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	<title>Arquivo de NA OUTRA MARGEM - Duas Linhas</title>
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	<description>Informação online</description>
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	<title>Arquivo de NA OUTRA MARGEM - Duas Linhas</title>
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		<title>REFLEXÕES SOBRE A (in)JUSTIÇA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 23:00:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vale a pena acreditar que a Justiça existe e é pautada pelo bom senso?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O que é a Justiça dos homens? Quanto à justiça divina, sabemos que a mesma existe para quem acredita e tem a fé suficiente para interiorizar que, numa outra dimensão, será, sempre, feita.</p>



<p>O pior é com a Justiça dos homens, até porque ela é feita por homens, algumas vezes com o desvario de estarem ungidos do poder divino de aplicar na Terra o que Deus aplica no Céu.</p>



<p>E esses homens que governam e aplicam a Justiça, que nunca erram, que se deitam sem dúvidas existenciais quanto à sua actuação em defesa da sociedade, quando chegarem lá, onde todos nós, quer acreditemos, quer não, teremos de pagar a conta final, qual será o seu saldo? Terão um saldo credor ou devedor?</p>



<p>Quando o Mundo atravessa uma crise de valores tão profunda, em que a vida humana deixou de ter qualquer significado, não será tempo de parar para pensar qual a essência que se deve proteger? A vida ou o património? Os valores que podem fazer renascer a sociedade, potenciar um desenvolvimento harmonioso dos nossos jovens ou os bens materiais? Será justa uma lei que privilegia o património à vida, ou que lhe dá a mesma relevância?</p>



<p>Já pensaram porque é que aumentou a violência nas escolas? Porque é que os crimes violentos, típicos de uma sociedade desenraizada, como a dos Estados Unidos, se transportam para a ‘velha Europa’, a tal de uma cultura secular?</p>



<p>Quem tem a culpa desta situação? Serão os pais? Os governantes? Os detentores do poder económico? Os detentores do poder judicial?</p>



<p>Qual a solução? Entregar o poder aos magistrados, como aplicadores e garantes da Lei? E quem é que passaria a fazer as leis?</p>



<p>Será que o poder corrompe? E a impunidade? E a impunidade total? Vejam o que se passou no Campeonato do Mundo dos Estados Unidos com a impunidade da despenalização de um jogador a pedido de Trump. E a irresponsabilidade é um valor ou uma forma de exercício do poder total?</p>



<p>Vale a pena acreditar que a Justiça existe e é pautada pelo bom senso?</p>



<p>A resposta para todas estas questões pode não ser politicamente correcta e, essencialmente, desagradar às corporações de interesses que se instalaram no Estado e que não vivem preocupadas com os cidadãos, mas tão somente com os seus mesquinhos poderes fácticos.</p>



<p>Eu, por mim, confesso que não sei se vale a pena encontrar essas respostas.</p>
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		<title>VOLTEMOS AO BÁSICO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jul 2026 00:08:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[NA OUTRA MARGEM]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
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		<category><![CDATA[imigração em Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[lei da imigração]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>a tendência de imputar à imigração todas as desgraças do nosso País tem vindo a crescer, impulsionada pelo Chega e por alguns sectores do PSD.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em Portugal, a tendência de imputar à imigração todas as desgraças do nosso País tem vindo a crescer, impulsionada pelo Chega e por alguns sectores do PSD. Veja-se a intervenção do novo porta-voz do PSD, um dos elementos radicais mais próximo do Chega, na senda de um populismo sem freio. Sebastião Bugalho disse que o PSD “quer chamar ao Parlamento os governantes do PS responsáveis pela entrada desenfreada de migrantes”.</p>



<p>E a desorientação do PSD deriva da correcção do PIB, na sequência dos dados do INE, quanto à população residente em Portugal, uma vez que, com o aumento do número de habitantes, a riqueza <em>per capita</em> baixa e comprova-se que o crescimento económico do nosso País, apesar do contributo dos migrantes, não é o que o governo <em>apregoava. </em>Comprova-se, pois, que as opções tomadas de política económica são profundamente erradas. Fica, com esta redução, demonstrado que não crescemos em relação à média europeia e existe uma forte redução do investimento empresarial e público.</p>



<p>Em contraciclo destas posições radicais, o Fórum BCE, que reuniu em Sintra, vem dizer que os picos de imigração e políticas mais abertas têm impacto positivo na economia.</p>



