<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Arquivo de literatura - Duas Linhas</title>
	<atom:link href="https://duaslinhas.pt/tag/literatura/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://duaslinhas.pt/tag/literatura/</link>
	<description>Informação online</description>
	<lastBuildDate>Mon, 16 Mar 2026 21:33:08 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.7.5</generator>

<image>
	<url>https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2022/08/cropped-KESQ1955-png-32x32.png</url>
	<title>Arquivo de literatura - Duas Linhas</title>
	<link>https://duaslinhas.pt/tag/literatura/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">214551867</site>	<item>
		<title>LOBO ANTUNES MORREU, NOS SEUS LIVROS DEIXOU-NOS UM LÍMPIDO ESPELHO DE PORTUGAL</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/03/lobo-antunes-morreu-nos-seus-livros-deixou-nos-um-limpido-espelho-de-portugal/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/03/lobo-antunes-morreu-nos-seus-livros-deixou-nos-um-limpido-espelho-de-portugal/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Mar 2026 00:10:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[António Lobo Antunes]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=47781</guid>

					<description><![CDATA[<p>... como ele dizia, "os maus romances contam histórias; os bons romances mostram-nos a nós mesmos"</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/lobo-antunes-morreu-nos-seus-livros-deixou-nos-um-limpido-espelho-de-portugal/">LOBO ANTUNES MORREU, NOS SEUS LIVROS DEIXOU-NOS UM LÍMPIDO ESPELHO DE PORTUGAL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<h4 class="wp-block-heading"><strong>A Morte de Lobo Antunes e a Sombra no Fado</strong><strong></strong></h4>



<p>&#8230;. Ficou a obra, essa &#8220;casa dos móveis que estalam à noite&#8221;, como ele próprio descreveria a solidão. Dele ficou, sobretudo, o retrato de um país que ele anatomizou como poucos: Portugal, esse paciente eterno deitado no divã da psiquiatria, com as suas memórias mal resolvidas a pulsarem sob a pele do presente&#8230;</p>



<p>Foi em Angola que o jovem psiquiatra começou a acumular o material clínico para a longa análise a que submeteria a nação.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Cirurgião das Almas e a Ferida da Guerra</strong></h4>



<p>Em “Os Cus de Judas” (1979), o seu segundo romance, o alferes-médico que regressa a Lisboa não encontra uma pátria acolhedora, mas sim um país de paredes caiadas que finge que a guerra não existiu&#8230; É o desabafo de quem percebe que &#8220;viver é como escrever sem corrigir “e que o que lá está, de dor e de sangue, não pode ser apagado&#8230;</p>



<p>Os soldados voltaram, mas vieram de boca calada. Os retornados chegaram, mas foram recebidos com a vergonha alheia de quem vê um espelho partido e por isso foram tão maltratados. O país preferiu o esquecimento à purificação, e essa memória recalcada, como nos ensina Lobo Antunes, é a matéria de que são feitos os fantasmas.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>As Naus e o Regresso dos Mortos como Desconstrução do Mito</strong></h4>



<p>Se há livro que funcione como chave para entender esta tese, é “As Naus” (1988). Neste romance desassossegado, Lobo Antunes faz o que melhor sabia na qualidade de psiquiatra: pega nos heróis canonizados de “Os Lusíadas” e devolve-os a um Portugal pós-colonial, pequenino e irrelevante. Vasco da Gama, Camões, os navegadores, regressam a Lisboa como retornados pobres, perdidos, bêbados e deslocados. O passado glorioso desembarca no cais, mas já não cabe no novo cenário, empenhado em fabricar novos fantasmas e heróis de craveira histórica, os tais &#8216;históricos&#8217; do novo regime, que tomem o lugar dos velhos espectros e garantam a continuidade dessa epopeia político-cultural que mantém Portugal em permanente sessão no divã da psicanálise.</p>



<p>Aqui Lobo Antunes faz a crítica mais feroz ao Sebastianismo que se resume na esperança irracional de que algo de exterior nos venha resgatar da mediocridade, essa crença de que o passado pode funcionar como salvação para o presente&#8230;</p>



<p>O viver nessa melancolia, sombra enraiada já na alma portuguesa, continua a viver no espírito do Encoberto que se encontra agora em Bruxelas.</p>



<p>&#8220;Portugal é um país que vive mais do que foi do que do que é&#8221;</p>



<p>Hoje como ontem, continua-se o hábito do medo de falar, da hipocrisia social, de uma vida interior que se esconde atrás da fachada da ordem&#8230;</p>



<p>Quando perguntado sobre o Nobel, a resposta clara como seca foi &#8220;Quero que o Nobel se f*da&#8221;; esta reação não era apenas desdém; era a defesa da soberania do escritor contra as glorificações oficiais, a recusa em deixar que a literatura fosse engolida pelo mesmo sistema que ele denunciava, tal como o foi Saramago ao ser usado como arma de um polo contra o outro.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Fantasma do Império e a Decomposição na Europa</strong></h4>



<p>Na última fase do seu pensamento, que as suas notas tão bem captam, Lobo Antunes antecipou o debate contemporâneo sobre o pós-colonialismo e a identidade europeia. No meu entender, se o 25 de Abril matou o império, a entrada na União Europeia, nos anos 80, funcionou como uma espécie de segunda morte.</p>



<p>Desta vez, não perdíamos colónias; perdíamos a ilusão de sermos o centro do mundo e nação intacta. Passámos a ser a periferia da Europa, um país encostado à boleia de Berlim e Bruxelas&#8230;</p>



<p>Deste modo o fantasma do império permanece, já não como projeto político, mas como assombração&#8230;</p>



<p>Vive, sobretudo, na dificuldade que Portugal tem em se definir a si mesmo fora da matriz imperial e por isso se encosta à nova forma de imperialismo que é o imperialismo mental de Bruxelas.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A Técnica Literária como Espelho da Alma Coletiva</strong></h4>



<p>A sua técnica narrativa, essa prosa que parece um rio de vozes, onde passado e presente se misturam, onde várias personagens falam ao mesmo tempo sem aviso prévio, é a expressão formal da sua visão do mundo e em especial de Portugal e da Europa.</p>



<p>Não há enredo linear porque não há identidade linear&#8230;&nbsp;Tudo se encontra misturado e fraturado&#8230;</p>



<p>Ao dar voz aos ‘vencidos da vida’, aos retornados do seu livro “O Esplendor de Portugal”, aos soldados de “Os Cus de Judas”, aos loucos e marginais que povoam os seus livros, Lobo Antunes fez uma operação de justiça poética ao dar expressão e corpo àqueles que a história oficial preferiu esquecer&#8230;</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O Fim de uma Era</strong></h4>



