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	<title>Arquivo de O ESTADO da ARTE - Duas Linhas</title>
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	<description>Informação online</description>
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	<title>Arquivo de O ESTADO da ARTE - Duas Linhas</title>
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		<title>A CONSPIRAÇÃO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Sep 2026 23:00:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Lula, põe-te a pau.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há qualquer coisa de inquietante na sucessão de acontecimentos em torno do Brasil. Trump não esconde a sua preferência por Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula da Silva nas próximas presidenciais. Ao mesmo tempo, Washington pressiona o Brasil em matérias tão sensíveis como o sistema eleitoral, a diplomacia e o acesso das empresas americanas às riquezas estratégicas brasileiras. A isto juntou-se a classificação de organizações criminosas brasileiras como terroristas, uma designação que, além da sua carga política, pode abrir a porta a argumentos para uma intervenção americana contra o narcotráfico dentro das fronteiras brasileiras. O Governo de Lula recusou, por razões de soberania, a presença de especialistas americanos na verificação das urnas electrónicas. Tudo isto <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/trump-nao-quer-lula-na-presidencia-do-brasil/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/09/trump-nao-quer-lula-na-presidencia-do-brasil/">publicámos ontem</a></strong>.</p>



<p>Agora surge uma nova peça. Circulam nas redes sociais cartazes anunciando, como facto consumado, que <strong>“cerca de 2 mil guerrilheiros” colombianos, identificados como dissidentes das FARC e membros do ELN, invadiram a fronteira brasileira e atacaram populações locais</strong>. </p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="741" height="1024" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_2026-09-01-20-10-28-800_com.facebook.katana-741x1024.jpg" alt="" class="wp-image-51199" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_2026-09-01-20-10-28-800_com.facebook.katana-741x1024.jpg 741w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_2026-09-01-20-10-28-800_com.facebook.katana-217x300.jpg 217w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_2026-09-01-20-10-28-800_com.facebook.katana-768x1061.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_2026-09-01-20-10-28-800_com.facebook.katana-1111x1536.jpg 1111w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_2026-09-01-20-10-28-800_com.facebook.katana-696x962.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_2026-09-01-20-10-28-800_com.facebook.katana-1068x1476.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/Screenshot_2026-09-01-20-10-28-800_com.facebook.katana.jpg 1220w" sizes="(max-width: 741px) 100vw, 741px" /></figure></div>


<p>Estão a fabricar a porta por onde vão entrar os marines americanos, em perseguição a alegados militantes de organizações terroristas. Tudo começou há algumas semanas, quando surgiram denúncias sobre a presença na Amazónia de homens armados idos da Colômbia. O Governo do Brasil reforçou a presença de forças de segurança na região e o Ministério Público abriu uma investigação. Mas não está confirmado que sejam 2 mil homens, nem que pertençam às organizações indicadas. Os adversários de Lula estão a transformar uma hipotética ameaça num facto consumado.</p>



<p>É assim que se constroem narrativas políticas. Primeiro existe um problema real, depois exagera-se a sua dimensão, atribui-se-lhe um inimigo identificável e, finalmente, exige-se uma resposta excepcional: <strong>“O Brasil precisa agir agora.”</strong> Não sabemos se está a ser preparada qualquer intervenção americana no Brasil, mas depois das ameaças proferidas por Trump, é legítimo perguntar se estamos perante a construção de um ambiente político destinado a apresentar o Brasil como um país que dá abrigo ao crime organizado. Quando se constrói uma ameaça suficientemente grande, a intervenção deixa de parecer uma agressão e começa a ser apresentada como uma necessidade. Uma salvação.</p>



<p>Para já, temos propaganda bolsonarista. Temos a extrema-direita a cavalgar mentiras e meias-verdades. Mas vemos como as peças começam a encaixar-se de uma forma que merece ser observada com muita atenção. Lula, põe-te a pau.</p>



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<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="600" height="761" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/trup-atacou-brasil.jpg" alt="" class="wp-image-51201" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/trup-atacou-brasil.jpg 600w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/trup-atacou-brasil-237x300.jpg 237w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="678" height="763" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/brasil-em-festa.jpg" alt="" class="wp-image-51202" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/brasil-em-festa.jpg 678w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/09/brasil-em-festa-267x300.jpg 267w" sizes="(max-width: 678px) 100vw, 678px" /><figcaption class="wp-element-caption">cartazes de campanha da extrema-direita brasileira usados nas redes sociais</figcaption></figure></div></div>
</div>



<p></p>
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		<title>TRUMP NÃO QUER LULA NA PRESIDÊNCIA DO BRASIL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 31 Aug 2026 23:00:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Trump apoia o adversário de Lula</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/trump-nao-quer-lula-na-presidencia-do-brasil/">TRUMP NÃO QUER LULA NA PRESIDÊNCIA DO BRASIL</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Para já, as armas de Trump são as habituais sanções económicas e as tarifas alfandegárias, mas a recente classificação de dois grupos do crime organizado brasileiros (CV e PCC) como “terroristas” abre a possibilidade dos americanos ensaiarem ataques militares em território brasileiro.</p>



<p>O argumento de que estão a combater o tráfico de droga já foi usado antes. Serviu para a operação militar que culminou com o rapto do Presidente Nicolas Maduro, na Venezuela. Hoje, os EUA saqueiam impunemente o petróleo venezuelano e Maduro continua preso à espera de um julgamento que, se não for manipulado, não irá provar nada contra o Presidente da Venezuela.</p>



<p>No Brasil, a campanha de Flávio está apoiada no financiamento e apoio político que recebe dos EUA, pelo qual o candidato promete que, quando for Presidente, vai entregar aos EUA as terras raras brasileiras.</p>



<p>O Governo dos Estados Unidos já tentou introduzir-se no sistema eleitoral brasileiro, com a alegação de que as urnas eletrónicas não são fiáveis. Quando o Governo brasileiro, por uma questão de soberania nacional, não permitiu qualquer tipo de inspeção dos norte-americanos às urnas eletrónicas, Trump retaliou com a retirada do visto ao diplomata que ia tomar o lugar de embaixador do Brasil em Washington.</p>