<p>Por tudo isto, talvez tenha chegado o tempo de dizer ‘basta’. De dizer que não há cidadãos de primeira, os puros e imaculados, e os de segunda. Os puros, mas que anseiam por pecar, estão cada vez mais sequiosos de mergulhar nesse lado das trevas, que eles criaram para exorcizar os seus próprios fantasmas. Por isso, é primordial voltar aos princípios, <em>back to basics</em>, reconquistar a sociedade, os cidadãos e motivá-los. Revejam <em>Casablanca</em>. É tudo tão simples. Rick e Ilsa ainda tinham Paris. Nós, qualquer dia, não temos memória do passado, nem ideia do presente.</p>
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		<title>O ORIGINAL E A CÓPIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 17:18:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[NA OUTRA MARGEM]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[Chega e PSD]]></category>
		<category><![CDATA[crescimento da extrema-direita em Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[extrema-direita em Portugal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>AD radicaliza o seu discurso na tentativa de ocupar o espaço do Chega.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ventura foi candidato autárquico pelo PSD à Câmara de Loures, descobrindo, nessa candidatura, um ‘nicho de mercado eleitoral’, o ódio contra os ciganos, que levou o CDS, de Assunção Cristas a abandonar a coligação CDS/PSD, mas que mereceu o apoio do seu protector e mentor, Passos Coelho.</p>



<p>Com a saída daquele da liderança do PSD, André Ventura lançou-se por conta própria, juntou os restos do MDLP, um movimento de direita radical, responsável por diversos atentados bombistas, após o 25 de Abril, o lixo do PSD e do CDS, uns milhares de descontentes pertencentes ao lúmpen-proletariado e criou o Chega.</p>



<p>Com o apoio de um grupo de empresários, que odeiam a democracia, e com a conivência de alguns sectores da comunicação social, foi ganhando notoriedade, sem qualquer ideia para o País, mas na gritaria permanente, típica dos debates televisivos do comentário futebolístico, ao nível da tasca, mas que encantam uma boa parte do eleitorado português.</p>



<p>Desde a criação do Chega até aos dias de hoje, tivemos quatro eleições legislativas, num quadro de crise económica global, derivada da pandemia e da guerra na Ucrânia, a par de um clima de suspeição em relação aos políticos, o que alargou o espectro dos apoiantes do Chega, tendo como resultado o seu crescimento eleitoral, traduzido num grupo parlamentar de 60 deputados. Curiosamente, as autárquicas não reflectiram este crescimento, o que deriva das especificidades destas eleições.</p>



<p>A AD ganhou as eleições legislativas de 2024 e 2025, formou um governo minoritário e tem vindo a radicalizar o seu discurso, ultramontano, numa tentativa de ocupar o espaço do Chega, na direita radical, na ilusão de que a cópia pode derrotar o original. Nada de mais errado.</p>



<p>Como escreveu António Barreto, ‘o bom governo exige tempo e serenidade, não sofreguidão e artimanha. Os arranjinhos poderão disfarçar o inevitável, mas não conseguirão evitá-lo (<em>in</em> Público 13/6/2026).<br>O que o governo está a fazer é a lançar o País no abismo, no radicalismo, no confronto, na ânsia de novas eleições que permitam à AD uma maioria absoluta. Os dirigentes do PSD, e não refiro o CDS que é uma caricatura de partido, ainda não perceberam o que está a acontecer. O resvalar do PSD para a direta radical, disputando o espaço com o Chega, apenas vai fortalecer este partido e ajudar à trânsfuga de apoiantes, militantes e quadros para a direita radical e original. Se até aqui saíram, principalmente, segundas linhas do PSD para o Chega, bem como alguns quadros que não conseguiam sair da sombra e encontraram na direita radical o porto de abrigo para alcançarem os seus objectivos, com a proximidade do poder haverá outras deslocações que irão esvaziar o PSD. </p>



<p>Entre um partido sem convicções, a navegar ao sabor de uma prática errática, que atira borda-fora o património político dos fundadores do PPD, que era o cimento de ligação das diversas faccões, com o único fim de subsistir na ‘grade farra’ do Orçamento do Estado, e um partido populista, demagógico, agregador dos descamisados e dos ressabiados, a escolha da maior parte dos eleitores é clara, como temos  assistido na Europa, optam pelo original, pelo mais radical e demagógico, porque não têm nada a perder, sem se aperceberem que estão a defender os interesses de grandes grupos económicos. </p>



<p>O que está a acontecer é a aplicação prática da teoria da substituição política, em que o Chega vai substituir o PSD. Contrariamente à tese de Miguel Para Roque, de que o PSD é barriga de aluguer do Chega, o que se passa é que o partido dito social-democrata está a esvaziar-se para o partido de direita radical, nos princípios e a ser sugado dos seus militantes e eleitores.</p>



<p>O esgotamento do PSD pode ser inevitável, tendo como consequência o regresso à bipolarização entre o Chega e PS.</p>



<p></p>
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		<title>REGRESSO AO PASSADO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 11 Jun 2026 23:00:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>os novos proletários nascidos da revolução tecnológica</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Hoje, no século XXI, num Mundo em transformação tecnológica, em que o desemprego na classe média – trabalhadores qualificados –, irá, inevitavelmente, aumentar. Por força do recurso, crescente, à IA regressam os conceitos de colaborador das empresas e do capital, como se o conceito trabalhador fosse um anátema e um obstáculo ao desenvolvimento económico das empresas e dos Países.</p>



