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	<title>Arquivo de PEDRAS ANTIGAS - Duas Linhas</title>
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	<title>Arquivo de PEDRAS ANTIGAS - Duas Linhas</title>
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		<title>PROCULINO QUIS SER SEPULTADO COM AS DUAS ESPOSAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 08:00:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Escreveu o investigador local Carlos Caetano, no mais recente número, o 48, de 2025, da Praça Velha, a revista cultural da cidade da Guarda, que o concelho de Valhelhas foi um dos mais antigos não só das Beiras como de Portugal, pois que a Carta de Foral foi dada «vobis homines de Valielias» – ‘a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Escreveu o investigador local Carlos Caetano, no mais recente número, o 48, de 2025, da <em>Praça Velha, </em>a revista cultural da cidade da Guarda, que o concelho de Valhelhas foi um dos mais antigos não só das Beiras como de Portugal, pois que a Carta de Foral foi dada «vobis homines de Valielias» – ‘a vós, homens de Valielias’ – por el-rei D. Sancho I, em Agosto de 1188, ou seja, 11 anos antes de idêntico documento de alforria ter sido atribuído à cidade da Guarda!</p>



<p>E aponta Carlos Caetano como justificação dessa primazia «factores como a localização do termo e a da própria vila de Valhelhas, nas margens do Alto Zêzere, um e outra pontos de passagem de vias seculares, senão milenares e, por outro lado, a necessidade de atrair e fixar moradores num território tão debilmente povoado, que “ocupassem” o território do termo e cujos habitantes garantissem apoio e protecção a viandantes e peregrinos.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Na verdade, por aí haviam, séculos antes, andado romanos e deles se mostram, ainda hoje, desprotegidas das intempéries, duas inscrições, que, a seu tempo, D. Domingos de Pinho Brandão estudou, juntamente com o saudoso Adriano Vasco Rodrigues († 22-01-2025). Foi D. Domingos ilustrado bispo de Leiria e, depois, do Porto, e por essas antigas pedras com letras deveras se interessou.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-encostado-a-parede-1024x576.png" alt="" class="wp-image-48895" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-encostado-a-parede-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-encostado-a-parede-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-encostado-a-parede-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-encostado-a-parede-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-encostado-a-parede-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-encostado-a-parede-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-encostado-a-parede-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-encostado-a-parede-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-encostado-a-parede.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Um miliário e o epitáfio de Proculino estão encostados numa parede lateral da Igreja Matriz de Valhelhas</figcaption></figure>



<p>Chegaram estas a seu conhecimento e não hesitou em as estudar, até porque uma delas vem justamente ao encontro do que se acaba de referir. Trata-se de um miliário, isto é, marco que os Romanos colocavam nas zonas principais das vias para informação de distâncias.</p>



<p>Foi achado no Galrado, cerca do Zêzere, segundo informação que, a seu tempo, obteve dos moradores da quinta com esse nome. Aliás, acrescentou D. Domingos que lhe terão dito aparecerem no mesmo local muitos vestígios da época romana. Daí foi levado para junto da porta do lado esquerdo do templo, à esquerda de quem entra. Porventura, não sem antes ter servido de pia de água benta, como o sugere, escreve D. Domingos, uma cavidade que existe no cimo.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/miliario-1024x576.png" alt="" class="wp-image-48897" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/miliario-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/miliario-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/miliario-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/miliario-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/miliario-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/miliario-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/miliario-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/miliario-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/miliario.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">miliário romano de Valhelhas</figcaption></figure></div>


<p>Dado que a superfície epigrafada sofreu escoriações múltiplas, já não foi possível aos dois investigadores declararem o texto completo em seis linhas aí gravado. Concluíram, todavia, perante o que lograram ler, que aí poderia ter havido referência a dois imperadores que governaram em conjunto, Diocleciano e Maximiano, e, porventura também aos dois césares que os acompanharam, os «fortíssimos» Constâncio e Maximino Daia. Apontam, pois, para uma datação dos anos 305 / 306.</p>



<p>Registe-se, a título de curiosidade, que as dificuldades de leitura deste marco não têm aliciado os estudiosos, porque – que se anote – mais nenhuma tentativa de leitura foi feita.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Diversa é, no entanto, a outra pedra com letras que lhe faz companhia. Trata-se do epitáfio mandado lavrar por Proculino e para as suas esposas, modelos de piedade: uma foi Valéria; a outra teve <em>Amabilis</em> como nome. E bem amável deveria ter sido, pois que Proculino a apresenta como <em>nutrix – </em>a ama de leite dos seus filhos!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-1024x576.png" alt="" class="wp-image-48899" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/proculino.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">o epitáfio de Proculino</figcaption></figure></div>


<p>Cremos que ainda terá havido uma tentativa de avivar as letras do epitáfio; mas como com mortos se não deve brincar, o perigoso pinta-paredes terá dado dois passos atrás.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O certo é que, para além dos perversos avivamentos de que já aqui se falou, há mais dois a juntar agora ao rol das suas façanhas por Valhelhas andou à solta.</p>



<p>Aqui está a fotografia das outras pedras avivadas. Na inscrição de cima, sob uma cruz, o conhecido cristograma:as siglas IHS aludem às três primeiras letras do nome de Jesus em grego: iota-eta-sigma (ΙΗΣΟΥΣ), siglas que passaram para latim como sendo da afirmação <em>Iesus Hominum Salvator,</em> «Jesus Salvador dos Homens».</p>



<p>Vem de seguida <strong>Afº M</strong><strong>I</strong><strong>ᴣ</strong> | o fez. Será Afonso Martins. Noutra pedra em baixo. <strong>Era 1674.</strong></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="960" height="720" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-4.jpg" alt="" class="wp-image-48837" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-4.jpg 960w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-4-300x225.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-4-768x576.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-4-696x522.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-4-265x198.jpg 265w" sizes="auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px" /></figure></div>


<p>Que o «<strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/crime-de-lesa-patrimonio/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/03/crime-de-lesa-patrimonio/">pintor de paredes</a></strong>» valhelhense se tenha basto divertido somos capazes, até, de acreditar. Que, apesar dos <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-criminoso-atacou-tres-vezes/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-criminoso-atacou-tres-vezes/">gatafunhos</a></strong> com que nos brindou, acabou por também nos divertir disso não há dúvidas também.</p>



<p>Restam, porém, dois apelos finais: <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/quem-estraga-uma-pedra-gravada-estraga-duas-ou-tres/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/05/quem-estraga-uma-pedra-gravada-estraga-duas-ou-tres/">não o deixem à rédea solta</a></strong>; e, sobretudo, resguardem num museu, quanto antes, as duas inscrições romanas. A do Proculino que deseja ser sepultado com as duas esposas não é um mimo a mui respeitosamente admirar?</p>
</div></div>



<p></p>
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		<title>QUEM ESTRAGA UMA PEDRA GRAVADA, ESTRAGA DUAS OU TRÊS&#8230;</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/05/quem-estraga-uma-pedra-gravada-estraga-duas-ou-tres/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 May 2026 11:00:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Os letreiros gravados em pedras antigas não são grafitos.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Não se hesitou a barafustar contra o senhor de mãos leves que avivara, a trouxe-mouxe, o letreiro patente nas aduelas do portal lateral norte da igreja matriz de Valhelhas, freguesia do concelho da Guarda: <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/crime-de-lesa-patrimonio/">https://duaslinhas.pt/2026/03/crime-de-lesa-patrimonio/</a></p>



<p>Avivar com tinta uma inscrição – embora possa ser, à partida, uma louvável atitude – é gesto que implica conhecimento rigoroso do que, primitivamente, ali fora gravado, a fim de não se cometerem erros.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Em Epigrafia (a ciência que estuda os letreiros gravados na pedra) considera-se esse um estratagema condenável. E compreende-se porquê. É que a incidência da luz (solar ou artificial) pode realçar uns traços e ocultar outros. Pior ainda – como se documenta na foto em anexo – se o estudioso, para mostrar que a sua leitura é que está certa, pega numa caneta de feltro e pinta o texto na própria foto!&#8230;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="865" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/pedra-avivada-1024x865.png" alt="" class="wp-image-48844" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/pedra-avivada-1024x865.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/pedra-avivada-300x253.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/pedra-avivada-768x649.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/pedra-avivada-696x588.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/pedra-avivada-1068x902.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/pedra-avivada.png 1114w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Voltando a Valhelhas, importa corrigir o que se escreveu nessa crónica do dia 25 de Março&nbsp; acerca da data da consagração do templo. O letreiro fora, de facto, já estudado por Mário Barroca na sua monumental obra <em>Epigrafia Medieval Portuguesa,</em> datada do ano 2000.</p>