<p>&#8230; E nós, portugueses, continuaremos confrontados com essa pergunta incómoda que ele deixou a ecoar na consciência: quem somos nós, agora que o império se dissipou e a Europa já não é a miragem que fomos um dia?&#8230;</p>



<p>Fica a obra e com ela a insónia. Fica a certeza de que, como ele dizia, &#8220;os maus romances contam histórias; os bons romances mostram-nos a nós mesmos&#8221;. Mas o fado, esse canto tão belo e inebriante que tolda a alma lusa, não é senão a carpideira velada de um Portugal que chora e carpe, sem o saber, o desencanto de si próprio e de todos os outros&#8230;</p>



<p></p>



<p>(crónica publicada também em <strong><a href="https://antonio-justo.eu/?p=10824" type="link" id="https://antonio-justo.eu/?p=10824">Pegadas do Tempo</a></strong>)</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/lobo-antunes-morreu-nos-seus-livros-deixou-nos-um-limpido-espelho-de-portugal/">LOBO ANTUNES MORREU, NOS SEUS LIVROS DEIXOU-NOS UM LÍMPIDO ESPELHO DE PORTUGAL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/03/lobo-antunes-morreu-nos-seus-livros-deixou-nos-um-limpido-espelho-de-portugal/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">47781</post-id>	</item>
		<item>
		<title>PEGADAS DE AQUILINO POR VISEU</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/03/pegadas-de-aquilino-por-viseu/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/03/pegadas-de-aquilino-por-viseu/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alberto Correia]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Mar 2026 15:00:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[UM CRONISTA DE PROVÍNCIA]]></category>
		<category><![CDATA[Aquilino Ribeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Aquilino Ribeiro em Viseu]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Viseu]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=47685</guid>

					<description><![CDATA[<p>Aquilino celebrou a terra, e o seu rasto ficou no eterno chão de Viseu,</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/pegadas-de-aquilino-por-viseu/">PEGADAS DE AQUILINO POR VISEU</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Ninguém, ninguém mais do que Aquilino Ribeiro celebrou em páginas de livro esta cidade. Viseu. Ninguém. Nem escritor nem poeta. De historiadores e cronistas não falo, que aí é vasto o trajecto, memoráveis os nomes, extenso o discurso.</p>



<p>Aquilino Ribeiro conheceu Viseu era jovem ainda e estudante encartado, já havia peregrinado com alguma demora por Lamego, <em>dormente </em>a cidade, lhe chamou enquanto Viseu a vai sentir <em>prazenteira, amável, buliçosa, jucunda. </em>Jucunda, escreveu ele. Agradável, queria ele dizer. “A melhor cidade para viver”, talvez quisesse dizer, premonitório.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Que viver aqui não viveu. Para além da pouca demora, em 1902, quando vem ao Liceu fazer exame de Filosofia, apenas tem uma curta pausa em 1928, mas aí vive entre as grades do Fontelo e da janela do calabouço pouco mais podia ver do que o longínquo horizonte da sua pátria, as Terras do Demo, para onde em breve irá romper caminho.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="284" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1024x284.png" alt="" class="wp-image-47701" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1024x284.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-300x83.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-768x213.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1536x426.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-696x193.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1392x386.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1068x296.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2-1320x366.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/um-escritor-2.png 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" width="1024" height="390" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-1024x390.png" alt="" class="wp-image-47696" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-1024x390.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-300x114.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-768x292.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-1536x584.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-696x265.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-1392x530.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-1068x406.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1-1320x502.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/andam-faunos-1.png 1777w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="312" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-1024x312.png" alt="" class="wp-image-47704" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-1024x312.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-300x91.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-768x234.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-1536x468.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-696x212.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-1392x424.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-1068x326.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou-1320x402.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/o-homem-que-matou.png 1863w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="308" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-1024x308.png" alt="" class="wp-image-47706" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-1024x308.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-300x90.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-768x231.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-1536x462.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-696x209.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-1392x418.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-1068x321.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina-1320x397.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/a-mina.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="354" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1024x354.png" alt="" class="wp-image-47709" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1024x354.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-300x104.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-768x266.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1536x531.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-696x241.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1392x481.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1068x369.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo-1320x457.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/terras-do-demo.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="315" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-1024x315.png" alt="" class="wp-image-47712" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-1024x315.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-300x92.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-768x236.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-1536x472.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-696x214.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-1392x428.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-1068x328.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3-1320x406.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arca-de-noe-3.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="317" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1024x317.png" alt="" class="wp-image-47714" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1024x317.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-300x93.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-768x238.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1536x476.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-696x216.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1392x431.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1068x331.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia-1320x409.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/geografia.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="313" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1024x313.png" alt="" class="wp-image-47717" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1024x313.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-300x92.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-768x234.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1536x469.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-696x212.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1392x425.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1068x326.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas-1320x403.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/03/arcas.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p>Aquilino foi aedo, celebrou a terra, o chão de lavra, marginal, o chão de pedra levantada, a paisagem, gratuitamente estendida para gozo dos homens como a primavera em flor para deleite de insectos; e lembrou os homens, humanista de seu génio, que da humanidade transviada apenas queria arredar o mal.</p>
</div></div>



<p>E o seu rasto ficou no eterno chão de Viseu, no nome de um Parque, de uma Rua, de uma estátua. Mais fundo ficou nas letras de ouro do seu lavrar; mais ainda no coração dos homens que cultivam o humanismo de que se fez paladino e defensor; retrato seu de vaidade não deixou; e o bronze de um retrato que eu ajudei a construir e se implantou no chão da Rua Formosa, onde ele tantas vezes sedeou, ficou como vero documento de um homem inteiro, que algum tempo entre nós viveu e trabalhou.</p>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/03/pegadas-de-aquilino-por-viseu/">PEGADAS DE AQUILINO POR VISEU</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/03/pegadas-de-aquilino-por-viseu/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">47685</post-id>	</item>
		<item>
		<title>A ESPERANÇA SEM FIM</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/02/a-esperanca-sem-fim/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/02/a-esperanca-sem-fim/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Feb 2026 20:12:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[ler livros]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[literatura de Pedro Chagas Freitas]]></category>
		<category><![CDATA[livro O Hospital de Alfaces]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=47253</guid>