<p>Por outro lado, inversamente ao desemprego entre os trabalhadores qualificados, os trabalhadores indiferenciados poderão ter um acréscimo de emprego, uma vez que, no emprego indiferenciado, a IA não terá qualquer interferência.</p>



<p>Neste quadro, complexo, podemos assistir a uma inversão económica do conceito de classe média, que deixa de ser preenchida por trabalhadores qualificados – os novos proletários nascidos da revolução tecnológica – &nbsp;e passa a ser preenchida por trabalhadores indiferenciados. Alguns defensores do regresso ao passado, ao fim da luta de classes e do papel dos sindicatos na defesa dos direitos dos trabalhadores, tentam reintroduzir o conceito de colaboradores, em substituição do de trabalhadores e a ideia de que todos eles, os colaboradores e as entidades patronais, convergem no mesmo sentido, ou seja, para o crescimento dos lucros das empresas, numa ‘saudável harmonia’, sem confronto e sem divergência e interesses, em nome da nação, para a realização ‘do máximo de produção e riqueza socialmente útil e estabelecer uma vida colectiva de que resulte poderio para o Estado’ (artigo 2º do Estatuto do Trabalho Nacional). Estes neocorporativistas defendem a ideologia estruturante do anterior regime, decalcada do corporativismo italiano criado por Benito Mussolini.</p>



<p>De forma evidente, este retorno a uma ideologia corporativa, fortemente antiliberal e antiparlamentar, com uma intensa intervenção do Estado, autocrático e musculado, está a crescer numa Europa desestruturada e em que se vão perdendo valores e o comodismo de muitos dos eleitores é a tónica dominante. A Europa não possui dirigentes políticos respeitáveis, os cidadãos sentem-se abandonados, a crise social é uma realidade e tudo isto se transforma num caldo cultural que abre caminho a estas pulsões autoritárias.</p>



<p>Talvez por isso, Vitor Gaspar, o ex-ministro das Finanças de Passos Coelho, veio dizer, sem pudor: ‘Há uma direita aproximando-se do padrão vigente pela Europa. Portugal abandonou a situação anormal criada pelos dias madrugadores de Abril’ (<em>in</em> Expresso, 05/06/2026). Nesta declaração está tudo dito, a raiva contra a democracia e a defesa desta nova direita neocorporativa. A partir daqui confirma-se que as alterações à Legislação Laboral são parte de um projecto ideológico de mudança de regime e compreende-se a defesa de conceitos do século passado quanto às relações laborais.</p>


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<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="885" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber-885x1024.png" alt="" class="wp-image-49765" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber-885x1024.png 885w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber-259x300.png 259w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber-768x889.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber-696x806.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/06/marx-uber.png 933w" sizes="(max-width: 885px) 100vw, 885px" /></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/06/regresso-ao-passado/">REGRESSO AO PASSADO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>PEGAR O TOURO PELOS CORNOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 23:00:16 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A sensação de que existe uma agenda política na acção de alguns sectores da Justiça.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Para que não se coloque qualquer dúvida, os partidos políticos devem ser o exemplo do correcto funcionamento das instituições, assim como ter uma cultura de rigor e de qualidade nos seus quadros. A democracia fortalece-se com partidos e a sociedade exige que eles estejam acima de suspeitas. Se tal não acontecer, os eleitores encarregam-se de os mudar, a bem ou mal, como venho a escrever desde há cerca de 20 anos. E podem ser mudados de duas formas, os eleitores optarem por novos partidos, que lhes garantam uma governação sem mácula, ou escolherem uma opção musculada de governação que restrinja os direitos, liberdades e garantias.</p>



<p>Por outro lado, a Justiça deve ser independente, justa, célere, cega, visando a protecção de bens jurídicos que tenham dignidade penal, sem pulsões de interferência na vida política.</p>



<p>Lamentavelmente, por um ‘azar dos Távoras’, ficamos com a sensação de que existe uma agenda política na acção de alguns sectores da Justiça. E, como dizia Salazar, ‘em política, o que parece, é’. Vejamos alguns factos: a 7 de Novembro de 2023, o MP efectuou buscas em diversos locais, nomeadamente no Gabinete do então Primeiro-Ministro, no Ministério das Infraestruturas, no Ministério do Ambiente e Acção Climática, na Câmara Municipal de Sines e na sede do Partido Socialista.</p>



<p>Foram emitidos mandados de detenção para diversos arguidos, os quais acabaram por ficar em liberdade, depois de dias detidos, tendo sido aplicadas medidas de coação não privativas da liberdade.</p>



<p>Na sequência desta acção do MP, a PGR emitiu um comunicado, em que admitia que o António Costa estaria a ser investigado, o que levou à dissolução da Assembleia da República e à queda do Governo.</p>



<p>Em 24 de Janeiro de 2024, o país tomou conhecimento de uma megaoperação policial que levou para a Madeira, num avião da Força Aérea, 140 inspetores da PJ e 10 peritos da polícia científica aos quais se juntaram dezenas de inspetores da Judiciária local, para realizarem centenas de buscas. Da operação resultaram três detidos.</p>