<p>A evidência que há muito dinheiro, pressão e influência política dos norte-americanos a perturbar o processo eleitoral brasileiro está no comportamento da imprensa que tem tratado estas questões como um problema diplomático entre os dois países, negligenciando o apoio de Trump ao candidato Flávio Bolsonaro.</p>



<p>Antes da campanha eleitoral, Flávio foi a Washington. Foram feitas fotografias dele com Trump, que têm sido usadas abundantemente na campanha, de modo a impressionar e a fixar o voto do eleitor de direita.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="606" height="547" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/flavio-c-trump.png" alt="" class="wp-image-51190" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/flavio-c-trump.png 606w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/flavio-c-trump-300x271.png 300w" sizes="auto, (max-width: 606px) 100vw, 606px" /><figcaption class="wp-element-caption">Nesta foto, Trump recebe Flávio Bolsonaro. Na foto seguinte, Marc Rubio recebe Flávio Bolsonaro</figcaption></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="555" height="576" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/flavio-c-rubio.png" alt="" class="wp-image-51191" style="width:460px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/flavio-c-rubio.png 555w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/flavio-c-rubio-289x300.png 289w" sizes="auto, (max-width: 555px) 100vw, 555px" /></figure></div></div>
</div>



<p>Depois de Trump, Flávio reuniu com Marco Rubio, o secretário de Estado do Governo dos EUA, o equivalente a ministro dos Negócios Estrangeiros. Depois do encontro com Rubio, Flávio disse: “dissemos que os Estados Unidos deveriam classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Dissemos que, se Deus quiser, a partir de 2027, o Brasil vai ser um aliado no combate ao crime organizado, diferente do atual governo, que parece proteger esses marginais”. Duas semanas depois, o CV e o PCC foram qualificados como “grupos terroristas” pelo Governo dos EUA, o que permitiu que o adversário de Lula reivindicasse a decisão como resultado da sua proximidade com Trump.</p>



<p>O histórico deste tipo de políticas dos norte-americanos mostra-nos <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/09/a-conspiracao/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/09/a-conspiracao/">os riscos que o Brasil corre</a></strong>. Basta ver os mais de 60 bombardeamentos que as Forças Armadas dos EUA já realizaram nas águas do Caribe e do Pacífico e a invasão da Venezuela sob a pretensão de que Nicolás Maduro era chefe de um cartel de drogas que nunca existiu.</p>



<p>Estas eleições no Brasil correm o risco de serem um simulacro democrático, tal o nível de intoxicação e de manipulação da realidade que grassa pelas redes sociais.</p>



<p></p>
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		<title>A PONTE, O CHEFE E A DEMOCRACIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Aug 2026 07:00:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[crise política na Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[nova Constituição na Guiné-Bissau]]></category>
		<category><![CDATA[referendo na Guiné-Bissau]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Será mau, um Estado institucionalmente frágil, ter uma liderança presidencial forte?</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há uma questão política que me parece interessante: será necessariamente mau, um Estado institucionalmente frágil, ter uma liderança presidencial forte?</p>



<p>Esta pergunta é incómoda. Estamos habituados a olhar para África através das categorias políticas construídas na Europa. Separação de poderes, equilíbrio institucional, contrapoderes, parlamentarismo, independência da justiça: tudo isto é essencial numa democracia consolidada. Mas as instituições não funcionam no vazio. Precisam de uma sociedade que as sustente.</p>



<p>A democracia europeia, tal como hoje a conhecemos, não apareceu por decreto. Tem pouco mais de dois séculos de construção. Foi feita de avanços e recuos, revoluções, guerras, ditaduras, sufrágio restrito, conflitos sociais e uma longa aprendizagem institucional. Não é razoável imaginar que sociedades que enfrentam simultaneamente pobreza, fraca escolarização, instituições frágeis, economias informais e profundas carências sociais, libertas do jugo colonial há pouco mais de 50 anos, possam simplesmente importar os mecanismos da democracia ocidental e esperar que funcionem da mesma maneira.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>ENTRE O “SIM” O “NÃO” E O BOICOTE</strong></h4>



<p>Não basta dizer que <strong><a href="https://duaslinhas.pt/2026/08/sobre-o-referendo-a-constituicao-da-guine-bissau/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/2026/08/sobre-o-referendo-a-constituicao-da-guine-bissau/">a nova Constituição «dá demasiado poder ao Presidente»</a></strong>. É preciso demonstrar quais são esses poderes, em que medida são diferentes dos anteriores e como alteram o equilíbrio entre Presidente, Governo e Parlamento. E também não basta dizer que uma liderança forte é necessária para garantir estabilidade. É preciso saber que mecanismos existem para impedir que a estabilidade se transforme em poder sem controlo.</p>



<p>A opção dos principais partidos da oposição guineense foi não ir a jogo, apelar ao boicote ao referendo. Os partidos poderiam ter escolhido combater a nova Constituição dentro do próprio referendo. Poderiam ter dito aos guineenses: votem «não», e explicar porquê. Poderiam ter identificado as alterações que consideram perigosas, explicá-las à população e, sobretudo, procurar convencer um eleitorado rural para quem uma Constituição é provavelmente uma abstracção distante da vida quotidiana.</p>



<p>O «não» exige trabalho. Obriga a explicar. Obriga a traduzir artigos constitucionais para uma linguagem que um camponês, um comerciante de uma pequena cidade ou um trabalhador rural possa compreender. Obriga a dizer: esta alteração é má por isto; esta competência presidencial é excessiva por aquilo; esta regra pode ter estas consequências. Exige, enfim, disputar o eleitorado.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="698" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/referendo-sim-ou-nao-1024x698.png" alt="" class="wp-image-51096" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/referendo-sim-ou-nao-1024x698.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/referendo-sim-ou-nao-300x205.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/referendo-sim-ou-nao-768x524.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/referendo-sim-ou-nao-218x150.png 218w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/referendo-sim-ou-nao-696x475.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/referendo-sim-ou-nao-1392x950.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/referendo-sim-ou-nao-1068x729.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/referendo-sim-ou-nao-1320x900.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/referendo-sim-ou-nao.png 1488w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>O boicote é muito mais simples, dá menos trabalho dizer “não vão votar”. É verdade que existem restrições à participação partidária na campanha e que o processo político que conduziu ao referendo é profundamente contestado. Nada disso deve ser ignorado. Mas há uma diferença entre denunciar um processo e desistir de disputar a sua consequência política.</p>