<p>O conceituado epigrafista explicou-nos:</p>



<p>1º) O que fora lido como um 2, era, afinal, um L (dito ‘uncial’, em linguagem técnica).</p>



<p>2º) O &#8220;sinal ondulado&#8221; parecido com um til não passava da forma como, no século XII, se desenhava o «a» aberto, «forma medieval de indicar o género feminino do numeral e, por isso, surge por cima do M, dos CC, do LX e do XII, para ser lido como ‘era milésima ducentésima sexagésima décima segunda’.</p>



<p>3º) Finalmente, é normal, no século XIII, utilizar-se uma forma de M para indicar o numeral na menção da era, e outra forma em texto corrido. Vá lá entender-se estes antigos!&#8230;</p>



<p>Em conclusão: deve ler-se «era de 1262», isto é, ano da era de César, o que corresponde a 1224 da era cristã. Portanto, nos primórdios do reinado de el-rei D. Sancho II, «O Piedoso».</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="656" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/portal-valhelhas-1024x656.jpg" alt="" class="wp-image-48834" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/portal-valhelhas-1024x656.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/portal-valhelhas-300x192.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/portal-valhelhas-768x492.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/portal-valhelhas-696x446.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/portal-valhelhas-1068x684.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/portal-valhelhas.jpg 1186w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>nota da redação: </p>



<p>No decorrer das várias publicações sobre este assunto, tentámos &#8220;calçar os sapatos&#8221; do pintor de letreiros antigos gravados na pedra. Alguma razão deve haver para que, <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-criminoso-atacou-tres-vezes/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-criminoso-atacou-tres-vezes/">em Valhelhas</a></strong>, quase todas as pedras gravadas tenham sido tratadas desta maneira. Parece-nos evidente que a principal preocupação foi tentar mostrar o que estava escrito.</p>



<p>Provavelmente, alguém da Junta de Freguesia deve ter pensado que, tal como estavam, ninguém entendia o que tinha sido escrito naquelas pedras. É latim, mas podia ser mandarim. Ninguém percebia os riscos, e o pintor que se prestou ao serviço também não. E o problema é mesmo esse. Os epigrafistas clamam contra o crime cometido, porque agora ninguém percebe o que lá escreveram, mas já ninguém percebia&#8230; </p>



<p>Os escritos não são compreensíveis para o comum dos mortais e os epigrafistas funcionam em circuito fechado, é um trabalho que não costuma sair do meio académico. E assim se perdeu a oportunidade de ser um epigrafista a &#8220;avivar&#8221; os vários letreiros medievais de Valhelhas.</p>



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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="960" height="720" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-3.jpg" alt="" class="wp-image-48836" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-3.jpg 960w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-3-300x225.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-3-768x576.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-3-696x522.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-3-265x198.jpg 265w" sizes="auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px" /></figure>
</div>



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<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="960" height="720" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-4.jpg" alt="" class="wp-image-48837" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-4.jpg 960w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-4-300x225.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-4-768x576.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-4-696x522.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/valhelhas-4-265x198.jpg 265w" sizes="auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px" /><figcaption class="wp-element-caption">Capela de Santo Antão, em Valhelhas, também tem um letreiro avivado com tinta preta</figcaption></figure>
</div>
</div>
</div></div>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/quem-estraga-uma-pedra-gravada-estraga-duas-ou-tres/">QUEM ESTRAGA UMA PEDRA GRAVADA, ESTRAGA DUAS OU TRÊS&#8230;</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>O &#8216;CRIMINOSO&#8217; ATACOU TRÊS VEZES</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/05/o-criminoso-atacou-tres-vezes/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 23:00:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[PEDRAS ANTIGAS]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
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		<category><![CDATA[Guarda]]></category>
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		<category><![CDATA[pedras gravadas]]></category>
		<category><![CDATA[Valhelhas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Voltar a Valhelhas para dar conta do terceiro crime de leso património</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-criminoso-atacou-tres-vezes/">O &#8216;CRIMINOSO&#8217; ATACOU TRÊS VEZES</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Não se contentou em avivar, como muito bem lhe pareceu, a inscrição da porta da igreja de Valhelhas – de que <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/crime-de-lesa-patrimonio/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/03/crime-de-lesa-patrimonio/">já se falou antes</a></strong> – deu cabo de mais duas!</p>



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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/zbVhkRJ.png" alt="" class="wp-image-48059"/><figcaption class="wp-element-caption">publicado em <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/crime-de-lesa-patrimonio/">CRIME DE LESO PATRIMÓNIO</a></figcaption></figure>
</div>
</div>



<p>Foi-se à inscrição do campanário e – como já Filipa Avelar escrevia em 2003, na ficha do SIPA (Sistema de Informação para o Património Arquitectónico) – «também alguns sulcos desta inscrição foram pintados a preto, mas mais uma vez mal interpretados originando dificuldades na leitura da palavra “campanário”».</p>



<p>Prometêramos voltar a Valhelhas para dar conta do terceiro crime de leso património, perpretado na inscrição encrustada na parede de um edifício localizado no&nbsp; Largo Santa Maria Maior, fronteiro à porta principal da igreja matriz.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="871" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/brasao-na-parede-valhelhas-1024x871.png" alt="" class="wp-image-48796" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/brasao-na-parede-valhelhas-1024x871.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/brasao-na-parede-valhelhas-300x255.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/brasao-na-parede-valhelhas-768x653.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/brasao-na-parede-valhelhas-696x592.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/brasao-na-parede-valhelhas-1068x908.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/brasao-na-parede-valhelhas.png 1270w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Como que para eventual preservação de pedras com letras e como também por ali havia um brasão em relevo, alguém, um dia, agarrou em tudo e pespegou nessa parede, onde não faz nenhum sentido, a não ser esse, o de os guardar, &nbsp;a desafiar os estudiosos da heráldica e também os epigrafistas.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-3 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="528" height="292" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-3.jpg" alt="" class="wp-image-48797" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-3.jpg 528w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-3-300x166.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 528px) 100vw, 528px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="528" height="289" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-4.jpg" alt="" class="wp-image-48798" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-4.jpg 528w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-4-300x164.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 528px) 100vw, 528px" /></figure></div></div>
</div>



<p>A inscrição poderá ter sido partida em duas para se ajustar ao enquadramento, como que para emoldurar o brasão. Foi de tal modo grosseiramente avivada que mal se percebe o que poderia lá ter estado escrito anteriormente. Porventura, haverá aí alusão a um sargento-mor – vê-se CARgE/NTO MAOR – precedido, na 1ª linha, por ME<em>II</em> PINtoR (o N invertido): será Manuel pintor? E filho (vê-se <em>fo </em>Do) do sargento? Quem adivinha? Se a inscrição sob o brasão é continuação da de cima, seria esse o autor da obra, porque se lê bem: MANDA <em>f</em>AZE|R ⸳ ESTA oBRA. Segue-se a data: 1693. Desconhece-se o que significa <em>AS.</em></p>



<p>Está bem preservado o brasão, que os heraldistas saberão descrever a rigor.</p>



<p>Diremos que, debaixo de um capacete redondo, de abas a terminar em voluta, há um motivo floral horizontal. O escudo central em V mostra uma leoa apoiada sobre as patas traseiras, que assentam, por sua vez, sobre cinco traços horizontais (a simbolizar propriedades fundiárias, será?); há pendentes, lateralmente, ramagens que poderão ser ramos de hera.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-4 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="444" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-2-444x1024.jpg" alt="" class="wp-image-48799" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-2-444x1024.jpg 444w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-2-130x300.jpg 130w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-2-768x1773.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-2-887x2048.jpg 887w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-2-696x1607.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-2.jpg 998w" sizes="auto, (max-width: 444px) 100vw, 444px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="818" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-5-brasao-818x1024.jpg" alt="" class="wp-image-48800" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-5-brasao-818x1024.jpg 818w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-5-brasao-240x300.jpg 240w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-5-brasao-768x962.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-5-brasao-696x872.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-5-brasao.jpg 998w" sizes="auto, (max-width: 818px) 100vw, 818px" /></figure></div></div>
</div>