					<description><![CDATA[<p>A ideia de que o drama terá raízes na experiência pessoal do autor, reforça a carga afetiva.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/a-esperanca-sem-fim/">A ESPERANÇA SEM FIM</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>O Hospital de Alfaces</em> é um drama familiar construído em sucessão de cenas curtas, quase esboços cénicos, como se estivéssemos perante um guião de teatro ou cinema. Essa fragmentação imprime ritmo, cria tensão, empurra o leitor para a frente. Cada cena contém frases de impacto, uma sentença moral, uma verdade condensada, um aforismo pronto a ser sublinhado. É uma técnica eficaz: transforma a leitura numa sequência de pequenos clímax emocionais.</p>



<p>O eventual carácter autobiográfico da narrativa, a ideia de que o drama terá raízes na experiência pessoal do autor, reforça a carga afetiva. O leitor sente que pisa território íntimo, que participa numa dor real. E isso aproxima.</p>



<p>Mas há também uma dimensão simbólica que desloca a história do realismo para uma espécie de alegoria surreal: a alface imortal que se reproduz infinitamente, resistente a tudo, convertida em metáfora da persistência contra a dor, a doença, o ódio e o desamor. O símbolo é didático. A fantasia serve a mensagem.</p>



<p>É aqui que surge a ambivalência. O livro pode ser lido como um longo &#8220;poema escrito na horizontal”, prosa poética construída com paralelismos, enumerações, repetições rítmicas. Frases como: “A vida é uma frase mal escrita, mal pensada, mal planeada…” assentam numa cadência quase litúrgica. A repetição sincopada, quase como se fosse música, “há dor, há perdas, há sofrimento…” cria intensidade. O texto pede para ser citado, partilhado, recortado. Funciona.</p>



<p>Mas esse mesmo mecanismo, repetido ao longo de centenas de páginas, cansou-me um pouco. Cansaço mais psicológico, talvez. A frase lapidar, quando é permanente, deixa de surpreender. O impacto transforma-se em padrão. O que inicialmente seduz &#8211; a contundência emocional &#8211; acaba por soar a fórmula. Tenho medo de estar a ser injusto, confesso. E se tudo aquilo lhe saiu mesmo das entranhas?</p>



<p>É um relato de intensidade contínua. Não há zonas neutras, não há silêncios longos, não há espaços de respiração narrativa. Tudo é sentimento sublinhado. Tudo é significado declarado. Tudo é afirmativo.</p>



<p>No final, digo que o livro cumpre aquilo que o autor pretende: emocionar, confortar, oferecer frases que parecem verdades definitivas. Gostei. Mas também me cansei. E talvez essa tensão, entre adesão e saturação, seja a leitura mais honesta que posso fazer dele.</p>



<p>&#8220;Há dor, há perdas, há sofrimento, há medo, há angústias, há uma quantidade interminável de merdas que só servem para dar cabo de nós. Raramente as coisas boas cobrem as outras. O que cobre as outras, o que nos faz superar as outras, é o que construímos com elas”.</p>



<p>Talvez tenhas razão, Pedro. Mas onde se aprende a fazer essa construção, não nos dizes tu neste livro que termina com um enigma&#8230;</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1920" height="1080" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3.png" alt="" class="wp-image-47260" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3.png 1920w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/02/enigma-3-1320x743.png 1320w" sizes="auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px" /></figure>



<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/a-esperanca-sem-fim/">A ESPERANÇA SEM FIM</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/02/a-esperanca-sem-fim/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">47253</post-id>	</item>
		<item>
		<title>VIAGENS</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/02/viagens/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/02/viagens/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carmo Miranda Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Feb 2026 10:00:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[ler livros]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[livro Viagens]]></category>
		<category><![CDATA[Olga Tokarczuk]]></category>
		<category><![CDATA[viajar]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=47244</guid>

					<description><![CDATA[<p>"Quando viajo desapareço do mapa"</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/viagens/">VIAGENS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Tento ler Olga Tokarczuk neste dia cinzento de Lisboa, deixando de lado todas os testes por corrigir porque só um leitor sabe o papel de um bom livro na sua saúde emocional.</p>



<p>Escolho &#8220;Viagens&#8221; , o título desta autora premiada com o Nobel em 2019, por razões que quem me conhece saberá óbvias. Mas o livro não me surpreendeu sobremaneira.</p>



<p>Tirando algumas ideias dispersas que me deixaram a pensar, tudo o resto são fragmentos de experiências de quem viaja, que nem sempre atingem o leitor: O mundo na cabeça;a cabeça no mundo; sete anos de viagem; aeroportos; viagem em busca das próprias raízes; cosméticos de viagem; psicologia da viagem; o tempo certo e o lugar certo entre tantos outros..</p>



<p>Tal como a autora, também eu me dei conta várias vezes de que, apesar de todos os perigos inerentes a quem viaja sem rede, tudo o que está em movimento é sempre melhor do que aquilo que está parado, em repouso. Embora discutível, vejo mudança sempre mais nobre do que a imobilidade, a ventura mais enriquecedora do que a estabilidade pois embora todos venhamos a sofrer do mesmo fenómeno de decomposição final, aquilo que teve movimento consegue durar eternamente.</p>



<p>Também eu, como Olga Tokarczuk, não herdei o gene que faz com que as pessoas criem raízes quando permanecem sempre no mesmo lugar. As minhas raízes, se surgirem, apodrecem. Já tentei várias vezes mas as minhas raízes são sempre superficiais e &#8220;qualquer brisa é capaz de me arrancar à terra&#8221;. Tal como as plantas, também eu não sou capaz de germinar. A minha energia vital provêm do movimento, mais especificamente da oscilação dos comboios e dos barcos, da trepidação dos carros e da descolagem dos aviões.</p>



<p>Temos em comum, eu e autora, essa inevitabilidade que é pormo-nos a caminho pelo mundo fora. &#8220;Quando viajo desapareço do mapa. Ninguém sabe onde estou. Se estou ainda no ponto de partida ou se já estou no ponto de chegada.&#8221;</p>



<p>Como diz Torga, em qualquer viagem, o que importa é partir, não é chegar.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/viagens/">VIAGENS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/02/viagens/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">47244</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O MARIPOSEIO SENTIMENTAL DO SILVESTRE</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/02/o-mariposeio-sentimental-do-silvestre/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/02/o-mariposeio-sentimental-do-silvestre/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 14 Feb 2026 09:00:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Camilo Castelo Branco]]></category>
		<category><![CDATA[ler livros]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[livro Coração Cabeça e Estômago]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=47206</guid>