<p>É preciso dizer que a democracia não é a ausência de liderança. É a existência de mecanismos que permitem controlar a liderança. Um Estado frágil pode precisar de autoridade para funcionar. Pode precisar de alguém que diga «sim», que coordene, que decida.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>A PONTE SOBRE UM PEQUENO RIO</strong></h4>



<p>Lembro-me de uma pequena história passada no norte da República Democrática do Congo, numa região de floresta tropical húmida. Tínhamos montado um acampamento junto a um pequeno rio e uma ponte rudimentar, apenas um tronco atravessado de uma margem para a outra, facilitaria bastante as deslocações.</p>



<p>Perguntámos ao chefe da aldeia, situada a cerca de trinta quilómetros dali, se podíamos construí-la. Respondeu que sim, mas que seria ele a mandar fazê-la.</p>



<p>Uns dias depois apareceu no acampamento com muitos homens equipados com machados e catanas. Cortaram uma árvore grande, puxaram-na até ao rio e colocaram-na atravessada sobre a água. A operação demorou horas. A árvore era pesada. Todos fizeram força, menos o chefe. O chefe passou o tempo a cantar.</p>



<p>Perguntei-lhe porquê. Explicou-me que cantava para incentivar os homens e, enquanto cantava, dava instruções. No fim, disse-me uma coisa que nunca esqueci: sem ele, aquela ponte provavelmente nunca teria sido construída. Primeiro, porque o poder de dizer sim ou não era dele. Depois, porque sem coordenação os homens teriam tido muita dificuldade em realizar a obra.</p>



<p>O chefe não pegou no machado. Não puxou a árvore. Não fez o trabalho mais pesado. Mas decidiu, autorizou, organizou e coordenou. Para os homens que trabalhavam, isso parecia ser uma função perfeitamente natural do chefe.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="expedição 1º episódio (6ªparte)" width="696" height="522" src="https://www.youtube.com/embed/QY1yOHRdqEk?list=PL2D77563DEEA25A04" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption">Vídeo: este excerto faz parte de uma série documental de 3 episódios sobre uma expedição científica de biólogos que procuravam uma espécie perdida de gorilas.</figcaption></figure>
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		<title>PEQUENAS MENTIRAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Vítor Fonseca]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Aug 2026 23:00:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O líder do PSD prometeu ‘uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma’</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O líder do PSD, na festa do Pontal, não tendo nada de novo para mostrar aos Portugueses, anunciou que o passe verde da CP, que custa 20 euros, passaria a englobar os comboios suburbanos.</p>



<p>Esta ‘oferta’ fez-me recordar um dos mitos urbanos da Faculdade de Direito de Lisboa. Contavam que, na defesa da tese de doutoramento de Soares Martinez, Marcelo Caetano, com a superioridade intelectual que sentia em relação ao doutorando, teria dito: ‘a sua tese tem coisas boas e coisas originais, é pena as originais não serem boas e as boas não serem originais’.</p>



<p>À falta de alguma proposta original, o líder do PSD prometeu ‘uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma’ (recorro a Irene Lisboa para acentuar o vazio da proposta). Como explica, e bem, Francisco Fortunato, um especialista em ferrovia, as pessoas que recorrem aos transportes públicos nas regiões suburbanas necessitam de mobilidade. Elas usam diversos meios de transporte e, por isso, têm o passe que custa 40 euros e lhes dá acesso ao Metro, à Carris &#8211; Metropolitano, à Transtejo, ou seja, terão sempre de continuar a comprar o passe de 40 euros para poderem ter a mobilidade de que necessitam para chegar ao emprego. Assim, além dos 20 euros do passe CP verde, soma-se o passe de 40 euros. </p>



<p>Há tontinhos e tontinhas que votaram nesta gente. Merecem bem ser enganados! O mais grave é que gostam desta pequena mentira e das outras, das grandes mentiras. Vejamos: a do crescimento económico superior à média europeia, num tempo em que se vive um clima de guerra; a da estabilidade governamental; a da negação da autoria do estudo sobre a reforma da segurança social; a da negação do estado caótico na saúde…</p>



<p>De mentira em mentira o governo arrasta-se causando danos irreversíveis ao País. Mas, apesar deste caos, espero que o executivo cumpra a legislatura até ao seu termo. E que os eleitores portugueses fiquem vacinados para os próximos dez anos.</p>
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		<title>LISBOA E JERUSALÉM (semelhanças inesperadas)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2026 23:00:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[mesquita antiga de Lisboa]]></category>
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		<category><![CDATA[sionismo]]></category>
		<category><![CDATA[Terceiro Templo de Jerusalém]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma visão do mundo em torno de uma ideia muito simples: esta terra é nossa porque Deus no-la deu.</p>
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<p>Frequentemente, nas redes sociais, aparecem vídeos de grupos de judeus a entrarem no recinto da mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, sob protecção das forças israelitas. Não são turistas. Eles vão ali para realizarem rituais religiosos e alguns defendem abertamente a construção, naquele mesmo lugar, do chamado Terceiro Templo judaico.</p>



<p>Para os palestinianos muçulmanos, e para uma grande parte do mundo islâmico, aquilo é uma provocação. E, mais do que isso, é o sinal de uma ameaça que há muito deixou de ser imaginária.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="youtube-embed" data-video_id=""><iframe loading="lazy" title="O QUE OS JUDEUS VÃO FAZER COM A MESQUITA AL-AQSA" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/e4bImaz0BBU?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sub>vídeo</sub></em></figcaption></figure>