<p>Haveria a tentação de considerar este um brasão dos Castros, na medida em que, na citada ficha do SIPA, se diz que «no ático do retábulo-mor de talha dourada surge o escudo da família de D. Rodrigo de Castro». De resto, também no ângulo do norte do campanário estão as armas dos Castros bastardos (os das seis arruelas), o que parece provar que estes Castros possuíam, no século XVII, o senhorio de Valhelhas e a alcadaria norte do seu castelo, como sugere Pinho Leal (vol. X 1873, p. 159, do seu <em>Portugal Antigo e Moderno</em>).</p>



<p>Sobre os Castros, de <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/quem-estraga-uma-pedra-gravada-estraga-duas-ou-tres/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/05/quem-estraga-uma-pedra-gravada-estraga-duas-ou-tres/">Valhelhas</a></strong>, mas num registo mais recente, sabe-se que José (Augusto Soares Ribeiro) de Castro, advogado de prestígio, jornalista, fundador, em 1 de novembro de 1882 do jornal <em>O Povo Português,</em> o primeiro jornal republicano da Guarda e, mais tarde, a 24 de Fevereiro de 1878, diretor de um outro jornal, o <em>Districto da Guarda,</em> ativo entre 1878 e 1938, grão-mestre da Maçonaria, republicano profundo, nasceu em Valhelhas, a 7 de Abril de 1848, pai do major Álvaro Xavier de Castro (1878-1928), nascido na Guarda quando o pai era aqui advogado, também ele republicano e ministro em 1920. Serão descendentes do Senhor de Valhelhas, D. Rodrigo de Castro, filho do I Conde de Monsanto, D. Álvaro de Castro? É bem possível!</p>



<p>E acrescentar-se-á, a talhe de foice, que essas mesmas armas, com as seis arruelas, se mantêm num dos panos da muralha do antigo castelo de Cascais. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="961" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-6-Escudo-dos-Castros-no-castelo-de-Cascais-1-961x1024.jpg" alt="" class="wp-image-48803" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-6-Escudo-dos-Castros-no-castelo-de-Cascais-1-961x1024.jpg 961w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-6-Escudo-dos-Castros-no-castelo-de-Cascais-1-281x300.jpg 281w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-6-Escudo-dos-Castros-no-castelo-de-Cascais-1-768x819.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-6-Escudo-dos-Castros-no-castelo-de-Cascais-1-1441x1536.jpg 1441w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-6-Escudo-dos-Castros-no-castelo-de-Cascais-1-696x742.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-6-Escudo-dos-Castros-no-castelo-de-Cascais-1-1392x1484.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-6-Escudo-dos-Castros-no-castelo-de-Cascais-1-1068x1138.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-6-Escudo-dos-Castros-no-castelo-de-Cascais-1-1320x1407.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/05/Fig.-6-Escudo-dos-Castros-no-castelo-de-Cascais-1.jpg 1520w" sizes="auto, (max-width: 961px) 100vw, 961px" /><figcaption class="wp-element-caption">Escudo dos Castros no castelo de Cascais</figcaption></figure></div>


<p>O primeiro Conde de Monsanto por carta régia de 1460, outorgada por D.Afonso V, foi D.Álvaro de Castro, «neste Reino grande Senhor pela representação da Casa de Castro e outras prerrrogativas que concorriam na sua pessoa», como se lê na p. 474 do volume XI da <em>História Genealógica da Casa Real Portugueza, </em>de António Caetano de Sousa (1745). Morreu a 24 de Agosto de 1471, na tomada de Arzila, quando defendia o castelo cuja guarda lhe estava confiada: «Sua morte (escreveu Rui de Pina) foi muito sentida, porque no campo e na corte, na paz e na guerra, era por seu siso, discrição e esforço, homem mui principal».</p>



<p>Pois a um dos seus descendentes houvemos de nos referir agora, devido a mui singelo baixo-relevo, perdido nos confins da Beira Alta, quem diria? Não sabemos quem foi; mas uma certeza nos resta: o brasão que está nesta parede não é de Castro nenhum, nem dos da boa estirpe nem dos bastardos que Pinho Leal mencionou.</p>



<p><sup>(crónica em parceria com<strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/crime-de-lesa-patrimonio/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/03/crime-de-lesa-patrimonio/"> Dulce Borges</a></strong>)</sup></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-criminoso-atacou-tres-vezes/">O &#8216;CRIMINOSO&#8217; ATACOU TRÊS VEZES</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>A PEDRA PARTIDA</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/04/a-pedra-partida/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[José Carlos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Apr 2026 09:00:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[PEDRAS ANTIGAS]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[aldeia de Barcos]]></category>
		<category><![CDATA[os romanos em Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[os romanos em Tabuaço]]></category>
		<category><![CDATA[pedras antigas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um altar romano</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sabíamos que perdera a cabeça e até andámos às voltas com ela até percebermos que se encontrara a metade inferior duma ara romana.</p>



<p>Confesse-se que, à primeira vista, tantas são as pedras deste jeito, até hesitámos acerca da sua antiguidade. Depressa, porém, nos convencemos que sim, era um altar romano, dedicado a uma divindade, mormente depois de, pelas mágicas virtudes resultantes da aplicação, por Alexandre Canha, de milagrosos filtros fotográficos, termos logrado ler, no final, a fórmula ritual: <em>ex voto, </em>«por voto», o que de imediato nos deu a entender que se tratava, de facto, de uma inscrição votiva (que é o adjectivo&nbsp; que se aplica a este tipo de monumentos).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-1-1024x576.png" alt="" class="wp-image-48740" style="width:1035px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-1-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-1-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-1-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-1-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-1-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-1-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-1-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-1-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">                                       parte inferior do altar</figcaption></figure></div>


<p>Na actualidade, acções de graças a Deus ou aos santos consubstanciam-se, habitualmente, na oferta de uma vela que se queima, simbolizando a chama e o fumo que dela se exala a prece que sobe para a entidade divina homenageada. Queimada a vela, o que resta pode ficar sem qualquer préstimo, a não ser – como acontece nos grandes santuários religiosos – que se proceda à respectiva reciclagem e daí novas velas venham a ser fabricadas.</p>



<p>Não pactuavam lá muito os Romanos com essas transitoriedades. Preferiam gravar na pedra dura, a fim de ser eterna a sua gratidão. Não podia, porém, o vulgar devoto dar-se ao luxo de, por exemplo, mandar fazer um altar, uma capela lateral ou mesmo uma ermida – como, também hoje, isso é apanágio de quem tem posses para tal. Por isso, limitava-se a ir a uma oficina de canteiro (havia-as, naturalmente, por perto dos grandes santuários), escolhia uma das miniaturas de altar que o artífice já teria à vista, explicava que dizeres queria fossem gravados e, encomenda recebida, lá iria depô-la no santuário divino.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-4-1024x576.png" alt="" class="wp-image-48743" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-4-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-4-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-4-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-4-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-4-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-4-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-4-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-4-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-4.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Ara aos Lares Viales, de Braga</figcaption></figure></div>


<p>O ideal seria haver pompa e circunstância. Que, como nas missas solenes, se queimassem incensos para purificar a doação e simbolizar, pelas cheirosas ondas de fumo a subir, a elevação das preces e do mui devoto reconhecimento. Daí que – embora habitualmente não chegasse a ser&nbsp; usado, era um símbolo – se esculpisse na parte superior do capitel uma covinha, teoricamente destrinada a que nela se derramassem as essências a queimar. Por isso se lhe dá o nome de fóculo, pequeno fogo. O pequeno altar romano achado à saída de <em>Bracara Augusta</em> (Braga) ostenta claros vestígios de fogo; o viandante, à saída ou à entrada da cidade, queimava aí essências em honra dos deuses das vias (<em>Lares Viales</em>) para que o protegessem na ida e, à vinda, para lhes agradecer a companhia.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-2-1024x576.png" alt="" class="wp-image-48741" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-2-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-2-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-2-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-2-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-2-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-2-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-2-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-2-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Parte superior do capitel com o fóculo</figcaption></figure>
</div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-3-1024x576.png" alt="" class="wp-image-48742" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-3-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-3-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-3-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-3-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-3-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-3-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-3-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-3-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-3.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Ara aos Lares Viales, de Braga &#8211; fóculo</figcaption></figure>
</div>
</div>