					<description><![CDATA[<p>Obra de uma ironia mordaz</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/o-mariposeio-sentimental-do-silvestre/">O MARIPOSEIO SENTIMENTAL DO SILVESTRE</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Imaginara-o a história de alguém atravessar essas fases da vida: o romantismo juvenil (e lembrava-me do <em>Devagar, Coração!</em> que eu tivera a veleidade de escrever aos 18 anos); &nbsp;depois, a época de assentar ideias e fazer programação; &nbsp;a desembocar já numa idade quase provecta, em que os prazeres sentimentais e intelectuais cederiam passo às guloseimas concretas.</p>



<p>Baseado (diz) nos apontamentos biográficos de Silvestre da Silva («Tenho debaixo dos olhos, mal enxutos da saudade, três volumes escritos da mão de Silvestre»), compraz-se Camilo em descrever o autêntico mariposeio sentimental do seu Silvestre (sete mulheres, número cabalístico, sem dúvida), no ambiente sofisticado (diríamos hoje) de uma Lisboa em que um provinciano endinheirado mergulha e diariamente sonha com delírios sentimentais, amiúde transformados em poemas.</p>



<p>Ele são as serenatas, os buquês de flores enviados às escondidas através de uma empregada, os bilhetinhos, os olhares, nomeadamente de uma tribuna para outra do S. Carlos, o ambiente preferido para essas trocas furtivas. Um S. Carlos onde não há referência a peças que estejam a ser representadas, porque o que interessa é a assistência, a maneira como se vestem, com quem estão… Tal como hoje, antes de eventos solenes, o fotógrafo não perde pitada para mostrar como vai a Helena, a Manuela, como está a passadeira vermelha, o desfile de celebridades…</p>



<p>Um romance em que, de cabo a rabo, o vocabulário é vernáculo, como não podia deixar de ser, que parece sair natural, a denunciar perfeito domínio da língua. Uma lição, se atendermos à grande pobreza vocabular vigente nos nossos dias, em que – ainda por cima! – cada vez mais as frases e as palavras são substituídas por emojis.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Seria maldade minha se não garantisse que, de todo o romance, &nbsp;o que mais me encheu as medidas, do ponto de vista literário, foi o diálogo entre a virginal morgada, Tomásia, e o Silvestre já de muitas vidas vivido e que, perante a novidade, nem sabe bem como há-de reagir. &nbsp;Ouso dizer que poderia ser, com muito proveito, escolhido para ser representado em aulas de teatro, pela importância que se me afigura ter:</p>



<p>«– Almocei contra o meu costume. Estou afeito a almoços leves de café ou chá.</p>



<p>&nbsp;– Credo! vossemecê bebe chá por almoço?!</p>



<p>&nbsp;– Pois então!</p>



<p>&nbsp;–&nbsp; Ora essa! Cá em casa há chá, que o compra meu tio padre João, mas é para as dores de barriga».</p>



<p>Não resisto a transcrever ainda, num registo completamente diferente, o pedaço dum discurso judicial, digno, também ele, de antologia:</p>



<p>«Vinde a mim, hipócritas!</p>



<p>Vinde ao sevo do escândalo, celerados &nbsp;que andais nas encruzilhadas assalteando a honra dos infelizes descautelosos!</p>



<p>&nbsp;Aqui tendes charco para vos rebalsardes, cerdos!</p>



<p>&nbsp;Aqui está um dos vossos, que apunhalou a alma dum marido, crucificou uma esposa ao madeiro de eterno opróbrio e sovou aos pés uma coroa virginal».</p>



<p>Rasgo impossível de ouvir, hoje, em qualquer discurso parlamentar, porque… a sabedoria vocabular jamais chegaria lá…</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>E, a propósito (ou não), dir-se-á que o protagonista, tendo-se metido na política, lhe aconteceu o que era de esperar: os jornais do Porto acoimaram-no «de desviar os dinheiros do Município em benefício das suas propriedades». Então e sempre!</p>



<p>Eis o Silvestre da Silva. «Ao terceiro ano de casado, Silvestre formava com o peito e abdómen um arco. A gordura embargava-lhe a acção e abafava-lhe o peito nas enxúndias!».</p>



<p>Não admira, pois, que o incógnito autor da apresentação da edição deste romance por Publicações Europa-América, assim a tenha querido terminar:</p>



<p>«Obra de uma ironia mordaz, quase contundente, que nos faz pensar muito seriamente, entre dois sorrisos, na inversão de valores que em todos os tempos tão amargamente sentem os que prezam demasiado o coração e a cabeça, e por isso falam e escrevem de estômago vazio».</p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/o-mariposeio-sentimental-do-silvestre/">O MARIPOSEIO SENTIMENTAL DO SILVESTRE</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/02/o-mariposeio-sentimental-do-silvestre/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>7</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">47206</post-id>	</item>
		<item>
		<title>LEVAREI O FOGO COMIGO</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/02/levarei-o-fogo-comigo/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/02/levarei-o-fogo-comigo/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carmo Miranda Machado]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Feb 2026 17:35:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[escritora Leila Slimani]]></category>
		<category><![CDATA[ler livros]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=47007</guid>

					<description><![CDATA[<p>A ânsia de liberdade</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/levarei-o-fogo-comigo/">LEVAREI O FOGO COMIGO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em &#8220;Levarei o fogo comigo&#8221;, sobre a terceira geração da família Belhaj, as marroquinas Mia e Inês mostram-se divididas entre o seu desejo de modernidade e o medo de perder a alma e as tradições do seu país. Ganha em ambas a ânsia de liberdade, mantida acesa pela chama das mulheres que as precederam: a avó Mathilde, a mãe Aicha e a tia Selma, essa mulher sozinha e livre, de uma força desmesurada&#8230; Enquanto Inês estudava medicina, Mia procurava nos livros a liberdade e a libertação da sua vida enfadonha e sem brilho.</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Para ver uma ilha é preciso sair-se dela, fazer-se ao mar&#8230; Mas para nos integrarmos no novo, teremos de dissolver, apagar e anular de onde viemos? O que fazer quando já não somos do lugar onde nascemos e sabemos que nunca seremos do lugar onde estamos?</p>



<p>Em casa de Mia e Inês podia-se criticar o véu, o fanatismo, inflamar &#8211; se contra os barbudos mas fora de casa não se podia falar&#8230; Era preciso fingir que se respeitava o decoro. Pura hipocrisia, pensava Mia, humilhada por saber que os seus pais não eram livres.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Amar, o que é, afinal? Talvez amar não tenha nada que ver com as palavras. Talvez amar seja não fazer perguntas, não abrir os armários que o outro teve o cuidado de fechar à chave.</p>