<p>É fácil olhar para este jovem e classificá-lo simplesmente como um fanático. O problema é que as ideias que exprime não surgem no vazio. Há organizações religiosas, movimentos nacionalistas e sectores políticos em Israel que defendem, em diferentes graus, uma alteração radical do actual estatuto do recinto de Al-Aqsa. E há membros do poder político israelita que fazem dessas correntes parte da realidade do governo.</p>



<p>O que talvez seja mais perturbador não é, contudo, a existência de mais um fanático religioso. Fanáticos sempre existiram. O que impressiona é perceber que, no século XXI, depois de tudo o que a humanidade aprendeu, continua perfeitamente possível organizar uma visão do mundo em torno de uma ideia muito simples: esta terra é nossa porque Deus no-la deu. E, se Deus a deu a nós, os outros estão a mais.</p>



<p>Jerusalém não é, neste aspecto, uma excepção da História. Talvez seja apenas um dos lugares onde a História se torna mais visível. Basta pensar em Lisboa.</p>



<p>Depois da conquista da cidade, em 1147, a nova ordem cristã não se limitou a substituir o poder político muçulmano. Mudou também a paisagem religiosa. No espaço onde hoje se ergue a Sé Catedral existiu a <strong><a href="https://duaslinhas.pt/tag/mesquita-antiga-de-lisboa/" type="link" id="https://duaslinhas.pt/tag/mesquita-antiga-de-lisboa/">Grande Mesquita da Lisboa</a></strong> islâmica, assentando ela própria sobre estruturas ainda mais antigas, reveladas ou confirmadas pela investigação arqueológica. Uma sucessão de povos, crenças e poderes foi deixando ali as suas marcas.</p>



<p>Não é necessário estabelecer uma equivalência moral ou histórica entre a conquista de Lisboa no século XII e o que hoje acontece em Jerusalém. São épocas diferentes, sociedades diferentes, mundos políticos diferentes. Mas há qualquer coisa que atravessa os séculos. O vencedor não se limita a conquistar o território. Quer também conquistar os seus símbolos. A vitória militar parece incompleta enquanto o deus do vencido continuar a ter uma casa de oração no lugar onde agora manda o vencedor.</p>



<p>Uma mesquita transforma-se em catedral. Um templo deve desaparecer para que outro possa ser reconstruído. O espaço que durante séculos foi sagrado para uns passa a ser reclamado como sagrado exclusivamente por outros.</p>



<p>Gostamos de pensar que evoluímos. E, naturalmente, evoluímos. Sabemos hoje coisas que os nossos antepassados não poderiam sequer imaginar. Fotografamos galáxias distantes, manipulamos genes, enviamos máquinas para outros planetas, construímos sistemas capazes de processar quantidades absurdas de informação e comunicamos instantaneamente com pessoas do outro lado do mundo. Mas o progresso técnico não produziu progresso moral.</p>



<p>Podemos usar um telemóvel de última geração e continuar a acreditar que Deus entregou uma determinada parcela do planeta exclusivamente à nossa tribo. Podemos viajar de avião, recorrer à inteligência artificial, fazer uma operação ao coração e continuar a pensar exactamente como pensavam os homens que, há muitos séculos, destruíam os símbolos religiosos dos vencidos para afirmar a superioridade da sua própria fé.</p>



<p>A humanidade pode aperfeiçoar a máquina sem aperfeiçoar o homem que carrega no botão. Continuamos a matar, expulsar e destruir em nome de &#8220;certezas&#8221; que têm milhares de anos. Em Jerusalém, essa realidade está diante dos nossos olhos. Partilhada nas redes sociais, discutida por políticos e protegida por soldados.</p>



<p>A distância entre a espada de um cruzado que entrou em Lisboa em 1147 e o smartphone de um jovem sionista que defende hoje a destruição de Al-Aqsa parece enorme. Talvez não seja assim tão grande.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="646" height="490" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/mesquita-de-lisboa-4x.jpg" alt="" class="wp-image-51058" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/mesquita-de-lisboa-4x.jpg 646w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/mesquita-de-lisboa-4x-300x228.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 646px) 100vw, 646px" /><figcaption class="wp-element-caption">artigos publicados sobre a mesquita de Lisboa em <a href="https://duaslinhas.pt/tag/mesquita-antiga-de-lisboa/">Arquivo de mesquita antiga de Lisboa &#8211; Duas Linhas</a></figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/08/lisboa-e-jerusalem-semelhancas-inesperadas/">LISBOA E JERUSALÉM (semelhanças inesperadas)</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>OS MILHÕES QUE SEPARAM O “OLIMPO” DA TERRA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[António da Cunha Justo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Aug 2026 09:00:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
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		<category><![CDATA[ricos e pobres]]></category>
		<category><![CDATA[salários baixos]]></category>
		<category><![CDATA[salários dos gestores]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A distância entre o «céu» e a «terra» tornou-se  tão grande... </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Os membros dos conselhos de administração das empresas do DAX, que é o principal índice bolsista alemão, ganham, em média, uns confortáveis 3,9 milhões de euros por ano, incluindo bónus. Confortáveis, pelo menos, para quem os recebe.</p>



<p>Segundo uma análise da Associação Alemã de Proteção dos Acionistas (DSW) e da Universidade Técnica de Munique, as remunerações dos gestores de topo aumentaram cerca de 4% em relação ao ano anterior. Em média, os membros dos conselhos de administração das empresas do DAX receberam 42 vezes mais do que os seus trabalhadores.</p>



<p>Mas, como em qualquer campeonato digno desse nome, também aqui há quem consiga destacar-se. Na Adidas, a direção recebeu 106 vezes mais do que um trabalhador médio; na Volkswagen, 75 vezes mais; e na Fresenius, 70 vezes mais. Aparentemente, quanto mais alto se sobe na escada empresarial, mais pequenos parecem aqueles que ficam lá em baixo.</p>