<p>Encontrámo-la decapitada a ara de Barcos. Estava em reutilização. Fora partida a meio. Mas arqueólogo que se preza não se deixa esmorecer e, se bem o pensou, melhor o fez: suspeitando-se de que a outra parte poderia estar no monte de pedras que os pedreiros da obra haviam levado para um terreno da proprietária, urgia que esse monte fosse remexido. E, assim, o amigo Fernando Moreira, a nosso pedido, toca de ir ao monte e que a consabida perícia do maquinista fizesse… o milagre. E fez! Em menos de uma hora, lá se encontrou o capitel, a cabeça que a pedra perdera. E até tinha fóculo, com 14 cm de diâmetro!</p>



<p>Correu-se a ajustar tudo, dava certo e aí temos o monumento inteiro, com 56,5 cm de altura total. Pronto para dele se fazer o estudo epigráfico minucioso, comparando-o, eventualmente, com outros achados pelas redondezas e acicatando-nos a curiosidade: donde é que o altar terá vindo? Que vestígio romano de alguma monta haverá por perto? Como sói dizer-se, «não há fumo sem fogo»; assim, aqui, se há altar, tem de haver o sítio original em que ele foi colocado!</p>



<p><sub>(em co-autoria com <em>José d’Encarnação)</em></sub></p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-5-2-1024x576.png" alt="" class="wp-image-48750" style="width:1024px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-5-2-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-5-2-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-5-2-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-5-2-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-5-2-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-5-2-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-5-2-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-5-2-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/pedra-5-2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">                                          As duas partes do altar</figcaption></figure></div>


<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/a-pedra-partida/">A PEDRA PARTIDA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>ANTES DA MALA DE CARTÃO, LEVAVAM PEDRAS TUMULARES</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/04/antes-da-mala-de-cartao-levavam-pedras-tumulares/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 23:00:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[PEDRAS ANTIGAS]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo Verde]]></category>
		<category><![CDATA[Cabo Verde no século XVII]]></category>
		<category><![CDATA[colonialismo português]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quando o emigrante português não tinha intenção de regressar.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/antes-da-mala-de-cartao-levavam-pedras-tumulares/">ANTES DA MALA DE CARTÃO, LEVAVAM PEDRAS TUMULARES</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Pode, efectivamente, parecer estranho, mas aconteceu. E a história foi-nos brilhantemente contada por António Correia e Silva, no decorrer das II Jornadas Portuguesas de Gastronomia recentemente realizadas em Cascais, a que houve oportunidade de <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/falar-de-comida/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/04/falar-de-comida/">aqui nos referirmos</a></strong>. </p>



<p>Emigra-se, de facto, para um outro país com a ideia habitual de, na idade da reforma, se voltar à terra natal. Pode, porém, emigrar-se na intenção de lá ficar até à morte.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="630" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/Fig.-1-Lapide-da-sepultura-de-Cristovao-Leitao-Cabral-1024x630.jpg" alt="" class="wp-image-48344" style="width:1024px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/Fig.-1-Lapide-da-sepultura-de-Cristovao-Leitao-Cabral-1024x630.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/Fig.-1-Lapide-da-sepultura-de-Cristovao-Leitao-Cabral-300x185.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/Fig.-1-Lapide-da-sepultura-de-Cristovao-Leitao-Cabral-768x473.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/Fig.-1-Lapide-da-sepultura-de-Cristovao-Leitao-Cabral-696x428.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/Fig.-1-Lapide-da-sepultura-de-Cristovao-Leitao-Cabral-1068x657.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/Fig.-1-Lapide-da-sepultura-de-Cristovao-Leitao-Cabral.jpg 1092w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Lápide sepulcral <em>de Cristóvão Leitão Cabral, falecido aos 26 dias de Outubro do ano de 1608</em>, igreja do Rosário da Cidade Velha, ilha de Santiago. Foto de Rui Carita</figcaption></figure></div>


<p>António Correia e Silva – professor na Universidade de Cabo Verde, sociólogo e historiador, autor de livros como <em>Histórias de um Sahel Insular</em> (1995), <em>Nos Tempos do Porto Grande do Mindelo</em> (2001), <em>O Tempo das Cidades-Porto</em> (1999), <em>Cabo Verde, Combates pela História</em> (2004) – depois de afirmar que a cachupa (a rica e a pobre) constituía, como Cesária Évora, um dos ex-libris de Cabo Verde, deu conta de que, quando chegou o momento de sair gente de Portugal para Cabo Verde, ia a família toda e, com ela, as pedras tumulares, porque se sabia não haver nas ilhas rochas que servissem para o efeito. Isso prova bem, salientou Correia e Silva, ser intenção de ali toda a família ficar.</p>



<p>De facto, se hoje observarmos as fichas patrimoniais das pedras sepulcrais, por exemplo, da cidade velha de Santiago, da igreja do convento de S. Francisco ou&nbsp; da igreja do Rosário, lemos, neste caso, sem surpresa que se diz ser de «mármore continental europeu».</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/duas-lapides-1024x576.png" alt="" class="wp-image-48342" style="width:1020px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/duas-lapides-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/duas-lapides-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/duas-lapides-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/duas-lapides-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/duas-lapides-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/duas-lapides-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/duas-lapides-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/duas-lapides-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/duas-lapides.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Fotografia à esquerda: na Cidade Velha de Santiago, igreja do Convento de S. Francisco, ilha de Santiago. Fotografia à direita: na igreja do Rosário da Cidade Velha, ilha de Santiago</figcaption></figure></div>


<p>Foi, na verdade, notável a comunicação do professor cabo-verdiano, explicando como é surpresa grande para um cabo-verdiano recém-chegado a Portugal ter uma semana de chuva, quando, lá, chover é fenómeno bem raro; explicando que os navios negreiros vindos da Guiné também levavam milho maís (o único que se adapta nas ilhas) e arroz; que se promoveu a cultura de laranjeiras e limoeiros, fundamentais para a tripulação dos navios, a fim de se combater o escorbuto; que foi sempre fundamental a produção de gado caprino, dada a sua resistência às vissicitudes da aridez do clima, gado de que tudo se aproveita, constando a carne salgada como elemento necessário da dieta alimentar.</p>



<p>Aproveitou para se referir a duas festas tradicionais a que a gastronomia está intrinsecamente ligada: a Festa das Cinzas, especialmente intensa na ilha de Santiago, que marca o início da Quaresma com um grande almoço comunitário e familiar, com pratos tradicionais como peixe seco, xerém, cuscuz com mel, couve feijão com ovos escalfados, leite de coco, simbolizando partilha, união e tradição. E a festa da altura da Páscoa, em que se celebra a afirmação da vida e cada homem oferece à mulher um frasco de mel.</p>



<p>Terminou sublinhando que Cabo Verde tem a sua história e o novo turismo já não é apenas o de sol-e-praia, mas também o do património histórico e o do resgate da gastronomia tradicional. Note-se que, em relação às referidas pedras tumulares, terá que existir um movimento de verdadeiro salvamento da maior parte delas, na medida em que é fácil, por serem ‘velharias’ sem outro préstimo, acabarem reaproveitadas a trouxe-mouxe noutros edifícios. E assim se corre o risco de perder uma memória milenar. Louve-se, por conseguinte, a actividade da historiadora Vera Félix Mariz por, num colóquio internacional realizado, em Lisboa, em Junho de 2012, ter focado o caso da igreja da Nossa Senhora do Rosário, como exemplo de um património que deve ser devidamente valorizado; foi daí que tomei a liberdade de copiar a imagem das pedras sepulcrais que estão a servir de degraus de acesso ao adro duma das igrejas.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="538" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/degraus-lajes-sepulcrais-1024x538.png" alt="" class="wp-image-48348" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/degraus-lajes-sepulcrais-1024x538.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/degraus-lajes-sepulcrais-300x158.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/degraus-lajes-sepulcrais-768x403.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/degraus-lajes-sepulcrais-1536x806.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/degraus-lajes-sepulcrais-696x365.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/degraus-lajes-sepulcrais-1392x731.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/degraus-lajes-sepulcrais-1068x561.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/degraus-lajes-sepulcrais-1320x693.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/degraus-lajes-sepulcrais.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/antes-da-mala-de-cartao-levavam-pedras-tumulares/">ANTES DA MALA DE CARTÃO, LEVAVAM PEDRAS TUMULARES</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>UMA PEDRA ANTIGA ATRÁS DA OUTRA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 03 Apr 2026 08:00:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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		<category><![CDATA[os romanos em Tabuaço]]></category>
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		<category><![CDATA[Tabuaço]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O primeiro monumento epigráfico romano identificado no concelho de Tabuaço.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/uma-pedra-antiga-atras-da-outra/">UMA PEDRA ANTIGA ATRÁS DA OUTRA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Arqueólogo em campo pode sempre agradar-lhe a companhia, mas o seu olhar é como diziam os Antigos, a propósito de negócios de feiras: «Um olho no burro, outro no cigano!» (salvo seja!). O achado desta pedra é disso prova bastante!</p>