<p>O processo viria a ter como quarto arguido o próprio presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, que não foi detido pela imunidade parlamentar conferida pelo cargo.</p>



<p>Realizaram-se, na sequência desta investigação, eleições regionais e Miguel Albuquerque voltou a vencer, sem maioria absoluta.</p>



<p>A todos os arguidos, após passarem alguns dias detidos, foram aplicadas medidas de coação não privativas da liberdade.</p>



<p>No dia 28 de Maio, o Ministério Público, com o recurso a 400 inspectores e a sete magistrados do Ministério Público, desencadeou uma enorme operação, à qual as televisões deram um destaque permanente, com buscas em Juntas de Freguesia, residências particulares e na sede do Partido Socialista.</p>



<p>Foram detidas cinco pessoas, uma delas nem passou uma noite no estabelecimento prisional, tal a imbecilidade da sua detenção, e as outras quatro saíram a meio da tarde do dia 29 de Maio, com a medida de coação mais leve, a do termo de identidade e residência.</p>



<p>Esta decisão do Juiz do Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa comprovou a fragilidade dos indícios e das provas cotejadas.</p>



<p>A operação mediática do Ministério Público borregou, foi cilindrada pelo Magistrado Judicial, obrigando a que se pense quais os verdadeiros objectivos desta intervenção musculada, os custos da mesma, sem que, na verdade, houvesse grandes elementos de prova além das notícias que, há cerca de quatro anos, foram objecto de um artigo na revista Sábado.</p>



<p>As televisões, que no dia da operação já pré-anunciavam a prisão preventiva dos detidos, diante do cardápio dos crimes apresentado pelo DIAP, ficaram sem voz, logo que as medidas de coação foram anunciadas.</p>



<p>No dia seguinte à operação, ainda houve uma tentativa, de algumas televisões, em repescar a notícia, pífia, mas acabou logo ali. Morreu de morte súbita e até se ficou com a sensação de que a coisa foi de tal forma leviana que havia a preocupação de fingir que não acontecera.</p>



<p>O que está em causa deixa de ser a investigação a actividades, eventualmente criminosas, de algumas pessoas no âmbito do poder autárquico ligado ao PS e passa a ser a motivação de uma acção investigatória, desproporcionada e sem factualidade evidente que justifique a mesma. O Ministério Público não é um agente político, não pode agir como tal e tem obrigações de cumprimento da legalidade democrática. É isto que se espera de uma magistratura que, enquanto instituição, com autonomia consagrada constitucionalmente, tem uma subordinação hierárquica, igualmente com consagração constitucional.</p>



<p>Tudo isto sem esquecer que os actos, eventualmente praticados, podem não constituir crimes, mas são eticamente reprováveis e, de uma vez por todas, não podem acontecer, porque é a própria democracia que fica em causa.</p>
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		<title>MARIA E A BALA PERDIDA*</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 05:50:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[NA OUTRA MARGEM]]></category>
		<category><![CDATA[Polícias & Ladrões]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[criança baleada]]></category>
		<category><![CDATA[Pedreira dos Húngaros]]></category>
		<category><![CDATA[polícia aos tiros]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Passados 40 anos, Maria ‘apresentou uma queixa na Provedoria de Justiça</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os factos remontam a ‘Outubro de 1987, no <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/crianca-de-5-anos-apanha-tiro-no-peito/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/05/crianca-de-5-anos-apanha-tiro-no-peito/">antigo bairro da Pedreira dos Húngaros</a></strong>, um território difícil onde a pobreza se misturava com injustiça social e discriminação, mistura fértil para o surgimento de muitos pequenos criminosos, bandidos pilha galinhas, tráfico e consumo de droga’. </p>



<p>Assim, começa a saga de Maria com ‘a bala nunca foi extraída do corpo. A criança sobreviveu, mas tem tido uma vida com a saúde fragilizada.</p>



<p>Os relatos publicados confirmam que foram os agentes da Polícia Judiciária que levaram a criança para o hospital. Os mesmos relatos falam da responsabilidade da polícia, que, frequentemente, entrava no bairro já de pistola na mão’.</p>



<p>Ora, passados 40 anos, Maria ‘apresentou uma queixa na Provedoria de Justiça. Quer que o Estado assuma a responsabilidade que tem pelo peso de uma bala cravada no peito desde criança’. Na Provedoria de Justiça, Maria espera encontrar alento para uma luta contra o Estado que se adivinha difícil.</p>



<p>Estes os factos que mudaram a vida de Maria, menina/mulher, uma menina que <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-buraco-da-bala/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/05/o-buraco-da-bala/">há 40 anos vive com uma bala no corpo</a></strong>, de um tiro perdido, de uma intervenção musculada da Polícia Judiciária num dos Bairros mais perigosos da periferia de Lisboa.</p>