<p>Quando se passa dos membros dos conselhos de administração para os presidentes executivos, as alturas tornam-se ainda mais olímpicas. Segundo a análise, a remuneração média dos dirigentes máximos das empresas do DAX referente a 2025 rondou os 6,14 milhões de euros. O presidente da SAP recebeu 10,9 milhões.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>E NOS STATES&#8230;</strong></h4>



<p>E, contudo, o Olimpo alemão ainda parece uma modesta colina quando comparado com o americano. Nos 30 grupos que integram o Dow Jones Industrial Average, a remuneração média dos dirigentes atingiu cerca de 30,5 milhões de euros. No topo encontra-se David M. Solomon, da Goldman Sachs, com o equivalente a 105,3 milhões de euros, seguido de Satya Nadella, da Microsoft, com 85,5 milhões, e Tim Cook, da Apple, com 65,8 milhões.</p>



<p>Há números que dispensam comentários; estes, porém, quase os exigem.</p>



<p>A palavra mágica utilizada para justificar semelhantes remunerações chama-se concorrência. É preciso pagar muito para conseguir os melhores, argumenta-se. O salário transforma-se, assim, numa espécie de medalha atribuída em função do sucesso empresarial, das expectativas dos mercados e, não raramente, de especulações sobre aquilo que amanhã poderá valer mais do que vale hoje. O problema não está em reconhecer competência, responsabilidade, risco ou mérito; está sim na perda da medida.</p>



<p>Uma sociedade precisa de diferenças para reconhecer responsabilidades e desempenhos diferentes, mas não precisa de abismos. Quando a remuneração de uns se torna possível à custa da crescente desvalorização do trabalho de muitos outros, a diferença deixa de ser apenas económica e passa a ser também uma questão moral e política.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>MAS O ABISMO SOCIAL AUMENTA</strong>&#8230;</h4>



<p>Por isso, seria legítimo discutir limites máximos para remunerações desta natureza e perguntar se aquilo que ultrapassasse determinados patamares não deveria reverter, pelo menos em parte, para instituições de utilidade pública. Não se trata de castigar o sucesso, mas de recordar que nenhuma empresa prospera graças a uma única pessoa. Por detrás de cada presidente executivo há milhares de trabalhadores, fornecedores, técnicos, investigadores, consumidores e uma sociedade inteira que disponibiliza escolas, universidades, infraestruturas, segurança e estabilidade. Nenhum deus do Olimpo empresarial construiu sozinho a montanha onde se encontra sentado.</p>



<p>A distância entre o «céu» e a «terra» tornou-se entretanto tão grande que, cá em baixo, o cidadão comum começa a sentir tremuras. Enquanto no Olimpo se discutem milhões, na planície contam-se euros para a renda, para a eletricidade, para os alimentos e para chegar ao fim do mês. E, curiosamente, é precisamente ao povo que produz grande parte da riqueza que mais frequentemente se recomenda moderação, contenção salarial, produtividade, paciência e, naturalmente, satisfação. A moral, ao que parece, continua a viajar em classe económica.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>&#8230; E NO ENTANTO A MONTANHA É SUSTENTADA POR QUEM ESTÁ EM BAIXO</strong></h4>



<p>O êxito económico é necessário e o lucro faz parte da vida empresarial. Mas uma sociedade em que o lucro deixa de ser um instrumento e se transforma no objetivo supremo corre o risco de converter também as pessoas em instrumentos. Quando remunerações milionárias coexistem com trabalhadores obrigados a contar cada euro, já não estamos apenas perante uma questão de mercado, para estamos perante uma questão de humanidade e de medida.</p>



<p>Uma economia que perde a medida acaba por perder também a legitimidade. E uma política que contempla estes abismos como se fossem fenómenos meteorológicos inevitáveis contribui para o descrédito das próprias instituições democráticas. Certamente não será necessário expulsar os deuses do Olimpo. Bastaria recordar-lhes, de vez em quando, que a montanha é sustentada por quem trabalha cá em baixo. </p>



<p><sub>(adaptação de crónica publicada no blog <a href="https://antonio-justo.eu/?p=11320" type="link" id="https://antonio-justo.eu/?p=11320">Pegadas do Tempo</a>)</sub></p>



<p> </p>



<p></p>
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		<title>O MÉDICO INGLÊS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Aug 2026 10:59:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
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		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
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		<category><![CDATA[Nick Maynard]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O médico fez um relato terrível à TRT sobre o que viu em Gaza</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nick Maynard é medico, cirurgião, professor em Oxford, um profissional muitíssimo considerado em todo o mundo, uma pessoa disponível para ajudar quem mais necessita dos seus conhecimentos. É por isso que esteve já muitas vezes no Médio Oriente, em momentos de conflito e pós-conflito. Conhece bem Gaza. Fez um relato terrível à TRT, o canal internacional de notícias turco que tem dado uma atenção especial ao que Israel anda a fazer.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Inside Voices: Dr Nick Maynard" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/-s123VK2nEM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><em><sup>vídeo</sup></em></figcaption></figure>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>O QUE MAYNARD DIZ NO VÍDEO</strong></h4>



<p>Maynard começou a ir até Gaza e à Cisjordânia no ano de 2010. Deu aulas nas faculdades de medicina palestinianas, conhecia bem a realidade que se vivia tanto nos territórios ocupados como na Gaza cercada, onde só entrava quem Israel autorizava. Mas nada o preparou para o que se ia passar, depois de outubro de 2023.</p>



<p>O relato deste médico inglês é chocante. “Podíamos sentir o cheiro a queimado”, “vi bebés mortos com tiros na cabeça”. Lembra-se das noites passadas na sala de operações, dos bombardeamentos que atingiam o hospital enquanto decorriam intervenções cirurgicas para salvar sobreviventes, do número de crianças vítimas daquela violência à solta que tudo destruiu. Lembra-se do chão do Hospital Al-Aqsa coberto de corpos, uns mortos outros ainda vivos, do sangue, dos gritos, do desespero coletivo.</p>



<p>Diz calcular que 75% das vítimas que viu serem crianças e mulheres. Não encontra nada que justifique esse facto nem qualquer razão para os hospitais terem sido destruídos total ou parcialmente.</p>