<p>E o pior é que isso é mesmo vírus que se pega! Quem, alguma vez, acompanhou arqueólogo em prospecção pelos campos é muito capaz de ficar com a moléstia de tudo querer ver com atenção. Já o mesmo se passa quando levamos uma turma a visitar um sítio arqueológico: há sempre um dos estudantes que, a dado passo, vê no chão um caco ou uma pedrinha fora do normal e corre junto do professor: «Isto tem interesse, <em>sôtôr?</em>».</p>



<p>Boa moléstia, esta, que também atacou Fernando Moreira, que acompanhara José Carlos Santos, em algumas deambulações com vista à elaboração da Carta Arqueológica de Tabuaço, que a respectiva Câmara Municipal viria a publicar em 2025.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Pois Fernando Moreira falara, recentemente, a José Carlos Santos da existência de um silhar almofadado, reaproveitado na Casa da Colegiada, de que <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/pedras-que-guardam-segredos/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/02/pedras-que-guardam-segredos/">se deu conhecimento aqui</a></strong>.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-que-guardam-segredos-capa-1024x576.png" alt="" class="wp-image-47160" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-que-guardam-segredos-capa-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-que-guardam-segredos-capa-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-que-guardam-segredos-capa-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-que-guardam-segredos-capa-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-que-guardam-segredos-capa-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-que-guardam-segredos-capa-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-que-guardam-segredos-capa-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-que-guardam-segredos-capa-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-que-guardam-segredos-capa.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">fonte <a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/pedras-que-guardam-segredos/">PEDRAS QUE GUARDAM SEGREDOS</a></figcaption></figure></div>


<p>Sucede que, depois de&nbsp;se visitar o imóvel, na companhia da mãe da proprietária, se encontrou mais um bloco de granito almofadado. Blocos almofadados, esclareça-se, são sempre boa ‘isca’ para um arqueólogo, na medida em que, constituindo um tipo de aparelho muito usado pelos Romanos, pode indiciar a presença, por perto, de mais vestígios dessas eras, eventuais construções onde tais pedras possam ter sido aproveitadas.</p>
</div></div>



<p>Acontece, porém, que os achados não se ficaram por ali: semanas depois, o mesmo Fernando (bem haja!)&nbsp;enviou fotografias de várias pedras que lhe chamaram a atenção, aquando&nbsp;da demolição da fachada voltada a noroeste do edifício (em fase de&nbsp;restauro). Uma delas despertou particular interesse, por aparentar ser uma ara romana. E, na verdade, tudo leva a crer que o será! O tão desejado primeiro monumento epigráfico romano identificado no concelho de Tabuaço!..</p>



<p>A Casa da Colegiada fica em Barcos, localidade que pertence, administrativamente, à União das Freguesias de Barcos e Santa Leocádia. Penhoradamente se agradece à sua proprietária, D. Bertilina Ferreira, as facilidades concedidas para o estudo do monumento.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Trata-se da parte inferior de uma ara de granito de grão fino de tonalidade esbranquiçada. Mede 33,5 cm de altura, 24,5 a 31 de largura e 20,5 a 26,5 cm de espessura. A fractura, oblíqua, ocorreu sensivelmente abaixo da meia altura. Resta, ainda, a moldura da base, nas quatro faces, moldura que seria de garganta reversa seguida de escócia também reversa. Portanto, um monumento a seguir os cânones morfológicos romanos.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-6 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-pedra-quando-foi-encontrada-768x1024.jpg" alt="" class="wp-image-48270" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-pedra-quando-foi-encontrada-768x1024.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-pedra-quando-foi-encontrada-225x300.jpg 225w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-pedra-quando-foi-encontrada-1152x1536.jpg 1152w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-pedra-quando-foi-encontrada-696x928.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-pedra-quando-foi-encontrada-1068x1424.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-pedra-quando-foi-encontrada.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption">A pedra quando foi encontrada</figcaption></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="982" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-face-principal-da-ara-na-sua-posicao-correcta-982x1024.jpg" alt="" class="wp-image-48271" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-face-principal-da-ara-na-sua-posicao-correcta-982x1024.jpg 982w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-face-principal-da-ara-na-sua-posicao-correcta-288x300.jpg 288w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-face-principal-da-ara-na-sua-posicao-correcta-768x801.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-face-principal-da-ara-na-sua-posicao-correcta-696x726.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-face-principal-da-ara-na-sua-posicao-correcta-1392x1452.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-face-principal-da-ara-na-sua-posicao-correcta-1068x1114.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-face-principal-da-ara-na-sua-posicao-correcta-1320x1377.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-face-principal-da-ara-na-sua-posicao-correcta.jpg 1438w" sizes="auto, (max-width: 982px) 100vw, 982px" /><figcaption class="wp-element-caption">A face principal da ara na posição correcta</figcaption></figure></div></div>
</div>



<p>Perdeu-se a inscrição que teria na face principal, com letras de leve recorte, se atendermos ao que parece ler-se na última linha: um E quase imperceptível seguido de um amplo X e de V. Na linha anterior, quiçá se terá gravado AEL, mas sem garantia.</p>



<p>EX V deverá desdobrar-se em EX V(<em>oto</em>), «por voto», o que determina estarmos perante uma árula, pequeno altar votivo a uma divindade, cuja identificação estaria na parte superior perdida, onde se deveria ler também a identificação do(a) dedicante, que, em virtude de promessa feita, mandou esculpir o monumento.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="607" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-dificil-decifracao-do-letreiro-1024x607.jpg" alt="" class="wp-image-48268" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-dificil-decifracao-do-letreiro-1024x607.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-dificil-decifracao-do-letreiro-300x178.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-dificil-decifracao-do-letreiro-768x455.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-dificil-decifracao-do-letreiro-696x413.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-dificil-decifracao-do-letreiro-1068x633.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/A-dificil-decifracao-do-letreiro.jpg 1312w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">A difícil decifração do letreiro&#8230;</figcaption></figure>



<p>Em suma: tanto as pedras almofadadas de que já se deu notícia como, agora, este fragmento de ara auspiciam outras descobertas. De muito longe não terão vindo para incorporação na Casa da Colegiada. E, doravante, todos os olhares serão poucos para outros vestígios romanos por aí virem a ser encontrados.</p>



<p>(em colaboração com <strong><a href="https://duaslinhas.pt/author/jose-carlos-santos/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/author/jose-carlos-santos/">José Carlos Santos</a></strong>)</p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/uma-pedra-antiga-atras-da-outra/">UMA PEDRA ANTIGA ATRÁS DA OUTRA</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>CRIME DE LESO PATRIMÓNIO</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/03/crime-de-lesa-patrimonio/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Dulce Borges]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2026 09:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[PEDRAS ANTIGAS]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[epigrafia]]></category>
		<category><![CDATA[pedras antigas]]></category>
		<category><![CDATA[pedras gravadas]]></category>
		<category><![CDATA[Valhelhas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A inscrição que ocupa a arquivolta do portal ocidental da igreja matriz de Santa Maria Maior, de Valhelhas</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/crime-de-lesa-patrimonio/">CRIME DE LESO PATRIMÓNIO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Boa parte das dificuldades da sua interpretação resultam do ‘crime’ de se tentarem avivar as letras com tinta. Normalmente, é operação levada a cabo por quem não percebe o que lá está escrito e pinta como lhe parece bem. Aliás, o procedimento a ter seria, sim, de limpar suavemente a superfície epigrafada e fazer diversas fotos com diferentes ângulos de luz, para que os sulcos de letras bem se evidenciassem. Nada de sugerir letras que, amiúde, lá se não encontram e tudo isso causa confusão.</p>