<p>Mia também partiu de Marrocos, uma partida daquelas que determinam uma vida inteira. Por vezes, é preciso ir sem olhar para trás porque essa história das raízes não passam de uma maneira de nos pregar ao chão. Não importa o passado, a casa, os objetos, as recordações. Importa atear com todos eles um grande incêndio e levar o fogo connosco.</p>



<p>Não ceder, nunca, no que toca à liberdade.</p>



<p>Por vezes, muitas vezes, temos de ir sozinhas ao encontro dos monstros. Até ao dia em que recomeça em nós o desejo de voltarmos às origens&#8230;</p>



<p>Podemos ser, ao mesmo tempo, daqui e de lá?</p>
</div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/02/levarei-o-fogo-comigo/">LEVAREI O FOGO COMIGO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/02/levarei-o-fogo-comigo/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">47007</post-id>	</item>
		<item>
		<title>DESFORREI-ME!</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2026/01/desforrei-me/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2026/01/desforrei-me/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 24 Jan 2026 00:05:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[arqueologia]]></category>
		<category><![CDATA[escritor Fialho de Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[livro O País das Uvas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=46786</guid>

					<description><![CDATA[<p>Perdoar a Fialho de Almeida não ter reparado nas ruínas de S. Cucufate...</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/01/desforrei-me/">DESFORREI-ME!</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Primeiro, sempre alerta como estou para as alusões ao hábito de «ir a banhos» – eco de a Família Real ter vindo para Cascais no final do Verão, a partir da década de 70 do século XIX – topei este sugestivo pormenor, no conto «A divorciada»: «Berta tem todavia a história mais planta de estufa que eu conheço. Aos quinze anos valsou com o Jorge, na Figueira, uma estação de banhos – Jorge, o que está<br>secretário do ministro, o bem conhecido Jorge (p. 79-80). </p>



<p>Figueira da Foz, célebre estância balnear do Centro do País, onde, na altura, antes do Casino Peninsular, o Theatro-Circo Saraiva de Carvalho (inaugurado em 1884) organizava bailes, em que, como se vê, até gente do Poder não hesitava em marcar presença. Tinha que ser!<br>Aqui, o historiador: a remeter para a minuciosa investigação levada a efeito por Irene Vaquinhas – O Casino da Figueira. Sua evolução histórica desde o Teatro-Circo à actualidade (1884-1978).<br>A desforra do arqueólogo veio quando li esta passagem no conto «A princesinha das Rosas»: «O pai era cristão; não consentiu Deus que a pequenina vivesse a vida monstruosa dos pais, nos palácios da Babilónia submersa».</p>



<p>Poder-se-ia remeter para a Babilónia falada na Bíblia; há, porém, que notar quanto já se admiravam as descobertas arqueológicas feitas por Robert Koldewey, nomeadamente na cidade mesopotâmica de Babilónia…</p>



<p>Voltemos à Berta: Berta, explica Fialho, tinha um nariz «desmedido e fero, cujo modelo recusara sempre ao gesso dos museus de raridades».<br>É natural que se não entenda plenamente, à primeira vista, o significado desta frase. Refere-se ao hábito, que então se generalizou, de se fazerem moldes em gesso das mais notáveis esculturas clássicas (gregas e romanas) para se mostrarem nos museus, quais verdadeiras gipsotecas, para os estudantes poderem, assim, apreciá-las.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/960px-Canova_-_perseu_-_39b-768x1024.jpg" alt="" class="wp-image-46789" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/960px-Canova_-_perseu_-_39b-768x1024.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/960px-Canova_-_perseu_-_39b-225x300.jpg 225w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/960px-Canova_-_perseu_-_39b-696x928.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/960px-Canova_-_perseu_-_39b.jpg 960w" sizes="auto, (max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Perseu com a cabeça da Medusa</em>, de António Canova</figcaption></figure></div>


<p>A Universidade La Sapienza, de Roma, dispõe de uma magnífica gipsoteca e a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra viria a criar também, logo nos primórdios do século XX, um Museu Didáctico com a reprodução de peças arqueológicas achadas em território português, nomeadamente artefactos pré-históricos e inscrições romanas.<br>Creio, porém, que a alusão de teor arqueológico mais significativa do livro está, de certo modo, oculta nesta frase do conto «As vindimas».<br>«Tal é a evolução mitológica de Baco: psicologia do vinho, esmaltada num quadro alegórico, que eu vejo e revejo nas suas maravilhosas contramarchas, com os olhos absortos de Canova contemplando os frisos do Pártenon».</p>



<p>Mostra, em primeiro lugar, o conhecimento da obra do antiquário, arquiteto e escultor italiano Antonio Canova (1757-1822), justamente célebre pelas suas extraordinárias esculturas de divindades e personagens gregas e romanas, duma beleza sem igual.<br>Depois, sim, Canova admirou, sem dúvida, os frisos do grandioso templo erguido na acrópole ateniense, frisos em baixo-relevo que se devem a Fídias e cuja perfeição depressa se tornou quase lendária. Então, os pormenores da aí representada Procissão das Panateneias, a festa maior em honra da deusa Atena, encantavam de verdade!…</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="682" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/1280px-Athens_Acropolis_Museum_Marble_Parthenon_Frieze_28360651611-1024x682.jpg" alt="" class="wp-image-46791" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/1280px-Athens_Acropolis_Museum_Marble_Parthenon_Frieze_28360651611-1024x682.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/1280px-Athens_Acropolis_Museum_Marble_Parthenon_Frieze_28360651611-300x200.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/1280px-Athens_Acropolis_Museum_Marble_Parthenon_Frieze_28360651611-768x512.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/1280px-Athens_Acropolis_Museum_Marble_Parthenon_Frieze_28360651611-696x464.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/1280px-Athens_Acropolis_Museum_Marble_Parthenon_Frieze_28360651611-1068x712.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/1280px-Athens_Acropolis_Museum_Marble_Parthenon_Frieze_28360651611.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Deuses assistindo à procissão das Panateneias, friso do Pártenon, oficina de Fídias, 442-438 a. C., Museu da Acrópole, Atenas</figcaption></figure></div>


