grosseiras falhas na investigação podem justificar uma nova “amnistia”, por acaso concedida logo&nbsp;a seguir às eleições presidenciais, de 2021. As “provas” eram tão flagrantes, e a devassa a toda a minha vida foi tão flagrante, que só podemos concluir que, longe de ser inocente, a sorte protege os audazes.</p>



<p>Há que reconhecer, contudo, que em Portugal nem os mortos escapam à Justiça.&nbsp; Safo desta vez, mas com a Justiça em crescendo de competência, quem sabe se um qualquer dia, até já depois de morto, não serei alvo de melhor investigação?&nbsp;</p>



<p>Talvez só então, e não se admirem muito, sejam finalmente encontrados os esqueletos que, astuciosamente, se encontram enterrados no meu quintal.</p>
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		<title>A favor de um desconfinamento parcial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cândido Ferreira]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Feb 2021 19:07:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[Cândido Ferreira]]></category>
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		<category><![CDATA[medicina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tratou-se de um esforço quase inglório, mas que, documentado em textos que publiquei, põe hoje a nu o melhor e o pior que existe na “raça humana”: &#8211; inúmeros cientistas empenhados na verdade, em contraciclo com toda a casta de paranoicos e negacionistas; &#8211; profissionais ciosos por medidas corretas, a par de charlatães e vendedores [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>Tratou-se de um esforço quase inglório, mas que, documentado em textos que publiquei, põe hoje a nu o melhor e o pior que existe na “raça humana”:</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>&#8211; inúmeros cientistas empenhados na verdade, em contraciclo com toda a casta de paranoicos e negacionistas;</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>&#8211; profissionais ciosos por medidas corretas, a par de charlatães e vendedores de banha-de-cobra;</p>
</div></div>



<p>&#8211; cidadãos que se voluntariam para salvar vidas, dirigidos por psicopatas capazes de passar à frente de tudo e todos;</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>&#8211; administradores públicos dedicados e competentes, ensombrados por poderes político-económicos dominantes e centrados na sua sobrevivência;</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>&#8211; alguns dignos comentadores, por entre uma catrefada de “comentadeiros”;</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>&#8211; e por aí fora…</p>
</div></div>



<p>E foi já perante as “graves falhas, erros e omissões” que cedo detetei, que decidi intervir civicamente e em diversos patamares:</p>



<p>&#8211; logo em fevereiro, ao propor planos de contingência para as instituições de risco, de que a libertação de presos foi um bem-sucedido exemplo;</p>



<p>&#8211; e, em março, já denunciava que, “INCRIVELMENTE e em prejuízo de fármacos caríssimos”, a cortisona ainda não havia sido ensaiada; a este propósito, em maio, cientistas ingleses reconheceram que, se a tivessem usado mais cedo, teriam salvo cinco mil vidas só no Reino Unido;&nbsp;</p>



<p>&#8211; também em março, posto perante um PR em fuga e uma chefia atascada em centenas de “responsáveis”, não tive dúvidas em propor um comando centralizado, do tipo militar, como se enfrentássemos uma “guerra biológica”; a linha da frente, defendi então, deveria concentrar-se na formação sanitária das populações, na proteção civil e no impulso do SNS, que não nos hospitais de retaguarda, estes fáceis de ampliar.</p>



<p>&#8211; ainda em março, está tudo escrito, “decretei” o uso de máscara, apelando à comunicação social, à OM, ao SIM e a autoridades várias;</p>



<p>&#8211; e, em antecipação, denunciei também o atraso no confinamento e defendi um desconfinamento mais precoce, se levado a cabo com regras bem definidas;</p>



<p>&#8211; para, já em pleno verão, denunciar a bagunça que ia pelo Alentejo e pelas forças de segurança, prenúncio de quebra turística e de eclosão de nova vaga.</p>



<p>Em novembro, perante a experiência acumulada, dei como certo que com três mil internamentos, aviso amarelo, o nosso SNS deixaria de dar resposta a muitas patologias. E que com cinco mil, aviso laranja, corria o risco de colapsar.</p>



<p>E, ao mesmo tempo, reforcei a prevenção como grande prioridade, agora mais centrada na limitação de contágios e na identificação de novos casos, que não deveriam ultrapassar os mil, em cada dia.</p>



<p>E foi já em cima de um laranja-avermelhado que, em dezembro, com a classe política a garantir que o nosso país não podia suportar novo confinamento, que decidiu abrir as comportas pelo Natal, contra todas as evidências científicas.</p>



<p>O desastre era inevitável e, com Portugal a bater recordes do mundo e as imagens de horror a multiplicarem-se, o Governo viu-se então obrigado a novo e tardio confinamento: encerrando algumas atividades económicas de risco reduzido e, “espertamente” e por não ter feito o “trabalho-de-casa”, mantendo as escolas abertas.</p>



<p>E tudo isto sem que faltassem eloquentes “peritos” a suportar tão estapafúrdias decisões. “Decisores” que ainda hoje ditam “leis”, sem que o novo timoneiro ainda tenha tido ocasião de “mostrar serviço”. Um “serviço” que, afinal, é prestado por alguém que, em cenário de guerra, sabe bem que qualquer comandante tem de se munir de boa informação e, sob controlo apertado, promover constantes correções.</p>



<p>Foi esse o nível de exigência que imprimi à medicina intensiva que pratiquei, confrontado diariamente com inúmeras situações que urgia resolver. Do mesmo modo, também a atual pandemia não pode ser eficazmente tratada se prolongarmos medidas desnecessárias e não aplicarmos outras, emergentes.</p>



<p>Comigo a balançar entre a economia e a saúde, e com a mesma convicção com que sempre “acertei” no passado, atrevo-me hoje a defender que, nesta fase de decréscimo da pandemia, e sob intensa monitorização da ciência, Portugal já pode e deve “dar-se ao luxo” de desconfinar setores básicos, sobretudo nas áreas do turismo e restauração, desde que ofereçam condições de segurança.</p>



<p>Risco muito pequeno e medido ao milímetro porque, diariamente em cima dos acontecimentos, um “almirantado” capaz poderá sempre ditar orientações ao minuto.</p>



<p>Assim o libertem dos espartilhos da política… e logo vemos quem tem razão.</p>
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