<p>Na memória ficou-lhe o caso especial de Habiba, uma menina de 11 anos, que chegou ao hospital com o peito desfeito pelo rebentamento de uma bomba. </p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-3 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="893" height="633" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-4-habiba.jpg" alt="" class="wp-image-51008" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-4-habiba.jpg 893w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-4-habiba-300x213.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-4-habiba-768x544.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-4-habiba-696x493.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 893px) 100vw, 893px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="917" height="652" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-5-habiba.jpg" alt="" class="wp-image-51009" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-5-habiba.jpg 917w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-5-habiba-300x213.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-5-habiba-768x546.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-5-habiba-696x495.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 917px) 100vw, 917px" /></figure></div></div>
</div>



<p>Passou horas com aquela criança no bloco operatório, reconstruiu o esófago da menina e ela sobreviveu à cirurgia e teria condições para recuperar. Mas Habiba morreu de fome quatro semanas depois.</p>



<p>As declarações de Nick Maynard são dirigidas contra Israel, pela matança direta nos bombardeamentos e a ação de snipers contra civis, pelo bloqueio de alimentos, pelo bloqueio de medicamentos, pelo bloqueio de tudo que pudesse contribuir para evitar mais mortes.</p>



<p>Críticas que englobam todos os governos que nada fizeram e nada fazem para obrigar Israel a cumprir com a Lei Internacional ou com preceitos civilizacionais.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="453" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-6-1024x453.jpg" alt="" class="wp-image-51010" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-6-1024x453.jpg 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-6-300x133.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-6-768x340.jpg 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-6-696x308.jpg 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-6-1392x616.jpg 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-6-1068x473.jpg 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-6-1320x584.jpg 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/gaza-6.jpg 1478w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">as valas comuns em Gaza</figcaption></figure></div><p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/08/o-medico-ingles/">O MÉDICO INGLÊS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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		<title>&#8220;FUCK CHEGA&#8221; DISSERAM ELAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Aug 2026 23:00:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
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		<category><![CDATA[música punk]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Uma recusa bastante frontal da ideia de que os artistas devem ser inofensivos</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/08/fuck-chega-disseram-elas/">&#8220;FUCK CHEGA&#8221; DISSERAM ELAS</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Fuck Chega. Não são duas artistas a provocar gratuitamente um partido português. Houve ali uma atitude política coerente, uma recusa bastante frontal da ideia de que os artistas devem ser inofensivos, neutros e cuidadosamente embalados para não incomodar ninguém.</p>



<p>Fuck Chega. O palavrão também faz parte da linguagem. O fascismo não costuma regressar de casaco preto, braçadeira e passo de ganso. Muitas vezes apresenta-se de fato e gravata, fala em «segurança», «ordem», «identidade nacional» e «vontade do povo». Talvez por isso seja difícil combatê-lo com palavras excessivamente educadas.</p>



<p>Fuck Chega. Vivam Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco, Sérgio Godinho, Luís Cília, Manuel Freire e Francisco Fanhais. Naqueles tempos, a palavra era trabalhada, havia a censura prévia da PIDE, as prisões do regime fascista. A palavra era poesia, a música era arma da resistência contra o regime do Estado Novo. Com jeito, driblava-se a censura prévia através de metáforas e mensagens subliminares: &#8220;eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada&#8230;&#8221;</p>



<p>Fuck Chega. O verdadeiro escândalo é termos chegado a um ponto em que uma frase de confronto consegue causar mais perturbação do que aquilo que, diariamente, vai sendo dito e normalizado na política.</p>



<p>Fuck Chega. Dizer isto não é nada demais para quem comunica através deste género de música a que os entendidos chamam “garage punk” em versão “punk feminista” aka “riot grrrl”. As coisas que se aprende quando temos de pesquisar para escrever uma crónica&#8230;</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Fuck Chega. A palavra bruta mais as &nbsp;guitarras agressivas, muita bateria, canções curtas e intensas, uma atitude deliberadamente confrontacional, letras sobre misoginia, violência sexual, homofobia, desigualdade e política. Não é propriamente o rock clássico, nem o punk ortodoxo dos Sex Pistols, é algo mais modernaço mas que recupera muito da tradição punk: barulho, irreverência, provocação e intervenção política.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="705" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fuck-chega-4-1024x705.png" alt="" class="wp-image-50998" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fuck-chega-4-1024x705.png 1024w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fuck-chega-4-300x207.png 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fuck-chega-4-768x529.png 768w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fuck-chega-4-1536x1057.png 1536w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fuck-chega-4-218x150.png 218w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fuck-chega-4-436x300.png 436w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fuck-chega-4-696x479.png 696w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fuck-chega-4-1392x958.png 1392w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fuck-chega-4-1068x735.png 1068w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fuck-chega-4-1320x909.png 1320w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/fuck-chega-4.png 1569w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>Fuck Chega. Um episódio para recordar durante muito tempo, orquestrado por uma banda formada em Brighton, Inglaterra. Onde terão ido elas buscar o nome Lambrini Girls?</p>



<p>Agora, a versão vídeo desta crónica:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-9-16 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="youtube-embed" data-video_id=""><iframe loading="lazy" title="Fuck Chega" width="563" height="1000" src="https://www.youtube.com/embed/yqhXLpPR-Fw?feature=oembed&#038;enablejsapi=1" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
</div><figcaption class="wp-element-caption">vídeo</figcaption></figure>
</div></div>