<p>Por conseguinte, numa singela frase se denuncia como Fialho de Almeida – e, certamente, os intelectuais portugueses do seu tempo – estavam a par das descobertas arqueológicas da época. E, voltando à menção anterior, há ainda um pormenor que Fialho de Almeida<br>não olvidou: o nariz. Certo é que a frase de Pascal (1623-1662) alusiva ao nariz de Cleópatra – «Se o nariz de Cleópatra tivesse sido mais pequeno, toda a face da terra teria mudado» – poderia, desde há muito, ter atravessado fronteiras; anote-se, contudo, que é o nariz que mais trabalho dá ao escultor, a ponto de necessitar sempre de o ter em conta quando se decide a esculpir a figura humana. Nesse âmbito, a real perfeição das esculturas de Antonio Canova concitam, de facto, a admiração universal.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="773" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Kleopatra-VII.-Altes-Museum-Berlin1-773x1024.jpg" alt="" class="wp-image-46793" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Kleopatra-VII.-Altes-Museum-Berlin1-773x1024.jpg 773w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Kleopatra-VII.-Altes-Museum-Berlin1-226x300.jpg 226w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Kleopatra-VII.-Altes-Museum-Berlin1-768x1018.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Kleopatra-VII.-Altes-Museum-Berlin1-696x923.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Kleopatra-VII.-Altes-Museum-Berlin1-1068x1416.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Kleopatra-VII.-Altes-Museum-Berlin1.jpg 1149w" sizes="auto, (max-width: 773px) 100vw, 773px" /><figcaption class="wp-element-caption">busto de Cleópatra, Museu Berlim</figcaption></figure></div>


<p>E, por conseguinte, a possibilidade de assim evocar Babilónia (e – porque não? – a sua magnificente Porta de Istar, patente no Pérgamon, em Berlim), os frisos do Pártenon e o imortal Canova leva-me a perdoar a Fialho de Almeida não ter reparado nas ruínas de S. Cucufate. Desforrei-me!</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Ishtar_Gate_at_Berlin_Museum-1.jpg" alt="" class="wp-image-46796" style="width:1024px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Ishtar_Gate_at_Berlin_Museum-1.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Ishtar_Gate_at_Berlin_Museum-1-300x225.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Ishtar_Gate_at_Berlin_Museum-1-768x576.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Ishtar_Gate_at_Berlin_Museum-1-696x522.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/01/Ishtar_Gate_at_Berlin_Museum-1-265x198.jpg 265w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Porta de Ishtar. Pergamon, Museu Berlim</figcaption></figure></div>


<p></p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/01/desforrei-me/">DESFORREI-ME!</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2026/01/desforrei-me/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>8</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">46786</post-id>	</item>
		<item>
		<title>O PAÍS DAS UVAS</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/12/o-pais-das-uvas/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2025/12/o-pais-das-uvas/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[José d'Encarnação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Dec 2025 00:00:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[HISTÓRIAS...]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[Alentejo]]></category>
		<category><![CDATA[escritor Fialho de Almeida]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[livro O País das Uvas]]></category>
		<category><![CDATA[São Cucufate]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=46184</guid>

					<description><![CDATA[<p>O bom vinho da talha e um livro de prosa barroca e decadente, que em nada contribui para a imagem do Alentejo.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/o-pais-das-uvas/">O PAÍS DAS UVAS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Aqueles finais da tarde de sexta-feira&nbsp;na adega de grandes talhas dos irmãos Parreira, em Vila de Frades, jamais se esquecerão. O vinho saía da talha, qual precioso néctar, para ser acompanhado por um naco de pão trigueiro e queijinho seco a condizer&#8230;</p>



<p>Poderiam ser cenas dessas emotivamente descritas nesse livro saído da pena de um vilafradense e até também alguma descrição que o antigo convento lhe poderia ter merecido, mesmo antes de suspeitar do que,&nbsp;cerca de um século depois, a nossa equipa ali haveria de pôr a descoberto, do vetusto tempo dos Romanos. Mas não&#8230;</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<h4 class="wp-block-heading"><strong>Um olhar tenebroso</strong></h4>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="614" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/livro-o-pais-das-uvas-614x1024.png" alt="" class="wp-image-46197" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/livro-o-pais-das-uvas-614x1024.png 614w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/livro-o-pais-das-uvas-180x300.png 180w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/livro-o-pais-das-uvas.png 634w" sizes="auto, (max-width: 614px) 100vw, 614px" /></figure></div>


<p>Logo o anônimo autor da nota introdutória da edição que li (Publicações Europa América) fora peremptório na apreciação: &#8220;cenas de um certo miserismo sádico&#8221;, capazes de suscitar não um sorriso mas um esgar. Era isso que eu encontraria, sim. Fiquei com pena.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Desconhecia-lhe, de facto, a Fialho de Almeida (1857-1911), essa atracção pelos aspectos negativos da vida, essa &#8220;prosa barroca&#8221; e decadente, que &#8211; importa frisá-lo! &#8211; em nada contribuem para a imagem do Alentejo, ainda que nesse final do século XIX e primórdios do século XX. Aliás, natural é, na mudança de século, que alguns espíritos se deixem levar pela melancolia. Fialho de Almeida não resistiu. Inclusive, quando, tendo casado rico, logrou ser um médio proprietário rural, as recordações dos seus tempos de sofrível boémia lisboeta, onde tivera a pretensão de se impor, lhe dominavam o pensamento e a escrita. Foi um infeliz.</p>



<p>Leia-se, a título de exemplo, o que escreveu, num 4 de agosto &#8220;de mau humor&#8221;, verberando com látegas cruéis a figura soez do <em>propriatairo</em> (assim mesmo, em itálico, num desabrido escárnio):</p>



<p>&#8220;Muitos cavaram a terra, rapazes, e, atingida a fortunazinha ambicionada, votaram ao desprezo os companheiros de labuta, fazendo por imobilizar-se numa casta superior à do seu berço. Desde esse dia desenvolveram qualidades de usura e sordidez que já tinham começado a mostrar em cavadores&#8221;.</p>



<p>E, mais adiante, afigura-se-nos concupiscente a descrever as maldades desse <em>propriatairo</em> que, &#8220;nas tabernas, chupando o cigarro, com um cinismo vesgo&#8221;, é homem para, eivado de ódio aos ricos homens, incitar a canalha a arrancar-lhes de noite as plantações a entrar-lhes cos rebanhos nas searas e a deitar fogo ao trigo arroleirado por essas courelas afora&#8221;.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Que mundo, senhores! Como as letras constituem, na verdade, campo propício a todas as veleidades, a todas as infames profecias, fátuos alarmismos e, ao invés, ao encantado louvor de suaves e esperançosas madrugadas!</p>