<p>Veja-se a inscrição que ocupa a arquivolta do portal ocidental da igreja matriz de Santa Maria Maior, de Valhelhas.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/8FWvt9k.jpeg" alt="" class="wp-image-48051"/></figure>



<p>&nbsp;É um texto em latim, cheio, porém, de siglas e de abreviaturas, que, para mais, tendo sido pintadas, dificultam a interpretação.</p>



<p>Os caracteres apresentam bem grosseira mescla de módulos capitais e cursivos e dá-nos a impressão de que o letreiro até terá sido mui atabalhoadamente gravado, já estando no sítio os blocos da arquivolta. E mais atabalhoadamente foi avivado. Veja-se, a título de exemplo, o gracioso M inicial, a contrastar com o outro que significa ‘mil’ e tem por cima o sinal ondulado a explicar que se deve ler como sigla também.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/pVesUhk.png" alt="" class="wp-image-48058"/></figure></div>


<p>Lemos:</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/ZVF4Owg.jpeg" alt="" class="wp-image-48055"/></figure></div>


<p>Bem visto o cuidado de se dever interpretar a data como pertencendo à era de César, pois que será apenas por carta régia d’el-rei D. João I, datada de 2 de agosto de 1422, que em Portugal se adoptará a era cristã. Assim, 1222 corresponde a 1184, &nbsp;ano em que ainda reinava D. Afonso Henriques, que viria a falecer no ano seguinte. Estamos, consequentemente, perante um templo primitivamente românico, mesmo dos primórdios da nacionalidade.</p>



<p><em>Magius </em>(por <em>Maius</em>) é forma do latim popular. De certeza que não terá sido gravado o 2 em algarismo árabe antes do X, afigurando-se curioso que assim se possa ter querido informar que se devem ler duas vezes a letra X. Alicia-nos, claro, a ideia de, em vez de dois X, o artista se haja divertido como que a esclarecer «olhem que são dois X!». Merece-nos atenção a grafia da palavra <strong>ecclesia,</strong> porque nos parece haver um anexo alto LE e o actual rabisco poderá corresponder a um A bem cursivo ou às três letras SAI, que se não tenham conseguido ler.</p>



<p>Também o final causou dificuldade ao pintor. Crê-se que a palavra correcta seria SACRATA, para dizer que a igreja fora ‘sagrada’, ‘consagrada’. O que, todavia, se lê é <strong>são</strong> e <strong>do</strong>, havendo a possibilidade de o <strong>d</strong> ser <strong>ct</strong> – o que daria <em>sancto</em> (por <em>sancta</em>).</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/pAK4XvU.png" alt="" class="wp-image-48060"/></figure></div>


<p>Anotem-se, por conseguinte, as interpretações que diferem da que estamos a propor.</p>



<p>Escreveu Alípio Rocha a <em>Monografia de Valhelhas</em> (Coimbra, 1962). Na página 171, copia do <em>Portugal Antigo e Moderno,</em> de Pinho Leal (volume X, 1873, p. 159), a seguinte leitura:</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/0eS9Y4J.jpeg" alt="" class="wp-image-48052"/></figure></div>


<p>Copia também a tradução: «Esta igreja foi sagrada no mês de março de 1200». E faz-se eco da explicação dada por Pinho Leal: «Esta data deve ser do ano do nascimento de Jesus Cristo; e não da era de César, que então correspondia ao ano de 1162, época em que esta terra estava despovoada».</p>



<p>Ana Penisga e Cláudia Pinto, da empresa Clay Arqueologia, no artigo intitulado «Uma intervenção em Valhelhas e o seu enquadramento geral na prática da Arqueologia Preventiva» (<em>Praça Velha</em> 48, 2025, pp. 251-267), lêem, na pág. 257:</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/BVKWLSr.jpeg" alt="" class="wp-image-48053"/></figure></div>


<p>Traduzem: «(Esta igreja foi sagrada no mês de Maio de 1224)». Acrescentam que «esta data referir-se-ia, possivelmente, ao ano do nascimento de Cristo e não à era de César, que corresponderia ao ano de 1224».</p>



<p>Enfim, o que estes “crimes de leso património letreiro” nos encanzinam!&#8230;</p>



<p>Mas sem problema: o recado está dado e, mal ou bem, é perceptível: foi no mês de Maio do ano 1222 da era de César (1184 da era cristã) que o primitivo templo em honra de Santa Maria Maior abriu as suas portas ao culto. O que depois, ao longo dos séculos, ali se passou, é outra história para contar, até porque <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-criminoso-atacou-tres-vezes/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-criminoso-atacou-tres-vezes/">outra inscrição</a></strong>, também ela <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/quem-estraga-uma-pedra-gravada-estraga-duas-ou-tres/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/05/quem-estraga-uma-pedra-gravada-estraga-duas-ou-tres/">avivada a tinta</a></strong>, está numa parede lateral à nossa espera!</p>



<p><sup>(em colaboração com <strong><a href="https://duaslinhas.pt/author/jose-de-encarnacao/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/author/jose-de-encarnacao/">José d’Encarnação</a></strong>)</sup></p>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/crime-de-lesa-patrimonio/">CRIME DE LESO PATRIMÓNIO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>SEGREDOS A SETE CHAVES</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/02/segredos-a-sete-chaves/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Feb 2026 10:00:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[PEDRAS ANTIGAS]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Guarda]]></category>
		<category><![CDATA[pedras antigas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Velhas fechaduas e pedras antigas gravadas nas casas velhas da cidade da Guarda preservam mensagens por decifrar dos tempos medievais.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/segredos-a-sete-chaves/">SEGREDOS A SETE CHAVES</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Dá gosto entrar ali, porque António José Morgado Bandarra, o proprietário do estabelecimento desse nº 15 da Rua D. Sancho I, no coração da urbe, deu também em colecionar chaves de todos os tamanhos e feitios! E fez ele muito bem! Casa de Chaves chaves deve guardar!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="547" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/chaves-bandarra-2x-1024x547.png" alt="" class="wp-image-47290" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/chaves-bandarra-2x-1024x547.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/chaves-bandarra-2x-300x160.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/chaves-bandarra-2x-768x410.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/chaves-bandarra-2x-1536x821.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/chaves-bandarra-2x-696x372.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/chaves-bandarra-2x-1392x744.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/chaves-bandarra-2x-1068x571.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/chaves-bandarra-2x-1320x705.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/chaves-bandarra-2x.png 1772w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Poderá alguma das velhas fechaduras, a adornar esse arco gótico do século XIV, no interior do estabelecimento, esconder segredos, como as profecias do profeta sapateiro de Trancoso? Roídas pelo caruncho estarão as portas que guardaram (que chaves enormes, senhores!&#8230;) e nós que nos contentemos com outros mistérios.</p>



<p>A essoutros já vamos, porque importa esclarecer esse de haver um arco de entrada… dentro! De facto, numa grande quantidade de edifícios antigos, sobretudo com fachadas dos séc. XVI e XVII, que hoje nos é dado observar, sempre que os seus interiores foram intervencionados nas últimas décadas, aparecem as fachadas iniciais, dos séc. XIII e XIV, que é o caso. A entremear estas fachadas e as posteriores, existe sempre a calçada da rua. Umas vezes, os proprietários mantêm os vestígios da calçada; outras, tapam-na com novo pavimento. Esta evidência denuncia que o urbanismo medieval primitivo foi sendo alterado, dando a entender que os edifícios se ampliavam para o espaço público (rua), o que parece contrariar a ideia de as ruas da cidade terem sido de largura reduzida (2 a 4 metros).</p>



<p>Vamos, então, aos mistérios – que, afinal, também os há por ali!</p>



<p>Comecemos pelo mais simples e deveras elegante, na arquivolta do lado direito de quem olha! Em requintados caracteres góticos, de primórdios do século XVI (como Mário Barroca amavelmente nos esclareceu), representa as habituais siglas <strong>jhs,</strong> cujo desdobramento é, como se sabe, <em>Jesus Hominum Salvator,</em> «Jesus salvador dos homens». Adoptado como sigla pela Companhia de Jesus, depressa se vulgarizou, de modo que não se estranha a sua ocorrência aqui. De salientar o invulgar esmero do canteiro que a gravou.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="700" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/jhs-700x1024.png" alt="" class="wp-image-47291" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/jhs-700x1024.png 700w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/jhs-205x300.png 205w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/jhs-696x1019.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/jhs.png 738w" sizes="auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px" /></figure></div>