<p>Chegados aqui, encontramos várias camadas jurídicas: responsabilidade do agente policial, responsabilidade do Estado, eventual responsabilidade médica/hospitalar e o papel institucional da Provedoria de Justiça.</p>



<p>Sem entrar na análise concreta destas camadas jurídicas, porque não se conhecem elementos para tal, importa dissecar o que pode hoje fazer a Provedoria de Justiça.</p>



<p>Neste sentido, pode solicitar processos clínicos, explicações técnicas, pareceres fundamentados da não extração. De posse destes poderá recomendar a reavaliação clínica, uma junta médica, a observação em centro especializado ou a reapreciação do caso. Em todo o caso, as recomendações não são vinculativas, mas têm peso institucional e político.</p>



<p>A Provedoria de Justiça poderá, igualmente, identificar se houve um mau funcionamento administrativo, nomeadamente desleixo, falta de resposta, ausência de acompanhamento, num quadro em que deve realçar o direito à saúde e à dignidade da pessoa.</p>



<p>O mais provável é que a&nbsp;Provedoria de Justiça&nbsp;possa pressionar para reavaliação médica especializada, recomendar uma junta médica independente, sendo altamente improvável que consiga impor o pagamento de indemnização ou obrigar a uma cirurgia, a qual deverá ser ponderada diante da situação concreta da paciente.</p>



<p>Maria, menina/mulher, nunca poderá ter a vida que uma bala perdida lhe roubou, nem tão pouco ser indemnizada.</p>



<p><sub>*Vítor Fonseca, autor deste artigo, é advogado</sub></p>
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		<title>O EFEITO TRUMP NO COMENTÁRIO POLÍTICO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 21:42:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Defender que o Chega e o Partido Socialista são, no essencial, a mesma coisa constitui uma simplificação abusiva.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>À moda de Trump, apresenta-se uma teoria simplista e coloca-se alguns comentadores a replicar a mesma, para ver se pega. Defender que o Chega e o Partido Socialista são, no essencial, a mesma coisa constitui uma simplificação abusiva e, em termos argumentativos, uma falácia. Essa tese ignora, objetivamente, diferenças estruturais de matriz ideológica, de prioridades programáticas e de linguagem política. Embora em democracia possa haver convergências ocasionais em votos, medidas avulsas ou táticas parlamentares, isso não basta para concluir que dois partidos são equivalentes. Confundir coincidências pontuais com identidade política é apagar aquilo que realmente distingue projetos partidários: a forma como encaram o Estado, a economia, a comunidade nacional, os direitos sociais e o lugar de Portugal no mundo.</p>



<p>As diferenças entre ambos são evidentes, desde logo na visão do Estado e da sociedade. O Partido Socialista inscreve-se, historicamente, numa tradição social-democrata e reformista, defendendo um Estado social forte, a protecção dos serviços públicos e uma lógica de redistribuição com preocupação de coesão social, como se reflecte na valorização do SNS, da escola pública e da segurança social no seu programa eleitoral de 2025. Já o Chega apresenta-se como uma força de rutura com o chamado ‘sistema’, combinando propostas de endurecimento penal, discurso securitário, controlo mais restritivo da imigração e uma retórica de confronto com instituições e elites políticas; o seu programa de 2025 enfatiza precisamente uma justiça mais punitiva, imigração controlada, soberania nacional e reforço da autoridade do Estado. Mesmo quando ambos falam de crescimento económico, fazem-no a partir de pressupostos distintos: o PS tende a articular competitividade com proteção social, enquanto o Chega procura associar a crítica fiscal e burocrática a uma narrativa de ordem, identidade e combate à corrupção.</p>



<p>Também no plano discursivo a distância é significativa. O PS usa, em regra, uma linguagem institucional, moderada e centrada na administração gradual das políticas públicas; o Chega mobiliza uma retórica mais polarizadora, assente na denúncia, na dramatização do conflito e na oposição entre ‘povo’ e ‘sistema’. Por isso, dizer que são iguais não é uma análise séria, mas antes uma forma de desvalorizar distinções fundamentais do debate democrático. Pode ser legítimo criticar ambos, apontar incoerências ou denunciar aproximações pontuais em certos momentos. O que não é intelectualmente rigoroso é apagar as diferenças de orientação ideológica, programática e retórica que os separam. Se a discussão quiser ser honesta, deve começar justamente por dissecar essas diferenças, e não por anulá-las numa equivalência apressada.</p>
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		<title>VIAGEM A LISBOA E CONFRONTO COM A REALIDADE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 May 2026 23:00:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Um destes dias tive de me deslocar de Santa Comba Dão a Lisboa para tratar de alguns assuntos particulares. Na A1, entre Fátima e Santarém, a minha viatura colapsou totalmente, o que me aconteceu pela primeira vez em mais de 50 anos e fiquei parado na berma da auto-estrada. Dentro da viatura, um erro que [&#8230;]</p>
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<p>Um destes dias tive de me deslocar de Santa Comba Dão a Lisboa para tratar de alguns assuntos particulares. Na A1, entre Fátima e Santarém, a minha viatura colapsou totalmente, o que me aconteceu pela primeira vez em mais de 50 anos e fiquei parado na berma da auto-estrada. Dentro da viatura, um erro que assumo desde já, fiz um telefonema para o ACP, a fim conseguir apoio para um reboque e transporte para Lisboa. Saí do automóvel, encostei-me ao separador e fiquei a ver passar os camiões pesados, em elevada velocidade, tentando não ter receio de que alguma coisa corresse mal. </p>