<p>Prefiro, pois, ficar-me pelo título. Para mim&nbsp; pesem embora as outras regiões vinícolas do meu abençoado Portugal, &#8220;País das Uvas&#8221; pode muito&nbsp; bem ser o Alentejo. Vila de Frades e Vidigueira não as quero ligar a esse Fialho de Almeida, mas sim às majestosas ruínas da villa romana de São Cucufate (onde também no lagar encontrámos grainhas de uvas romanas e que, durante sete anos, me ocuparam deveras) e ao prazer de uma caneca de fresco vinho rosado, a sair da grande talha de barro&#8230;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="616" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/sao-cucufate-1024x616.png" alt="" class="wp-image-46201" style="width:1024px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/sao-cucufate-1024x616.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/sao-cucufate-300x180.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/sao-cucufate-768x462.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/sao-cucufate-1536x924.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/sao-cucufate-696x418.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/sao-cucufate-1392x837.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/sao-cucufate-1068x642.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/sao-cucufate-1320x794.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/12/sao-cucufate.png 1758w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">ruínas de São Cucufate</figcaption></figure></div></div></div>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/o-pais-das-uvas/">O PAÍS DAS UVAS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2025/12/o-pais-das-uvas/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>3</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">46184</post-id>	</item>
		<item>
		<title>FALAR SOBRE O FIM</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/12/falar-sobre-o-fim/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2025/12/falar-sobre-o-fim/#comments</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Dec 2025 00:16:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[livro "Vim Sem Tempo"]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[poesia de Pedro Freitas]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=46096</guid>

					<description><![CDATA[<p>o autor reflete sobre a finitude da vida, a percepção do tempo</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/falar-sobre-o-fim/">FALAR SOBRE O FIM</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nestes poemas, o autor reflete sobre a finitude da vida, a percepção do tempo. Segundo entrevistas com o autor, o livro remete para uma dimensão pessoal ligada ao luto pela perda de uma avó. Não sei a idade do autor, mas pelo que aparenta é, ainda, um jovem. Ou seja, um jovem que disserta sobre a finitude da vida pode parecer uma contradição nos termos. Mas a reflexão sobre a finitude não é património da velhice; é, isso sim, património da consciência. A ideia, muito difundida, de que só quem “já viveu muito” pode falar legitimamente do tempo e da morte é mais cultural do que filosófica.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" src="https://i.imgur.com/fuHMzA5.jpeg" alt="" class="wp-image-46104"/></figure></div>


<p>Os jovens de hoje crescem num contexto de colapso ambiental, precariedade estrutural, guerras transmitidas em tempo real e uma permanente sensação de instabilidade. Isso pode produzir uma consciência dos limites que nos cercam. Mesmo que não pareça, a malta jovem não anda despreocupada.</p>



<p>Ainda que este livro fosse “apenas” um exercício intelectual, já não seria pouco, de qualquer forma. Num tempo em que grande parte da produção cultural evita perguntas desconfortáveis, um jovem autor escolher a finitude como eixo central já indica uma recusa do trivial e do imediatismo.</p>



<p>Gosto de ler poesia, não sempre, mas de vez em quando. E penso sempre que é uma forma surreal de retratar alguma coisa muito concreta. Isto é, muitas vezes, quase sempre, diria, um poema pode ser resumido numa frase curta. Só que, o retrato que o poeta faz é sempre largo&#8230;</p>



<p>Essa sensação de “surreal” vem do facto de a poesia não respeitar as hierarquias da linguagem utilitária. Metáforas, imagens improváveis, associações livres &#8211; tudo isso serve para mostrar que a realidade concreta não é linear quando é vivida. O poema parece estranho porque a experiência interior também o é.</p>



<p>Ao contrário, a prosa informativa resolve-se numa linha. Um título, um lead, como dizemos nas redações de jornalistas. A poesia precisa de mais espaço porque trabalha com ritmos, silêncios, ecos.</p>



<p>No fundo, um poema poderia, de facto, caber numa frase. Mas se ficasse por aí, seria apenas uma ideia. A poesia começa quando essa ideia é esticada, torcida, iluminada por dentro, até deixar de ser apenas compreensível e passar a ser sentida. É esse alargamento, esse “retrato largo”, que faz a estranha beleza da poesia.</p>



<p>“Vim Sem Tempo” vale o tempo que leva a ser lido.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/12/falar-sobre-o-fim/">FALAR SOBRE O FIM</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2025/12/falar-sobre-o-fim/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>1</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">46096</post-id>	</item>
		<item>
		<title>OS DESERTOS VERMELHOS</title>
		<link>https://duaslinhas.pt/2025/08/os-desertos-vermelhos/</link>
					<comments>https://duaslinhas.pt/2025/08/os-desertos-vermelhos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Vasco Gil Mantas]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Aug 2025 23:00:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[LER LIVROS]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[POLÍTICA]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[ir ao cinema]]></category>
		<category><![CDATA[ler livros]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[memórias da Guerra Colonial]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://duaslinhas.pt/?p=43802</guid>

					<description><![CDATA[<p>O tempo passou e deixou marcas e desertos</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/08/os-desertos-vermelhos/">OS DESERTOS VERMELHOS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há filmes que, pessoalmente, ganham em não ser visionados na altura em que surgiram nas salas. Fui, em tempos, um frequentador assíduo de cinemas, prática que fui perdendo à medida que se instalavam as ficções estelares que vieram substituir a cinematografia do velho <em>Peplum</em>, repleto de vilões e heróis mais ou menos míticos e de capitosas donzelas com mais curvas que talento. Os ruidosos trituradores de pipocas também contribuíram para este desgosto, sentido com melancólica aceitação, como aceitei – ou não? – o desaparecimento de tantos outros locais e coisas de memórias recentes e antigas.</p>



<p>Descansai: nesta temporada de fugidia alienação sugerida pelas férias em modo tentado, não vou traçar uma lista de cinemas desaparecidos. Desejo apenas, <em>en passant</em>, recordar o Avis, em Luanda (Ah! Mais uma vez, Angola!…), onde, entre outros, assisti à projecção de um inesquecível <em>Kartum.</em> Este filme, confesso, teve para mim um sabor especial, porque me embalava ainda no sonho imperial que toda a Europa abandonara já, deixando-me o gosto de cinza das epopeias vencidas, epopeias que não eram de todos, afinal.</p>