<p>Anote-se ser bem diferente, a esse respeito, a opinião de Adriano Vasco Rodrigues, que, na&nbsp; história da cidade da Guarda, no capítulo «Testemunhos dos <em>Cartyros,</em>dos Tabeliões ou Notários», vê aí a sigla do nome Johanes (João), que identifica com «Johan Dominguez tabalyõ dellRey na dicta cidade», como leu num documento antigo.</p>



<p>Em cima, na pedra de fecho da ogiva, à esquerda, os riscos aí gravados poderão interpretar-se como a representação esquemática de um animal de carga (muar ou burro): a cauda em forma de ípsilon (Y) deitado para trás, as patas em jeito de elipses oblongas. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="976" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/arabescos-976x1024.png" alt="" class="wp-image-47292" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/arabescos-976x1024.png 976w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/arabescos-286x300.png 286w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/arabescos-768x806.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/arabescos-696x730.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/arabescos.png 1002w" sizes="auto, (max-width: 976px) 100vw, 976px" /></figure></div>


<p>Pode ser, depois, fantasia de crédulo observador; imagina-se, todavia, por cima, estilizada figura humana, de chapéu em bico, saco na ponta de um pau ao ombro. Encanta-nos chamar-lhe «almocreve», a nossa homenagem aos que, Idade Média afora, iam de terra em terra, mensageiros e vendedores, suas mercadorias levando às povoações mais remotas. Acrescente-se que também essas gravações Adriano Vasco Rodrigues interpretou como identificativos de um tabelião, a exercer actividade na casa de cuja entrada o arco faria parte. A meia altura, do lado esquerdo, os riscos não terão decerto significado concreto.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/fachada-2x-1024x576.png" alt="" class="wp-image-47294" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/fachada-2x-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/fachada-2x-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/fachada-2x-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/fachada-2x-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/fachada-2x-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/fachada-2x-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/fachada-2x-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/fachada-2x-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/fachada-2x.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Na fachada do edifício anexo, datável também, muito possivelmente, do século XVI, a moldura das portas é biselada; no lado direito de uma das portas, há uma cruz identificada como sendo marca de cristão-novo; no andar superior, uma janela, &#8220;dita&#8221; manuelina, tem lintel de arco trilobado. Orgulhosas, mantêm-se, no alto, da chamada Casa do Rabi duas gárgulas estriadas de canhão. «Casa do Rabi»? – É que o edifício está em pleno centro histórico, à ilharga de uma porta da Judiaria, na confluência das duas principais artérias&nbsp;medievais, que atravessavam a cidade de N/S e de E/O. Daí a (fantasiosa) designação, assim como as frequentes tentativas de ligar estas inscrições à comunidade judaica!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="566" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/arabescos2-566x1024.png" alt="" class="wp-image-47296" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/arabescos2-566x1024.png 566w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/arabescos2-166x300.png 166w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/arabescos2.png 597w" sizes="auto, (max-width: 566px) 100vw, 566px" /></figure></div>


<p>Nesse frontispício, nos chamaram, todavia, particular atenção os ‘arabescos’ preservados junto de uma das portas, em pedra emoldurada a preceito. Não ousamos atribuir-lhe significado; alicia-nos, contudo, ver nos dois sulcos verticais, à direita, a representação da vara e do côvado, como há na Porta da Ravessa da vila alentejana de Redondo e na célebre Porta Nova de Sortelha, concelho do Sabugal, a representação das medidas-padrão da época medieval, utilizadas para aferição prática de mercadorias e controlo comercial à entrada da povoação. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/varas-2x-1024x576.png" alt="" class="wp-image-47298" style="width:1024px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/varas-2x-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/varas-2x-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/varas-2x-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/varas-2x-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/varas-2x-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/varas-2x-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/varas-2x-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/varas-2x-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/varas-2x.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">               Porta da Ravessa da vila alentejana de Redondo e na célebre Porta Nova de Sortelha, concelho do Sabugal</figcaption></figure></div>


<p>A vara portuguesa valia aproximadamente 1,10 metros, 5 palmos; em contextos medievais, o côvado era equivalente a 3 palmos, ou seja, cerca de 66-68 cm – teoricamente, no antebraço humano, a distância desde o cotovelo até à ponta do dedo médio. A fotografia que se apresenta de Sortelha está na pág. 95 do livro <em>Sortelha: Segredos por Desvendar </em>(Sabugal, 2012)<em>,</em> onde o autor, Marcos Osório, explica que, neste caso, o sulco que representa o côvado mede 67 cm e o da vara 109.</p>



<p>Minudências, estas, de visionários! – objectar-se-á. Serão. Quiçá dessas minudências se possa entretecer a História. Revelá-las é forma de as valorizar e preservar.</p>



<p>(em colaboração com Dulce Helena Borges)</p>
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		<title>PEDRAS QUE GUARDAM SEGREDOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Carlos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Feb 2026 09:00:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[os romanos em Tabuaço]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vestígios arqueológicos romanos ainda por estudar</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Assim, afigurou-se-nos digno de reparo o bloco de granito, paralelepipédico, que serve de lintel da janela de um edifício rústico na Rua do Polameiro, em Sendim, concelho de Tabuaço, por apresentar a face almofadada, que é uma característica da época romana, pormenor mostrado, em 6 de julho de 2025, por José Manuel Correia Alves na sua página do <em>Facebook</em>. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="518" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-1024x518.png" alt="" class="wp-image-47161" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-1024x518.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-300x152.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-768x389.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-1536x778.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-696x352.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-1392x705.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-1068x541.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2-1320x668.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-1-e-2.png 1896w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Também na fachada voltada a noroeste da Antiga Casa da Colegiada, em Barcos, do mesmo concelho, descortinámos, embutida na parede, uma outra pedra, de granito, que apresenta faces almofadadas, conforme Fernando Moreira nos mostrou. Mede, na face dianteira, 26 cm de comprimento na parte superior, 31,5 cm na inferior e tem 39 cm de largura.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="518" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-1024x518.png" alt="" class="wp-image-47163" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-1024x518.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-300x152.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-768x388.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-1536x777.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-696x352.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-1392x704.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-1068x540.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4-1320x668.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-3-e-4.png 1882w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Seguramente, porém, o achado mais significativo será o bloco de granito, identificado igualmente na freguesia de Sendim, à beira da Estrada Nacional nº 323, por nos mostrar restos de uma inscrição. Mede cerca de 43 cm de largura e 76 cm de comprimento.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="421" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-1024x421.png" alt="" class="wp-image-47165" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-1024x421.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-300x123.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-768x316.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-1536x631.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-696x286.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-1392x572.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-1068x439.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6-1320x542.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pedras-5-e-6.png 1901w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>De forma retangular, a pedra teve um sulco chato (não em bisel) a rodear o que pensamos ter sido o seu campo epigráfico, na medida em que cerca de 1/3 da sua superfície poderia ostentar uma inscrição, de que as primeiras duas linhas desapareceram totalmente por acção do ponteiro.</p>



<p>Há claros vestígios de três linhas depois, sem que seja possível, devido à irregularidade quase total dos traços, adiantar a identificação de qualquer letra que forme sentido. A nossa ‘vontade’ de aí ver antigo epitáfio romano destruído levou-nos, inclusive, a imaginar HSE no fim de penúltima linha, o que, a ser real, seria a habitual fórmula funerária romana H(<em>ic</em>) S(<em>itus</em>) E(<em>st</em>), «aqui jaz». Há letras soltas porventura identificáveis, aqui e além, como sendo do alfabeto latino: <strong>O</strong> na segunda metade da suposta linha 3; AVI na penúltima com o A e o V em nexo…</p>



<p>Que mistério ali se esconderá?</p>



<p>Curioso, o facto de se haver aproveitado o espaço entre o bloco e a pedra de baixo, ao nível do canto inferior direito, para aí se inserir uma ferradura, decerto para servir de argola de prisão para rédea de muar. Isso nos leva a pensar que as <em>garatujas</em> na pedra não terão, seguramente, passado despercebidas.</p>



<p>Será que, a seu respeito, alguma lenda se inventou? Haverá na tradição oral local algo que nos permita saber mais?</p>



<p>Para já, aqui fica a informação, no desejo de que, embora esteja praticamente ilegível, a inscrição não venha a sofrer danos, até porque, hoje, com novos métodos de leitura, se conseguem verdadeiros milagres! Oxalá!</p>