<p>Passada meia-hora, apareceu uma Brigada da GNR que, de forma gentil e extremamente correcta, veio saber o que se passava. Aconselhou-me a passar para o outro lado do separador, por uma questão de segurança, e, após saberem que eu já tinha solicitado a assistência, foram embora. Dei comigo a pensar que, afinal, ainda podemos ter esperança nas forças policiais, apesar do que, segundo a acusação do Ministério Público, se passou, em Lisboa, com alguns agentes da PSP, suspeitos das maiores barbaridades e violação dos mais elementares direitos dos cidadãos. Esclareço que, até ao trânsito em julgado da decisão judicial são, nos termos da CRP, presumidamente inocentes.</p>



<p>Dois dias em Lisboa confirmaram o que me vinham dizendo, uma cidade cada vez mais caótica, suja, desmazelada, dois anos após ter saído da capital. Fiquei em choque com o estado a que um mau autarca pode conduzir uma cidade, a minha cidade, transformando-a numa enxovia.</p>



<p>Regressei a casa no Inter Cidades, que saiu à hora certa da Gare do Oriente. A carruagem estava cheia, com todos os passageiros agarrados aos telemóveis. Um homem, com cerca de 50 anos, passou toda a viagem, até ao seu destino a ver tik-tok. Uma mulher, com cerca de 40 anos, após a saída do passageiro que estava no lugar ao lado, esticou-se no banco e colocou os pés em cima do assento. Enfim, mergulhei neste admirável mundo novo da sociedade portuguesa.</p>



<p>Quando cheguei ao destino já passava das 21 horas e pedi a um amigo para me ir buscar, porque já não havia táxis, num concelho em que a Presidente da Câmara, em recente entrevista a um canal televisivo, garantia querer transformar o município num destino aprazível para o turismo, reforçando, deste modo, a economia local.&nbsp;</p>



<p>Nos dias seguintes os acontecimentos de que tomei nota não me alegraram. A ex-chanceler Merkel, a principal responsável pela situação de degradação da Europa, esteve em Lisboa, possivelmente para ver os ‘pacóvios’ do sul, que ela tentou esmagar, mas não prescindiu de ir aos fados, beber um bom vinho e comer da boa comida portuguesa. Descobri que o ‘encantador de burros’, é a versão portuguesa do TACO, ao admitir que, afinal, a descida da idade da reforma – uma imbecilidade total, de resto, saída da cabeça de um homem desesperado – não é uma exigência para a aprovação das alterações à legislação laboral. E, por último, para o governo existem dois tipos de percepção, uma correcta, a de que existe uma sensação de insegurança, e outra incorrecta, a de que o SNS está um caos, pois o executivo &nbsp;assegura que o SNS está bem e recomenda-se, os portugueses, madraços, é que têm a percepção que está um caos.</p>
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		<title>A LISBOA ‘chic saloia’ DO MOEDAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 23:05:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[Carlos Moedas]]></category>
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		<category><![CDATA[sem-abrigo em Lisboa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Carlos Moedas foi o pior que poderia ter acontecido a Lisboa</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Carlos Moedas foi o pior que poderia ter acontecido a Lisboa. Aconteceu duas vezes, por sucessivos erros do Partido Socialista e por opção de uma parte dos eleitores.<br>Em 2021, ganhou por três mil votos uma eleição que, aparentemente, estava ganha por Fernando Medina, mas que os erros cometidos, em campanha, levaram à derrota.<br>Em 2025 ganhou as eleições por 20 mil votos, uma vitória fácil, pois o PS voltou a cometer um erro de palmatória ao integrar uma coligação com um partido moribundo. </p>



<p>Carlos Moedas, apesar destas vitórias, da responsabilidade de quem o elegeu, vai deixar um rasto de destruição na cidade, que levará anos a recompor-se e, pelo meio, comprova a sua vertente ‘chic-saloia’, de cidadão do mundo. Para alcançar este objectivo, oblitera os sem<br>abrigo que se recolhem nas arcadas da Av. da Liberdade, em conluio com Gonçalo Castel-Branco, produtor de eventos (autor, por exemplo, do Chefs on Fire) seu apoiante e que trabalhou pró-bono na sua campanha. Na verdade, verifica-se que era um adjudicatário a trabalhar para a vitória de um futuro adjudicante. E, sem passar um ano, com descaramento e sem vergonha, o Presidente da Câmara de Lisboa ‘ofereceu’, por um pseudo ajuste directo, à LOHAD, uma empresa de Gonçalo Castel-Branco, 75 mil euros, para apoiar um evento no parque Eduardo VII no dia 3 de Maio, o Domingo na Avenida, promovida como ‘um chic-nic elegante no coração de Lisboa’.</p>