<p>Mas, com estas recordações de um outro tempo e vivência, afastei-me, sem o desejar, destas <em>Duas Linhas</em>, inspiradas pela solidão estival, quando tudo parece permanecer inalterado à nossa volta, embora saibamos que não é assim e as ausências, multiplicadas, se instalam com todo o seu peso, sem tréguas, sem forma, sem cor, mas reais, tão reais. Continuemos a navegar um pouco à bolina, proa à onda, nesta crónica, apenas guiado pelo farol do tema central que escolhi.</p>



<p>Por acaso, vi há alguns dias – expressão que tem aqui apenas o sentido de medida de tempo, pois foi à noite – um filme que deve ter passado entre nós em 1964 e que, confesso, talvez na altura não me tivesse levado ao cinema. A película em questão foi <em>O Deserto Vermelho</em>, de Antonioni. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="1025" height="544" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/deserto-vermelho.png" alt="" class="wp-image-43809" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/deserto-vermelho.png 1025w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/deserto-vermelho-300x159.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/deserto-vermelho-768x408.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/deserto-vermelho-696x369.png 696w" sizes="auto, (max-width: 1025px) 100vw, 1025px" /><figcaption class="wp-element-caption">Mónica Viti numa cena do filme <em>O Deserto Vermelho</em>.</figcaption></figure></div>


<p>Este filme conta uma história tão actual, com os seus mistérios, encontros, desencontros, desesperos e fraquezas humanas, sobre um fundo de decadência da civilização industrial, poluidora, insensível, destruidora, um filme quase ecológico, porque humano. A narrativa, protagonizada por Mónica Viti, decorre no cenário deprimente dos subúrbios fabris de Ravena (Fig. 1), outrora centro de outro poder, o do também decadente Império Romano do Ocidente. Mas isto são outras histórias, que talvez fosse bom recordar nestes tempos europeus tão infelizes e incertos. Fica para outra oportunidade.&nbsp; &nbsp;</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="alignright size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="367" height="480" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/Fig.-2.jpg" alt="" class="wp-image-43807" style="width:367px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/Fig.-2.jpg 367w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/Fig.-2-229x300.jpg 229w" sizes="auto, (max-width: 367px) 100vw, 367px" /><figcaption class="wp-element-caption">o livro de Lartéguy <em>A Cidade Estrangulada</em></figcaption></figure></div>


<p>Não quero assumir a função de crítico cinematográfico, embora reconheça agora leituras que não faria há mais de meio século. A propósito de leituras, ocorre-me que o romance de Jean Lartéguy – quem o lê hoje? – <em>A Cidade Estrangulada</em>, quando o reli há pouco, me causou um sentimento de tristeza, muito diferente do que sentira ao lê-lo em Luanda, pois nessa época ainda não se instalara o deserto da dúvida, um dos muitos <em>desertos vermelhos</em> que apoquentam o homem e a sociedade, sempre sensíveis aos renovados (?) ventos da História, que cultivam desertos e secam vidas. Quem duvidar que veja os noticiários televisivos. E não se iluda!</p>



<p>Talvez a lição última do filme de Antonioni seja a única a observar, neste confuso e não menos vergonhoso século XXI: a de que devemos aceitar a nossa vida como somos, pois não teremos outra. Esqueceremos, assim, o princípio enunciado no título do livro do arqueólogo Gordon Childe, <em>O Homem Faz-se a Si Próprio, </em>cuja leitura nos foi sugerida pelo Prof. Furtado, em Faro, num tempo em que o Algarve era outro? O tempo passou e deixou marcas e desertos. Um deles chama-se Guerra do Ultramar ou Colonial – hoje, nada passa sem uma multiplicidade de sentidos, com a conveniente incerteza e indefinição… – e este deserto nem todos o conseguiram já atravessar. Uma guerra que muitos pretendem ocultar, calando-se como num quase pacto de silêncio, calando sentimentos e experiências, para além da permanente <em>vulgata</em> habitual, mergulhados num banho de acusações, suspeitos disto e daquilo.</p>



<p>Talvez por isso os antigos combatentes experimentem um sentimento de culpa generalizada, uma espécie de pecado original de toda uma geração que começa a desaparecer e ainda procura um sentido para aquele tempo, que não seja apenas o da perda absurda. Será esta razão que inibe os veteranos de usar o distintivo concedido pelo Ministério da Defesa, exprimindo o <em>Reconhecimento da Nação</em>? Porque se consideram culpados? Porque os fizeram sentir culpados? Numa época de anacrónicos revisionismos históricos – e é preciso não esquecer o quanto o uso da História ao serviço de Política é perigoso, por ser sugestivo e muito eficiente… – não chamou aos militares de então uma conhecida jornalista nossa contemporânea <em>a soldadesca</em>, palavra desde logo odiosa? Afinal, quem fez o 25 de Abril?</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="538" height="389" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/antigo-combatente.png" alt="" class="wp-image-43804" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/antigo-combatente.png 538w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/antigo-combatente-300x217.png 300w" sizes="auto, (max-width: 538px) 100vw, 538px" /><figcaption class="wp-element-caption">A insígnia identificadora de <em>Antigo Combatente</em></figcaption></figure></div>


<p>Envelhecemos, os almoços de confraternização vão rareando e, na busca de um sentido para o que sucedeu, erramos num <em>deserto vermelho</em>, sem rumo garantido para tanta memória contraditória. Consideramos que não vivemos esses anos e que os perdemos para sempre, de todas as formas? Como hei-de terminar este escrito? Que esperança invocar para que este Verão, já adiantado, de sombras alongadas, seja aquela estação impossível de penumbras frescas em quartos velados e de insuspeitos hinos ao Sol e não a busca insensata do perdido? Afinal, não será a vida uma procura constante de nós próprios, sacrificados à identidade do que pensamos ser?</p>



<p>As comédias de Verão preenchem as salas quase vazias dos cinemas, o calor aperta, as guerras continuam, toda a gente finge a felicidade garantida por mais uma aquisição supérflua ou apenas por um gelado apetitoso, com sabor exótico, como deve ser agora. Quanto ao mais, os <em>desertos vermelhos </em>continuam por aí, individuais ou colectivos, de braço dado com o tempo passado, que já foi futuro. E ardem as árvores, que também já o foram, ontem.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-1024x576.png" alt="" class="wp-image-43616" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-1024x576.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-300x169.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-768x432.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-1536x864.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-696x392.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-1392x783.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-1068x601.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa-1320x743.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2025/08/fogos-capa.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Incêndio florestal algures em Portugal</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2025/08/os-desertos-vermelhos/">OS DESERTOS VERMELHOS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://duaslinhas.pt/2025/08/os-desertos-vermelhos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">43802</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