<p>Recorde-se, aliás, que, como se viu durante a elaboração da Carta Arqueológica, apresentada no dia 29 de outubro de 2025, Sendim, a mais extensa freguesia do concelho tabuacense, é, de longe e até ao momento, a que revela mais vestígios arqueológicos do período romano, mormente em Fontelo, em Vale de Vila, em Eira do Monte, nas imediações da Capela da Senhora do Bom Despacho, em Estercada Velha, em Vale de Igreja e na Pala. E… ainda não há notícia de monumentos epigráficos!</p>



<p>(em co-autoria com <strong><a href="https://duaslinhas.pt/category/sections/cronicas-de-opiniao/pedras-antigas-cronicas-de-opiniao/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/category/sections/cronicas-de-opiniao/pedras-antigas-cronicas-de-opiniao/">José d&#8217;Encarnação</a></strong>)</p>



<p></p>
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		<title>O MISTÉRIO NUM ROCHEDO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Carlos Santos]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Feb 2026 13:00:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[PEDRAS ANTIGAS]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[mensagens gravadas na pedra]]></category>
		<category><![CDATA[os romanos em Portugal]]></category>
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		<category><![CDATA[São João da Pesqueira]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Uma pessoa fica com curiosidade: «da Pesqueira», porquê? E nesse município – limitado a norte pelo município de Alijó, a nordeste por Carrazeda de Ansiães, a leste por Vila Nova de Foz Côa, a sueste por Penedono, a sul por Sernancelhe, a oeste por Tabuaço e a noroeste por Sabrosa, ou seja, bem rodeado – era a pesca de rio a principal ocupação? Ou será que, um dia, o morador devoto fez promessa ao santinho, foi à pesca e veio de lá com o balde cheio, fora boa a pescaria e agradeceu! Aliás, pesqueira quer dizer isso mesmo: lugar propício a pescar.</p>



<p>Uma consulta na internet assinala, porém, três outros aspectos de que a população se orgulha: ser considerada o Coração do Douro Vinhateiro, inclusive porque, segundo vetusta tradição, aí terá vivido o Marquês de Pombal, que foi quem, no século XVIII, criou a Região Demarcada do Douro, um orgulho!</p>



<p>Orgulho há também em ser o mais antigo concelho do país, uma vez que a sua criação data de 1055.</p>



<p>Aponta-se, em terceiro lugar, como aspecto importante da sua história o facto de, segundo a tradição, «dentro de uma pequena gruta viveu e morreu frei Gaspar (1594-1615)». A história deste frade há, pois, que a descobrir, oculta na noite dos tempos!&#8230;</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><em><strong>Uma inscrição romana</strong></em></h4>



<p>Sobejamente conhecido, ao invés, é o miradouro São Salvador do Mundo, acima da barragem da Valeira, por ter templo e capelas de grande devoção popular – quem há aí que não queira solicitar as graças do Salvador do Mundo? Mormente se esse Salvador for considerado santo. Estamos a falar de Cristo Salvador ou de um S. Salvador? Cá está, por conseguinte, outra questão a explorar.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="718" height="1014" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/inscricao-3.png" alt="" class="wp-image-47053" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/inscricao-3.png 718w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/inscricao-3-212x300.png 212w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/inscricao-3-696x983.png 696w" sizes="auto, (max-width: 718px) 100vw, 718px" /><figcaption class="wp-element-caption">A capela de São Salvador do Mundo</figcaption></figure></div>


<p>Pois acontece que, em longínquos tempos já, numa das paredes exteriores desse templo, se engastou uma placa funerária romana, sem que se saiba donde é que poderá ter sido proveniente. Um manuscrito guardado na Biblioteca Nacional de Portugal, consultado por Frei Jerónimo Contador de Argote (1676-1749), deu-lhe a conhecer a existência dessa placa com letras, à qual não deixou de se referir logo no I volume (p. 332) das suas notáveis <em>Memórias para a história ecclesiástica do Arcebispado de Braga, primaz das Hispanhas</em>, dedicadas a el-rei D. João V. Já nessa altura estava na parede. Ou seja, importará percorrer, com olhos de ver, a região circundante, para encontrar vestígios romanos donde esse letreiro – cujas letras houve quem, indevidamente, mas com boa intenção, de negro pintou – possa ter vindo.</p>



<p>É latim:</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-7 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="288" height="136" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/inscricao-4.jpg" alt="" class="wp-image-47051"/></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="986" height="873" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/inscricao-1.png" alt="" class="wp-image-47052" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/inscricao-1.png 986w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/inscricao-1-300x266.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/inscricao-1-768x680.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/inscricao-1-696x616.png 696w" sizes="auto, (max-width: 986px) 100vw, 986px" /><figcaption class="wp-element-caption">a inscrição na fachada da capela</figcaption></figure></div></div>
</div>



<p>Destinada originalmente a ser colocada no frontispício dum mausoléu familiar, conta a inscrição que Lúcio Sulpício Rufino, límico de origem (isto é, da região de um povo chamado Límicos), fez o jazigo para si e para três dos antepassados, todos da sua família Sulpícia: a Cílea, o Rufo e a Rufina.</p>



<p>Não é vulgar um documento assim.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><em><strong>Uma inscrição rupestre</strong></em></h4>



<p>Contudo, as surpresas de uma visita ao local e proximidades não se quedarão nos mistérios que a inscrição romana esconde. É que, numa rocha, deparamo-nos com letras gravadas, de estranho significado essas.</p>



<p>De facto, assinala-se na página 51 do livrinho sobre São Salvador do Mundo, publicado em 2007 por iniciativa do Gabinete Municipal de História, Arqueologia e Património: «são já bem notórios os dados comprovativos da romanização do território». No entanto, acrescenta-se, «a falta de escavações arqueológicas tem impedido a avaliação da sua correcta dimensão e enquadramento».</p>



<p>E, na página 52, &nbsp;lê-se, a determinado passo, que, a seguir à capela nº 6 (uma das capelas envolventes do santuário), «em frente aos Penedos de Judas, existe numa rocha aplanada a que tem chamado a Fraga do Diabo», «uma inscrição onde se vê algo parecido com o seguinte: Eco EM.P.S.EU’E – / AVEà P.S.EU. E». Aguarda interpretação e, de acordo com os autores do livro, será «uma inscrição romana adulterada em época posterior».</p>



<p>Ainda tentámos a nossa sorte:</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-8 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="323" height="103" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/segunda-inscricao.jpg" alt="" class="wp-image-47055" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/segunda-inscricao.jpg 323w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/segunda-inscricao-300x96.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 323px) 100vw, 323px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="569" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/segunda-inscricao-2-1024x569.png" alt="" class="wp-image-47056" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/segunda-inscricao-2-1024x569.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/segunda-inscricao-2-300x167.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/segunda-inscricao-2-768x426.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/segunda-inscricao-2-696x387.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/segunda-inscricao-2-1392x773.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/segunda-inscricao-2-1068x593.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/segunda-inscricao-2-1320x733.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/segunda-inscricao-2.png 1428w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div></div>
</div>



<p>Não andaremos certamente longe da verdade se, todavia, aventarmos que se nota paralelismo entre as duas linhas, evidente sobretudo na parte final, em que a letra P está antes de SEU E. Arriscar-se-ia afirmar que há mesmo um acento agudo a seguir como para dar a entender SEU É. Estaremos, assim, perante uma curiosa delimitação de propriedades em que cada um explicita o que é seu?</p>



<p>Mas, na verdade, tanto as pegadas na superfície do rochedo como estas letras (adiantamos já: romanas não são!), cujo sentido, de repente, inteiramente se desconhece, vão merecer maior atenção: que mistério nelas se esconde?</p>


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<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="946" height="855" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pegadas.png" alt="" class="wp-image-47057" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pegadas.png 946w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pegadas-300x271.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pegadas-768x694.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/pegadas-696x629.png 696w" sizes="auto, (max-width: 946px) 100vw, 946px" /><figcaption class="wp-element-caption">Pegadas na Fraga do Diabo</figcaption></figure></div></div></div>



<p>(co-autoria:<strong><a href="https://duaslinhas.pt/author/jose-de-encarnacao/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/author/jose-de-encarnacao/"> José d&#8217;Encarnação</a></strong>)</p>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/o-misterio-num-rochedo/">O MISTÉRIO NUM ROCHEDO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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