<p>A coberto de uma manifestação de novo-riquismo, Gonçalo Castel-Branco organiza um pic-nic, com preços entre os €150 a €300, os quais configuram dois tipos de ‘experiência’: Bilhete Experiência 2 Pessoas por 150€:, com acesso ao recinto, aos 10 pratos exclusivos, a uma garrafa de vinho e aos concertos musicais. O cesto de piquenique não está incluído, mas pode ser adquirido no local. Bilhete Premium com Cesto (300 €) que inclui experiência completa para duas pessoas, com a diferença de que já oferece o cesto de piquenique.</p>



<p>Num País em crise, com o agravamento do custo de vida, em que a classe média e média baixa tem dificuldades em ter dinheiro até ao final do mês, o ‘novo rico’ Carlos Moedas, com o seu amigo Gonçalo Castel-Branco, organizam, à custa do Município de Lisboa, uma festa para brincar às ‘tias’, oferecendo, hipocritamente, ao povo, a possibilidade de assistir, longe dos lugares VIP, a um concerto do David Fonseca e da Orquestra Metropolitana de Lisboa.</p>



<p>Já agora, poderia organizar, para estes novos-ricos, um passeio pelas arcadas da Av. da Liberdade, onde dezenas de sem abrigo se recolhem e ali fazem a ‘sua casa’.</p>



<p>Triste País que tem um dirigente destes que, ainda por cima, anda perdidamente ansioso por ser primeiro- ministro…</p>
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		<title>COMEMORAR ABRIL NUM TEMPO SEM TEMPO</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/04/comemorar-abril-num-tempo-sem-tempo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 17:34:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[NA OUTRA MARGEM]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[25 de abril de 2026]]></category>
		<category><![CDATA[comemorações do 25 de abril]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 52 anos de democracia, o regime envelheceu.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/comemorar-abril-num-tempo-sem-tempo/">COMEMORAR ABRIL NUM TEMPO SEM TEMPO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A festa do 25 de Abril de 1974 transformou-se, 52 anos depois, num imenso deserto de ideias, de projectos, de esperança e Portugal continua um País adiado, permanentemente adiado.</p>



<p>Juntos 52 anos, em democracia, não nos permitem, tal como Patxi Andion, dizer com amor:</p>



<pre class="wp-block-verse">‘20 anos de estar juntos<br> Esta tarde se cumpriram<br> Para ti flores, perfumes<br> Para mim, alguns livros<br> No te disse grandes coisas<br> Porque no me haviam saído<br> Já sabes coisas de velhos<br> Ressentimento do que não fui.<br> Há muito tempo que tentamos<br> Qualificar o nosso destino<br> Tu descias a persiana<br> E eu provava o meu último vinho.’</pre>



<p>Portugal é um País triste, ‘ansiolítico’, que vive à beira do precipício, numa ‘insustentável leveza do ser’, tal como Tomás, um personagem criado por Milan Kundera, que escolhe ser ‘leve’ para não pensar, nem se preocupar com o que o rodeia.<em></em></p>



<p>E leve, bem leve, é a relação de Portugal com as graves questões sociais, económicas e financeiras neste Mundo global, neste tempo sem tempo, em que, vinte e quatro horas sobre vinte e quatro horas, os mercados financeiros não param e destroem os países e as Nações, na voragem do lucro que levará, inevitavelmente, à destruição do sistema financeiro, com a conivência de países que lançam guerras sem fim dando a ganhar, a alguns, fortunas imensas.</p>



<p>No caso português, os governos desperdiçaram, sucessivamente, as oportunidades de enfrentar os desafios do futuro, não tendo reestruturado o tecido produtivo, não criaram nichos de mercado que alargasse as exportações e trocaram a agricultura e a pesca por meia dúzia de ‘sestércios’.</p>



<p>Ao longo dos anos nunca foi definido um rumo e um objectivo para Portugal. Sempre vivemos ‘à bolina’, na expectativa de encontrarmos um caminho que não desse trabalho, não obrigasse a pensar e não exigisse massa crítica. Uma boa parte da nossa classe empresarial apenas sobrevive porque se tornou subsídio-dependente do Estado e dos Fundos Comunitários. Tal como no tempo das Descobertas, em que vivemos, parasitariamente, das especiarias, do ouro e da escravatura, encontrámos na Europa uma nova forma parasitária de sobrevivermos e fingir que éramos um País desenvolvido.</p>



<p>E agora, voltando a Patxi Andion, ‘<em>Passaram-nos a conta e tu terás que pagar e eu terei que pagar também, teremos que pagar.’</em></p>