<p>Se o YouTube não vos deixar ver o vídeo, experimentem o X:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-x wp-block-embed-x"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<div class="embed-x"><blockquote class="twitter-tweet" data-width="550" data-dnt="true"><p lang="pt" dir="ltr">Em cada batida, em cada acorde, em cada uma das palavras ditas bem alto, a declaração de guerra contra fascistas e impérios. <a href="https://t.co/76HdPsfit2">pic.twitter.com/76HdPsfit2</a></p>&mdash; Carlos Narciso (@carlosnarciso) <a href="https://x.com/carlosnarciso/status/2090523152761688253?ref_src=twsrc%5Etfw">August 20, 2026</a></blockquote><script async src="https://platform.x.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></div>
</div></figure>
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		<title>A SINFONIA DA PREGUIÇA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sílvia Quinteiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Aug 2026 13:09:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[SOCIEDADE]]></category>
		<category><![CDATA[a vida tal como ela é]]></category>
		<category><![CDATA[dolce far niente]]></category>
		<category><![CDATA[olhar o mar]]></category>
		<category><![CDATA[verão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Há uma orquestra que só toca no verão</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há uma orquestra que só toca no verão. Não sei onde se esconde durante o resto do ano. Talvez se desmonte peça por peça. Ou, talvez, quem sabe, continue a tocar baixinho, abafada pelo ruído dos dias apressados. Em agosto, porém, ouço-a refastelada, a bater o compasso com as pálpebras pesadas.</p>



<p>A abrir o concerto, o naipe dos sopros, com o piar entediado das gaivotas. Depois, a brisa, a empurrar a cortina que roça pelo chão. Ao longe, os clarinetes trazem-me vozes difusas. Conversas que se perdem antes de chegar até mim.</p>



<p>Entra então o mar, pelas cordas. O marulhar vai e vem, sem pressa, indiferente ao mundo, como se não soubesse o efeito que produz. Mas sabe. Sabe perfeitamente. Há qualquer coisa de <em>blasé</em> naquele ir e vir, ir e vir, no ondular <em>ad infinitum</em> da mesma nota perfeita.</p>



<p>Depois do almoço+, entra a percussão. O som miúdo da água da piscina. E, a sustentar a melodia, o pulsar das cigarras. Os tímbalos vibrantes e o calor em harmonia.  Eu, entre o sono e o sonho. Em transe.</p>



<p>O adágio demora-se. Ainda mais lento. Quase sem dar por isso, o meu respirar encontra o da cadela adormecida a meu lado. Sobe o peito dela, sobe o meu. Desce o dela, desce o meu. E, nesse movimento sincronizado e manso, deixo-me levar. É ela que me adormece.</p>



<p>Quando acordo, a luz já mudou. A tarde começa a cair e as cigarras deram lugar aos grilos. Entram as cordas, de novo, mas agora mais finas, mais espaçadas, num som que parece vir de todos os lados e de lado nenhum. Depois, o violoncelo. Uma nota grave e longa.</p>



<p>Fico deitada mais um pouco, a ouvir. Estamos a meio do verão. Ainda falta o segundo andamento desta  sinfonia da preguiça. Mal posso esperar.</p>
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		<title>FALAR DA PALESTINA TEM UM PREÇO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Carlos Narciso]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 23:00:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Economia e Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[JUSTIÇA]]></category>
		<category><![CDATA[Lifestyle & Gadgets]]></category>
		<category><![CDATA[MUNDO]]></category>
		<category><![CDATA[O ESTADO da ARTE]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[crimes de guerra de Israel]]></category>
		<category><![CDATA[genocídio do povo palestiniano]]></category>
		<category><![CDATA[sionismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cinco pessoas. Cinco histórias diferentes..</p>
<p>O conteúdo <a href="https://duaslinhas.pt/2026/08/falar-da-palestina-tem-um-preco/">FALAR DA PALESTINA TEM UM PREÇO</a> aparece primeiro em <a href="https://duaslinhas.pt">Duas Linhas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><strong><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Sarah_Friedland" type="link" id="https://en.wikipedia.org/wiki/Sarah_Friedland">Sarah Friedland</a></strong> é um dos casos mais interessantes. A realizadora norte-americana, judia, recebeu em setembro de 2024, no Festival de Veneza, o Leão do Futuro pelo seu filme <em><strong><a href="https://www.youtube.com/watch?v=opxCNsKhvdA" type="link" id="https://www.youtube.com/watch?v=opxCNsKhvdA">Familiar Touch</a></strong></em>. No discurso de agradecimento, utilizou o palco da sua consagração internacional para dizer que falava no 336.º dia do “genocídio de Israel em Gaza” e para manifestar solidariedade com o povo palestiniano. Houve reacções e ataques públicos. Quanto a eventuais consequências profissionais, Friedland ainda não quis falar delas. E essa escolha merece ser respeitada, apesar de beneficiar o infrator. Para a história fica, para já, que uma realizadora judia decidiu utilizar um dos palcos mais prestigiados do cinema mundial para denunciar o genocídio que o povo da Palestina está a enfrentar.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="762" height="431" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/sarah-friedman.jpg" alt="" class="wp-image-50944" style="width:762px;height:auto" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/sarah-friedman.jpg 762w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/sarah-friedman-300x170.jpg 300w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/sarah-friedman-696x394.jpg 696w" sizes="auto, (max-width: 762px) 100vw, 762px" /><figcaption class="wp-element-caption">Sarah Friedland quando recebeu o Leão de Veneza e proferiu o discurso crítico contra Israel, em 2024</figcaption></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>O caso de <strong><a href="https://www.hotpress.com/culture/irish-comedian-tadhg-hickey-claims-instagram-account-taken-down-following-outspoken-support-for-palestinians-23086844?" type="link" id="https://www.hotpress.com/culture/irish-comedian-tadhg-hickey-claims-instagram-account-taken-down-following-outspoken-support-for-palestinians-23086844?">Tadhg Hickey</a></strong>. O comediante irlandês transformou o activismo pela Palestina numa parte importante da sua intervenção pública. Em Maio de 2025, a sua conta principal no Instagram, com cerca de 300 mil seguidores, foi eliminada. Hickey afirmou que não recebeu qualquer aviso prévio. O seu percurso noutras plataformas digitais foi ainda mais complicado, com bloqueios no TikTok e no YouTube. Aqui já não estamos apenas perante a possibilidade abstracta de uma carreira prejudicada por opiniões políticas: estamos perante contas, conteúdos e canais que desapareceram ou sofreram restrições severas.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="540" height="697" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/Tadhg-Hickey3-1.jpg" alt="" class="wp-image-50948" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/Tadhg-Hickey3-1.jpg 540w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/Tadhg-Hickey3-1-232x300.jpg 232w" sizes="auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px" /><figcaption class="wp-element-caption">depois de perder as redes sociais, Tadhg Hickey vive de stand-up comedy em espetáculos ao vivo</figcaption></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p><strong><a href="https://www.instagram.com/nicolejenes/" type="link" id="https://www.instagram.com/nicolejenes/">Nicole Jenes</a></strong>. Actriz e criadora de conteúdos tem denunciado repetidamente aquilo que considera censura às suas publicações sobre a Palestina.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="480" height="607" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/nicole-jenes.jpg" alt="" class="wp-image-50956" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/nicole-jenes.jpg 480w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/nicole-jenes-237x300.jpg 237w" sizes="auto, (max-width: 480px) 100vw, 480px" /><figcaption class="wp-element-caption">Nicole Jenes</figcaption></figure></div>