<p>Porém, por muito que se queira esconder a realidade e que se viva no reino da fantasia, o Mundo está conturbado e agita-se a um ritmo imparável, sem rumo e com um destino incerto.</p>



<p>A guerra desencadeada pelos Estados Unidos e por Israel, contra o Irão, com o objectivo de colocar em crise o poder religioso, num confronto entre laicismo e religião, pode ser um erro clamoroso e as alterações no Médio Oriente acabarem por ser um completo desastre para a economia global. As repercussões desta agitação, na Europa e no resto do Mundo, estão a ser avassaladoras, com graves efeitos na economia e no sistema financeiro, além de alterarem conceitos culturais e concepções políticas.</p>



<p>Foi neste quadro mundial que se comemorou o 25 de Abril de 1974, com dois discursos antagónicos, o do Presidente da República e o do Presidente da Assembleia da República, que, sem pudor, fez uma intervenção inqualificável, de total desprezo pela data e pelos princípios democráticos.</p>



<p>Mas, afinal o que foi o 25 de Abril de 1974? Não é possível dar uma resposta simples, clara e unificadora, porque houve vários 25 de Abril. A devolução da democracia aos portugueses é um dos poucos pontos em comum entre as diversas concepções do 25 de Abril (mais para uns do que para outros), que se ergueu como o Nirvana, mas que não passa de um imenso vazio, fora de uma profunda reformulação do Estado e da sociedade.</p>



<p>Na verdade, derrubado o regime salazarista, os partidos e os militares esqueceram-se do fundamental: pôr fim às concepções napoleónicas e rasgar a estrutura administrativa nascida com o Código de Rodrigues Sampaio, que o Estado Novo integrou como seu, ou seja, limitaram-se a dar umas pinceladas democráticas no Estado corporativo, mantendo o essencial dessa estrutura. E este erro, básico, inquinou todo o processo democrático e a evolução do País.</p>



<p>Falar de Abril, comemorar Abril, não pode ser uma ideia redutora da data, transformada, cada vez mais, num feriado que serve para fazer uma ponte e ter mais uns dias de férias.</p>



<p>Falar de Abril é falar do futuro, de uma concepção dinâmica da sociedade portuguesa, dizer o que se quer, para onde vamos e como podemos lá chegar. Porque Abril não alimenta, não dá pão, não dá emprego, não cria riqueza. Em 52 anos de democracia, o regime envelheceu. O Mundo está a mudar, os partidos de extrema-direita e populistas, estão a crescer, sendo que no nosso País esse fenómeno também se verifica.  </p>



<p>Os cidadãos começam a estar fartos desta classe política. E que não se entenda esta afirmação como um discurso contra a classe política. É precisamente o contrário, ou seja, um chamamento a melhores políticos e a mais e melhor democracia. É verdade, os tempos são de mudança em Portugal e no resto do Mundo e todos nós, inevitavelmente, também mudámos, porque, como diz Eduardo Lourenço, ‘o Mundo está a mudar rapidamente e os políticos europeus e portugueses relativizam as coisas, sem pensar no global’.</p>



<p>Defensor do ideal da liberdade, igualdade e fraternidade, preocupado com a justiça social, acompanho, com apreensão, a deriva demo-liberal nos mais diversos países europeus, um desastre de proporções tão gravosas que não a quero para o meu País. Portugal precisa de crescer, de se desenvolver, de criar massa crítica, de ter capacidade para reduzir o desemprego, de aumentar a riqueza, para que se combata a pobreza – a visível e a envergonhada &#8211; dos reformados, dos idosos, de uma classe média que empobrece e tem vergonha de mostrar a sua decadência. Para isso, é fundamental ter coragem para mudar! Portugal é um País de navegadores, de conquistadores, de descobridores (‘navegar é preciso; viver não é preciso’, dizia Fernando Pessoa).</p>



<p>Mas é fundamental ter esperança para se sair da crise. Porque, sem esperança, nada será possível num regime envelhecido, em que não se vislumbram sinais ou vontade de que os responsáveis o queiram repensar ou mudar. Esperança, mudança, democracia, coragem, lucidez é só isto que se exige a quem queira estar na política.</p>



<p>O mar de jovens que encheu as ruas no dia 25 de Abril pode dar corpo a esta esperança, vamos acreditar que, com essa onda, venha a coragem e a lucidez que ancorará a mudança.</p>


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<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="819" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/av-da-liberdade-25-A-4-819x1024.jpg" alt="" class="wp-image-48735" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/av-da-liberdade-25-A-4-819x1024.jpg 819w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/av-da-liberdade-25-A-4-240x300.jpg 240w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/av-da-liberdade-25-A-4-768x960.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/av-da-liberdade-25-A-4-696x870.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/av-da-liberdade-25-A-4-1068x1335.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/04/av-da-liberdade-25-A-4.jpg 1080w" sizes="(max-width: 819px) 100vw, 819px" /></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/04/comemorar-abril-num-tempo-sem-tempo/">COMEMORAR ABRIL NUM TEMPO SEM TEMPO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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