<p>A Human Rights Watch documentou mais de mil casos de remoção ou supressão indevida de conteúdos pró-palestinianos no Facebook e no Instagram em 2023, identificando, entre outros mecanismos, eliminação de publicações, suspensão de contas, restrição de funcionalidades e aquilo que se convencionou chamar <em>shadow banning</em>: a redução significativa da visibilidade de conteúdos sem que o utilizador seja necessariamente informado. Não se trata, portanto, de uma questão inventada por Jenes ou por activistas palestinianos. É uma realidade suficientemente documentada por organizações independentes de direitos humanos.</p>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Depois há <strong><a href="https://www.instagram.com/iyahmayhem/" type="link" id="https://www.instagram.com/iyahmayhem/">Iyah May</a></strong>, cantora australiana. O seu caso leva a questão para dentro da própria indústria musical. May lançou <em>Karmageddon</em>, uma canção que confronta, entre outras coisas, a morte de crianças pelos militares de Israel. </p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Iyah May Karmageddon Lyric Music Video" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/y29kmnhjtc8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption class="wp-element-caption"><sup>vídeo clip</sup></figcaption></figure>



<p>Segundo o relato que acompanha o seu percurso profissional, recusou alterar a letra desta e de outras canções e acabou por perder o contrato com a editora e com o empresário. Passou a trabalhar de forma independente. É um caso particularmente interessante porque a consequência não é uma conta apagada por um algoritmo: é a ruptura com uma estrutura profissional da indústria cultural.</p>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-4 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow"><div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="518" height="687" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/iyah-may-4.jpg" alt="" class="wp-image-50952" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/iyah-may-4.jpg 518w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/iyah-may-4-226x300.jpg 226w" sizes="auto, (max-width: 518px) 100vw, 518px" /></figure></div></div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="511" height="635" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/iyah-may-5.jpg" alt="" class="wp-image-50953" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/iyah-may-5.jpg 511w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/iyah-may-5-241x300.jpg 241w" sizes="auto, (max-width: 511px) 100vw, 511px" /><figcaption class="wp-element-caption">Iyah May</figcaption></figure>
</div>
</div>
</div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>E há <strong><a href="https://www.instagram.com/juliamaiart/" type="link" id="https://www.instagram.com/juliamaiart/">Julia Mai</a></strong>, artista islandesa, cuja intervenção pela Palestina tem sido igualmente explícita. Em 2026, continuava a desenvolver projectos artísticos de solidariedade com a Palestina e a utilizar a sua arte para chamar a atenção para Gaza. No seu caso, porém, há uma diferença importante: temos um vídeo da própria Julia Mai, onde ela denuncia uma ameaça de morte. Não é só o silenciamento institucional ou algorítmico. É intimidação pessoal.</p>


<div class="wp-block-image">
<figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="597" height="400" src="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/julia-mai-junto-de-um-dos-seus-murais.jpg" alt="" class="wp-image-50950" srcset="https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/julia-mai-junto-de-um-dos-seus-murais.jpg 597w, https://duaslinhas.pt/wp-content/uploads/2026/08/julia-mai-junto-de-um-dos-seus-murais-300x201.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 597px) 100vw, 597px" /><figcaption class="wp-element-caption">Júlia Mai junto de um dos seus murais pintados em Reiquiavique, capital da Islândia</figcaption></figure></div></div></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained">
<p>Cinco pessoas. Cinco histórias diferentes. Uma realizadora. Um comediante. Uma criadora digital. Uma cantora. Uma artista. Nenhuma representa formalmente um governo ou uma organização política. São profissionais da cultura que decidiram falar. Perante um caso tão flagrante de execução de crimes de guerra e contra a Humanidade, deviam ser elogiados e não censurados.</p>



<p>Para além da ação conjugada do Estado que promove um genocídio, temos a tecnologia posta ao dispor dos interesses desse Estado, a que se soma a cobardia de instituições, empresas de comunicação social, editoras, e outros, que receiam perder receitas de financiadores, receiam retaliações políticas, receiam polémicas, temos profissionais que preferem não correr riscos, anunciantes que não querem problemas e gente que aprende, observando o que acontece aos outros, quais são os limites do discurso que os donos-disto-tudo consideram aceitável. É assim que &#8220;eles&#8221; tentam construir um muro de silêncio.</p>



<p>Sem entrar em teorias da conspiração, é evidente que existe uma ação orgânica global, com base política, para calar vozes inconvenientes. Em Gaza e no Líbano mataram mais de 250 jornalistas e ativistas nas redes sociais. Na Cisjordânia prenderam-nos. Na Europa e na América cortam-lhes o pio. É um trabalho sistemático, multifacetado, orientado através de patrocinadores, diplomatas, patrões, influencers, assassinos fardados e outros idiotas úteis, que nos mostra o preço a pagar no modo de vida ou até na segurança pessoal, quando alguém decide lutar contra a prepotência e a injustiça.</p>



<p>O vídeo que fiz sobre este assunto:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Perseguidos" width="696" height="392" src="https://www.youtube.com/embed/wHnlwhQATPk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>
</div></div>



<p></p>



<p></p>



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<p></p>
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